Notas iniciais
Oi gente, obrigada pelos comentários. Espero que gostem desse também.

MINDY

— Você vai parecer ótima, — eu disse.

E ela pareceria incrível, porque eu estava fazendo o seu cabelo, e eu não fiz um trabalho ruim, até mesmo para uma menina que eu odiava, talvez pelas razões certas ou talvez pelas erradas. Eu mal podia dizer mais.

— Obrigada, Mindy, — ela disse. — É legal você me ajudar. — Suas bochechas estavam um pouquinho vermelha. — Eu sei que não sou tão boa com cabelo e roupas.

— Você fez bem, — eu menti. — Mas eu ajudei Rach a ganhar Quinn, então eu acho que tenho o toque.

— Não é um encontro, — Sugar disse, rápido demais. — Ele apenas pediu para conversar. E eu não conseguia acreditar que ele fez isso.

— Sim, bem, você nunca sabe como Sam é, certo? — Você realmente não sabia mais. Eu puxei um pouco forte, tentando passar a escova de cerdas de javali que eu tinha comprado especialmente para cabelos difíceis através do frizz de Sugar. —E nunca é demais ter uma boa aparência.

Ela sorriu e pareceu honestamente tímida, como Sam disse que ela era.

— Não, eu acho que não.

— Então... Onde você está indo? — Isso era o que eu realmente queria saber, e o porquê eu ofereci para arrumá-la em primeiro lugar.

— Eu te disse, não é grande coisa. — Ela encolheu os ombros ossudos. — Só um passeio nos jardins formais.

— Oh — Eu puxei muito forte, não porque eu a odiava. Era só que meus dedos estavam instáveis.

Talvez eu estivesse mantendo minha frenemy muito perto. Eu queria odiá-la, e eu ainda não confiava nela, mas logo depois eu senti pena dela, também. Sam a mordeu e depois a deixou, e não importa o que ela disse, ela estava animada que ele queria conversar.

Ou foi culpa dela que ele foi condenado? E que Rach e Quinnie estavam em apuros?

Ou era eu a louca, vendo coisas onde realmente não tinha? Porque eu estava quase louca de ciúmes só de pensar sobre ela e Sam andando por um belo jardim, assim como ele e eu costumávamos caminhar ao redor de um parque estúpido em Lancaster.

O tempo todo eu estava pensando, meus dedos estavam se movendo, e eu me perdi na minha cabeça e sua confusão de cachos, e minha caixa de maquiagem, e quando finalmente me afastei da minha segunda maquiagem dessa semana, para que Sugar pudesse se levantar e fazer um pequeno giro, eu quase gritei em ver os cachos brilhantes e seus grandes, olhos brilhantes, porque ela trocou os óculos dessa vez...

Puxa, eu fiz um trabalho muito bom.

Mesmo que sua saia estava totalmente fora de época, o resto de sua aparência quase parecia... Rach.

Quase como uma honesta e bondosa princesa vampira.

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QUINN

S,

Sim, lembro-me muitas coisas a partir da convocação, que resultou na marca em sua mão. Atrevo-me mais e mais para o passado, ou o que parece ser o passado, até que a memória é mais clara do que a realidade. E naquela noite, eu lembro que você estava com raiva, mas são. Você recusou até mesmo as minhas tentativas de conversa, parecendo preferir permanecer à margem, até Sugar Dragomir se aproximar de você.

Quão estranho isso pareceu para mim... Uma menina que sempre estava nas margens, e uma Dragomir...

Lembro-me de pensar, como vocês saíram juntos, muito próximos um do outro: —Isto é um erro.—Pelo olhar em seus olhos era perigoso, Sam, porque, para mim, você não apareceu ameaçador, mas vulnerável. (É estranho usar essa palavra para descrevê-lo, mas é preciso.)

E quando eu vi você de novo, seus olhos estavam fora de foco e selvagens diferentes até mesmo de como apareceu no dia em que quase me destruiu e você estava parado numa poça de sangue com uma vampira recém-mordida ao seu lado e um vampiro morto a seus pés.

