Rainha Vermelha
1 Capítulo único
A Rainha Vermelha sempre fora bela, porém apenas uma pessoa a amara. O povo respeitava sua rainha, mas não a amava. Havia aqueles que diziam que ela era como uma rosa. Por mais bela que fosse, possuía espinhos. Era excessivamente mandona, e chegava a crer que era o Sol. Mesmo possuindo um aspecto tão vil, conseguia se esconder. Quando olhava no espelho de sua torre podia ver sua verdadeira essência. Mas era a única que conseguia. Quando olhava para o espelho não via sua pele clara como a neve e seu vestido vermelho, mas observava um verdadeiro demônio. Horrível e com um sorriso no rosto, sendo que a expressão da rainha era de enorme desgosto. Sempre teve todas as características que humanos achavam feias. Era vingativa, sádica e desprezível. Mas seu povo apenas enxergava uma egocêntrica.
A Rainha cometera um crime no passado, mas isso jamais fora descoberto. Talvez isso tenha sido o motivo de tamanha amargura dentro de seu coração, que levou à criação do monstro conhecido como Rainha Vermelha. Uma única pessoa a amara. Pena que ela não pode se lembrar. Sua mente bloqueou a lembrança, mais precisamente seu orgulho. Não queria vê-la se render. Podemos nos referir ao orgulho da Rainha como a figura que ela vê no espelho. Pele branca, vestido vermelho e um sorriso diabólico. Mas não é apenas isso que ela vê no espelho. Ela prefere ignorar a outra visão, prefere ignorar o seu \"outro eu\" que está em luto, mesmo que ela não se lembrasse de ter perdido alguém importante. Algumas vezes a Rainha decidia caminhar pelo seu reino, pelos seus jardins e pelo seu castelo. Quando caminhava pelo reino, via apenas fome e miséria. Plebeus com olhares vazios, parados em um mundo cinza. Quando andava pelo seu reino, ela era um pingo vermelho em um quadro cinza. Quando caminhava pelo jardim, sentia como a vida achava o lugar repulsivo. Não havia borboleta que repousasse lá. Quando andava pelo seu jardim, era uma rosa em meio a flores murchas. E por último, quando andava por seu castelo, sentia um gosto amargo. Conhecia o castelo tão bem, mas não se conformou em ver um quarto estranho. Com certo remorso sua mão tocou a maçaneta de prata. O frio do metal invadiu seus pensamentos, era familiar. Abriu a porta com temor e se deparou com uma sala triangular, com um espelho em cada ponta. O espelho central estava intacto, mas nada refletia. O espelho da ponta esquerda estava quebrado, em seus cacos partes de uma mulher de branco eram visíveis. O espelho da direita tinha uma enorme rachadura, pena que refletia apenas uma mulher vestida de negro de costas. A Rainha caminhou pela sala observando os espelhos, se abaixou na ponta esquerda e começou a reunir os cacos. Não sabia ao certo o porquê de estar fazendo aquilo, apenas desejou fazer. Enquanto os recolhia, se cortou diversas vezes, mas não se importava. O sangue lentamente tingia os cacos. Quando terminou, deitou o espelho e começou a coloca-los no lugar. Como um quebra cabeça. A mulher de branco agora estava completa, olhava a Rainha com desespero. Essa por sua vez se surpreendeu ao ver que a mulher branca era ela. Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto da Rainha Branca. A Rainha Vermelha ouviu um barulho, olhou para o espelho da ponta direita, a mulher de negro ( que também era ela ) acenava com um sorriso no rosto. Aquilo assustou a Rainha Vermelha, que olhou para o espelho central e se viu. Da mesma forma que sempre se via nos outros espelhos, seu orgulho. Já estava acostumada com ele e com a Rainha Negra, a Branca era nova. Mas o Orgulho estava diferente, fez com a mão um sinal para a Rainha Vermelha se aproximar. Ao se aproximar o Orgulho caminhou para longe ( nos limites do espelho ) e então a Rainha começara a ver seu crime. A Rainha Branca caminhava de mãos dadas com um Rei Branco, ambos riam juntos. Ele disse algo, que fez com que a Rainha Branca parasse e ficasse perplexa. Havia um sorriso em seu rosto, mas lágrimas no dela. Ele secou as lágrimas e sorriu calorosamente. A Rainha Branca então o abraçou com força. Ambos caíram e se chocaram com o espelho da ponta esquerda. Ao perceber que a Rainha Branca iria se chocar com o espelho o Rei a abraçou e virou, quebranco o espelho em cima de si mesmo. Os cacos penetraram pouco a pouco em seu corpo. A Rainha estava intacta, mas ele não a largava. Ela chorava e gritava por ajuda, ele continuava ali parado sem se mover. Com o tempo ele foi enfraquecendo até que a soltou. Quando se soltou ela achou que ele já estava morto. O sangue dele havia tingido o vestido branco, deixando-o vermelho. A Rainha gritava freneticamente enquanto chorava. Com ódio de si mesma pegou um dos cacos e começou a se cortar. Uma mão segurou a dela, nesse momento a Rainha achou que havia sido tomada pela loucura. Achou que aquele não era seu Rei. Então com raiva começou a atacar o corpo do amado, que a encarava com um olhar fixo. Quando terminou, a Rainha parou ao lado dele e o encarou. Um sorriso se formou no rosto do Rei.
\"Eu te amo.\" Então a Rainha percebeu que havia matado seu amado. Levantou-se com dificuldade. Apoiou-se no espelho da ponta direita com tanta força que o trincou. Olhou para os cacos vermelhos no chão e viu a si mesma chorando. Encarou o espelho central e viu que agora era vermelha, sua imagem estendeu a mão e ela aceitou. Em choque ao ver tudo isso, a Rainha se lembrou que fora isso que aconteceu. Foi isso que a deixou vermelha, isso a deixou tão vil. Perdera para o orgulho, que amor era esse que permitia a pessoa matar seu amado. Não podia aceitar, seu amor era puro, sempre fora. O caminho era apenas um, esquecer. A Rainha se agachou e começou a chorar. Chorou o que tinha que chorar. Ergueu-se e foi ascender seu reino.
Notas finais
Agradeço ao Norm por corrigir meus erros. Ganhou um biscoito por isso.
Obrigada por lerem!
Obrigada por lerem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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