Rainha da Neve
10 Morte na Montanha
Notas iniciais
Elsa não havia dormido direito naquela noite, ansiosa e preocupada. Cochilara um pouco, mas seu sono foi interrompido o tempo todo por imagens terríveis causadas pela sua mente.
Tinha querido ir até a Montanha do Norte quando recebera a carta de Rosalya, mas fora impedida pelos criados e nobres restantes em seu castelo. Mesmo assim, ela ainda tinha insistido e só fora persuadida a ficar quando Olaf apareceu sozinho, dizendo que alguma coisa estranha acontecera e a Montanha do Norte fora envolta em uma nevasca isolada.
Mas agora que o sol nascia nada poderia segurá-la. Perdera nove homens para Rosalya, não podia continuar enviando pequenos grupos para combatê-la.
Elsa realmente tinha que fazer alguma coisa.
Trocou a camisola por um vestido e penteou o cabelo. Não soube dizendo tanto tempo demorou, mas, enquanto se olhava no espelho, Olaf invadiu o quarto, correndo em passos curtos.
– Elsa! – ele chamou. – Está pronta? Precisamos salvar Anna!
A Rainha olhou para o boneco de neve. A preocupação estampada em suas feições. Era triste vê-la substituindo sua alegria habitual.
Levantou-se, tentando passar confiança e caminhou até a porta, dizendo para o guarda parado no corredor:
– Prepare meu cavalo.
O que Rosalya fazia enquanto isso? Não sei dizer. Já devia ter seu plano pronto, apenas esperando Elsa. Uma pena que nenhuma delas pôde prever como acabaria…
Elsa chegou ao castelo de neve algumas horas depois, com seus homens. Deu sinal para que um deles tocasse um berrante, avisando a prima de sua chegada.
Rosalya apareceu, envolta em uma nuvem gelada, cercada por dois dragões voadores também de neve que a protegiam. Exibia seu sorriso sádico, como se estivesse se divertindo.
– E, ah, Elsa! – exclamou. – Um prazer como sempre revê-la. Finalmente cansou-se do jogo de esconde-esconde? Não me diga, veio pela sua irmãzinha? Vai encontrá-la dentro do castelo, em um dos quartos de cima. Você conhece o lugar, você mesma o construiu, não é? Ah! Mas venha sozinha. Caso contrário, meus gigantes – ela apontou para trás, onde seus soldados de gelo guardavam a porta do castelo no topo da montanha – Matarão todos os seus homens.
E Rosalya virou-se para atravessar a ponte de volta para o castelo, ainda protegida por seus dragões. Mas Elsa a chamou de volta, em um apelo final.
– Prima. – o que fez a outra parar – Pare com isso! Não é necessário mais briga!
– Prima! – ela debochou – Agora sou prima. Agora que mato seus homens, ameaço seu trono e tenho sua irmã como minha prisioneira, sou prima! Mas quando vocês me abandonaram…
– Nós não te abandonamos! – Elsa protestou.
Rosalya riu alto.
– Não? Do que chama então, prima, – ela zombou – quando alguém parece que se esquece de que o outro existe, quando alguém nem mesmo tenta entrar em contato com o outro? Talvez você tenha um nome diferente para isso, mas eu chamo de abandono. – Sorriu por fim – Mas não tem problema. Logo a dívida será paga.
E entrou em seu castelo, seguida pelos dragões, deixando os gigantes guardando a porta.
Elsa olhou para trás, para Olaf e seus homens. Tentou passar uma imagem confiante, então voltou a olhar para frente e deu o primeiro passo.
Foi quando sentiu algo puxando seu vestido.
Era Olaf.
– Eu vou também – disse. – Vamos salvar Anna juntos.
Elsa sorriu tristemente e abaixou-se.
– Vai ficar tudo bem, Olaf. Vou achar Anna e trazê-la de volta.
– Mas, Elsa…
– Tenho que ir sozinha. – deu um beijo na testa dele. – Vai ficar tudo bem.
Então se levantou e atravessou a ponte.
Os gigantes saíram de sua frente para que passasse e a porta se fechou com um estrondo depois.
Estava dentro do castelo depois de tanto tempo.
