Radioactive

7 Chapter VII: White Castle


Chapter VII — White Castle

Jack

O disparo, o grito, o sangue, o choro. Eu sentia como se tivesse voltado ao dia em que perdi Emma. Alice estava desesperada, uma mistura de medo, horror, dor, aflição e tudo o que há de ruim nadavam em seus olhos azuis. Rapunzel delicadamente começou a estancar o sangue, enquanto Hiccup e Merida davam os últimos ajustes nos carros e verificavam se sobrara algo nos restos da estrada.

– Precisamos sair daqui! — ouvi a voz de Merida gritar, seguido dos gemidos extremamente próximos de nós — Os demônios chegaram!

Com o máximo de delicadeza que encontrei, coloquei Alice no banco de trás, com um pano envolto na mordida. Seus gritos apavorados de dor se reduziram a gemidos e soluços, enquanto todos nós pulávamos nos carros e partíamos em disparada até a base militar que achamos. Menos de cinco minutos estávamos lá, Peter pegou a loira ferida nos braços e correu pra dentro, enquanto o resto de nós abatia os demônios que sobravam. Eu não conseguia respirar direito, puxava o máximo de ar que podia mas nunca parecia suficiente. O ruivo colocara Alice deitada em uma cama de colchão baixo, e limpava com carinho a mordida extensa da garota, sussurrando que tudo ficaria bem.

– Peter, Punzie, fiquem aqui e cuidem dela, eu e Hiccup vamos atrás de medicamentos. Merida, você vai ficar.

– Mas...

– Mas é o caralho! Não podemos arriscar que você se machuque mais, agora que está melhorando!

Ela assentiu e abaixou os olhos pra besta, como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Me senti mal por ter falado assim com ela, mas era preciso. Dunbroch é uma garota extremamente teimosa quando quer. Hiccup pegou sua arma e com um pequeno aceno de cabeça, entramos base à dentro.

***

Acertei a cabeça de uma coisa que um dia fora um militar com o machado que achei largado no chão. Hick estava um pouco mais a frente, sempre mantendo minha guarda. Eu não o culpava por Alice, não mesmo. Se tivesse a chance de encontrar Emma como ele pode encontrar seu cachorro, eu não hesitaria em agarrá-la como se minha vida dependesse disso.

– Hick.

Silêncio.

– Hiccup.

Silêncio mais uma vez.

– Haddock!

– O que é porra?! Vai brigar comigo? Me fazer sentir pior do que já estou sentindo?!

– Ei cara, relaxa. — coloquei a mão em seu ombro — A culpa não foi sua, você não é vidente. Tudo bem, o cachorro era seu, mas não podia prever que ele atacaria um de nós.

– Eu o vi matando um homem, Jack. Deveria ter dado cabo nele.

– Eu vou repetir: Não. Foi. Culpa. Sua. Agora tenta tirar isso da sua cabeça dura e vamos procurar os remédios pra Alice.

Depois de mais alguns minutos no repleto silêncio, apenas com os gemidos e os crânios sendo esmagados, encontramos finalmente a Enfermaria. Enquanto eu dava cobertura, Haddock pegava os remédios em bons estados e ataduras, jogando-as rapidamente na bolsa. Eu o ouvi murmurar alguma coisa e quando matei o último demônio, virei-me na sua direção e fitei seu rosto, que tinha uma expressão alegre.

– O que foi?

– Achei uma vacina antirábica. Deve estar dentro da validade e precisamos disso pra Lice. Banguela nunca atacava ninguém, provavelmente aquilo foi raiva.

– Certo, vamos isolar a Enfermaria e voltar pra Sala 1.

– Mais devagar aí, espertinhos.

Aquela voz fez um calafrio percorrer minha espinha. Ah merda, agora que achamos um lugar, querem tirá-lo da gente?! Hick engoliu em seco e me girou pelos ombros, me fazendo ficar cara a cara com um homem um tanto... estranho. Ele tinha os olhos esbugalhados verdes e cabelos ruivos escondidos em baixo de uma cartola. Um machado descansava em seu cinto, ao lado da calibre 12. Suas roupas eram tiras coloridas e espalhafatosas, amarradas em uma tira do cinto. Usava um terno vinho velho e meio empoeirado. Ele deu um sorriso de lado e caminhou a passos lentos e largos na nossa direção.

– Vejo que encontraram a Farmácia uh? Devo lhes agradecer, já estamos a uma semana procurando este lugar. Aladdin, Tarzan, podem entrar!

Dois rapazes armados entraram na Enfermaria. Um tinha cabelos cheios e caiam em caxos e ondas perfeitas, e seus olhos eram castanhos claros, porém tinham um brilho fraco, uma expressão cansada. O segundo era mais jovem e tinha um brilho fugaz no olhar, exatamente como Merida. Tinha cabelos negros como carvão e olhos dourados de pirata, além de um sorrisinho de lado perfeito de um ladrão.

