Rain Sound
1 Capítulo Único - Rain Sound
Notas iniciais
Gostei muito dela. Sou suspeita par afalar isso, mas estou muito orgulhosa.
É uma história emocionante e triste, que toca os corações.
Já fiz uma fic nesse estilo, gosto muito dele.
Espero que vocês também gostem
– Então é verdade? – Perguntou Hiashi á sua filha mais velha. Há muito tempo não sentava e conversava calmamente com ela como estava fazendo agora.
– Sim. – Respondeu Hinata sem esboçar expressão alguma assim como o homem ao seu lado. Sempre estava sorrindo, menos quando ele estava por perto. Não que o odiasse, ou não gostasse dele, era seu pai afinal, mas quando ele chegava perto o ar ficava pesado e tudo parecia cinza e triste.
– O que exatamente os médicos disseram? – Podia parecer estranho, até mesmo para ele, mas estava preocupado (e muito) com sua primogênita.
– Disseram que se desenvolveu demais. – Agora a menina estava triste.
– Como você deixou que chegasse a esse ponto? – Ele estava frustrado. Já havia perdidosua esposa para essa doença, e agora perderia a filha. Amaldiçoou o seu Clã, sim, era ele o culpado pelo tempo que não passou ao lado das pessoas que amava e o Byakugan, o motivo da morte delas.
Seu irmão, sua esposa... E agora... Sua garotinha...
– Desculpe. – Disse apenas.
E ele apenas riu secamente nos pensamentos. Hinata era a cópia fiel de sua mãe, por dentro e por fora. O mesmo corte e cor de cabelo, o jeito doce e delicado, a gentileza, os movimentos. Ou seria apenas imaginação dele?
– Vá para seu quarto! – Ordenou ele de forma quase grossa. Sempre tentava ser gentil com ela, mas nunca dava certo. Ficava parecendo ainda mais ignorante. Tinha certeza que ela o odiava com todas as forças.
Talvez ele merecesse.
– Hai, outo-san. – Levantou-se, fez uma reverencia a seu pai e sumiu da vista do mesmo.
* * *
Hinata entrou em seu quarto e se pôs a chorar. Pelo menos conseguiu segurar as lágrimas na frente de Hiashi.
Esse era seu destino? Morrer sem realizar nenhum sonho?
Por um lado queria morrer, entregar-se. Queria ir para o céu, ver sua mãe outra vez, ter paz. E por outro, queria agarrar-se a vida com todas as forças. Queria ficar no chão, ver seu amor outra vez, seus amigos.
Não sabia qual desejo era mais intenso, estava confusa. O que iria fazer?
Tudo em si doía: o coração, a cabeça, a alma...
É verdade sim que já foi muito rejeitada, e ainda é, por sua família e pela pessoa que ama, mas ela sabia muito bem que era feliz, que havia outras pessoas que tinham mais motivos que ela para chorar e que tinha muita sorte.
Bem... Quanto aos sonhos...
É verdade sim que nenhum dos seus foram realizados, mas para a garota de olhos perolados era o suficiente que os de quem ama e gosta foram.
Hinata era o contrário de uma pessoa egoísta, para conseguir a felicidade de um estranho, sem pensar duas vezes ela daria a sua.
Talvez por isso estivesse tão doente, tão cansada e tão triste...
* * *
– Meu Kami-sama! Então é mesmo verdade? – Perguntou Ino pondo a mão na boca que estava aberta em um perfeito formato de “O”.
– Sim, eu estou chocada tanto quanto você! – Respondeu Sakura. – Ela estava sempre tão feliz. Quem diria que uma coisa assim fosse acontecer.
– Mas... Não existe uma cura? Um tratamento? – A kunoichi de aproximadamente vinte anos sentou-se no sofá do apartamento da amiga cruzando as pernas em seguida.
– Infelizmente não. Quero dizer... Há, mas Hinata deixou a doença se agravar demais. Tsunade e os outros ninjas médicos estão ocupados demais para estudar isso, inclusive eu.
– Mas vocês nem ao menos vão tentar? – A loira estava perplexa, sempre brigava com Sakura, mas sabia que ela era uma boa pessoa, não podia acreditar que a rosada estava de acordo com isso.
