Já estava ficando tarde da noite, Amélia olhou para a janela meio nervosa. Rick estava sentado na cama apoiando as costas em um travesseiro, enquanto Amy tratava seu ferimento. Ela havia estancado o sangramento e agora estava limpando o ferimento causado pela bala.

— Ai! — Ele reclamou quando a jovem passou o pano em sua ferida — Vai com calma!

— Se você ficasse quieto seria mais fácil! — Ela sorriu, terminando de limpar a ferida — Talvez precise de ponto…

— Não precisa, logo eu me regenero… — Rick deu de ombros pegando a camiseta, que havia tirado para Amy o suturar, e a vestindo.

— Ah… — Ela sorri fingindo estar decepcionada — Mas já vai vestir? Estava começando a gostar de te ver sem camisa!

— Não se preocupe, querida, pode tirar ela mais tarde… — Rick sorriu. Amy se surpreendeu um pouco, já que ninguém respondia suas piadas.

— E a memória? — Ela pergunta se sentando na cama ao lado dele.

— Voltou… — Ele deu de ombros — Consigo acessa-la agora…

— E a minha?

— Se quiser que ela volte posso recuperar para você — O rapaz sorri.

— Eu quero! — Amy respondeu decidida.

Assim que ela respondeu ele desceu suas mãos para as mãos dela a as colocou em sua cabeça, em seguida colocou as suas duas mãos na lateral da cabeça dela e fechou ou olhos. Aquilo durou cerca de alguns minutos, ela com as mãos nele e ele com as mãos dela. Rick vasculhou sua cabeça rapidamente tendo acesso às lembranças do dia anterior, na hora em que as achou. Aquela foi a parte mais dolorosa, sentia sua cabeça explodindo e acabou soltando um grito de dor.

— Pronto! — Rick disse, tirando as mãos da cabeça dela que caiu, meio fraca, fazendo com que sua testa se encostasse na dele — Está tudo bem…

Amy fechou os olhos e engoliu a dor, quando voltou a abrir os olhos ela sorriu de canto olhando dentro dos olhos dele. Ele estranhou um pouco aquele olhar, mas antes que pudesse reagir, as mãos dela agarraram seus cabelos e ela o puxou para a frente o beijando. Suas mãos acariciaram os cabelos louros dele e desceram para trás de seu pescoço, ele apenas continuou voltando a colocar as mão no rosto dela. O beijo durou alguns segundos, mas logo ela se afastou.

— Eu não devia ter feito isso… — Disse ainda com as mãos sobre o peito dele.

— Por quê? — Rick sorria, parecendo se divertir com a situação — Eu beijo tão mal assim?

— Não sei por que fiz isso… Eu te conheci ontem — Amy se afasta um pouco, ainda meio confusa.

— Não se preocupe — Ele deu de ombros sorrindo — É normal, aconteceu a mesma coisa com as outras pessoas que eu entrei na mente!

— Espera, você já entrou na mente de quantas pessoas? — Ela ergueu a sobrancelha, parecendo impressionada.

— Muitas… Mas prefiro entrar na mente de homens, é mais divertido — Rick levantou as sobrancelhas, sorrindo.

— Ok — Ela riu, mas logo voltou ao serio — Então vamos esquecer isso, certo?

— Por quê? Com você as coisas são diferentes, estamos juntos nessa contra a Liga… — Rick franziu o cenho parecendo confuso, mas logo se vira para ela — É o Marshall?

— O que? Não!

— É o Justin?

— O Justin? — Ela hesita um pouco — Não…

— Sabia! — Rick se levantou, parecendo um pouco incomodado — Relaxa, eu não vou abrir minha boca para falar sobre você acordando do meu lado na cama nem do beijo! — Ele da de ombros e sai do quarto.

Amy ficou parada, sentada em cima da cama, ainda meio surpresa. Claro que gostava de Justin, mas não era por isso que se sentia incomodada em ficar com Rick. Naquele momento não tinha ninguém da equipe que se sentisse confortável em ficar do lado. Não queria ficar perto de Justin com Rick por perto, não se sentiria confortável perto do loiro depois do que ocorrera e não se sentia segura sobre Erin, mesmo estando com ela por pouco tempo, ela conseguiu ver os olhares que ela e Justin trocavam. Havia apenas uma pessoa com quem ela se sentia a vontade.

Ela saiu do quarto e foi procurar Marshall na sala, Erin havia dito que ele foi dar uma saída, e por sorte Amy já tinha um palpite de onde ele estava. Saiu da casa e passou a caminhar pela rua. Demorou um pouco mas logo pode avistar Marshall sentado em um banco de um parque.

— Oi! — Ele a cumprimentou sorrindo.