Como alguém que desliza lentamente em direção à loucura, Sam, eu sei, com ainda mais certeza do que eu sabia naquela noite, que a mudança que você experimentou em minutos normalmente acontece em horas ou dias ou anos. Eu sabia, mesmo então, que Claudiu deve ter feito algo para alterar você, esperando que você fosse destruído por uma multidão, porque não era o suficiente manda-lo embora por meses em um tempo. Mesmo que isso não facilitaria sua preocupação de que um dia a verdade sobre como ele incitou-o a destruir-me apareceria.

E, claro, eu sempre soube que foi Claudiu que levou você a atacar. Eu SEMPRE confiei em você, Sam. Não foi a brincadeira que eu fiz naquele dia que poupou a minha vida. Você nunca realmente esteve o mais próximo possível de acabar com a minha existência como você chegou a acreditar.

Leva toda a minha energia escrever isso, e manter o foco, mas se isso ajuda a perceber que você não apenas deve se juntar a nossa sociedade, mas para recuperar seu lugar entre a realeza...

Esta é talvez a minha última carta, e assim antes de eu voltar aos meus sonhos, que crescem mais e mais escuros, eu emito um comando final. Quando eu me for, como parece provável, quer pela destruição ou para o reino das fantasias loucas, reivindique o seu lugar como regente e comande ao lado de Anastácia, pois ambos sabemos que não há restrição contra uma sentença vampírica de blestemata. Sem precedentes, e assim nenhuma restrição.

Faça isso para todos nós, irmão, o melhor homem, protetor da noiva...

Com gratidão eterna como eu espero que sua existência seja,

Q.

##**##

RACHEL

—'IN CAZUL IN care acuzatul nu poate vorbi, — Sam leu em voz alta, o dedo traçando as palavras, e porque eu não estava nem perto de entender as frases complexas nos livros de direito que estava debruçada, encontrei-me olhando fixa no curativo em sua mão.

Eu fiz isso para ele e isso parecia terrível. Mas poderoso, também.

A estaca não tinha ido todo o caminho, mas eu tinha feito algum dano. Muito mais do que quando eu tinha atingido o pé de Quinn com um tridente. E Sam acreditava que eu tinha feito bem.

— Esta é a passagem que buscamos,— ele disse, sacudindo-me dos meus pensamentos. — Um caso de 1622, mas relevante. In realtà, os Anciões vão respeitar tal precedente venerável. Alguns podem até lembrar o julgamento.

— O que dizer, exatamente? Eu preciso saber as palavras exatas.

Sam tomou um pedaço de papel da mesa de Quinn e começou a escrever.

— No caso em que o acusado seja incapaz de falar... — Ele terminou e deslizou a nota para mim, e quando sua mão se moveu, o laptop de Quinn ganhou vida pela terceira vez naquela noite. E pela terceira vez, eu vi as mensagens de e-mail da minha mulher. Todas essas trocas com Sam, alguns datados antes da destruição de Claudiu.

O que eles discutem? Futebol e surf? Ou segredos e política?

— Se você tem o que precisa por agora, já é tarde, e eu tenho um compromisso, — Sam sugeriu.

Eu queria estudar os livros de lei toda à noite. O julgamento de Quinn era em menos de um dia de distância. Mas eu já tinha perguntado o suficiente à Sam por um dia.

Provavelmente por uma vida. Eu nem sequer tenho o direito de perguntar-lhe com quem seu —compromisso—era.

Será que isso envolve Mindy? Porque ela não está pronta para lidar com o Sam emergente.

— Eu não vou ver Mindy — ele me surpreendeu dizendo. Minha preocupação deve ter sido óbvio. — Não se preocupe por ela. — Ele sorriu tristemente e amargamente, combinando os únicos tipos de sorrisos que ele tinha. — Eu disse a ela tudo sobre o meu passado enquanto ela usava uma tesoura, e tudo o que resta entre nós desapareceu com o meu cabelo. Eu lhe prometo.

