Radioactive

1 Episódio 1 — Prólogo


Notas iniciais
Olá! Quero agradecer a você que está aqui pronto para ler essa história! É um novo cadastro, mas sou uma veterana aqui no Nyah! Espero que gostem do que lerão a seguir! Bom...boa leitura! Até mais! xoxo

“Nesta vida você mata ou morre, ou morre e mata.”

— The Walking Dead.

Tudo estava calmo, rotina essa que predominava na maior parte do tempo desde que tudo começou, o único som emitido era o dos pássaros em arvores próximas, e alguns chiados quase inaudíveis causados por alguns poucos errantes que provavelmente andavam sem destino ali perto.

O sol parecia estar quente lá fora, o mormaço já se tornava incomodo para quem estava trancafiada em uma pequena casa numa cidade qualquer do estado e Ohio há mais ou menos quinze dias. Esse era o caso de Lucille Hall. A mesma estava deitada numa velha cama existente no único quarto que aquele local lhe reservara.

Ela estava com os olhos vidrados no velho teto que pairava sobre si, mas seus olhos não fitavam a precariedade do mesmo, não pensava em concertar uma das telhas com um mediana cratera, na verdade ela fitava o nada. Seu corpo estava ali mas sua mente se fazia presente em um lugar completamente diferente.

...

Flashback On.

Uma mulher de pele levemente bronzeada e cabelos negros andava cautelosamente em meio as arvores que formavam uma densa e extensa floresta. Ela trazia consigo uma arma na cintura e um facão mediano nas mãos. A mesma estava acompanhada por uma garota que possuía suas mesmas características físicas mas na base dos seus 19 anos de idade, e por um homem de cabelos claros, levemente avermelhados que possuía consigo uma espingarda Mauser 1884, calibre 7,62 mm NATO.

–Marie, está ficando cada vez mais frio. –o homem e pronunciou depois de um longo tempo em silencio, talvez horas. –Lucille está cansada, olhe pra ela. –continuou a falar com seu costumeiro e leve tom de voz referindo-se a garota mais nova.

–Eu sei. – a mulher mais velha respondeu depois de um longo suspiro com um olhar exausto. –Mas precisamos continuar Anthony. Não dá para pararmos no meio do nada, precisamos de um lugar seguro para ficar. – indagou em resposta com um tom leve de desespero na voz.

–Talvez tenhamos tempo de descansar por pelo menos uma hora e meia. Eles estão longe, podemos nos reversar enquanto cada um dorme em média de 25 minutos mãe. – pela primeira vez a garota mais nova se pronunciou. – Meus pés estão me matando. – completou sorrindo de canto para o seu pai, enquanto sentava-se sobre algumas folhas secas que jaziam no chão.

— Se ficarmos aqui o que irá matar você não serão os pés Luce. – Marie disse um tanto firme e os outros dois lhe olharam como se aquilo tivesse soado um tanto cruel. Marie respirou fundo sentindo-se culpada pela forma que usara as palavras, mas nunca do que ela quis dizer. –Ouçam, vocês acabaram de ver o que acontece quando nos acomodamos, Holiday foi destruída, trabalhamos duro para construir aquela comunidade e tudo nos foi tirado, por conta de um simples deslize. – Marie Hall disse tentando permanecer calma, o que se tornava difícil quando as imagens de horas anteriores vinham a sua mente.

–John não fez por mal. – Luce disse de cabeça baixa.

—Ele não fez por mal, mas causou o mau. – Anthony disse um tanto pensativo, olhando em seguida para a filha estendendo sua mão para que a mesma se levantasse. — Sua mãe tem razão. Temos que continuar. – completou e sua esposa caminhou até ele apertando forte sua mão.

Luce sorriu levemente com a cena de união de seus pais, por um minuto ela achou aquilo a coisa mais bonita que vira desde que o apocalipse começou. Era como ver em simples gestos o amor explicito.

Assim os três continuaram andando.

...

2 horas depois.

...

O sol estava se pondo, estavam parados em frente a uma pequena e velha casa, depois que passaram por aquela floresta. A casa estava basicamente no meio de um campo extenso de trigo. Havia um lago ao lado, e cerca de dois porcos bebiam a agua do mesmo. O que era estranho. Dois animais terrestres vivos e aparentemente intocados.

