Rachel Black
2 Nada é melhor do que voltar para casa
Notas iniciais
O aeroporto de Seattle estava lotado, o que era esperado já que estávamos em época de férias de verão. Muitas crianças, jovens e famílias. Pessoas indo e vindo conversando umas com as outras, falando ao telefone, ou seja, estava bem barulhento. E aqui estava eu, esperando o meu voo que irá me levar até Port Angeles, e de lá mais uma hora e meia de carro até La Push.
É, isso mesmo, Rachel, você vai voltar para casa.
Mas não iria ficar definitivamente, seria só por um tempo. Tempo suficiente para matar a saudade do meu pai e do meu irmão e depois volto para Seattle.
De Seattle até Port Angeles foi uma hora de voo. Não conseguia me manter parada, fiquei me remexendo no banco de trás do táxi todo caminho até La Push, de tão ansiosa que eu estava para rever meu pai e meu irmão. Eles não sabiam que eu estava voltando. Bem, saber eles sabiam, porque eu liguei e disse que ia voltar, mas eu não disse quando porque queria fazer uma surpresa.
Quando eu contei para meu pai eu que iria visitá-los ele falou que estava feliz por isso e também por eu já ter concluído a minha faculdade. Perguntou quanto tempo eu iria ficar e respondi, que, umas duas semanas. Afinal eu não poderia ficar mais que isso, uma vez que minha vida em Seattle estava perfeitamente organizada só esperando eu voltar. Eu já tinha minha vaga como estagiária na Microsoft garantida e não foi nada fácil conseguir essa vaga, nada mesmo. Eu também já tenho um apartamento perfeito, que não é minúsculo igual ao quarto em que eu vivi nesses últimos três anos na faculdade e ainda tinha que dividir com outra pessoa. O meu novo lar é grande o suficiente para mim, e ele é bem localizado, fica no centro de Seattle com uma ótima vista panorâmica da cidade.
Estava quase chegando, o taxista tinha sido bem rápido, já tinha passado do centro de Forks e estava pegando a estrada que iria dar na reserva, o caminho é bem familiar pra mim, era como se eu não tivesse passado três anos fora. A janela do carro estava abaixada e eu aproveitei o vento que entrava e batia no meu rosto, bagunçou meu cabelo mas não me importei. Eu não sei explicar ao certo mas parecia que até o cheiro desse lugar era familiar. Isso é bom, traz uma ótima sensação e era mais uma vez como se eu não tivesse ido embora daqui. Levanto o vidro de novo porque olhei de relance minha imagem pelo espelho retrovisor e, droga, meu cabelo estava horrível, todo arrepiado, tentei ajeitá-lo rapidamente penteando com a mão mesmo, não posso chegar eu casa com o cabelo todo para o alto parecendo que eu fui eletrocutada.
Meu celular vibrou, dei uma olhada, era a Eveline , deveria estar querendo me contar alguma fofoca de alguém ou me dizer o quanto seu namorado é decepcionante, ou deve estar querendo puxar o meu saco perguntando se eu já cheguei em casa. — Agora não, queridinha.- Murmurei enquanto ignorava a ligação. Vi que tinha ligações perdidas, todas da minha amiga Isabel.