Comecei a levantar-me.

— Eu deveria ir vê-la. Ela deve estar chateada.

Mas ele colocou a mão no meu ombro, me pressionando para baixo.

— Ela está bem e tem planos, também, eu acredito.

Planos? Tarde da noite em um castelo solitário?

Mas eu aceitei as palavras de Sam, porque eu não podia ajudar Mindy de qualquer maneira. Não até que eu salve Quinn. Então eu lhe daria um ombro para chorar pela eternidade, se precisasse.

— Ok, se você tem certeza que ela está bem.

— Você deve descansar,— Sam sugeriu, dirigindo-se para a porta. —Você precisa de força, tanto quanto conhecimento.

Sentei-me na cadeira de Quinn.

— Não, eu vou continuar trabalhando. Eu posso dormir quando Quinn estiver livre.

— Esta é uma boa atitude. — Sam abriu a porta. — Ainda melhor do que sua mulher, eu acho. — Então ele saiu antes que eu pudesse perguntar o que ele sabia do Outlook de Quinn ou de sua sanidade.

Eu sabia que precisava trabalhar, mas quando eu estava sozinha, não tinha certeza do que fazer. Eu estava correndo contra o tempo para exonerar Quinn, e eu tinha... Nada. Enquanto eu lutava para pensar, eu distraidamente estendi a mão para o mouse de seu laptop e sacudi-a, para que o computador ligasse novamente, e desta vez eu dei à tentação e cliquei em seu e-mail.

Eu realmente não estava bisbilhotando, estava apenas procurando qualquer tipo de informação que pudesse ajuda-la. Eu queria saber mais sobre Sam também, porque o conflitado assassino fazia parte da minha vida agora. E parte de mim ansiava um pouco de contato com Quinn. Queria ler o sua longa, espirituosa sarcástica escrita que era tão... Ela.

Com apenas a menor pontada de culpa, eu abri a última mensagem entre os dois poderosos vampiros misteriosos e rolei para o fundo da correspondência que começou semanas antes do meu casamento e continuou, esporadicamente, até a manhã que Claudiu havia sido destruído.

Os e-mails eram, naturalmente, destinados a Sam, e eu recebi algumas percepções sobre sua amizade e suas suspeitas. Mas eu também encontrei algo mais, espalhado pelas mensagens, e era quase melhor do que indícios.

Uma carta de amor para mim.

Pelo menos, começou dessa forma.

##**##

MINDY

Eu deveria saber que Sam iria encontrar Sugar em um jardim. Ele sempre gostou de estar fora e disse que edifícios o sufocavam, e não importa o que ele pensava sobre si mesmo, eu sabia que ele não tinha realmente mudado. Ele pode ter roupas melhores, e um novo corte de cabelo, e até mesmo parecer bravo às vezes, mas ele ainda era doce, não se desespere amante da natureza Sammie.

Se ele não fosse um bom rapaz, ele não teria concordado em fazer a coisa certa por Sugar, que já estava sentada ao lado dele em um banco sob as estrelas. Cheguei lá atrasada, porque eu tive que pedir informações a partir de dois empregados diferentes, mas não parece que eu perdi muito. De onde eu estava nas sombras, parecia todas as piores e mais dolorosas coisas estavam acontecendo naquele momento.

— Sugar,— Sam disse, parecendo muito triste. — Eu acho que eu fui errado em não falar com você antes de agora. Eu acreditava, a princípio, que eu estava lhe fazendo um favor, porque eu não posso imaginar quem iria querer um vampiro blestemata, mas talvez essa escolha deveria também ser sua, sim? A nossa tradição diz que o que temos compartilhado juntos, sangue, é vinculativo para a eternidade.

Eu fiquei como uma das estátuas de mármore que eu vi nos arbustos ao meu redor, como se o Renascimento italiano ainda estivesse acontecendo, e eu não podia me mover, também. Eu era como de pedra, também.