—Acho que alguém mora ai. –Lucille disse sussurrando, seus pais quase não a escutaram.

— Eu tenho a mesma impressão. – Marie disse pensativa varrendo todo o local com os olhos. Ela estava cansada, na verdade todos estavam. –Mas vamos entrar. – disse surpreendendo sua filha e esposo com o ato. Pela sua superproteção acharam que a resposta seria totalmente diferente.

–Querida, você tem certeza? – Anthony falou um tanto temeroso tocando seu ombro para que a mesma o olhasse, e assim ela fez. – Não sabemos o que há lá dentro, ou pior quem está lá dentro.

–Mãe, acho que o papai tem razão. – Lucille disse. – Eu estou com medo.

Não devia ter pequena criança. – outra voz totalmente diferente soou e de repente todos congelaram. Estavam ainda virados de frente para a casa, o trio permaneceu da mesma forma ao escutar uma risada um tanto abafada atrás de si.

Luce estava tremendo, suas mãos suavam, ela poderia simplesmente se virar e olhar o homem que estava atrás de si – sim um homem, a voz não deixava negar. – mas o pânico lhe percorrera por inteiro, ela tinha medo dos errantes é claro, mas de outros sobreviventes desconhecidos lá fora ela tinha ainda mais. Essa era a principal regra da comunidade de Holiday: nunca deixe que os estranhos te vejam.

—Qual é.... — a voz continuou um tanto sorridente, um tanto sarcástica, enquanto o som de passos começavam a soar também no local. – Virem-se caralho.— agora a voz ordenava e pelo tom usado, Marie, Anthony e Luce não foram tardios ao “obedecer.”

Os três permaneceram em silencio enquanto fitavam o homem alto e forte a sua frente. O mesmo era um tanto rustico, tinha cabelos negros, olhos claros, e usava uma camisa marrom coberta por uma jaqueta de couro e calça do mesmo material. Usava botas pretas enormes. Também tinha uma faca e uma arma presas por um coldre na cintura e possuía um objeto um tanto inusitado em mãos. Anthony ficara com medo daquele objeto imaginando o que aquele cara a sua frente já teria feito com seu simples “brinquedo.”

–Olá. – Marie disse forçando um sorriso nos lábios, o que fez o homem a sua frente alargar ainda mais o sorriso de canto. – Quem é você?

–Acho que essa pergunta cabe a mim gracinha. – o homem silabou enquanto passava seu olhar malicioso sobre a família a sua frente. – Bom, andem...ou melhor digam quem são vocês...de onde vieram? – completou a frase indagando uma pergunta forçando um olhar curioso.

–Woodbury. – Anthony respondeu secamente o que fez o homem arquear uma sobrancelha em dúvida. – Mas foi completamente destruída. Depois fomos para Holiday, foi destruída também.

— GEORGIA! – o homem exclamou de forma vibrante como se seu time favorito de beisebol ganhasse uma final decisiva. O objeto rodopiou entre seus dedos e isso fez os olhos de Anthony, Marie e Lucille acompanharem cada movimento e logo depois olharem para os lados a procura de algum zombie atraído pelo grito repentino. Mas não havia nada além de arvores e trigo.

O coração de Luce batia a mil.

— Então ... – o homem virou de costas dando três passos à frente. – Para onde estão indo?

— Para lugar nenhum. – Marie respondeu mais rápido do que deveria e queria. – Quero dizer, estamos sem rumo. Jogados a própria sorte. – concertou sua resposta e enquanto punha a mão nas costas, a procura de uma arma da parte de trás do seu quadril.

Quando o homem se virou Luce estava um pouco mais para trás de seus pais, enquanto os mesmos estavam em posição de guerra. Anthony tinha sua espingarda mirada para o homem enquanto Marie segurava com as duas mãos a arma que retirara de suas vestes.

—Wow! – o homem fingiu espanto e logo depois gargalhou do quão patético ele achava aquilo. – Na-na-ni-na não ... – cantarolou. – vocês começaram errado. – o homem fingia lamento enquanto se aproximava. Isso fez com que Anthony atirasse numa arvore atrás do mesmo que vinha em sua direção. Isso o fez parar e sorrir sarcasticamente.

— Para trás! – Anthony berrou um tanto ofegante. – Nós não queremos machucar, nem matar você... só queremos ir embora.

