Radioativo

2 Capítulo 2


Sentir algo tocar minha cabeça, afastei ao máximo oque tivesse provocando aquele incomodo

–Ei calma- uma luz forte invadiu meus olhos, depois de alguns segundos a minha visão voltou ao normal

–oque você tava fazendo?- o garoto sorria mesmo eu olhando para ele com cara de brava, ele tinha o cabelo castanho cortados bem baixo como um militar e olhos verdes

–é bom ver que não sou só eu que passei por ''torturas'' — ele fez aspas com os dedos quando pronunciou a palavra tortura, ele se virou para olhar algo perto da porta e vi uma marca em sua têmpora assim como eu também tenho, só conseguia associar aquilo a dor e sofrimento — Ei temos que ir, outras pessoas podem precisar desse leito, você deve ta com fome e tem que conhecer o lugar- ele falou se levantando da cama, levantei também e comecei a caminhar ao lado dele para fora do que parecia ser a ala hospitalar

–Oque aconteceu comigo?- perguntei enquanto estávamos andando por um grande gramado

–o comandante te achou no rio, ele estava fazendo uma ronda e te salvou

–espero poder agradecer a ele- sorri, ele sorriu de volta.

–ali é o refeitório- ele falou apontando para um grande galpão -ali é o dormitório das mulheres, e ali do outro lado o dos homens- o dormitório feminino era rosa e o dos homens era verde claro — ah, uma coisa importante, é proibido visitas masculinas na ala feminina, durante um certo horário

–eu não conheço nenhum homem — ri, pensando na regra

–você me conhece — ele sorriu maliciosamente e piscou para mim, entramos na ala feminina e ele me deixou com uma senhora de cabelos grisalhos e com sorriso acolhedor, ela me levou a um quarto e me deu roupas e avisou que em 20 minutos seria servido o jantar

Deitei na cama e olhei para o teto, a alguns dias atrás eu estava na rua andando procurando algo ou alguém e hoje eu estou aqui, não sei que lugar é esse nem se posso confiar e não sei por quanto tempo vou ficar, mas tenho um bom pressentimento. Um sinal alto tocou 3 vezes, era hora do jantar, caminhei pelos corredores e vi algumas mulheres saindo de seus quartos, algumas com crianças, caminhei pelo gramado ate chegar ao galpão, tinha muitas pessoas e um grande falatório, olhei para as pessoas e encontrei o garoto do hospital e ele acenou e me chamou, andei ate ele

–ei, eu esqueci de perguntar seu nome- ele falou animado

–meu nome é Aniya e o seu?- sorri

–hum, você é Russa, o meu nome é Miguel Carmelo -ele sorriu e me deu uma bandeja com um prato com arroz, feijão e um pequeno pedaço de bife e dois legumes que eu não conseguia identificar — suponho que seja a hora de você agradecer ao seu salvador — ele falou enquanto andavámos

–então vamos lá- sorri. passamos por varias mesas ate parar em uma que havia um homem de farda sentado, junto a senhora que me ajudou a achar o meu quarto

–esse é o comandante Carlos Carmelos que por um acaso é meu irmão mas ele é sem graça e eu sou mais bonito — ele rio e se sentou do lado do irmão, o irmão bateu na cabeça dele

–não ouça ele, sou bem legal, só que infelizmente sou muito ocupado — ele falou se virando para mim e sorrindo, ele tinha os mesmos olhos que Miguel mas ele aparentava ser mais velho e tenha o cabelo maior e uma barba mal feita,postura reta e ombros largos

–não sei como agradecer por ter me salvado- ele sorriu e me olhou diretamente nos olhos , os olhos da morte