Rainha De Copas

14 capítulo quatorze


Em uma de minhas vistas a duquesa,enquanto tomávamos chá tranquilamente seu gato falante apareceu do nada. Com a mão no coração tentava me recuperar do susto, a magia ainda era um conceito surpreendente, mesmo que teoricamente eu poderia fazer magia já que eu era uma carta, mas na época ainda não tinha pensado em bruxaria.

—-- Por que não a leva para passear minha senhora? --- Perguntou o gato sorridente, a duquesa pareceu pensativa como se não tivesse certeza que era uma boa idéia.

—-- Será?

—-- Por que não?

E assim me encontrei de capa que me disfarçava e montada em um alazão emprestado.

Judiamos dos cavalos pra em pouco tempo chegar a vila que duquesa queria me mostrar, ela ficava em pé da montanha,fora dos portões de copas. Amarramos os cavalos um pouco afastado da vila e seguimos a pé para não chamar atenção.

O caminho era lamacento e sugava seu pé a cada passo tornando a caminhada sofrida, minhas esperanças de melhor terreno morreram ao chegar na vila, mais lama.

O ar era fétido e estagnado, cheirava a mijo e dejetos. Moscas pesteavam a área fazendo uma pequena nuvem preta. As casas se encontravam em estado de miséria, feitas de madeiras muitas já se encontravam podres e arrebentadas.

No nosso caminho encontramos um velho que estava sentada na varanda, era tão magro que suas costelas podiam ser contadas através de sua pele, seu rosto possuía vincos fundos , marcas da vida que não pareciam ser de alegria. Sua roupa tão surrada que parecia que se reduziria a pó a qualquer momento.

Não querendo mais ver essa cena deprimente apertei o passo para dentro da vila.

A maioria da população era mulheres e crianças, os poucos homens da vila ou estavam desmaiados ou embriagados pelo lugar. As crianças corriam e brigavam por um pedaço de pão lamacento. As mulheres ficavam na frente das casas trançando cestas que venderiam depois nas grandes feiras. Dava para sentir a desesperança.

Nesse período todo a Duquesa manteve-se calada deixando que eu mesma me guia-se.

Parei no meio da vila diante de tais cenas não pude deixar de me perguntar o que houve.

—-- O ataque fez isso? ---perguntei a duquesa.

—-- Não— olhei para ela com espanto, o que poderia ter acontecido com aquele povo?

—-- Então... como?--- ele pegou minha mão e apontou para o anel que eu sempre usava.

“Foi o rei”

—-- Mas por quê? Não faz sentido.

—-- Por que? Ora porque dá trabalho cuidar do povo. O rei prefere passar seu tempo em suas caçadas, jogando críquete e fornicando com as servas. Essa vila é só um exemplo de muitas outras, outras que foram atacadas tanto pelo descaso quanto pelo o exercito de ouro. Quase não há homens nas vilas para defende-las, pois foram convocados pelo rei a serviços obrigatórios.

Eu já tinha ouvido sobre esses serviços, mas achava que era apenas para criminosos, estava errada. Eram forçados a trabalhar nos campos ou na limpeza das cidades, outros eram emprestados para a aristocracia para servi-los no que precisavam.

—-- São homens de bem escravizados?

—-- O rei diz que não, mas o que a senhora acha? Todo esse contingente de homens sendo homens de mau?

Não consegui responder, não havia como , em meio aquele lugar deplorável a idéia do rei escravizando seu povo não parecia tão distante assim.

—-- Minha senhora pode fazer a diferença.

—-- Como?---perguntei em esperança.

—--- Tomando o trono do rei. ---dei um passo para trás, duquesa estava falando de traição como se falasse do tempo. Eu não poderia trair o rei, ele tinha meu irmão nas mãos.

—-- Não, fingirei que não ouvi tal disparate, para o bem de ambas vamos voltar para copas.

Ela não insistiu, me levou de volta aos cavalos e de lá de volta a seu palacete, não comentamos mais o assunto até... bem deixe eu contar direito.