– Exatamente. – Marie concordou. – Não sabemos quem é você, nem de onde veio. E não precisamos disso, acho melhor cada um seguir seu caminho.

– Só que há um único problema. – o outro verbalizou com um sorriso perverso. – eu não quero ir embora. E nem vocês irão. – completou tendo um semblante mais sombrio.

Anthony teria atirado se não tivesse recebido uma flechada nas costas por outro homem que surgira do nada – claro que somente na concepção da família. Marie agora gritava baleando o loiro desconhecido o qual atirara a flecha. O mesmo logo caiu ao chão com uma bala cravada ao crânio. Luce não estava entendendo o que estava acontecendo. Seu pai estava no chão caído e ferido, sua mãe estava chorando ao lado do mesmo, e olhando ao redor, de trás de algumas arvores surgiam cerca de oito homens. Acabara de acontecer a maior merda e ela não havia percebido como aquilo havia virado um campo de batalha. Era insanamente patético e ao mesmo tempo agonizante.

– Não. – Luce sussurrou para si mesma, enquanto começara a suar frio, a sua visão estava um tanto embaçada pelo mormaço que o pôr do sol proporcionava e pelas lagrimas que já enchiam seus olhos. – Não... – voltou a repetir mais alto correndo em direção a seu pai que berrava muito, à medida que o tempo ia passando o sangue ganhava mais tonalidade na camisa que ele usava.

—Uh uh... o docinho se pronunciou. – o ser desconhecido disse chegando mais perto das outras duas e do seu marido ferido. O mesmo pegou rapidamente a arma que Marie deixara cair e verificou que aquela bala que acertara um de seus homens era a última, e isso explicava por que a mesma não havia atirado nele também.

– Você não é sortuda. – o homem sorriu largamente enquanto seu sarcasmo virava algo que Marie começara a reconhecer. Logo os outros sete homens que restaram se aproximaram da família e do seu “líder”. – Acabe logo com o sofrimento dele Derick. – o chefe continuou a falar e segundos depois um dos seus homens atirou na cabeça de Anthony, o mesmo sequer teve a chance de dar um último suspiro.

— Seu filho da mãe! – Marie gritava desesperadamente agora de pé batendo no homem que dera a ordem, tentando causa-lo dor, algo que parecia ser totalmente inútil. O mesmo ria da cena patética e quando cansou dos tapas e chutes segurou os dois braços de Marie jogando-a no chão e chutando a sua barriga, até que a mesma cuspisse sangue.

Luce estava calada. Não tina forças para se mexer, sequer respirar, as lágrimas saiam violentas de seus olhos que estavam vidrados na cena de seu pai morto e sua mãe sangrando, enquanto o choro mudo a preenchia por inteiro.

— Vadia. –o homem disse com um sorriso sujo enquanto colocava uma mexa do seu cabelo negro no lugar com a palma da mão, segundos depois olhou Marie por completo. – Levem-na para dentro, vamos brincar. – completou e quatro dos sete homens já começaram a arrastar Marie para dentro da casa observada antes.

A mesma gritava com o olhar de pânico que pairava sobre Luce, que finalmente tivera forças para levantar e segui-los, mas não contava que outro individuo lhe puxasse pelos cabelos negros e a derrubasse no chão. Ela gritou ao sentir o choque da sua cabeça com o chão terroso.

– Vão com os outros, deixem o docinho comigo. – ordenou o líder e assim com sorrisos sacanas os três que ali ainda se encontravam seguiram os outros e Marie.

Luce levantava com dificuldade procurando com os olhos sua mãe que se contorcia nas mãos dos monstros a cada vez que se aproximavam mais da casa. Ela teve vontade de correr, mas logo percebera o homem ainda de pé perto dela. Ela se afastou dando longos passos para trás com uma enorme agonia lhe sucumbindo.

— Como se chama meu anjo? – a voz rouca do homem tentou parecer dócil, mas aos ouvidos da menina pareciam agulhas.

