Radioativo
7 Capítulo 7 "The End"
Notas iniciais
Clara Black estava cada vez mais quente — naquela tarde começou a nevar, a estrada coberta por um fino manto branco e as árvores cobertas por cristais de gelo se tornavam belas e sombrias ao mesmo tempo -, as suas insuportáveis dores foram levadas pelos belos flocos de neve que caiam do lado de fora da janela do carro, tudo até a morte parecia uma coisa boa naquele momento para ela, e sua voz fraca e roca chamou a atenção de Alex:
– Por favor, eu não quero ser uma daquelas coisas... Você tem que me matar, ou me deixe aqui... pior do que virar um monstro é ter que agir como um, eu não quero te matar...
– Não diga besteiras Clara, você não vai virar uma daquelas coisas. Nós já estamos chegando, e você irá tomar a vacina.
– Não posso tomar uma vacina que não exis...
– Clara! O que foi? – Alex estava desesperado — Clara!
Ao olhar para Clara, Alex viu que ela aparentava estar ficando sem ar, parecia que seu coração estava parando de bombear o sangue para seus pulmões. Alex parou o carro, pegou Clara nos braços e a levou até o grande portão daquela comunidade. Os olhos de Clara estavam se fechando, mas antes que se fechassem por completo ela viu o portão se abrir. Desses portões saíram guardas com armas apontando para Alex, e aqueles guardas vestiam as mesmas roupas dos agentes que tentaram sequestra-la, e então tudo ficou escuro para Clara Black.
6 dias antes da pandemia...
Aquela noite era fria e sombria. À três quadras antes da rua da casa de Clara, acabara de acontecer um assassinato, Clara estava com as mãos tremulas e seu coração parecia que iria sair pela boca. Ela largou a arma na calçada, e saiu correndo desesperada para casa, após quase ter sido pega pelos homens que tinha acabado de matar. A arma tinha um silenciador, por isso ninguém ouviu os disparos, parecia que o mundo em volta dela tinha ficado em um silencio perturbador. A adrenalina que a fazia correr para casa, também não a fazia pensar direito, ela só pensava em chegar em casa para checar se seus pais estavam bem.
Ao chegar notou que a porta estava destrancada, e ao entrar seus pesadelos se tornaram ainda piores. Seus pais estavam mortos — estirados no chão da sala. Tinham levado um tiro no coração. Clara se desesperou, caiu no chão e começou a chorar. Ela não sabia se a polícia poderia ajudar e sua vida estava correndo perigo. Então ela pegou uma mochila foi até o seu quarto colocou umas roupas e pegou todo o dinheiro que tinha, caminhou lentamente até a sala aproximando-se do casal, que se encontrava no chão em meio ao sangue, e os beijou na testa. Chorou muito ao fechar os olhos deles que estavam abertos. Eles estavam na faixa de cinquenta e poucos anos, o homem era auto e tinha cabelos ruivos escuro, quase marrom devido a idade, já a mulher tinha cabelos castanhos e olhos de um azul escuro bem intenso, ela era incrivelmente bela e Clara lembrou-se das coisas que sua mãe dizia — falava que Clara tinha herdado a beleza dos dois e que era a mulher mais linda do mundo. Ela sorriu por um segundo ao lembrar como sua mãe sorria ao dizer aquilo.
Clara percebeu que seu pai estava com a cabeça virada para um quadro que ela tinha lhe dado de presente. Ela se levantou e caminhou até o quadro e ao observar bem, viu que ele estava torto e decidiu pega-lo, o quadro era uma pintura a óleo dela junto aos seus pais sorrindo, e o mais estranho era que na parte de trás do quadro havia um pen drive grudado. Ela o tirou e viu que tinha um nome no pen drive, escrito com letras maiúsculas e azuis em meio ao negro que era o tal pen drive, este nome era muito familiar e chamou sua atenção "Propriedade da Shadow Corporation".
Agora...
Ao abrir os olhos Clara olhou ao seu redor e parecia que estava num quarto de hospital, ela achou muito estranho tudo aquilo. Ao olhar para o lado notou que em cima do criado-mudo tinha um jarro com flores brancas, e uma caixa com bombons. Seu olhar foi desviado para as duas pessoas que entraram no quarto.
– Ah, você acordou. Como está se sentindo? — falou Simon, e depois olhou para Sophia que estava olhando para Clara atordoada.
– Quem é você? — perguntou Clara assustada — E por que é que meus pulsos estão amarrados nessa cama? Se eu acordei é porque vocês me deram uma vacina... Então eu ainda posso virar uma daquelas coisas?