– Estes dois são... quais seus nomes rapazinhos?

– Acha que sou louco de entregar meu nome a um estranho? — ataquei, praticamente rosnando.

– Ah, fiquem tranquilos. Meu grupo é pacífico. Somos os Soldados Brancos, e esta base é nosso Castelo Branco.

– Então qual seria o seu nome? — Hiccup estava tão raivoso quanto eu.

– Ora garotos, — ele deu uma risadinha e tirou a cartola, colocando-a em seu peito — meu nome é Johnny. — ele colocou-a de volta na cabeça, dando um sorriso amigável — Mas podem de chamar de Chapeleiro Maluco.

~XxX~

Chapeleiro, Aladdin e Tarzan levaram a mim e a Hiccup para o outro lado da base, onde havia um grupo relativamente grande morando ali. Pessoas iam e vinham comprimentando a todos — inclusive a nós — enquanto Johnny nos mostrava o Castelo Branco.

– Jack, precisamos voltar. Já está escurecendo e Alice precisa dos remédios.

– Chapeleiro!

– Sim Jack?

– Precisamos voltar, temos duas feridas e temos de entregá-las os remédios.

– Pois bem, podem trazê-las para cá! Aladdin e Lilo os acompanharam.

Uma garota com uma blusa vermelha havaiana e uma calça jeans se aproximou, carregando uma .38 no coldre. Com um aceno de cabeça, nós quatro voltávamos pelos corredores escuros do Castelo. Depois de alguns minutos caminhando pude ouvir os choramingos de dor de Alice e os praguejamentos de Peter e Merida.

– Lilo, Aladdin, será que podem esperar aqui? — o cara ergueu uma sobrancelha — Não vemos outras pessoas a muito tempo. Nosso grupo não está nenhum pouco acostumado com contato humano. Por favor esperem aqui.

– Não custa nada, Din. Podem ir, mas não demorem, a noite isso aqui vira o verdadeiro inferno.

Dirigi-lhe um sorriso antes de correr com Hiccup ao meu encalço. Encontramos Alice na mesma posição, porém mais pálida que o normal, Peter entortando um garfo velho, Rapunzel cuidando da outra loira e Merida de guarda nas grades. O ruivo veio correndo até nós, puxando a bolsa da mão de Hick.

– Escutem, há um grupo nessa base.

– Puta que pariu, eles vão nos tirar daqui?! — Merida rosnou.

– Não! Eles nos deixaram morar com eles, devido aos seus estados. Peter, leve Alice, Hiccup, pode levar a Meri?

– Ei! Estou perfeitamente bem!

– Pelo amor Merida, — Hick segurou suas pernas e a pegou no melhor estilo noiva, tomando cuidado com a coxa ferida — você assim é a mesma coisa que colocar uma lesma pra correr num labirinto de sal.

– Rapunzel, pegue os suprimentos. Vamos!

Fomos de encontro a Aladdin e Lilo, que esperavam pacientemente do outro lado. Os dois protegiam a frente enquanto eu e Punzie guardavamos as costas. Assim que o Sol baixou, entravamos na área azul do Castelo Branco. Rapidamente, uma garota de cabelos castanhos lisos e outra com feições indígenas levaram Merida e Alice para a pequena Ala Médica do Castelo. O Chapeleiro nos aceitou de bom grado, mas nós teríamos um preço a pagar, claro. Teríamos de caçar e sair em buscas para o grupo.

A área total era formada por sete chalés. Eu e meu grupo ficamos com o número cinco, onde havia três camas de casal. Sem chance eu iria dormir com dois caras agarrados em mim. Punzie remexia a fogueira com um graveto, e tinha alguns calafrios, a fazendo tremer. Tirei o casaco que usava e a entreguei, que aceitou com um sorriso encantador. Só então consegui reparar no quão Rapunzel é bonita.

Seus longos cabelos loiros foram presos em um elástico azul velho, desfiado. Seu rosto tinha hematomas e algumas manchas de sangue, além de um pequeno corte no lábio inferior. Seus braços estavam completamente cobertos de sangue, por causa do ferimento de Alice. Mas seus olhos tinham um brilho sonhador e esperançoso, o que me fez, abruptamente, sorrir. Aquela garota era linda, e diferente de Toothiana, transmitia-me uma paz tão grande que chegava a assustar.

– Punzie?

– Hum?

– Você... — cocei minha nuca, sentindo uma vergonha que nem me lembrava mais que existia — pode dormir comigo?

– Ah, claro. — ela sorriu docemente — Mas se tentar qualquer gracinha, juro que corto seu amiguinho de baixo fora.