Notas iniciais
Sugestão Musical: Pagan Metal - Gleipnir
http://www.youtube.com/watch?v=gdb9RDZp7Go

Boa Leitura!

CAPÍTULO I

A GAROTA DA NOITE

Não me lembro da última vez em que me imaginei um super herói, derrotando demônios e outros seres sobrenaturais. Talvez tenha sido a 8 ou a 5 anos atrás. Ficava horas em jogos online e me imaginava no lugar daquele personagem.

Agora que paro pra pensar, nunca fui uma pessoa que se socializava bem. Normalmente minhas conversas com alguém duravam menos de cinco minutos.

Sou um garoto de 16 anos, pele pálida, cabelos negros, olhos castanhos, magro e não muito alto, adoro observar o céu e ver a forma como ele ilumina nossas manhãs e reflete as estrelas em nossas noites.

Enquanto ia para a escola olhava o céu e ficava apreciando aquela brisa enquanto o canto dos pássaros ecoava em minha mente.

Por algum motivo havia mais pessoas do que o normal reunidas no portão hoje.

Minha escola possuía uma arquitetura antiga e não era muito grande. Antes de chegar até minha sala eu passava por um corredor que ligava a entrada da escola com as escadas que davam acesso ao segundo andar, onde se localizava minha sala.

Minha mesa ficava no fundo ao lado das janelas e sempre que podia eu olhava para o céu e ficava impressionado com sua beleza, que parecia cada dia mais reluzente.

Ao começar a aula o professor anunciou que teríamos um aluno novo, foi então que me lembrei da movimentação em frente ao portão.

Enquanto o novo aluno entrava na sala todos começaram a se levantar com uma expressão de surpresa em seus rostos. Era uma garota pequena, com longos cabelos loiros que escorriam por sua costa e terminavam na cintura, tinha um rosto meigo e uma expressão fria em seus olhos verdes.

"Que linda!". Era o que mais se ouvia durante o evento.

Passado o tumulto, todos se sentaram e alguns ainda continuavam falando sobre a beleza da menina.

– Sara. Disse a garota em um tom meigo e baixo.

– Essa é Sara... e...hum...ela vai estudar conosco a partir de hoje. Continuou o professor enquanto seus olhos pareciam percorrer a sala a procura de algo.

– Raiga! Exclamou o professor.

Minha atenção estava toda voltada para a garota que nem percebi que era eu quem ele estava chamando.

– Raiga! Gritou ele.

– Sim! Eu disse enquanto me levantava assustado e ouvindo as pequenas risadas que ecoavam pela sala.

– Já que você é o encarregado da sala de hoje, apresente a escola para ela. O professor explicava enquanto batia levemente a mão no ombro da jovem.

– Ok... Eu respondi meio surpreso.

– Certo! Abram seus cadernos e vamos continuar de onde paramos aula passada. E Susan pode se sentar onde achar melhor. Continuou o professor enquanto escrevia algumas fórmulas na lousa.

Para a minha surpresa a pequena garota veio em minha direção e sentou-se na mesa ao lado da minha, que estava vazia desde o começo do ano letivo em fevereiro, sendo que já estávamos em agosto. Após isso ela passou a manhã toda ali, sem dizer uma única palavra.

Na hora do intervalo eu sempre ia no telhado da escola. Era um local calmo, onde havia apenas a caixa de água que abastecia a prédio e alguns pombos e pássaros que pousavam ali de vez em quando.

– Parece que vai chover... Eu pensei enquanto observava as nuvens que se aglomeravam e tornavam aquele lindo azul em um cinza entediante.

Após comer eu me deitei no chão e, mesmo que o céu estivesse quase sem vida eu ainda gostava de observa-lo. Foi quando ouvi um barulho vindo de perto, parecia o som de vassouras caindo. Me levantei e fui ver o que havia acontecido.

Deitada por de baixo das vassouras, que ficavam guardadas em um armário na entrada para a cobertura, estava a aluna nova. Ela se debatia enquanto tentava se livrar da situação em que se encontrava.

À observei por alguns segundos e depois andei até sua direção e a ajudei a retirar as vassouras do chão e guarda-las de volta no armário.

Por alguns segundos ela ficou me encarando e então me agradeceu.

– O que você estava fazendo aqui? Eu perguntei enquanto virava meu rosto para a direita e outras vezes olhava para baixo, tentando não olhar em seus olhos, afinal era muito difícil eu conversar com uma garota.

– Estava te procurando. Ela disse calmamente enquanto eu sentia meu rosto ficando vermelho.

– C-Como assim?! Eu exclamei enquanto recuava um pouco.

– O professor disse que você bem mostraria a escola. Ela disse e eu me acalmei.

– Ah, sim! Ainda meio sem jeito eu disse enquanto tentava disfarçar o mal entendido que pensei.

– Que tal depois que as aulas acabarem? Eu sugeri esperando uma resposta.

– Tudo bem. Ela disse enquanto se virava e descia as escadas.

Aquilo me assustou um pouco, mas agora eu já tinha compromisso depois das aulas, afinal não fazia nada na parte da tarde, exceto ficar jogando e as vezes dormindo.

O sinal tocou avisando que o intervalo havia terminado. Desci as escadas rapidamente e fui para classe, onde quase todos os alunos já estavam presentes. Sara estava lá, sentada, com sua atenção voltada para a lousa.

O professor entrou e teve inicio o último período de aula.

Mais uma vez o sinal tocou e todos arrumaram seus cadernos e foram embora. Sara permaneceu na sala e não tirava seus olhos de mim.

– Você vai me mostrar à escola agora? Ela perguntou enquanto se levantava segurando sua mochila.

Calmamente eu olhei em seus olhos e confirmei que sim com a cabeça.

– Ótimo! Exclamou ela enquanto vinha em minha direção.

– Ei garoto! Ela continuou após parar uns dois metros em minha frente — Você acredita em monstros?

Naquele momento um sentimento estranho tomou conta do meu corpo e procurando e um jeito de responde-la e disse:

– O que quer dize- Eu fui interrompido pela garota que com um olhar sério me respondeu.

– Apenas me responda se sim ou não.

– Não...

Eu disse de imediato enquanto esperava uma resposta.

– Estou indo pra casa. Ela disse logo antes de se virar e sair pela porta.

Parado, fitando o horizonte daquela sala vazia, eu me perguntei se havia dito algo errado. Pouco antes de eu sair da sala uma fraca garoa começou.

Parecia que eu era a pessoa mais azarada do planeta naquele momento. No dia em que eu converso com uma garota ela me deixa confuso e vai embora e para piorar eu esqueço meu guarda-chuva em casa.

Caminhando pela chuva eu não conseguia me esquecer daquela pergunta:

"Você acredita em demônios?"

O que eu poderia ter respondido? Que sim e depois ficar com cara de idiota se ela me achasse estranho?

Um estrondo ecoou pela rua em que eu caminhava, já passava das 18:00 e eu não sabia que a partir daquele momento minha vida iria mudar drasticamente.

Ao me aproximar do local onde o som parecia ter vindo eu pude ver inúmeras correntes saindo do chão, elas estavam envoltas por um brilho lilás e no centro de todo aquela bagunça estava Susan que, também tinha algumas correntes envolvendo seu corpo.

Mas o que mais me surpreendeu não foi isso, mas assim o que eu vi depois...

Notas finais
É isso!
Espero que tenham curtido e aguardem que logo sai o capítulo 2 com um pouco de ação pra começar a coisa séria.
Qualquer erro, crítica ou elogios, não deixem de comentar e dar suas opiniões.

Até o próximo Capítulo.