– Eu sou o Dr. Simon, e essa é a Dra. Sophia. Você a conhece Sophia? Por que você olha para ela assim?
– Nã... não a conheço, eu só estou imaginando como ela pode estar viva — respondeu Sophia.
Clara achou estranho, o que foi dito por Sophia, porque ela notou que aquela era Sophia sua amiga de trabalho. E desconfiou do que Sophia queria dizer com aquilo.
– Cadê o Alex? — perguntou Clara nervosa.
– Ah, o Alex ele não sobreviveu, sinto muito querida, mas uma daquelas criaturas o pegou quando ele estava te trazendo nos braços — disse Simon friamente e suas palavras prosseguiram secamente: — Nós não conseguimos salva-lo
Clara se desesperou, mas duvidava do que aquele homem dizia, pois tinha certeza de ter visto Alex e os guardas, antes de desmaiar.
– Qual o seu nome, querida?
– Meu nome é Rebecca... Rebecca Cherry – era uma mentira que Clara sabia que teria de contar devido a situação que se encontrava. Ela sabia que os guardas não eram de confiança e que se sua amiga havia mentido então também deveria pensar mais no que iria falar e no que estava acontecendo ali. E logo seus pensamentos foram interrompidos pela afirmação do tal Dr. Simon.
– Senhorita Cherry, não lhe demos nenhuma vacina...
– Como assim...
– É que... como podemos dizer?... Você é uma das cento e poucas pessoas mais sortudas nesse mundo.
– Eu não estou entendendo.
– Você tem imunidade própria a essa doença. – Continuou Simon, e Sophia o observava atentamente. — É claro que seu primeiro contato com o vírus quase a levou a morte, mas nós não deixamos que você sufocasse, então seus anticorpos reagiram muito bem.
– Como isso é possível?
– Bem, nós estamos estudando uma amostra do seu sangue para tentar fazer uma cura. Eu irei até o laboratório, a Sophia irá lhe acompanhar até a sala de exames, — Simon a fitou com um olhar de curiosidade imensa — pois seu corpo, seus batimentos e sua respiração aparentam total diferença das outras pessoas. A única coisa que fizemos foi lhe dar soro e controlar sua respiração.
Simon saiu do quarto, mas antes mandou que Sophia aguardasse que alguém viria ajuda-la no procedimento, e ela foi até Clara com sua cadeira de rodas. A porta se fechou.
– O que aconteceu com você Sophia? Quem ele é? E onde estou? – Clara estava atordoada.
– Ele se chama Simon Grey, aqui é uma das bases de uma organização secreta chamada Shadow Corporation, e as minhas pernas eles arrancaram para que eu não fugisse – e essas últimas palavras soaram pesarosas, mas ela continuou com uma força que Clara achava inacreditável — eles não são gente boa, mas não é tão fácil sair daqui.
– Minha nossa, e o Alex? O que eles fizeram com ele? — perguntou Clara ainda mais atordoada. E se lembrou do pen drive que guardava no seu bolço, ela checou para ver se ainda estava lá, e estava, mas resolveu não falar nada. Era triste ter de imaginar que talvez seu pai estava envolvido com a Shadow Corporation.
– Eles o prenderam, disseram que ele poderia estar infectado, e que você tinha morrido.
Clara tentou se soltar das amarras que à aprendiam.
– Me tire daqui! Eu preciso sair daqui, preciso salvar o Alex!
– Agora você não tem como sair daqui Clara, e mesmo que você conseguisse, não iria muito longe tem muitos guardas até pela floresta. Sabe? Foi assim que eu perdi minhas pernas...
– Eu sinto muito, mas eu e o Alex, nós vamos te tirar daqui! Nós não vamos te abandonar...
– Eu não iria conseguir viver nesse novo mundo. Não como ele está agora, com aquelas coisas lá fora.
– Não diga isso Sophia, nós vamos cuidar de você... – disse Clara e notou que não conseguia mais conter as lagrimas que saiam de seus olhos.
– Bem, nós não temos muito tempo. Eles vão tirar muito sangue de você, vão te usar até o último suspiro de vida, e o Simon vai saber que você não se chama Rebecca. Eu tenho um plano, já venho planejando a um tempo, ele consiste em distração, fuga e destruição.
– Como assim? — perguntou Clara franzindo a testa.
– Digamos que eu irei colocar em pratica, aquele curso de química que eu fiz no verão.
Sophia explicou a Clara tudo que tinha acontecido ali, que tipo de corporação era aquela — ou pelo menos o que eles diziam ser. E Clara à perguntou sobre os sobreviventes.