– Não há nada que se possa fazer Ino, também vou sentir saudades de Hinata, mas...
Agora sim ela conseguiu fazer com que sua amiga ficasse realmente irritada. A mulher se levantou bruscamente e começou a gritar.
– É só isso que você vai dizer?! Sakura, eu não sei se você se escutou! A Hinata está morrendo e você vai ficar ai de braços cruzados dizendo que não há nada a ser feito?! Você vai deixar uma amiga sua morrer sem nem ao menos tentar...
– Ino! O que você quer que eu faça?! – Agora a amiga de cabelos rosa também estava em pé e gritando.
– Eu não sei! Vamos juntas tentar achar uma solução! – Diminuiu o volume da voz. – Sakura, a medicina evoluiu tanto... Não consigo acreditar que não podemos achar uma cura.
– Não Ino, eu não vou fazer isso.
– Eu não estou entendendo! Por que não?
– Porque ela pediu isso! Ela disse que queria morrer! Ela disse! Você achou mesmo que Tsunade estava sem fazer nada por vontade própria?! – Depois de isso ser gritado as duas caíram no choro e se abraçaram. – Ela disse que queria reencontrar a mãe dela, ter essa chance de ser feliz e que além de tudo não queria ser um problema. Eu estou arrasada.
– Só a Hina mesmo para falar uma coisa dessas nesse momento... Quem vai contar para oNaruto?
– Não sei, mas se eu o conheço bem ele não vai aceitar isso tão fácil.
– Com certeza.
* * *
Você é uma confusão de perguntas e respostas
Então, eu me mantenho calado
Eu enterro o amor dentro do adeus
Fora da janela, a chuva esquecida e o vento sopra
Nas primeiras horas da noite, eu escuto músicas no rádio
É perfeito para pensar em você
Há dois copos vazios de café
Aqui sem você, eu luto contra a solidão
* * *
15 anos antes...
– Você não vai morrer! Definitivamente não! Eu não vou deixar! – Dizia Hiashi apertando com força a mão de sua esposa.
– Mas não cabe a você decidir. – Ela disse a ele, calma, de um modo que só ela conseguia em horas como aquela. – Escute amor, não há nada que possa ser feito.
– Você não deveria continuar com isso.
– O quê? Com a gravidez?- A mulher deitada em sua cama acariciava sua grande barriga.
– Sim e com essa história de que não quer tratamento. Eu poderia ter pagado os melhores médicos, todos os remédios, todos os equipamentos que fossem preciso. — Ele chorava sentado ao seu lado.
– Você não pode comprar uma vida. Não pode alterar a ordem natural das coisas com dinheiro. “Isso” que eu estou carregando é sua filha. Não sei como você consegue ficar com raiva.
– Eu vou te perder.
– Não, não vai. Eu vou estar sempre do seu lado. Só que agora você só vai precisar olhar para cima para se encontrar comigo.
– Isso não é justo. – Ele gritou.
– Sim, é sim amor. – Ela nunca se abalava, não importava o quanto ele gritasse, chorasse ou se irritasse. Ela sempre manteria a calma e o tom de voz melodioso.
– Mas eu quero ficar com você. – Ele culpava aquela criança, aquela maldita criança que sua amada carregava em seu ventre. Se pudesse escolher nunca teria tido nenhum filho, parecia que sua família estava amaldiçoada.
– Não pense assim querido. – Disse ela como se pudesse ler os pensamentos do marido. – E prometa que vai tratar bem nossas filhas.
– Eu...
– Principalmente Hinata!
– Eu prometo... – Ele disse frio, como se a promessa não fosse nada para ele.
– Obrigado.
* * *
Eu ando sozinho nas ruas
Vou ao café de sempre, assisto à um filme
Me prendo nas memórias, e você?
Este tempo, esta temperatura, o vento que passa, eu vou lembrar disso?
