Radioactive.
3 Uma "ótima" Notícia.
Notas iniciais
James passava aqui no meu quarto todos os dias, trazia notícias sobre a BCGNN e às vezes, comida, nos horários maquis improváveis.
– Vão desconfiar dessas saídas minhas no meio da noite.
Ele disse. Tinha acabado de chegar, trazendo chocolates e refrigerantes.
– Não se preocupe. — Ele ri. – O que está acontecendo lá fora? No mundo.
– Kiara...
– Fala logo!
– Bom... Desde que você saiu de casa?
– Sim. Embora “saiu” não seja bem a palavra certa.
– Você saiu de casa em 2014, certo? – Afirmo com a cabeça. — Em 2020 houve uma 3ª guerra mundial. O planeta inteiro foi destruído e ficou radioativo. Nós estamos em uma base secreta, sob a superfície terrestre, então não fomos afetados. Sobreviventes encontrados na Superfície ao redor da base foram socorridos e receberam treinamento, tanto em ciências, para trabalho, quanto em luta, para proteção e essas coisas.
– Quem ganhou a guerra?
– Ninguém.
– O que o homem não faz por poder?
– Você podia cantar alguma coisa, não?
– James, são duas horas da manhã.
– E daí?
Começamos à rir. Penso em alguma música que conhecia antes de vir para a BCGNN.
– Radioactive, Imagine Dragons...
“I’m waking up to ash and dust
I wipe my brow and sweat my rust
I’m breathing in the chemicals
I’m breaking in, shaping up
Then checking out on the prison bus
This is it, the apocalypse
Oh, oh
I’m waking up
I feel it in my bones
Enough to make my system blow
Welcome to the new age
To the new age
Welcome to the new age
To the new age
Oh, oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh
Radioactive
Radioactive
Oh, oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh
I'm radioactive
Radioactive
I raise my flag, and dye my clothes
It’s a revolution, I suppose
We’re painted red to fit right in
Oh, oh
I’m breaking in, shaping up
Then checking out on the prison bus
This is it, the apocalypse
Oh, oh
I’m waking up
I feel it in my bones
Enough to make my system blow
Welcome to the new age
To the new age
Welcome to the new age
To the new age
Oh, oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh
I'm radioactive
Radioactive
Oh, oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh
I'm radioactive
Radioactive
All systems go
The sun hasn’t died
Deep in my bones
Straight from inside
I’m waking up
I feel it in my bones
Enough to make my system blow
Welcome to the new age
To the new age
Welcome to the new age
To the new age
Oh, oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh
I'm radioactive
Radioactive
Oh, oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh
I'm radioactive
Radioactive.”
– Que voz linda.
– Para James.
– Disse algo de...
– Acho que vão desconfiar de você.
Ele ri.
– Está bem Pirralha! Se quer tanto se livrar de mim... — Ele sai do quarto. – Boa noite.
– Boa noite.
Eu devo parecer uma menininha, nesse exato momento, mas aí eu lembro que são duas horas da manhã ( quase três, na verdade ) e o sono não me deixa nem chegar à cama, e eu durmo no chão.
_ _ _
Acordo, me odiando por ter dormido no chão. Muito desconfortável. Caminho até o espelho, esperando que a velha Kiara me encare de volta e fale “isso é só um sonho”. Mas a Kiara que me encara é mais velha, de cabelos castanhos curtos, olhos castanhos escuros profundos... Eu quase não me reconheço mais.
Alguém bate à porta.
“James precisa parar com isso.” Penso, já caminhando para abrir a porta.
– Kiara?
– Karen?
_ _ _
Eu encarava Karen, negra, cabelos castanhos e longos, presos em um longo rabo de cavalo. Ela era bonita.
– Kiara, a Diretoria pediu para te dar um aviso.
– Qual?
Estávamos sentadas na cama. Conversando como pessoas normais fariam. Mas não somos pessoas normais.
– Você, Kiara Mason, Experimento de número 1640, status: bem-sucedido...
– Fala logo, Karen!
– Será liberada.
– Como?
Acho que se eu estivesse de pé, eu estaria caindo agora, desmaiada.
– Poderá ir para a Superfície.
– Mas... Lá em cima é radioativo, não é?
– Sim, mas a sua radiação criou um “escudo”, a radiação da Superfície não pode atingi-la.
– Quero que James vá comigo.
– James Campbell? O novo cientista da Base?
– Sim.
– Impossível. Ele teria que levar várias máquinas de oxigênio e também muitos cilindros de O2... Não ficaria vivo por no máximo três meses.
– Então está bem...
Ela se dirige à porta.
– Tchau.
– Tchau.
Fecho a porta, torcendo para que cinco minutos depois, Jmaes apareça, para que eu conte tudo à ele.
_ _ _
– Pensei que não ia mais vir!
– Calma Pirralha. O que foi?
James se sentava na cama,
– Karen veio aqui.
– E...?
– E ela me disse que eu vou ser liberada... Para viver na Superfície.
– Mas...
– Ainda não terminei.
– Esta bem, termine o seu monólogo.
– Obrigado. Como ia dizendo, eu não quero ir sozinha. Eu queria ir com você. Ela falou sobre umas máquinas de oxigênio e cilindros de O2 que você teria que levar para sobreviver. Terminei.
– Isso é loucura. Mesmo se eu conseguisse essas máquinas e os cilindros, ia durar quanto tempo?
– Três meses.
– Então! Eu ia ser um peso morto! Vá você. Seja feliz.
– Não dá para ser feliz sem você James.
– O quê...?
– Nada. Então? Vai pegar as máquinas, ou não?
Ele pensa. Ficamos alguns minutos assim, em completo silêncio, até que ele resolve falar.
– Está bem. Eu pego as malditas máquinas.
– Obrigado!
– Preciso voltar. Já deram falta dos chocolates da noite anterior.
Eu ri.
– Você volta amanhã?
– Volto. Mas você precisa ter um plano pronto.
– Está bem.
Ele sai e eu olho aquele quarto branco monótono.
Mais uma vez sozinha aqui. Pego uma bolsa, que deixaram aqui, não sei por que, mas vai ser útil.
Coloco algumas roupas, sapatos e minhas preciosas maquiagens. Claro que minha katana e meu arco e flechas não ficariam de fora.
Coloquei a mochila debaixo da cama e deitei, observando o teto até dormir, no meio da tarde...
Espero que ele consiga as máquinas e que a gente consiga sair ilesos daqui.
Porquê tenho a sensação de que tudo vai dar errado?
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