Rainbow War
40 Lindo como o raio e forte como o trovão
Notas iniciais
POV Jade
Assim que soube que estava funcionando, dei espaço para que ela pudesse deixar rolar. Não queria estar perto quando ela libertasse toda a tensão existente dentro daquele corpo. Quando foi comigo, quase matei aquele que precisava manter vivo. Mas isso não era mais problema. Agora nós tínhamos mais uma para a nossa causa, e ela era substancialmente mais forte do que eu. Meus poderes consentiam em luzes verdes que transmitiam energia cinética e radioativa. Ela era diferente.
Aquela garota que estava dando um ataque de fúria na minha frente poderia aumentar ou diminuir a força dos elétrons presente em qualquer matéria. Ela poderia controlar não só a eletricidade, como também o magnetismo. Isso era algo que eu poderia admirar, pois isso a tornava letal de qualquer distancia. Sem contar que não havia onde se esconder. Ela te encontraria a partir de leituras eletromagnéticas do ambiente. Não poderíamos ter uma soldado melhor.
– Aquela vadia! E aquele canalha! Eu vou matá-los! Vou destruí-los com toda a dor que existe nesse mundo! Vou fazê-los pedirem para morrer, e serei mais furiosa ainda! Eu os torturarei por dias e dias até que não exista mais o que torturar! – gritava a pequena Marie, com uma fúria insuperável.
E Darkshadow tremia levando choques divertidos, que o faziam tremer e se jogar no chão. Eu ria muito com aquele ser levando tantos choques e espumando pelas orelhas de tanto sofrer. Aquilo era uma visão do paraíso. Voltei minha atenção novamente para Marie e vi que ela tinha saído dos aposentos e agora se dirigia furiosamente para o encontro com os futuros defuntos.
– Nossa, essa garota tem um fúria dos diabos! Será que não carregamos demais? – perguntou Dark, levantando-se com um pouco de temor de ser atingido de novo.
– Seja como for, agora não tem mais volta. Ela não vai parar até ter matado Jack e Nanda e todos no caminho dela. – falei categoricamente – E a julgar pelo jeito que ela saiu daqui, julgo que se ela perder, isso ainda vai perdurar por mais umas duas semanas no mínimo.
– Isso não está certo! Ela não é mais a doce Marie que eu conheci. Vocês a transformaram em um monstro! – gritou Atlantis para mim.
Não dei moral aos gritos a apenas sorri como faria se estivesse na situação dele. Não importa o quanto ele ame aquela garota, se não botar nossa causa acima de tudo, então não vai valer a pena tê-lo deixado vivo. Eu sei disso apenas porque o poderoso contou seus planos para mim. Acho que de todos, sou a única que ele confia de verdade, apesar de ser muito mais lógico que ele confie em Dark.
– Poupe-nos de seus gritos. Sabe tão bem quanto eu que isso não é permanente. Quando fiz isso com a Tati, para transformá-la em Jade, só durou alguns dias. – falou Darkshadow – Você terá sua Marie de volta em alguns dias, eu prometo. Apesar de ainda achar que a pilhamos demais.
– A opinião de vocês dois é inútil e dispensável. Quero ver serviço. Agora que temos o alien elétrico, temos que dar início à nova fase do plano. – falei eu, imaginando o que o poderoso estaria tramando agora.
POV Jack
– Eu sei que é difícil aceitar, mas não tem outro jeito de encarar. Hikari é Darkshadow e Marie é o novo alien. Talvez o a água ou ainda outro pior! – disse eu depois de muito discutir.
– Como assim novo alien? Aparece uma nova criatura e você não se dá ao desfrute de nos avisar? Que lindo amigo você é, sabia? – gritou Nanda, que parecia a beira de um ataque de nervos.
– Eu ia avisar a vocês quando veio toda a confusão e acabei me esquecendo disso, mas será que podemos focar no que importa? – retruquei.
– O que importa é que um novo alien apareceu e você não nos avisou. Por qualquer que tenham sido suas razões, você deveria ter nos comunicado do novo aparecimento. Não acha isso? – interpelou Perla.
– Gente, esse novo alien pode esperar! Vocês ainda não perceberam quem ele vai pro lado de Darkshadow de qualquer jeito. Ele me humilhou em batalha e nada vai poder mudar a primeira impressão. Sacaram? – eu estava quase exausto desse interrogatório.
– Pessoal, não querendo interromper a briguinha formidável de vocês, mas acho que temos companhia e que ela não é muito amigável. – disse Romolo, da maneira calma e fria de sempre.