Uma pessoa para ser esquecido como um filme em preto e branco
Eu ainda sinto falta de você, enquanto eu caio no sono
Mas nesta noite chuvosa, eu não consigo cair no sono
* * *
– Desculpe, não estou cumprindo minha promessa. – Disse o homem de cabelos longos e castanhos amarrados no fim olhando para o céu pela janela de seu quarto.
De certo modo tratava Hanabi bem, achava que ela seria a causadora de sua dor, mas na verdade foi sua outra filha pelo quanto parecia com sua falecida esposa, toda vez que olhava para Hinata via ela e memórias que queria enterrar vinham á tona.
Sabia que não era motivo para tratá-la do modo como o fazia, mas não conseguia ser de outro jeito.
Não conseguia entender nem a si próprio e isso o fazia sentir um grande fracassado.
Foi até o guarda-roupa e abriu uma das portas. Tirou de lá uma camisola de sua mulher. Ainda tinha o cheiro dela.
– Você disse que sempre estaria ao meu lado. – Disse seco. A vida já havia dado golpes demais nele e com esse parecia que não iria mais conseguir se levantar. – Então me dê uma resposta. Diga o que eu estou fazendo de errado. Por que eu mereço isso?
Mas não houve nenhuma resposta e nenhum sinal.
* * *
– E ai minna-san? – Gritou Naruto animado entrando na churrascaria e encontrando seus amigos. Ele esperava ver todos como sempre, o Chouji comendo sem parar, o Shikamaru falando que tudo é problemático, a Ino e a Sakura brigando por uma bobagem qualquer, o Sasuke preso na cadeira para não fugir, o Lee “enchendo o saco” do Neji e da Tenten, o Shino calado, o Kiba tentando convencer os donos do lugar que o Akamaru era bonzinho e não ia fazer bagunça, a Hinata no seu canto e os senseis conversando coisas chatas de velhos. Toda aquela confusão que ele amava.
Mas não foi dessa vez...
Ninguém estava comendo, ninguém estava brigando, ninguém estava sorrindo, ninguém falava nada e o ar estava pesado como nunca ele tinha visto antes.
E quando perceberam que o amigo havia chegado todos olharam para ele.
– O que foi? O que aconteceu? – Perguntou já começando a ficar preocupado.
– Quem conta? – Perguntou discretamente Shikamaru.
[...]
– O quê? – Perguntou o loiro se levantando da cadeira onde estava sentado de supetão.
– Naruto, tenha calma. – Pediu Sakura.
– Calma? Calma? Como eu vou ter calma? – O garoto já estava começando a se agitar, a andar de um lado para o outro cruzando e descruzando os braços nervosamente. – Alguém pode me explicar melhor essa história?
– Ah! Naruto! Estamos tão tristes, nervosos e chocados quanto você! – Berrou Ino.
– Eu quero saber por que diabos a Hinata quer morrer! – Ele queria respostas e queria já. Estava começando a perder o controle.
– Nenhum de nós sabe! – Disse Neji.
– Quer saber? Eu estou indo falar com ela agora! – Tentou sair da churrascaria, mas foi impedido por seus colegas.
– Não seja idiota Naruto. Não estão deixando ninguém entrar para ver a menina, além do mais. Que horas você acha que são? Imagina o que eles vão pensar se você chega a essa hora nos portões da casa dela querendo vê-la. Não faça isso. – Aconselhou Kakashi.
Há três anos a guerra contra a Akatsuki havia acabado e Sasuke decidiu voltar para a vila, o loiro de olhos azuis havia se conformado quanto o amor entre seu melhor amigo e sua “ex-amada”, havia simplesmente descoberto que a rosada era somente sua amiga, quase uma irmã, mesmo assim não soube reconhecer seus sentimentos por Hinata, mas agora sentia calafrios e um aperto no peito.
Tinha que ver “sua” morena a todo custo.
– Mas... É... Eu não entendo... – Ele sussurrou. – Ela disse mais alguma coisa?
– Não... – Respondeu Chouji.
– É culpa minha, só pode ser!
– A culpa não é sua. – Disse Tenten. – É de todos nós.
– Eu não tenho nada a ver com isso. – Resmungou Sasuke.
– Cala a boca! – Brigou Ino.
– Eu quero vê-la. – Disse Naruto triste.