Eu não devia ter vindo ali para espioná-los. Eu não estava realmente lá para pegar Sugar fazendo ou dizendo algo errado. Eu estava lá porque esta parte de mim queria ver o cara que eu tinha jogado fora... E que eu queria de volta... Me deixar para sempre.

Eu, gostaria, queria que machucasse. E eu consegui o que queria.

— Eu entendo porque você agiu como você fez, — Sugar disse a ele. — Aquela noite inteira foi tão errada...

Si. Foi.

Eu a vi chegar e tocar-lhe, como eu teria feito, e meu coração encolheu no meu peito.

— Mas, obviamente, Quinn acredita que você realmente não quis destruir alguém naquela noite, — ela disse. — E eu acredito nisso, também. Eu não sei o que aconteceu, mas você não quis fazê-lo.

— Eu ainda não entendo isso também. — Ele encolheu os ombros, quase como se tivesse desistido de se preocupar com essa coisa ruim que ele tinha feito. — Mas eu sei que nós compartilhamos algo sagrado para os vampiros, e se você não me despreza, se você quiser começar, de alguma forma, a conhecer-me mais lentamente, e determinar se você quer, talvez, um vampiro que está perturbado e quase certamente condenado, vou cortejá-la, como você merecia e ainda merece.

Ela sentou-se ali olhando para ele, e meu coração parou. Diga não! Diga-lhe que não! Diga a ele para sumir!

Mas, duh, ela era louca por ele durante anos, totalmente odiava e amava, ela disse:

— Eu gostaria, Sam. Significaria muito para mim. Assim como aquela noite significou muito para mim.

Nenhum deles disse em tantas palavras, mas eu sabia o que tinha acontecido. Ela basicamente disse a ele: — Eu aceito você como meu, para sempre. — Muito da vida de vampiro era um mistério para mim, mas eu sabia que uma menina que tinha sido mordida tinha um crédito sobre um cara para sempre. Como uma menina que não tinha sido mordida, eu sabia isso muito bem.

Eu praticamente estava — destruída — naquele momento, e a única coisa que me impediu de gritar foi saber que Sam não tinha dito que aquela noite significou muito para ele também. Eu estava feliz por isso, pelo menos.

Até ele se inclinar e beijá-la.

Não era como os beijos que compartilhamos. Não era como se Sam caísse sobre ela, e ela caísse sobre ele, e eles não podiam se soltar se o mundo acabasse em torno deles. Foi apenas um beijo na bochecha, mas foi uma final e grande estacada no meu coração.

Eu comecei a virar-me, sabendo que eu tinha cometido um erro enorme vindo aqui.

Eu não deveria ter visto isso. Isso vai me assombrar para sempre... Mesmo se eu não tivesse o para sempre, como eles vão, porque ela nunca vai deixa-lo ir.

Minha respiração começou a ficar toda esfarrapada e histérica, e era uma maravilha eu conseguir ouvi-la sussurrar-lhe:

— Eu serei boa para você, Sam. Eu prometo. E você vai precisar de alguém, se... Se o pior acontecer com Quinn, e você se levar para se tornar o regente de Anastácia. Eu prometo, eu estarei pronta para ajuda-lo a governar.

Eu dei as costas para eles, e congelei novamente. Meus dedos cerram tão apertados e minhas unhas escavaram na minha pele.

Cadela. Ela era uma puta conivente.

Ela não dá a mínima para Rachel.

E o que diabos Samquis dizer quando disse:

— Obrigada, Sugar. Eu acredito que você vai fazer bem ao meu lado se eu tomar o meu lugar como regente, governando com Anastácia na ausência de Quinn.

Uma das minhas unhas quebrou na minha mão.

Isso estava tudo errado. Ele não deveria agir como se não houvesse nenhuma chance de Quinnie ficar bem. Amigos não falam assim. E ele não deveria estar falando sobre governar nada. Ele não queria isso. Ele sempre jurou que não queria...

