Rabiscos
1 Capítulo 1 - One Shot
Notas iniciais
Rabiscos
Capítulo Único
Rabiscos. Desenhos. Linhas retas e curvas. Dedos pálidos e magros que se movem rápidos e precisos. Formas menos abstratas revelam-se na parede cinza. Um pedaço da alma exposto através de um ato primitivo, mas que ainda sim é capaz de mostrar um pouco daquela mente perturbada.
O dono daquelas ações está concentrado em sua obra-prima como se não houvesse amanhã. Seus olhos percorrem toda a extensão da parede que já foi pintada, admirando alguns rabiscos e fazendo grunhidos de desaprovação para outros. O porquê é evidente: eles não revelam o que se passa em sua alma.
A mão é mergulhada na tinta e permanece ali por alguns segundos, porém, logo é removida e volta a pintar o muro com os apotegmas da mente sombria de seu dono. Deseja parar de trabalhar para descansar, afinal, já está fazendo aquilo há mais de uma hora; entretanto seu mestre não permitirá que pare até que tudo em que está pensando seja mostrado.
Uma mecha do cabelo negro do homem cobre seu olho e o atrapalha de continuar. Ele balança a cabeça para os lados e procura assoprar os fios para longe, contudo nada funciona e ele se vê obrigado a parar de pintar para retirar o cabelo do olho.
É com aquela ação que percebe que a tinta ainda está quente. O rapaz pousa seus orbes vermelhos sobre a mão que fora mergulhada na tintura e a aproxima do nariz. Ele inspira profundamente, buscando sentir cada nota do aroma doce. Com um suspiro de êxtase e desejo contido, ele lambe a tinta, refazendo o ato seguidamente.
A língua aprecia a textura e o gosto, que acaba por provocar uma sensação leve de pinicar na mesma. O líquido escorre pela garganta e provoca uma sensação de queimação, o gosto metálico se faz mais presente.
Após a degustação, seus olhos se voltam para o objeto que armazenava a tintura que usava naquele momento. O corpo de uma mulher jovem, desmembrada, serve como uma bacia de capacidade de mais de dois litros. Ele tem de terminar antes que o líquido seque.
Agora, ele pega uma das pernas que desmembrou da garota e mergulha a coxa no sangue. Retira-a e inicia a usá-la como um pincel, tornando a desenhar o que lhe vem à cabeça. Movimentos brutos são realizados, dando origem a uma palavra, e depois outra e mais outra...
"Me encontre — B.B"
Os lábios finos se curvam num sorriso macabro, enquanto os orbes apreciam a obra do dono.
Ele sabe que é e se sente como um artista. Tem todas as ferramentas para continuar a fazer suas pinturas e representar sua alma vermelha. Uma alma que age com paixão quando faz sua atividade favorita: matar. Tão rubra quanto a perdição presente no sangue pecaminoso daquela mulher e de toda a sociedade.
Porém, no vermelho também está escondido outras coisas. Dor. Prazer. Loucura. Uma combinação destrutiva de emoções fortes, que estão prestes a explodir outra vez.
O artista ergue o pincel e retorna a pintar o inferno que habita seu interior. Ele sabe que está em chamas, mas não faz menção de parar. Não até que outros indivíduos possam queimar junto dele.
Notas finais
Primeira vez que escrevo com o Beyond *u* Um dos personas que mais gosto em DN.
Fic betada pela Onigiri do AnimeSpirit. Muito obrigada *-*
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