– Naruto, olha só. Ela me pediu para manter segredo, então não faça nada precipitadamente. – Pediu Sakura.
– Ela nem ao menos queria que eu soubesse. – O garoto estava se sentindo arrasado. Sentou-se novamente.
– Eu tenho certeza de que ela tem os motivos dela. – Falou Gai.
– É Naruto, Hinata é uma menina tímida e acha que ninguém gosta dela. Talvez ela não quisesse que os amigos dela sofressem ou a achassem um problema. – Supôs Kurenai.
– Está bem. – O loiro se levantou, pegou seu casaco e saiu caminhando calmamente sem olhar para trás, seus amigos não tentaram impedir. O conheciam e sabiam que o melhor era deixa-lo sozinho naquele instante.
– Acha que ele vai fazer alguma besteira? – Perguntou Shino para o amigo.
– Eu não sei. – Respondeu Kiba.
* * *
15 anos atrás...
– Desculpe por não te fazer feliz. – Disse Hiashi chorando desesperado.
– Não é verdade. – Disse sua esposa deitada na cama onde havia acabado de dar a luz.
– É sim, é sim. – Repetia para si mesmo.
– Eu não poderia ser mais feliz do que fui ao seu lado.
– Eu sou uma pessoa horrível.
– Você sabe que não. Já conversamos sobre isso tantas vezes.
– Se sou uma boa pessoa como você diz por que você está me abandonando?- A mulher não disse nada, apenas ficou olhando para o teto do quarto, parecia não respirar. – Ei! Diga alguma coisa! – O desespero aumentava.
– Olhe querido. Vê aquela borboleta azul?- Perguntou ela apontando para o nada.
Finalmente fechou os olhos.
O homem chorou, chorou como nunca havia chorado em sua vida, soltou tantas lágrimas que as mesmas poderiam formar um rio.
E assim que conseguiu fingir que estava bem, voltou a ser a pessoa fria e cruel de sempre.
* * *
No barulho da chuva, é a sua voz?
Este barulho está me chamando?
Eu sou o único pensando em você?
Será que essa chuva vai me consolar?
Você sabe como eu me sinto?
Eu continuo pensando em você
(Eu te desenho com um lápis, e te apago com a chuva)
Eu te desenhei de novo hoje, eu serei capaz de apagar você?
* * *
Hinata estava deitada em sua cama. Já eram aproximadamente nove horas da noite e a visão da lua, do céu azul, e das estrelas permitida pela janela do seu quarto a fazia pensar que apesar de todos os problemas valera a pena viver.
Na verdade, não só valera a pena. Era muito mais que isso.
– Com sua permissão. – Os pensamentos da garota foram interrompidos por uma de suas “servas”.
– Ah, claro. Entre, por favor? – Disse com um sorriso no rosto.
– Etto... Apenas vim avisá-la que Uzumaki-sama está ai fora e deseja vê-la a todo custo. — A funcionária falou meio sem graça pela gentileza da menina e pela informação que teve que dar.
– Naruto-kun? – Se perguntou. Não conseguia imaginar motivo para que o menino quisesse encontra-la tão tarde. – Deixe que entre. – Avisou.
– Hai, Hinata-sama. – A serviçal fez uma reverência e saiu do cômodo.
– Hinata! – Poucos segundos depois o loiro entrou bruscamente quase querando a porta, deseperado, assim que seus olhos azuis encontraram os da menina ele correu para abraça-la. – Me diga. Me diga, que o que eles disseram é mentira.
– Naruto-kun? – Perguntou gaguejando, atordoada.
– Me diga! – Gritou nervoso, não queria perde-la.
– E-eu não sei do que está falando. – A menina de olhos brancos e serenos se perguntava se haviam dito à ele. Pois havia pedido para Sakura manter sigilo absoluto.
– Você... você vai mesmo morrer? – Naruto engoliu em seco. Falar aquilo fazia seu peito apertar ainda mais.
Então ele sabia.
A menina se afastou dos braços quentes do amado, levantando a cabeça ruborizada.
– Não, claro que não. – Tentou mentir, mas suas palavras não soaram convicentes nem para si mesma.