E todos nós nos viramos para onde Romolo olhava, mas claro, todos de braceletes ativados. Não era seguro que mais pessoas vissem nossos reais rostos e soubessem que nossos poderes estavam crescendo. Como era pra termos identidades secretas, decidi chamar meu disfarce de Crimson e Nanda apelidou o dela de Siniy. Assim evitávamos qualquer perigo de identificação.
Quando olhei para a direção apontada, apenas me veio a retina uma imagem assombrosa. Mas decididamente bela: uma garota de pele extremamente branca, com os cabelos pra lá de ruivos trançados até quase passar das nádegas (por sinal, perfeitas), olhos de uma negritude infinita, lábios vermelhos como sangue, e um corpo bem moderado. Mas mesmo assim, extremamente atraente, parecido com o de uma bailarina.
– Saudações, desprezíveis! Eu não deveria dizer meu nome para vermes como vocês, mas vou me apresentar. Fliender, esse é o nome da assassina que destruirá totalmente vocês e aniquilará Jack e Nanda da existência. – recitou ela com sua voz de cristal.
Olhei para Nan… Desculpe, força do hábito. Olhei para Siniy e tentei captar nela algo que demonstrasse entender aquele discurso melhor do que eu. Mas a cara dela estava tão confusa quanto a minha. Eu fiquei totalmente apatetado. Não entendi um grama do discurso daquela doida gostosa, que queria nossa aniquilação. Só se fosse mais uma das armações de Darkshadow, ou Hikari.
Fliender avançou mais um passo e todos os postes de iluminação próximos explodiram com tanta força que eu fiquei completamente apavorado. Claro que tinha alguma coisa acontecendo, e nessa escuridão, não seria agradável descobrir nada sobre ela. Acendi minhas asas e tentei usar minhas garras de fogo. Fracasso total! Ao invés das garras, surgiram penas de fogo para todos os lados. Ta, não foi um fracasso total.
As penas iluminaram quase toda a escuridão recém-formada como velas fracas e ficamos em uma agradável penumbra. Mas isso não iria deter ninguém, e enquanto aquelas penas estivessem suspensas, o local era um verdadeiro campo minado com minas e granadas prestes a explodir ao menor toque. Claro que ninguém queria isso, então comuniquei meu plano em voz baixa, esperando que alguém atendesse.
– Você acha que essas peninhas vão me deter? Você não tem a mínima noção do perigo que correm comigo! – disse a garota e seus olhos adquiriram um brilho perigoso quando o asfalto inteiro pareceu estalar.
Fagulhas, faíscas e brasas saiam do chão, que parecia estar conduzindo um relâmpago inteiro. Aurum pensou rápido como um raio (desculpem a ironia) e enterrou um pilar de ouro no chão, o que conduziu toda a eletricidade de volta para o ar. Kahel usou o chão e criou uma onda no asfalto, tentando desequilibrar nossa adversária, mas ela usou algum truque que a fez saltar alto o bastante para desviar do ataque.
Ela apontou na direção da Siniy, que começou a tremer como se estivesse sendo eletrocutada. Não havia lógica nisso, pois não existia um condutor e ela também não lançara um raio, senão teríamos visto. Tentei jogar algumas penas de fogo nela, só que o tiro saiu pela culatra e minhas pernas ficaram em chamas, me lançando aos céus como um foguete. Bem melhor, assim seria um encontro frontal!
Mas antes que pudesse chegar nem que fosse um pouco perto nela, me senti como se o chão me puxasse e caí como uma bomba no chão. Fiquei ali, zonzo demais para levantar e sentindo que estava sendo puxado cada vez mais. Era como se a Terra me atraísse, pois eu não sentia nenhuma pressão nas costas, como sentiria se fosse obra de telecinese. Tem alguma coisa errada com os poderes dessa garota.
Tentei olhar um pouco da batalha e percebi que Aurum estava em uma espécie de prancha de surfe, planando nos céus e atacando com suas correntes de ouro. Tudo bem, eu sempre soube que ele gostava do Surfista Prateado, mas isso é ridículo. Fliender continuava flutuando no céu e rebatia todas as correntadas com uma espécie de força invisível ao seu redor, mas que produzia um bom barulho. Tinha realmente algo errado ali.
Tentei raciocinar claramente e correlacionar os fatos. Ela conseguia controlar a eletricidade? A resposta óbvia era sim, mas ao mesmo tempo como? Não existia uma maneira de fazer isso em qualquer distância, a não ser que haja sobre o próprio objeto. Mas o que poderia dar a ela tal poder? O que deixaria todo esse material… Espera, é isso! Matéria! A matéria que conhecemos é feita de átomos que se subdividem em prótons, elétrons e nêutrons. Fontes perfeitas de eletricidade.
