Rain
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Aoi’s POV
Eu estava saindo da casa do Uruha, após mais uma noite juntos. Era de manhã, mas era meio cinzenta...
Como a minha vida ao lado de Uruha estava. Passávamos a noite juntos por força de costume, nós sempre fazíamos isso.
Mas não era como antes. Nós não conversávamos como antes, tudo estava tão... diferente. Agora, era comum discutir, era comum brigar.
Não tinha mais aquela sensação boa ficar ao lado dele. Hoje eu me pergunto: Algum dia já fui feliz ao lado de Uruha? Não consigo acreditar nisso.
Porém não ia deixá-lo. O que iria dizer? Depois de tudo que ele fez por mim? Depois de todas as dificuldades que passamos?! Lembro até hoje do dia em que contamos tudo ao resto da banda. E também me lembro da cara do Kai.
Que não entendo até hoje.
Kai’s POV
O meu prédio fica em frente ao do Uruha. Toda manhã, ao acordar, eu me levanto e olho pela janela. Um prédio bonito, bem pintado e com um belo jardim. Era parecido com o meu. Muitas vezes, quando éramos menores, eu ia brincar na casa dele. Toda manhã eu lembro disso.
E é nesse prédio que muitas vezes eu vejo Aoi na entrada.
É normal, não é? Afinal, eles são namorados, sempre juntos, indo um na casa do outro...
Bem, não vou ficar aqui a manhã inteira. Não tem nada na geladeira e eu estou com fome. Isso quer dizer que vou ter que sair e tomar café fora, numa padaria no final do quarteirão. Troquei de roupa e saí bem rápido, torcendo para que Aoi não me visse.
Porque será que eu ajo assim? Não quero saber a resposta. Eu quero ignorar a verdade.
Bem, cheguei na padaria despercebido. Achei uma mesa vazia, sentei-me e pedi qualquer coisa. Nem sei o que foi. Era só para encher o estômago. Eu perdi a minha vontade há muito tempo.
Deixando isso de lado, a mesa na qual eu estava sentado ficava ao lado da janela, toda de vidro. Fiquei observando o movimento da rua enquanto comia. Fiquei um bom tempo lá. Quando me dei conta disso, pedi a conta. Nesse tempo entre esperar e pagar uma figura surgiu na porta. Desviei o olhar para a janela e reparei que tinha começado a chover. E muito.
A presença dele estava me incomodando.
Paguei o mais rápido possível, nem esperando o troco e tentei passar pela porta. Ele ainda estava lá, me encarando. Atrapalhando a minha passagem.
Parei e esperei. Esperei ele fazer alguma coisa. Qualquer coisa. Nda. Ele vai ficar lá, como está. Estou cansado de esperar.
Estou cansado de esperar por Aoi.
Aoi’s POV
Ele primeiro parou na minha frente. Depois passou, trombando em mim. E saiu correndo naquela chuva. Nem era chuva. Era um temporal.
De algum modo, eu me senti culpado e resolvi ir atrás dele. Mas, deus como ele é rápido. Só podia ver o seu vulto dobrando as esquinas.
Já fazia um tempo que ele anda agindo meio estranho. Não o vejo mais sorrir como ele sorria, aquele sorriso espontâneo. Agora era tudo falso, que quando a pessoa vira de costas, desaba.
Ele se afastou de mim. Nós nos afastamos. Não sei quem estava evitando quem. Só sei que as coisas não podiam continuar do jeito que estavam.
Finalmente, ele parou em frente à um lago. O local estava vazio. Afinal, quem ficaria em um parque com uma chuva daquelas?
Resposta: Kai ficaria.
Mas ainda havia uma ponta de dúvida:
Ele pretendia se jogar...?
Kai’s POV
O corpo molhado e pesado. Respiração ofegante e mente confusa. Queria dar um jeito naquilo, aqui e agora.
Olhei para o lago e vi o reflexo de Aoi na água. Porque não ficávamos juntos? Nesse tempo todo, tão distantes...
O meu próprio corpo vai ao encontro do reflexo. Depois disso, tudo sumiu.
Aoi’s POV
Ele se jogou, deus. Não pode ficar assim. Tirei a camisa e pulei no lago. Tão gelado. Nadei e agarrei Kai, quase no fundo, já inconsciente. Com o maior esforço consegui tirá-lo de lá.
Como ele estava gelado. Coloquei-o em um lugar onde não chovia. Devia estar quase morrendo de frio. Não tinha nenhuma coisa seca para cobrir ele.
O abracei. Pensei em tudo o que devia ter feito para evitar tudo aquilo. Como o destino é cruel.
Foi então que eu vi o sorriso mais sincero de Kai. O que há muito tempo não via. E senti meu abraço retribuído.
Nesse momento, todo o cinza frio e depressivo foi embora.
Fale com o autor