Eu para ela depois
Recostei minha cabeça no banco e olhei pela janela. Vi a floresta que ficava do lado da estrada, todo aquele verde, era lindo, sentia falta daquilo. De repente o Ethan veio na minha cabeça e eu sentia um início de raiva e saudade, ele era meu namorado, tudo ia bem até que tivemos uma briga feia e eu terminei com ele. Fui tirar a limpo um boato que eu ouvi falar e acabei descobrindo que era verdade. Eu fiquei com tanta raiva quando descobri que terminei com ele. — Chegamos senhorita. – O taxista avisou, me assustando. Meus pensamentos tinha voado enquanto eu pensava no meu ex. — Hã ? Ah sim. Eu... eu não tinha percebido. – falei um pouco nervosa, era a ansiedade voltando. Ele desceu do táxi e eu também, me ajudou com as minhas malas que estavam pesadas. —Obrigada, pode ficar com o troco. —Obrigado, Senhorita- Agradeceu sorrindo, entrou no corro e foi embora. Observei enquanto o carro sumia da rua. —Rachel! — me virei e vi o Jacob saindo pela porta da frente vindo em minha direção. — Ei Jake! – Mal eu terminei de falar e ele já estava me abraçando me tirando do chão e dando um meio giro. — Jake, para, me coloca no chão. – Ele me pôs de volta ao chão, colocou suas mãos nos dois lados dos meus ombros e ficou me encarando enquanto falava.—Eu não sabia que você ia voltar, quer dizer eu sabia que você iria voltar só que não hoje. — Pois é, eu quis fazer uma surpresa, não gostou? — É claro que eu gostei . —Rachel! – Eu me virei e vi que era o meu pai arrastando sua cadeira. — Pai! – Eu dei minha bolsa de mão para o Jacob segurar e fui até ele, sentei no seu colo e lhe dei um abraço apertado. – Senti tanto sua falta. — Eu também filha, porque não nos avisou que estava vindo? Perguntou. — Eu quis fazer uma surpresa. — Disse sorrindo. — Ótima surpresa- ele disse e sorri, eu levanto do seu colo. —Vamos entrar. – Jacob disse pegando minhas duas malas grandes e uma menor. – Nossa, quanta coisa. – Ele comenta
Sorrio e dou de ombros. – E eu nem trouxe tudo, só o básico. — Então não quero nem imaginar o que é o tudo. – Murmurou entrando dentro na casa.Nossa
Penso ao entrar em casa, estava tudo igual a quando eu fui em embora, tudo, os móveis estavam no mesmo lugar sem ter sido arrastados um centímetro. Em cima dos móveis da sala tinha fotos minhas e da minha irmã Rebeca, fotos antigas e uma atual, sorrio ao ver uma que foi a última foto que tiramos juntas antes de ela ir embora para o Havaí. Bem, tiraram a foto sem nós duas perceber, mas ficou ótima é minha foto preferida de nós duas, eu tenho uma cópia dessa comigo. —As coisas não mudaram nada por aqui. – falei, e logo lembrei da minha mãe, da minha infância nessa casa com ela sempre por perto, isso me deu um aperto no coração porque eu nunca mais vou ter ela por perto. — Eu gosto das coisas do jeito que elas estão. – Meu pai respondeu. — Mas, como é que você está? —Eu estou ótima- digo, jogando meu cabelo para trás para enfatizar. —Da para ver, olha só para você. – Disse o Jacob, levantando o meu braço e me fazendo girar, — Está uma gata. — Eu sou uma gata. –Afirmo, divertida. – Mas você também não está nada mal. — falei começando a me dar conta de que o Jacob de agora não é o mesmo Jacob de antes. — Você está bem alto e forte. – Digo apertando seus braços. —Você esperava encontrar o mesmo garoto magricelo de treze anos de idade? — Só não esperava que você mudasse tanto. – Disse o fitando de baixo para cima. Me senti uma criança ao lado de um adulto de tão alto que ele estava. —Então, como vai a Vanessa ? -Perguntou o meu pai, enquanto eu tirava o meu casaco de couro marrom e me sentava no sofá. Eu suspirei internamente, tudo estava tão bom tinha que tocar no nome dela. Como vai a Vanessa ? Uma pergunta que eu não sei responder. Vanessa é minha melhor amiga, bem era até ela tomar o chá de sumiço e ir embora de um dia para o outro sem dar nenhuma explicação. Nós nos conhecemos desde que éramos adolescentes ela morava em Forks com a família dela, não desgrudávamos uma da outra por nada, só quando tínhamos que ir para a escola, pois ela estudava na Forks High School e eu na escola que temos aqui mesmo na reserva. Ainda assim, sempre que dava, nós matávamos aulas e íamos de carro até Por Angeles, e ficávamos por lá o dia inteiro. íamos no Porto onde os navios ancoravam , e depois iriamos para o cais, deitávamos de costas e tentávamos distinguir as imagem nas nuvens, tomávamos vodka barata do Bar N9NE e então ficávamos bêbadas demais para voltar pra casa e passávamos o resto da tarde no The Downtown Hotel, que o tio dela era dono, assistíamos tv, pulávamos na cama, falávamos mal das garotas das nossas escolas, e dos garotos é claro , depois voltávamos para Forks, para a casa da Vanessa, saíamos nas ruas tocando a campainhas das casas e saindo correndo como se tivéssemos dez anos. Mas isso é passado, ela foi embora para a Europa e mandava de vez em quando e-mails breves dizendo o quanto estava curtindo a Inglaterra e o quanto os ingleses são gatinhos.
Fale com o autor