Ela não controlava a eletricidade em si, mas sim a intensidade elétrica dos átomos de qualquer substancia, o que a tornava uma lutadora excepcional se lutasse contra alguém que usasse matéria. Ela não pode lutar contra aquilo que não é feito de átomos. Como o fogo. E nem consegue lidar bem com o ouro, o melhor condutor elétrico conhecido da tabela periódica. Mas poderia usar a Terra como um enorme condutor, ou mesmo o ar.
Isso explicava também a capacidade de levitação, caso usasse a terra como um imã e depois polarizasse o próprio corpo para se repelir da superfície da terra até certa altura. O contrário também é válido, mas agora estou pronto. Já entendi a estratégia dela e agora vou precisar resolver esse problema com outro assunto: como ela faz para controlar a intensidade elétrica? Ela usa a visão ou algum sexto sentido eletromagnético que ainda não conheço?
Com um esforço sobre-humano, ergui-me da terra e cambaleei até Kahel e Siniy que estavam assistindo a batalha aérea a uma curta distancia e tentavam ajudar como podiam. Kahel tentava jogar bolas de terra dura e Siniy buscava perfurar alguém com tornados finos e agressivos. Cheguei o mais perto que podia deles e me apoiei em uma das duas para não desabar de novo. Se fosse o que eu pensava, então o efeito passaria logo.
– Galera, segura aí os ataques! Eu sei quais são os poderes daquela garota e acho que sei como fazer para derrotá-la! Precisamos de algumas coisas, primeiro, e de um plano muito bem bolado, valeu? Agora escutem aqui no que eu pensei!
POV Aurum
A essa altura, Jack já devia ter entendido a dinâmica dos poderes dela. Claro que eu não tinha entendido e estava brigando com ela às cegas, e com todos os riscos existentes, eu não podia vacilar. Aquela luta estava sendo bem intrigante. A falta de movimentos bruscos, a presença do poder dela em todos os cantos, tudo me levava a considerar táticas, mas não a achar uma correta.
Usei novamente minhas correntes para tentar estrangulá-la, porém não consegui encostá-la. Senti que ela mandava uma descarga elétrica através do ouro, mas consegui evitar me machucar ao transformar as correntes em esferas. Lancei as balas de canhão de encontro a elas, mas ricochetearam em algum campo de força invisível. Tentei uma abordagem mais sutil e tentei fazer uma perfuração no campo.
Nada que eu tentava funcionava efetivamente! É difícil, ou melhor, quase impossível que acontecesse alguma coisa com aquele campo, mas eu não conseguia descobrir como anulá-lo. Existia alguma fraqueza? Não aparente. Existia algum modo? Ainda não descoberto. Qual o melhor caminho para seguir quando você não sabe o que fazer? Partir para cima? Quem sabe.
Joguei minha prancha pra cima dela e conjurei um martelo enorme de ouro. Se era pra não acertar, então eu a faria pelo menos descer. Quando eu já estava próximo da linha do campo de força, ergui o martelo e me preparei para dar um ataque brutal. Só que ela fez melhor e disparou em minha direção em pleno ar a uma velocidade impressionante. Quando ela chegou a mim, enfiou a mão em minha cara e apertou com força impressionante.
Pensei que ela fosse me dar um choque e me fritar bem ali, mas diferentemente disso, sinto apenas um formigamento estranho em meu crânio, como se dedos invisíveis estivessem fazendo cócegas um pouco fortes demais. Era desagradável, mas ainda conseguia reagir. Ou pelo menos assim pensava, até tentar me mover, o que fracassou consideravelmente.
– Como dizem aqui na Terra, “eu não dou ponto sem nó”. Isso não dói, pelo menos não em você. Mas daqui a pouco, vai doer muito! – disse ela, pousando a nós dois no chão.
– Não rebaterei. Apenas direi que você ainda vai perder esta guerra mesmo que ganhe essa batalha. Mas fique sabendo de uma coisa: eu mesmo irei atrás de vocês até o fim do inferno. Mesmo que eu morra. – rebati eu, sem alterar a voz.
Ela apenas sorriu e se afastou, mas a sensação desagradável em meu crânio não diminuiu. Isso me deixou um pouco desorientado, mas já sentia as melhoras. Meus amigos estavam chegando rapidamente e poderiam me ajudar a derrotá-la. Mas antes que eles se aproximassem mais do que já estavam, senti meus braços levantarem em movimentos robotizados e lançarem correntes em cima deles.