– Por que? – O loiro ignorou a mentira. – Eles me contaram. Contaram que você sabia desde o princípio. Por que você deixou avançar tanto? – Agora ele gritava.
– Desculpe. – Ela apenas pôde dizer isso. Estava trêmula, mas não queria desmoronar na frente dele.
– Desculpe? – Naruto deu um sorriso triste enquanto lágrimas escorriam por sua bochecha, como se não pudesse mais sustentar seu corpo, caiu de joelhos no chão frio. Meio assustada Hinata se aproximou para ver se o mesmo estava bem, mas foi surpreendida quando ele a puxou para seus braços novamente e passou a acariciar seus delicados cabelos. – Eu que devo me desculpar. Hina, não me abandona.
– Naruto-kun, saia daqui. – Ela levantou de supetão e falou com a voz áspera mudando completamente sua expressão. – Vá embora.
– Por que? Hina, o que eu...
– Não me chame assim! Você não tem nada a ver com isso! Você não se importa! Nunca se importou!
– Não é verdade, eu...
– Você só está com pena... Talvez nem seja isso, talvez Sakura-chan e Ino-chan tenham te obrigado a vir aqui e dizer essa coisas!
– Não! Você está completamente errada! Eu jamais faria isso com você! Eu te...
– Eu disse pra você ir embora. – Falou a menina de forma fria. Não queria mais vê-lo. Queria ficar sozinha.
– Tudo bem, eu vou. – De coração partido, Naruto se levantou do chão cambaleando e saiu do cômodo. Atravessou a casa principal e saiu do clã quando uma grande chuva começou do nada. Sem mais conseguir se conter desmoronou novamente.
Deixou que as lágrimas saíssem. Estava cansado, atordoado. Tinha vontade de voltar correndo para aquele quarto, abraçar Hinata, implorar pelo seu perdão e dizer que nada aquilo do que ela disse era verdade.
Mas só não o fazia, por que sabia que ela tinha toda a razão de trata-lo deste modo.
Ele nunca ligou para ela, nunca quis vê-la.
Nunca a deu uma resposta ou esperança.
E agora que percebera que a amava, era tarde demais.
Ela ia morrer.
E a única coisa que ele podia fazer para ajudar era ficar bem longe dela.
Para que ela pudesse ser feliz no pouco tempo que restava.
Feliz longe dele.
* * *
E assim passaram-se semanas...
Naruto não conseguia dormir, nem comer, só ficava parado, como um zumbi, olhando para a janela.
Era inverno em Konoha, sendo assim chovia em todo início de noite. Nestes momentos, o menino loiro de olhos azuis sentava-se à beira da cama, ouvindo o amargo som das gotas batendo no vidro e sem conseguir segurar seus sentimentos chorava até não restarem mais lágrimas.
Ele, definitivamente, estava definhando.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Hinata passava praticamente pela mesma coisa.
As lembranças da conversa com Naruto não saiam de sua cabeça. Ela sentia-se mal por falar assim com ele, não queria ter sido rude, mas pensar que ele foi até lá fingir que realmente se importava com ela só por pena ou por obrigação a fazia ficar com raiva.
Talvez ele estivesse tentando apenas ser gentil, afinal.
Ela até pensou em ir se desculpar, ou enviar lhe alguma coisa. Mas seu pai havia a proibido de pôr os pés fora de casa, ordenou a todos os empregados que não a deixassem sair da cama.
Aquilo a estava matando.
Traziam vitaminas, comprimidos e comida. Ela não tinha vontade, mas Neji sempre vinha e a obrigava a comer tudo.
Hinata estava perceptivelmente mal.
Estava ainda mais branca do que já era, os cabelos e os olhos sem brilho algum, e é claro que as noites em que passou chorando, sem conseguir dormir lhe renderam belas olheiras. E ainda por cima estava muito magra e frágil.
Prestes a morrer.
* * *
Hiashi observava a chuva caindo do lado de fora do simples bar afastado de Konoha, onde sempre ia secretamente para afogar as mágoas.