Então, por que ele soava como se estivesse babando sobre a chance de pegar o lugar de Quinnie?

De repente, eu não tinha certeza se estava certa sobre o meu ex-namorado depois de tudo.

Fiquei ali naquele jardim que ficou muito silencioso, como se talvez duas pessoas estivessem se beijando um pouco mais, e pela primeira vez eu realmente me perguntei se Sam não tinha escondido algumas coisas muito importantes de mim. Gostaria de saber se talvez ele tivesse mentido para todos nós o tempo todo, fingindo ser um bom rapaz e bom amigo.

##**##

RACHEL

Embora Quinn não falasse sobre Sam muitas vezes, houve momentos em que eles se mandavam muito e-mail. Sua correspondência era uma daquelas coisas que ela mantinha privada, mesmo de mim, talvez em parte porque foi aí que ela falou sobre mim. Eu tinha certeza que era o único lugar, fora do nosso quarto, aonde Quinn Fabray chegou perto de expressar seus sentimentos.

— Minha esposa fica fraca, Sam... Eu me preocupo com ela... Não é possível suportar ver sua luta...

— Sinto muito, Quinn, — eu murmurei, envergonhada. — Realmente sinto muito.

Rolando a página mais para o alto, eu percebi que tinha chegado ao fim da sequência de mensagens, e eu me sentei na cadeira, com raiva de mim mesma e vendo ainda mais claramente como eu tinha me encolhido atrás dela desde o nosso casamento. Como eu a decepcionei e aumentei seus encargos.

Quase todas as primeiras mensagens de Quinn tinham incluído, escondida dentro das brincadeiras de caras sobre esportes, estacas e as vantagens de usar ou não usar calças, algum tipo de elogio para mim.

— Anastácia é brilhante, Sam. Você deve vir para o meu casamento, só para ver a mulher que tem o poder de deixar-me sem palavras.

Sam tinha escrito sobre Mindy, também, e enquanto eu deslizava as partes, não querendo intrometer, ficou claro, mesmo com todas as LOLs sobre seus sapatos, que ele se preocupava muito com ela, e talvez viu o que ela precisava mais claramente do que a própria Mindy fazia.

— Ela frequenta a faculdade, porque sua mãe quer isso, mas eu digo a ela que existe uma escola excelente de beleza não muito longe da minha casa na praia.

Infelizmente, ao longo do tempo ambas as relações pareciam desintegrar-se um pouco. LOLs de Sam terminou com mais frequência com — mas, infelizmente, — enquanto Quinn começou a se arrepender, não de se casar comigo, exatamente, mas por arrastar-me para uma vida que estava lentamente me esmagando.

Reli uma das últimas mensagens, em que Quinn perguntou a Sam, de novo, para vir ajuda-la a gerenciar o reino para que ela pudesse se concentrar mais em me proteger.

— Sinto muito,— eu repeti, levantando o dedo para fechar o programa.

Mas pouco antes de eu clicar, percebi a data nas últimas mensagens, que tinham sido trocadas durante um breve período quando Quinn mencionava que eu estava dormindo ali perto, porque às vezes ela tinha de trazer o portátil para o nosso quarto e trabalhar na frente do fogo.

Rolando de volta para baixo, eu segui a trilha novamente, ficando animada com imagens de relógios, e Quinn me acordando, e sangue vermelho vivo, de repente começou a dançar na frente dos meus olhos.

Obriguei-me a acalmar e pensar com clareza, usando os dois lados do meu cérebro. Pense como uma vampira e uma matematleta, Rach. Use o seu lado racional e sua nova familiaridade com sangue, também. E, gradualmente, a questão formou em minha mente:

Dada à velocidade com que o sangue coagula, poderia um vampiro que estava enviando mensagens as 6:47 am e ao meu lado na cama às 7:15 – estar no foyer no momento adequado para dirigir um estaca três vezes em seu inimigo?