Estava olhando o jardim, as flores brancas principalmente as rosas brancas, tão marcantes do reino de copas. Até meus olhos avistarem uma estranha figura que andava de forma afetada pelo jardim. Sua roupa era roxa e usava uma bengala para se apoiar, parecia sem rumo, rapidamente desapoei-me do parapeito, depois de tantos meses ele era a primeira pessoa que via do meu passado, o pervertido chapeleiro.

Chamei pelos guardas e ordenei que o trouxe-se até mim, mas quando foram até lá ele já tinha sumido. Fiquei desapontada. E o único a perceber minha mudança de humor foi o valete, sempre tão perceptivo. Quando estava de vigília novamente do parapeito da janela com esperança de vê-lo, o valete me aproximou.

—-- Senhora.— Seu tom era formal e gentil. Virei-me para ele.

—-- Hum?

—-- Os guardas me disseram ter um intruso no jardim.

—-- Sim, ele....---hesitei em dizer, ele sempre trazia segurança a mim,mas ele era o valete do rei, eu era apenas a rainha.

—-- Ele era o chapeleiro,não?--- disse calmamente. Bem não havia motivo para negar agora.

—-- Sim, você o conhece.

—-- Hum...sim e não, senhora.--- encostou na parede e cruzou os braços de forma pensativa.--- Há muitos boatos sobre ele, mas originalmente ele trabalhava aqui no castelo quando o rei anterior ainda era vivo.

—-- O que mudou?

—--- O rei morreu.--- ele balançou a cabeça com pesar.--- O príncipe assim que foi aclamado rei expulsou o chapeleiro do palácio e não queria mais os serviços dele.

—-- Por que?--- bem ele era estranho, mas tentou me avisar sobre o perigo do rei, não poderia ser uma má pessoa, poderia?

—-- Aí vem os boatos, minha senhora. Se quiser posso dizer, mas nada posso comprovar ou dizer com certeza que era isso.--- Ansiosamente assenti.--- Bem dizem que ele era apaixonado pela rainha e a rainha por ele, alguns dizem que tinham um caso outros dizem que não, mas o príncipe não gostava da aproximação. Entretanto havia outro motivo. O chapeleiro era conhecido e ainda é por não ter filtro na língua, e dizia umas verdades incomodas ao príncipe sendo protegido pela rainha, que foi um dos motivos de não ser executado como sua majestade queria.

Daremos uma pausa para falar do pervertido,sua historia é interessante.

Ele sempre foi excêntrico, mas louco só ficou depois de ser torturado na prisão.mas vamos com calma.

O chapeleiro tinha sim um caso com a rainha anterior, mãe de Feige. Eles foram flagrados pelo coelho, na época humano. Ele não perdeu tempo e contou ao rei sobre a traição da rainha, o chapeleiro foi preso e como disse passou apuros.

O rei foi acometido por uma “doença” fulminante que o matou deixando com espuma na boca. A rainha assumiu a liderança já que seu filho era menor de idade para assumir o trono. Mandou libertar seu amado, que quis vingança contra o coelho. Poucos sabiam que o chapeleiro era adepto da magia e um bom mago, digamos que não pode provar que ele era responsável pelo ataque a guarda real e a transformação do coelho, mesmo a rainha sabendo que foi ele nada ocorreu.

Ele passou a morar no castelo como amante da rainha algo que desagradou o príncipe que logo que assumiu o trono expulsou o chapeleiro, não o matando pelos apelos de sua mãe, e mandou vigiá-la pra nunca se encontrar com ele novamente, no fim ela se suicidou o que fazia ser um assunto proibido no castelo.

Mas isso não é só curiosidade, mostra que o chapeleiro não é para ser inimigo e é muito mais do que se pensa.

O que nos leva para a historia que eu queria contar. Mandei que trouxessem o chapeleiro a minha presença, mas ele não foi achado, só dias depois o vi andando nos jardins novamente, dessa vez sai correndo ao seu encontro, ele parecia me esperar.

E o que ele me contou mudou o rumo de copas.

Notas finais
Deixarei no suspense. Até o próximo capítulo pessoal.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.