Não havia conseguido se encontrar com a filha desde a conversa que tiveram. Não por falta de tempo, mas sim por falta de coragem.
Havia se informado com seus empregados que ela estava horrível, muito frágil e desta forma ele não conseguiria vê-la.
Nunca aguentou ver sua falecida esposa chorar, e sentiu tanta dor quando a viu já parecendo um cadáver pouco antes de morrer. Tinha certeza que seria a mesma coisa com a filha.
Pediu que não deixassem que Hinata saísse da cama, mandou remédios e dinheiro para o que mais fosse necessário. Tudo mantendo distância, afinal, ela não precisava dele, iria trazer mais dor apenas. Tinha Neji e Hanabi, e seus outros amigos também. Mais um motivo para ele se afastar ainda mais.
Irritado com a situação, Hiashi engoliu em poucos segundos todo o whisky que tinha em seu copo e pediu mais uma dose ao garçom.
* * *
Um guarda-chuva vermelho brilhante,
Roupas e tênis molhados
Ascendo e apago a lareira
O que quer que eu faça, não seca
É assim que me sinto ou não?
É um conjunto confuso de perguntas e respostas
* * *
– Hina, como você está se sentindo? – Perguntou Sakura preocupada.
– Está confortável? – Completou Ino.
As duas tinham ido lá diversas vezes conferir o estado de saúde da amiga. Shino, Kiba e os outros também apareceram para levar flores e conversar.
– Eu estou bem. – Respondeu a menina constrangida por toda a atenção que estavam recebendo. – Mas, eu queria pedir um favor.
– Peça o que quiser. – Falaram as garotas sem hesitação.
– Por favor, tragam Naruto-kun aqui. Ele veio falar comigo, mas fui grossa com ele e queria me desculpar.
– Hinata... – Sussurrou Ino impressionada.
– Nós faremos isso, Hina.
* * *
Em um dia chuvoso, eu me apaixonei por você
Nos amávamos tanto
Não parecia que teríamos que fazer isso
Meu coração dói tanto
Desde o início, eu tinha você, do lado esquerdo do peito e você ficou
Agora você é um fragmento quebrado preso no meu interior
Você fez isso
Eu acho que eu menti quando disse que eu poderia viver sem você
Jogo fora meus sentimentos , mas eu ainda sinto falta de você quando durmo
Mas nesta noite chuvosa, eu não consigo cair no sono
* * *
- Eu estou aqui. – Falava uma voz que Hinata não podia identificar. Estava tudo escuro. – Abra os olhos, eu quero vê-los. – Agora a menina podia ver um vulto, sua visão estava completamente embaçada. Estava confusa. – Você está bem?
– N-Naruto-kun? – Perguntou ela reconhecendo.
– Eu vim aqui te ver. – Falou ele levando as mãos até os leves fios azulados e acariciando-os. – Eu senti saudades.
– Eu pedi pra você vir aqui para que eu me desculpasse. – Por alguma razão o loiro parecia super calmo, pegou a mão de Hinata e entrelaçou seus dedos nos dela e deitou a cabeça em seu colo.
– Não se desculpe de novo, não fez nada de errado. Fui eu que fiz.
– M-mas eu fui grossa com você!
– A culpa foi minha. – Disse ele sorrindo tristemente. – Eu sempre fingi não saber seus sentimentos, eu estava com medo. E você percebeu isso, mas mesmo assim continuou me amando. E de repente eu chego trazendo tudo isso à tona. Mas saiba, que tudo o que eu disse é verdade. – Agora ele já estava começando a ficar com a voz embargada e os olhos marejados.
– Eu sei. Eu pensei muito na nossa conversa. Tanto que...
– Eu não consegui dormir nem comer. – Interrompeu. – Eu queria te ver, mas eu pensei que você seria mais feliz longe de mim.
- Eu nunca ficaria feliz com isso! Eu te amo!
- Eu também te amo. – Falou Naruto tranquilamente. Hinata se beliscou para ver se não era um sonho, abraçou o loiro com força e começou a chorar em seus braços. – Eu quero te pedir uma coisa. Eu posso ficar aqui com você?