– Sinto muito, eu não poderia ter feito nada, quando descobri já era tarde... – respondeu Sophia, lamentando — eles fizeram todo tipo de experiência com eles, não há mais nenhum sobrevivente, aqui só há monstros...
– Que tipo de monstro senhorita Kinberth? — perguntou Simon ao entrar de surpresa no quarto.
– Da pior espécie Dr. Grey, as criaturas que vivem lá fora. Eu estava dizendo a Rebecca, que não sei como ela conseguiu passar tanto tempo lá fora, num mundo que só há monstros — respondeu Sophia, disfarçadamente.
– Agora nos daria licença? Preciso examinar a senhorita Cherry antes dos exames – Simon Grey parecia estar confuso com alguma coisa. – Os resultados da amostra de sangue foram inconclusivos. Tem algo de errado aqui – então ele aproximou-se de Clara.
– É claro, vou deixar vocês a sós. Tchau Rebecca. Não fique triste, pois o Alex vai estar num lugar melhor — falou Sophia, enquanto fazia um sinal disfarçadamente para Clara, apontando para o chão, com intenção de dizer que Alex estaria ali. E então ela saiu.
– Como assim, vai estar? — perguntou Simon.
– É que a minha crença diz que quando alguém morre, fica à espera de um lugar melhor — mentiu Clara, ocultando a verdade.
– Okay. Então agora eu irei aplicar uma pequena dose de um tranquilizante no soro, para que você descanse um pouco, não se preocupe, não irá doer, você está em boas mãos e pode confiar.
Clara não poderia demonstrar desconfiança, portanto não disse nada. Ele aplicou o remédio, e Clara ficou meio tonta, mas antes de apagar ela ouviu Simon aproximar-se cada vez mais dela e então falar:
– Não é possível. Então quer dizer que os boatos sobre Radioativo eram verdadeiros, e eu estou na presença de uma obra de arte. Como o Samuel não me falou nada e me deixou acreditar em uma mentira? Ele me paga. Como é possível? Como você – Simon tocou seu rosto e Clara Sentiu sua mão gelada acaricia-la — tão jovem, tão bela, tão natural, pode ser uma...? – Então Clara apagou sem ouvi a última pergunta sussurrada e incrédula do Dr. Grey.
Um barulho muito grande seguido de um tremor, tirou a atenção de Simon, e ele correu para ver o que havia acontecido.
Alex entrou no quarto em que Clara estava e a viu adormecida. Alex agiu rápido tirando a agulha com soro do braço dela.
– Clara! Clara! Acorda... você precisa acordar — falou Alex tirando as amarras de seus pulsos.
– O que? Alex é você? — perguntou Clara meio tonta, e com a voz sonolenta.
– Sou eu. Sophia me soltou, ela disse que você estava viva, e que estaria aqui.
– Cadê a Sophia? Ela irá fugir com a gente.
– Ela já começou seu plano, já usou a distração, ela me explicou qual o melhor caminho para saída e me deu essa mão aqui — prosseguiu Alex apontando para uma mão decepada que tinha deixado em cima do criado-mudo branco, e Clara se assustou. Ele à levantava da cama, — ela me disse que a pessoa merecia aquilo. Todos os guardas foram para ala norte, vamos temos que ir agora.
– Está bem — disse Clara, chapada.
Clara se apoiou em Alex e ele à levou até um elevador de emergência na ala sul. Ao chegar lá, Alex usou a mão que Sophia havia dado, e o elevador se abriu. Ele jogou a mão fora e entrou com Clara no elevador. O tempo se passava tão devagar e o cheiro daquele ambiente era de sangue e desinfetante. Ao chegarem no térreo o elevador se abriu e eles andaram por um corredor que os levou até um pátio grande e vazio, onde havia um portão, a saída.
Simon entrou no quarto de Clara, mas ele se assustou, pois quem estava lá não era Clara e sim Sophia.
– Cadê a Rebecca, Sophia?
– Não existe Rebecca, o nome dela era Clara Black, — Respondeu Sophia com um sorriso no rosto, enquanto Simon franzia a testa — isso mesmo, você deixou escapar duas vezes a garota que você tanto precisava.
– O que você fez? — perguntou Simon com tanta raiva, que seus dentes parecia que iriam trincar. – Você não sabe a oportunidade que jogou fora... mas, talvez ainda possa dá tempo de pega-la...
– Abaixa bola cara. Eu só dei a chance de alguém sobreviver, enquanto você tirou as minhas. Ah! Quase que me esquecia, o Doutor que fez minha cirurgia perdeu o braço, sinto muito, ele nem vai mais poder da uma de medico nazista de novo — completou Sophia, ironicamente.