O Julgamento de Quinn estava se aproximando, e eu só tinha um pequeno pedaço de provas em seu favor, então eu não acho que eu jamais seria capaz de dormir naquela noite. Mas eu recentemente executei uma estaca na mão de Sam e li sobre a lei e fiz o meu estudo usual de romeno, e eu acho que estava exausta o suficiente quando minha cabeça bateu no travesseiro, adormeci quase que imediatamente.

Ou talvez eu realmente não caí no sono, porque, quando eu estava à deriva, eu comecei a ter um sonho que era quase tão vibrante quanto as alucinações que eu sofria. Só que desta vez, talvez alimentado pelos e-mails de Quinn, eu tive um sonho bom.

Era uma lembrança, realmente. Uma história que começou na noite em que me casei, quando Quinn fechou a porta para o nosso quarto, então, pela primeira vez desde que tínhamos falado nossos votos, estávamos sozinhas.

...

— Eu teria levado você para qualquer lugar do mundo, você sabe, — a minha agora esposa brinca, me puxando para perto. — Nós não temos de ficar aqui, em nossa própria casa, na nossa noite de núpcias!

Eu sorrio para ela.

— Eu não quero viajar. Eu só quero ficar aqui com você.

Ela sorri, também e beija minha garganta, e então diz:

— Eu não tenho nenhuma objeção a isso, minha esposa. Eu prefiro muito mais carrega-la para o nosso quarto do que arrastar malas nos aeroportos!

Eu ri, mas um pouco nervosa. Eu esperei por esse momento por muito tempo... Mas de repente eu também estou bem consciente da minha inexperiência.

Quinn é experiente.

Isso se mostra na maneira como ela dá de ombros para fora de parte de sua roupa sem parar a suave e insistente caricia de seus lábios contra meu pescoço. E um segundo mais tarde, ela desfaz as abotoaduras nas minhas costas, então eu ouvi-as cair no chão.

Eu nem se quer sei como as abotoaduras funcionam. Eu devo ajuda-la? Despir-me?

É claro, os sentidos de Quinn percebem minha tensão, desde que eu fiquei dura em seus braços, e ela diz suavemente,

Não fique nervosa. Eu te amo.

— Eu também te amo. — Eu me empurro um pouco para trás, para alcançar seu laço, e puxando, mas não faz nada, exceto fazer nós duas praticamente cairmos. Eu coloquei minha mão em seu ombro, tentando nos equilibrar —Sinto muito. Droga!

Eu não quis dizer esse tom juvenil, meia maldição, ou quase nos arrastar para uma pilha no chão. Eu estou envergonhada e arruinando a noite mais especial da minha vida...

Deixe-me, por favor — Eu espero Quinn rir de mim, mas ela não o faz. E com um puxão rápido, o nó é desfeito e está pendurado em seu pescoço.

Então ela me beija, seus lábios frios, mas suaves contra o meu, e desloca-se para sussurrar no meu ouvido de novo, murmurando uma das coisas mais doces que ela já me disse. Palavras que eu tenho certeza que nunca vou esquecer, mais do que eu jamais poderia esquecer a sua proposta ou os votos que acabamos de falar.

— Algum dia, Rachel, — ela diz calmamente, — você estará diante de mim nesta sala, enquanto nos preparamos para alguma função que nós duas temos pavor, para nós terá sido muitos em nossos anos juntas, e você vai sorrir e ajustar minha roupa e arrumar meu cabelo, como você sempre faz. E um dos nossos filhos, talvez o nosso primeiro filho vá puxar seu vestido, exigindo nossa atenção. Então eu vou te beijar, e abaixar para levantar o nosso filho, pensando:

Como cheguei a ser tão feliz?

Eu amo esta pequena história. A princesa guerreira que eu casei imaginou esta cena de uma família. A família que irá criar. Ela vê-nos muito tempo depois nesta primeira noite, juntas, felizes e familiar uma com a outra, mas ainda emocionadas, como sempre seremos...

E, de repente, eu não estou nervosa.