— Corra Lucille! – a voz agonizada de Marie foi ouvida distraindo o homem por um segundo, tempo suficiente para a menina correr. A porta da casa foi fechada com violência. O homem corria na mesma direção que a menina seguira, ela ia em rumo a floresta. O coração de Luce estava a mil, ela sabia que ele estava logo atrás, não demoraria muito para o mesmo a alcançar, ela queria voltar e salvar sua mãe, como queria, mas ela sabia que não teria chances. Seu peito doía pela morte de seu pai, e da monstruosidade que logo aconteceria com sua mãe, seus pulmões estavam numa brutal batalha em achar folego para respirar e para chorar ao mesmo tempo. Os passos dele estavam cada vez mais audíveis, ela precisava fugir, precisava realizar o último pedido de sua mãe. Estava escurecendo se continuasse correndo ele iria alcançar de alguma forma ou poderia topar com um, dois, três ou mais errantes. A única saída era se esconder.

Havia um lago, não dava para visualizar corretamente a cor que aquelas aguas se encontravam, mas com cautela e habilidade, Luce mergulhou. Assim que a mesma o fez o homem chegou até o lago e ali parou. Sob seus ouvidos estava o som do balançar das aguas, mesmo que calmas, e dentro de alguns segundos outro ruído ecoava.

Um assobio. Outro assobio. E mais outro. E mais outro. Outro...

—Vamos garotinha apareça, não lhe farei mal algum. – ele disse alto e suas palavras chegavam aos ouvidos de Luce um tanto abafada por conta da pressão da agua, e ela não aguentaria muito tempo, seu folego não iria durar.

Luce pensou em ir até superfície e se entregar, seus pulmões e seu corpo não iriam suportar por muito tempo a pressão da agua gélida daquele lugar, mas aí ela pensou mais uma vez em seus pais e fechou os olhos tentando ficar calma e imóvel no fundo do lado.

A floresta estava ficando cada vez mais escura, alguns raios do por do sol passavam quase imperceptíveis no topo das arvores.

— Meu nome é Negan! – o homem verbalizou como se soubesse que Luce estava por perto. – Você pode se esconder agora docinho... – pausou e por um momento olhou para o lago, a garota percebeu quando ele se aproximou, pode ver sua silhueta na superfície. – Mas eu vou encontrar você em algum momento. – continuou se distanciando do lado dando as costas para o mesmo.

O silencio permaneceu por um momento Luce pensou mais uma vez em sair dali, mas se segurou mais alguns segundos pois ele poderia estar ali, e ela estava certa. Não tardou para ele falar novamente.

— Para não esquecer de você eu darei seu nome ao meu brinquedo. – verbalizou calmamente obeservando seu taco de beisebol revertido de arame farpado e sorriu alto. – Lucille querida, até mais. – finalizou finalmente saindo do local assobiando como antes.

A garota esperou exatamente mais dez segundos e finalmente emergiu sobre as aguas, no fundo ela sabia que ele tinha de certa forma a “poupado”, ele sabia que ela estava ali, só não queria perder mais tempo procurando-a, apesar de não parecer ter medos de errantes, ele não era burro completamente de virar a noite procurando uma garota que provavelmente morreria quando topasse com o primeiro zumbi.

Negan era o nome dele, sádico, sem escrúpulos e muito cruel. Era um ser violento e ao mesmo tempo estrategista, Luce percebeu tudo isso pelos poucos minutos que passara com o mesmo.

Assim como ele não esqueceria dela, ela não esqueceria dele.

Ela estava com frio, já era noite, só havia um saco de biscoitos molhados no seu bolso. Não sabia para onde iria, se estaria viva ao amanhecer. Seu pai e sua mãe se foram, estava sozinha. A única ação que obteve depois de passar por tudo aquilo, foi caminhar até uma arvore oca puxar alguns galhos de uma folhagem verde escura e cobrir-se.

E então ela chorou. Simplesmente chorou.

Flashback On.

A garota que fechara os olhos agora abria-os fitando o teto. Levantou-se da cama pegou uma mochila que estava ao chão colocou nas costas e foi até a porta de entrada da casa. Arrastou a estante que barrava a mesma e abriu a porta dando de cara com três errantes que não tardaram em perceber sua presença, com uma faca que estava presa na cintura Lucille livrou-se dos mesmos em menos de 2 minutos.

Guardou a faca em seguida, respirou fundo e seguiu caminhando por aquela rua deserta como tantas outras, sem rumo, sem medo. Apenas com a coragem e a dor que aprendera a conviver.