– Sua... você fez o maior estrago para deixar que Clara fugisse. Ela é uma peça importante... — disse Simon enquanto se virava e ia em direção a porta.
– Calma aí Grey. Não foi só aquela bomba que eu coloquei aqui. Tem o bastante para mandar a Shadow Corporation para o espaço. — Simon parou e olhou para trás.
– Você está blefando.
– Quer pagar para ver? — falou Sophia, com um sorriso no rosto, segurando um aparelho parecido com um celular, e com um botão vermelho na parte superior — sabe Dr. Grey? Posso te chamar de Simon Grey, não é? — Simon a encarou com uma ira imensa — Sabe Simon Grey? Você me subestimou, e acho que você tem um debito a pagar com migo...
– Eu posso te dar tudo que quiser, é só falar!
– Isso é pelo Caio, meu noivo, pela Clara, pelo Alex, pelas minhas pernas e por último e não menos importante: por todas suas vítimas, as da comunidade e outros por aí. — Sophia Kinberth apertou o botão e tudo foi pelos ares — antes que Simon pudesse correr para agarra-la — a explosão destruiu tudo.
Alex e Clara caíram no chão, a explosão os assustou e agora seus ouvidos zumbiam. As cinzas caíram junto a neve, deixando tudo em silencio por um tempo. Enquanto o fogo queimava logo atrás deles.
– Será que Sophia conseguiu sair? — Perguntou Alex.
– Ela se sacrificou por nós, e por outros. Quem sabe o que aquela corporação iria fazer — respondeu Clara com a voz roca, e lagrimas saindo de seus olhos. Eles ainda estavam no chão e ela continuou: — Sabe o Dr. Maluco Grey? – Alex concordou com a cabeça – Ele disse umas coisas estranhas. Não consegui ouvi quando ele iria dizer o que eu era, apaguei com o sedativo.
– Não se preocupe Clara. O que importa é que estais bem.
Alex achou aquilo estranho, mas tudo naquele lugar era estranho. Ao se levantarem olharam para o muro e tudo estava em chamas. Enquanto estavam distraídos, um cara forte com um metro e oitenta, loiro com rosto sujo e roupas pretas, encostou o cano de uma .38 na nuca de Alex.
– Quem são vocês? O que Fizeram? — Perguntou o homem.
– Nós não fizemos nada, só fugimos de lá, eles iriam nós matar. Não era o governo era uma corporação secreta, Shadow Corporation — falou Alex com as mãos para cima seguindo a ordem que lhe foi dada e Clara fez o mesmo, ela estava assustada sem entender nada, porque aquele cara não parecia ser um guarda de lá.
– Ótima tentativa, mas não caio nessas historinhas. — Disse o homem puxando a trava de segurança da arma.
– Não! — Interrompeu uma moça de cabelos castanhos e olhos claros, que saiu de dentro do carro a uns cinco metros.
Quando Alex se virou ela deu um beijo nele, e Clara ficou surpresa, e sem entender mais nada do que estava acontecendo.
– Emily — disse Alex.
– Alex, me desculpa pelo James, é que a gente já viu muitos ladrões e loucos na estrada — disse Emily, sorrindo por estar com Alex.
– Quem é ela? — Perguntou Clara.
– Desculpe, Clara esta é a Emily, e Emily esta é a Clara.
– Prazer Emily a namorada do Alex. — disse Emily, encarando Clara.
– Ah, eu sou amiga do Alex — falou Clara, surpresa por estar com ciúmes do Alex e pelo quanto a palavra amiga parecia desconfortável.
– Sim, eu tenho uma surpresa. Ethan, Bony, podem sair do carro! – disse Emily, então Ethan e Bony saíram do carro com uma cara de sono, e Bony correu para abraçar Alex.
– Como... — disse Alex sem palavras, e com lagrimas descendo pelos olhos.
– A gente encontrou eles na estrada vindo para o norte. Me lembrei de Bony, e ela me disse que estava indo a procura do irmão. — falou Emily, entusiasmada e andando até o carro.
– Bony! — disse Clara abraçando Bony emocionada. — Quem é esse garoto?
– Deixe as perguntas para depois gatinha, nós temos muitos quilômetros para correr até Klascity, uma cidade que não foi atacada pelo vírus, ela é segura. — Falou James.
– Você topa ir com a gente? — Perguntou Emily, encarando Alex e abrindo a porta do Uno Preto.
– Vocês topam? — Perguntou Alex, para Bony e Clara.
– Sim! – respondeu Bony animada, e Clara logo seguiu a mesma resposta dada pela loira.
– Então nós iremos! – Alex afirmou e logo todos estavam indo para Klascity.
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