— E se nós só tivermos filhas? Eu brinco com ela, porque eu sei que o comentário dela sobre um filho não era só improviso ou uma piada. Ela foi criada para acreditar que ter um herdeiro do sexo masculino é extremamente importante. Ela vivia isso por ser uma mulher.

Eu envolvo meus braços ao redor de sua cintura, sentindo sua blusa branca sob meus dedos. Eu tive sonhos, também, de ter seus filhos, um dia.

Eu tenho apenas 18, e eu nunca disse a ninguém isso. Mas eu penso sobre isso às vezes.

— E se nós só tivermos meninas, o que, em seguida, princesa Quinn? — Eu pergunto de novo, rindo.

Ela sorri e aperta a boca mais perto da minha orelha e meu corpo mais perto dela, para que eu possa sentir todo o poder, a boa tensão crescendo nela, porque embora nós estejamos falando sobre o nosso futuro, nós estamos caindo mais e mais sob o feitiço do presente.

— Se tivermos apenas filhas, eu vou ser a vampira viva mais feliz, — ela sussurra. — Pois eu aprendi com você que uma princesa pode ser tão poderosa como um príncipe!

Então, ela me tira dos meus pés pela segunda vez naquela noite, e me leva para a nossa cama, e eu não posso imaginar por que eu estava nervosa por um segundo sequer, enquanto estamos juntas — completamente juntas, pela primeira vez, e logo as presas que eu senti roçando minha pele novamente mergulham profundo em minha garganta...

...

Eu acordei no meio da noite e esfreguei meu pescoço como se o sonho tivesse sido verdade. Não como se fosse outra alucinação. Apenas um sonho, vívido e maravilhoso que se tornaria realidade. Ela tinha visto o nosso futuro, e isso não iria acontecer.

Gostaria de fazer isso acontecer.

Eu queria ser a pessoa que ajustaria sua roupa, e fazer as funções chatas, e a ver balançar nossas crianças até os ombros. E eu queria mais do que isso. Eu queria recuperar o poder que Quinn havia visto pela primeira vez em mim, e que eu tinha perdido, e usá-lo para liderar um reino de vampiros com a mesma força que minha mãe biológica tinha mostrado.

Eu queria todas essas coisas, profundamente, no meu intestino, mais do que eu já ansiei por qualquer coisa em minha vida. Enquanto eu estava deitada em cima de Quinn na minha cama, o desejo de governar, que eu tinha começado a sentir quando eu tinha usado pela primeira vez a estaca e experimentado esse poder em minhas mãos, endurecido em uma determinação feroz. Um desejo.

Eu não quero ser apenas a Sra. Fabray, ou uma princesa. Eu queria ser rainha.

De repente eu entendi como Sam deve ter se sentido naquele momento em que ele tinha sido tentado a tomar o poder. Mas eu não estava prestes a puxar minha mão e dar um passo para trás, com medo de dar um impulso final para tomar o que era meu.

Eu tinha apenas algumas horas sobrando, e gostaria de gastar a maior parte deles, para conseguir tudo o que eu tinha que ter.

Enquanto eu balançava as pernas para fora da cama, eu pensei sobre Quinn e a imagem da estaca que sempre foi tão importante para a nossa vida juntas, e eu ainda podia sentir a força e autoridade em suas mãos, deixada do sonho — e algo mais se encaixou para mim. Algo que era novamente uma combinação de matemática racional e irracional da esfera de vampiros e muito óbvio que eu não podia acreditar que nunca tinha percebido isso antes.

Apressando-me para vestir, eu saía do meu quarto, sem sequer dizer nada para Emilian.

Eu senti ela arrastando atrás de mim enquanto eu corria para o quarto de Sam, que entrei sem bater. Fechando a porta atrás de mim, fechando a minha guarda para fora, eu fui para a cama e balancei Sam para acorda-lo, sacudindo-o, então ele sentou-se completamente alerta, e perguntei:

— Sam... Você já exumou um corpo?

Notas finais
Comentem galera, talvez vocês ganhem mais um hoje ;)