Eles conseguiram se esquivar desse ataque, mas ainda me deixou incomodado o fato de ter atacado meus amigos conscientemente. Meu braço fez outro movimento robótico e surgiu uma saraivada de flechas, que foram disparadas em chuva contra meus amigos. Jack tomou a dianteira e criou um grande escudo de fogo com as asas. As flechas foram derretidas quando bateram nele e Nanda aproveitou para se aproximar mais de mim.
– Aurum, o que está acontecendo? Por que está atacando a gente? – gritou ela, me segurando pela gola da camisa.
– Meu corpo está se movendo contra a minha vontade. Acho que Fliender usou os poderes elétricos dela para controlar meus impulsos nervosos e controlar meu cérebro em movimentos físicos. Só não entendo como isso controla meus poderes. – disse eu, enquanto travava um combate marcial contra ela.
Perla manipulou a terra e fez Fliender afundar no chão até o pescoço. Não foi uma boa idéia. Jack ainda conseguiu pular, mas o choque atingiu todos nós com uma intensidade brutal. Perla caiu, mas Nanda e Jack ainda estavam de pé. Fliender usou algum tipo de comando e me fez tirá-la do chão. Nanda foi pra cima dela e Jack veio na minha direção. Senti meu corpo se movendo e a parede de ouro se ergueu.
Tentei olhar para Nanda e Fliender, mas tudo o que via era o borrão dos furacões e das estáticas produzidas pelas duas. Senti Jack pegando em meu pescoço e voltei minha total atenção a ele. Tente deixar-me ser nocauteado, mas uma corrente de ouro envolveu o pescoço dele e apertou bem firme. Senti uma queimadura em meu pescoço e quase gritei. Tentei soltar a corrente, mas a asa de Jack foi mais rápida e evaporou o ouro.
– Romolo, eu não sei porque você está nos atacando, e Nanda não teve tempo de me explicar. Mas eu tenho certeza que deve ter uma boa razão. Mas não irei me conter, e se precisar te machucar, eu o farei. – os olhos dele mentiam muito mal.
– Você nunca soube mentir, Jack. E eu estou sob os poderes dela. Ela controla meu cérebro através dos impulsos nervosos e das sinapses. Você tem que me derrotar! – disse eu, começando um embate mortal, dessa vez armado de espadas de ouro.
Começamos uma verdadeira dança de golpes e qualquer erro poderia ser o fim. Eu era mais sujeito ao fracasso, pois meus movimentos não eram fluídos como os dele, onde ele escapava de ataques com agilidade e leveza e eu sentia meu corpo pesado e rígido. Era frustrante não estar no máximo, mas me despreocupava em saber que perderia. Ledo engano.
Não consegui ver como, mas um furação pegou Jack em cheio e o jogou para bem longe. Sabia que aquilo tinha sido obra da Nanda, e ainda pude me virar para ver quando Fliender colocou as duas mãos no rosto dela e descarregou tanta eletricidade que quase senti o cheiro de carne fritando. O grito de Nanda ainda se prolongou em meus ouvidos por muitos minutos até que o silencio me deixasse perceber que estava livre do domínio biológico dela.
Mas não conseguia atacá-la. Sua estratégia fora perfeita. Ela me cansou usando meus amigos e uma batalha previa. Derrotou meu suporte usando uns aos outros e agora tinha energia de sobra para matar todos nós. Eu sabia que isso jamais terminaria bem. Ela veio caminhando em minha direção com um olhar tranqüilo, mas seguramente assassino.
Eu conseguia ver então, que de suas mãos raios dançavam como se estivessem aprisionados em jaulas. Sentia um poder absurdo vindo daquela garota, e ela já estava com as mãos totalmente eletrificadas, quase formando uma esfera de raios. Eu entendi o plano logo de cara. Ela estava acumulando energia para me eliminar com um só golpe. Aquele ataque seria provavelmente o ultimo de minha vida.
– Minha intenção era matar apenas Jack e Nanda, mas acho que não tem problema deixar uma marca em você e voltar depois para completar o serviço. Sabe, desde que descobri o que posso fazer, a vida tem se tornado difícil. Mas depois que me uni à causa, então soube o que deveria fazer com esses dons. Vou poupar sua vida, mas deixarei um eterno lembrete dizendo a quem você deve sua vida. – disse ela quando estava a minha frente, e completou ao meu ouvido – Eu só espero que doa todas as dores desse inferno que vocês me fizeram viver.
E com um movimento rápido, ela me deu um gancho no queixo que me fez decolar. Senti todo o ardor da eletricidade no meu corpo e depois do que pareceu uma eternidade, senti o baque duro do chão nas minhas costas. Minha visão estava completamente branca e eu me sentia apagando. Só tive tempo de ouvir a risada dele e de mergulhar em um profundo estupor, da qual não despertaria tão cedo.
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