Abraçou a si mesma, sentindo um calafrio percorrer seu corpo, antes de subir as escadas e começar a procurar por Anna.
– Anna! – chamava, mas a irmã não estava em lugar nenhum. Na verdade, foi apenas no terceiro quarto que entrou que algo diferente aconteceu.
A porta se fechou atrás de si, tornando o quarto escuro.
– Anna? – chamou mais uma vez, e agora havia certo medo em sua voz.
Mas não era Anna. Era a própria Rosalya. Estava sozinha dessa vez, sem dragões, sem gigantes… Na verdade, nem mesmo usava a coroa de gelo com que Elsa tinha visto-a todas as outras vezes.
– Onde está Anna?
– Você sabe – Rosalya disse enquanto trancava a porta com um movimento de sua mão. – Eu menti. Anna, na verdade, não quer ser encontrada. Você vê, vir até a montanha e ao meu castelo foi uma opção dela.
– Anna estava apenas dando um passeio, Anna…
– Ah! Mas suponho que ela sabia que eu estava aqui, não? Ou você não tinha contado? Oh! Não tinha? Que surpresa! O que disse para ela? Que eu tinha morrido no naufrago junto com nossos pais e meu irmão?
Elsa não respondeu. Na verdade não tinha dito nada sobre Rosalya para Anna.
– Talvez outra pessoa tenha lhe contato então… Bom, a verdade é que Anna veio por livre e espontânea vontade. Veio me fazer um pedido, você vê…
Rosalya não usava a coroa, Elsa percebeu pela segunda vez.
– Estou lutando pelo trono. Mas não por mim. Por mim, teria ficado sozinha. Por que acha que só agora, depois que Anna subiu até a montanha, eu comecei a dar trabalho para vocês?
Rosalya não usava a coroa…
– A ideia nunca foi minha, prima. – disse mais uma vez. – Foi Anna desde o começo que queria sua morte, para assim tomar sua coroa.
– Não! – Elsa disse, mas as palavras lhe faziam sentido. Sentia as lágrimas ardendo em seus olhos e caiu de joelhos, no chão.
Agora, querido leitor, você e eu sabemos que as palavras de Rosalya eram mentirosas e que ela mantinha Anna como sua prisioneira em um globo de neve. Mas Elsa, abalada pela noite mal dormida e sua constante insegurança, não percebeu a falsidade na fala da prima.
– Ah, sim! – Rosalya continuou, agora andando ao redor da Elsa caída. – Acontece que eu não desejo sua morte, prima. Eu sei o quão difícil tem sido para você. Tendo que esconder seus poderes por anos, a perda de seus pais, tendo que governar um reino sozinha, e agora a traição da irmã que tentou proteger!
As lágrimas começavam a molhar as bochechas de Elsa.
Com Elsa fragilizada, Rosalya aproximou-se dela, puxando seu rosto para cima com gentileza.
– Ah, pobrezinha! O mundo tem sido tão ruim com você, não é?
– Não… – Elsa respondeu, em um sussurro. Queria contradizer a prima, queria que nada do que ela dissera fosse verdade.
– Ninguém entende como tem sido difícil para você, certo? – Rosalya continuou, sem se importar com o que Elsa dissera. – Eu sei disso! Sei de tudo isso.
Suas mãos estavam no rosto de Elsa, como se estivesse tentando confortá-la, impedindo as lágrimas de cair.
Mas, havia um sorriso cruel em seu rosto que não condizia com a situação.
– Eu posso te ajudar! Que tal matar todos eles? Os homens lá fora, Anna, o boneco de neve… Todos eles!
– Não… – Elsa choramingou, incapaz de lutar contra as mãos da prima. – Por favor, não…
– Não? – Rosalya repetiu, suas mãos descendo agora para o pescoço da outra. – Que tal matar você, então? Oh, Elsa, se você morrer o povo de Arendelle ficará feliz, se você morrer não haverá mais sofrimento, se você morrer…
Os dedos de Rosalya apertavam o pescoço de Elsa com força agora, sufocando-a. Ela tentava lutar com eles, tentava puxá-los de lá, mas não era forte o bastante e esquecera da magia momentaneamente.
– Se você morrer, Anna poderá ser feliz!
E a visão de Elsa começava a embaçar…
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