— O que está fazendo? — Ela se sentou ao lado dele, e quando percebeu seu olhar triste começou a se preocupar — O que foi?

— Acho que posso confiar em você para contar, afinal é a amiga mais próxima que tenho — Marshall apontou sutilmente para um parquinho a alguns metros de distancia — Consegue ver aquela menininha ali?

Ele apontara para uma garotinha baixinha, gordinha, com mais ou menos uns cinco anos, cabelos castanhos e olhos azuis, pele clara e rosto redondo. Amy concordou com a cabeça ao ver a pequenina.

— É minha filhinha… — Ele sorriu tristemente — Toda a sexta de manhã ela vem ao parque com a mãe!

— O que? — A jovem ficou boquiaberta — Você tem filha? Teve uma mulher? Eu sempre achei que você gostasse de homem!

— Bom — Marshall deu de ombros — Gosto dos dois… Não foi nada, uma viajem uma vez — Os lábios dele começaram a tremer.

— Não… — Ela disse reparando a expressão triste em seu rosto — Foi mais que uma viagem…

Ele suspirou tristemente, começou a ter lembranças sobre ela. Ele ainda lembrava de seu sorriso, do som de sua risada, de como ela torcia o nariz quando estava brava.

— Tem razão — Ele fungou — Nós namorávamos na época em que eu era apenas um historiador… Antes de eu achar o machado — Seus olhos se iluminaram rapidamente em um tom azul escuro — Eu fiquei com medo de que Marjado a machucasse, mas não consegui me separar dela… Quando ela descobriu o assassino que eu era ela me largou, meses depois ela teve a minha filha…

— Por que não foi falar com ela? — Amy não compreendia.

Anos atrás Marshall trabalhou em uma pesquisa junto de alguns arqueólogos que afirmaram ter encontrado um templo muito antigo de uma civilização desconhecida, dentro dos objetos encontrados havia um machado. Marshall levara o machado para casa para ser estudado, no final, o objeto começou a possuí-lo e lhe deu habilidades de luta excepcionais e uma força sobre humana. Quando conseguiu controlar suas habilidade, ele se tornou o grande Marjado, mercenário e herói da cidade de Harway.

— Não quero me meter em problemas…

— Fala o cara que já lutou com lagartos gigantes — Amy riu, observando a garotinha que agora ia embora acompanhada da mãe.

— Existem vários tipos de problemas… Eu acho que encarar minha ex é o pior deles — Marshall riu ainda parecendo cabisbaixo e olhou para a jovem ao seu lado — E por que você veio aqui?

— Tenho um probleminha — Ela suspirou — Eu acabei beijando o Rick, dai ele me disse que era um dos efeitos pôs ele entrar em minha mente, dai eu falei para a gente esquecer e então ele começou a implicar…

— Meu deus, quantos anos vocês tem? — Ele ergueu as sobrancelhas sorrindo.

— Não começa, você deve ser só uns dois ou três anos mais velho — Amy franziu o cenho parecendo irritada — Ele acha que eu gosto do Justin e eu não confio muito na irmã dele, acho que ela está de olho no Justin e também acho que ela implicaria comigo se eu arrumasse problemas com o irmão dela…

— Você já teve namorados antes, não é? Se vira! — Ele deu de ombros.

— Eu tive um ou dois… Um deles eu torturei até a morte quando descobri que ele estava me traindo, já o outro eu nem me lembro, ele deve ter tido um destino parecido com o primeiro — Ela deu de ombros, e encarou Marshall que a olhava com uma expressão confusa e chocada — As namoradas duraram mais tempo e saíram ilesas… Acho que tenho mais problemas com homens!

— Uau… Eu tenho sorte de não estar no meio dessa treta — Conseguiu esboçar um sorriso — Ignore a situação por enquanto… Talvez vocês esqueçam conforme o tempo for passando! — Ele deu de ombros e voltou a olhar para frente.

Ambos ficaram em silencio por um tempo, Amelia pensou em voltar para a casa, já que era o único lugar seguro que poderia ir ultimamente. Não sabiam o que iriam fazer, não tinha certeza se as ligas sabiam a respeito de sua inidentidade e a de Justin, ou se apenas os conheciam como Powder e Chilli, mas preferia continuar mantendo a descrição. O silencio foi rompido pelo toque do celular de Amy que o atendeu rapidamente ao ver que era Justin.

— Oi? — Ela atendeu, e Marshalll apenas observou a expressão dela que passou de um confuso divertido para um preocupado perturbador.

— O que foi? — Ele perguntou franzindo o cenho.

— Justin ligou — Amy engoliu em seco por um segundo, antes de continuar — Ele saiu para descobrir mais sobre as ligas e agora está com problemas!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.