Dia 14 de julho de 1789, data que ficou conhecida como “A Queda da Bastilha”, eram aproximadamente 61 guardas franceses.

Eu perdi meus pais quando era apenas uma criança, aprendi a me virar sozinha ou algumas vezes com ajuda dos poucos amigos dos meus pais que sobreviveram quando a guarda francesa matou diversas pessoas na periferia de Paris onde moravam desde antes do meu nascimento. Durante a noite do dia 13, eu e mais alguns adolescentes da periferia íamos invadir um armazém para pegar comida e roupas, já estávamos acostumados e se tivéssemos sorte, hoje seria o dia do vigia que nos deixava entrar sem problemas desde que fossemos rápidos, mas para isso eu tinha que me vestir de garoto, pois alguns dos meninos não aceitavam garotas durante a “coleta de mantimentos”.

Tudo estava indo bem, já estávamos com as mochilas cheias e saindo do galpão quando ouvimos o assobio de alerta daquele que ficou vigiando, a polícia estava vindo. Corremos em varias direções, corri junto com cinco meninos para os becos mais distantes e conseguimos fugir dos policiares... Na manhã do dia 14, soubemos que os outros meninos que não estavam conosco haviam sido pegos, ainda estávamos em choque e tristes quando a policia chegou ao local aparentemente procurando homens jovens, e tarde demais percebi que eu não havia tirado o meu “disfarce”. Fui levada junto com os garotos para um destino incerto, colocaram armas em nossas mãos e a única instrução que recebemos foi que protegêssemos a Bastilha.

Eu estava completamente assustada, não que eu nunca tivesse segurado uma arma, mas eu não queria usa-la para defender aqueles que causaram a morte dos meus pais e de tantos outros cidadãos, mas eu não tinha escolha, eu já estava com a arma em mãos e embora eu não estivesse a usando, eu sentia o peso dela. Os tiros me despertaram do meu devaneio, vi um por um, três amigos caírem mortos perto de mim quando senti uma dor agonizante em minha perna causada por um tiro. Eu podia fugir, eu deveria fugir e me esconder, mas não era certo, eu não podia simplesmente abandonar o resto de nós que ainda lutavam agora pela própria vida... Arrastei-me até um canto onde os tiros não atingiam, minha perna sangrava e doía como nunca havia sentido dor igual, minhas mãos tremiam enquanto eu segurava a arma que quase disparei quando um homem ajoelhou ao meu lado.

Seus olhos eram frios e cruéis, sua postura gritava que ele era uma ameaça, mas sua vez contradizia tudo isso quando ele olhou em meus olhos pedindo que eu me acalmasse, ordem que eu obedeci involuntariamente, e perguntou-me meu nome. Respondi-lhe Rachel Allard, o sujeito sorriu e me disse que Allard significa “coração nobre”, ora, como se eu não soubesse o significado do meu próprio nome. Vi mais um dos jovens da periferia caírem ali perto e tentei me levantar, em vão, já que minha perna doía, latejava e sangrava muito, achei que estava tendo alucinações por conta da dor, reparei que o estranho não se assustara com o tiro, nem com o fato do meu nome feminino e eu esta vestida como menino, perguntei quem era ele e obtive a seguinte resposta: “Sou o pior pesadelo de muitos, sou um demônio da noite, mas posso te ajudar menina, na verdade irei acolhê-la e torna-la como uma de nós e como minha aprendiza”.

Lembro-me de olhar assustada e em um piscar de olhos, seu pulso estava em minha boca, jorrando sangue para minha garganta, minha perna doeu absurdamente enquanto inacreditavelmente o ferimento ia se curando, senti suas mãos em meus pescoço mas mal senti a dor quando ele o torceu e eu apaguei. Acordei com uma fome absurda, a garganta queimando, a claridade incomodava e minha gengiva estava doendo e eu não sabia onde estava... Parecia um tipo de cela, de porão ou algo do tipo, avistei o estranho através de uma pequena janela, me levantei com dificuldade observando minha perna sem nenhum ferimento mais, cheguei a pequena janela, pensei em perguntar quem era ele, mas essa não era a pergunta certa, o correto a se perguntar era: “O que você é?”, sem hesitar ele deu um passo a frente e respondeu: “Sou Charlie Buck, sou um vampiro, e agora você também é uma”.

O dia em que Charlie apareceu na Bastilha ficou marcado em minha memoria, pois foi o ultimo dia em que pude sentir algo realmente verdadeira, realmente humano... Durante algum tempo, resisti a oferta de sangue, os humano que ele trazia com a artéria aberta, mas essa resistência não durou muito, cedi ao desespero por sangue, sai do controle durante algum tempo mas ele me trouxe de volta, me ensinou tudo sobre o vampirismo, desde vantagens, desvantagens e inimigos, me ensinou a caçar e me treinou para a vida eterna que agora eu tinha. Charlie Buck me criou e me ensinou a ser a vampira Rachel Allard que sou hoje.