- Era a mesma coisa que eu ia pedir. – Admitiu sorridente.
* * *
Os últimos dias não poderiam ter sido melhores.
Naruto havia passado todo o tempo no clã Hyuga.
Só tinha que ir para sua casa à noite, mas voltava de manhã bem cedo.
Ele e Hinata ficavam deitados juntos, às vezes, quando a chuva dava um tempo, eles iam ver o jardim da casa principal.
Estavam tão felizes. Mas ele não podia deixar de reparar o quão pálida e frágil ela estava ficando.
Isso entristecia seu coração.
Se pudesse morreria no lugar dela...
* * *
No barulho da chuva, é a sua voz?
Este barulho está me chamando?
Eu sou o único pensando em você?
Será que essa chuva vai me consolar?
Você sabe como eu me sinto?
Eu continuo pensando em você
Querido céu, por favor me ajude
Por favor, pare esta chuva
Para que eu possa esquecer ela, oh não
* * *
Era uma quinta-feira cinzenta.
A chuva estava pior do que nunca, era bem cedo e como nos últimos dias Naruto já estava de pé, pronto para encontrar Hinata.
Nem queria ter que voltar para casa, queria ficar o tempo todo perto dela.
Sem se importar com o frio cortante ou a distância enorme, pôs o casaco e saiu de casa correndo.
* * *
No barulho da chuva, é a sua voz?
Este barulho está me chamando?
Eu sou o único pensando em você?
Será que essa chuva vai me consolar?
Você sabe como eu me sinto?
Eu continuo pensando em você
* * *
Naruto finalmente chega ao clã Hyuga e logo na entrada percebe uma agitação incomum.
Sente um aperto no peito e vai logo para a casa principal.
Chegando no quarto de Hinata encontra Hiashi, Hanabi e Neji aflitos.
Ao se aproximar mais ele vê sua amada ofegante, como se não conseguisse respirar corretamente.
– Hina! – Grita ele desesperado. – O que está acontecendo?
– Chegou a hora... – Responde ela sorrindo tristemente.
– Não... Não pode ser... – Fala ele sem acreditar. Grossas lágrimas já se davam permissão para sair.
– Você sabia que esse dia chegaria. – Falou ela de forma doce, levantando a mão e acariciando os rebeldes fios loiros.
– Hina, eu não consigo mais imaginar a minha vida sem você. – Falou ele entre soluços.
– Você vai ficar bem. – Agora ela também chorava.
– Não diga isso, não posso ficar longe de você.
– Naruto-kun, nós vamos nos encontrar de novo. Eu tenho certeza.
– Me desculpe por não te fazer feliz.
Ao ouvir essa frase, Hiashi, parado um pouco distante, que nunca conseguiu chorar mais, desabou em lágrimas.
Neji e Hanabi também choravam compulsivamente ao lado da cama da irmã.
– Eu não poderia ser mais feliz do que eu fui ao seu lado. – Disse ela lembrando dos momentos que passaram juntos. – Você realizou todos os meus sonhos.
– Eu sou uma pessoa horrível.
– Claro que não, você é a melhor pessoa do mundo.
– Se eu sou uma pessoa tão boa quanto você diz, por que está me abandonando? – Perguntou ele frustrado. Queria gritar, se bater.
– Olhe, querido. Você vê aquela borboleta azul? – Perguntou Hinata com o olhar distante, apontando para cima.
De repente sua cabeça caiu para o lado, ela estava morta.
– Ei, Hinata! Eu te amo! Eu te amo! Você me ouviu? – Gritou ele, chacoalhando-a, com ainda um pouco de esperança.
Mas não tinha mais jeito.
Ela estava morta.
E agora a chuva não estava mais lá fora, batendo na janela, e sim no coração amargurado de Naruto.
* * *
Fora da janela, o barulho da chuva
Lembro das nossas memórias
Eu não posso viver sem você, garota
Nos dias de chuva, eu sinto sua falta dos nossos beijos
Fora da janela, o barulho da chuva
Lembro das nossas memórias
Eu não posso viver sem você, garota
Em dias de chuva, eu sinto sua falta
Rain Sound — B.A.P
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