Rabisco
1 Um
Notas iniciais
You've got a hold of me
don't even know your power
i stand a hundred feet,
but I fall when I'm around you
Uma das piores sensações que ele não gostava de sentir era insegurança, ficar sem saber o que vai acontecer a seguir era uma sensação horrível. O que era contraditório já que como grafiteiro, muitas vezes se tem que correr riscos e estar seguro são dois fatos que não andam de mãos dadas, assim lado a lado. Segurança não existe na maioria desses casos. Só que a adrenalina de conseguir fazer algo que muitos julgam impossível e o prazer de desafiar o proibido é bem maior.
Lucas se considera um cara idealista, um sonhador e gostava de grafitar sobre isso. Então ele tinha vários cadernos com desenhos, pensamentos, trechos de músicas, que mostravam o que ele era por dentro. O que entrava em conflito com ele mesmo era o seu lado cidadão contra o seu lado artista, quem vencia? O artista. Ser artista é complicado. Ainda mais quando a noção do que é propriedade diverge com a dos outros.
Neste momento estava dentro de um carro de polícia, detido e indo para a delegacia mais próxima. Pensava como havia chegado naquele ponto.
Na verdade era bem simples, aquela noite sentia que a cabeça ia explodir já que o coração estava pesado, precisava sair e tirar um pouco o que tinha dentro dele. Precisava grafitar sobre ela, só assim poderia ficar nem que seja momentaneamente aliviado, pegou sua mochila cheia de sprays e seus materiais, não tinha que inventar qualquer desculpa quanto a sair para seus pais que estavam em São Paulo viajando por conta de um trabalho temporário. Sozinho em casa, recusou os convites para sair com o pessoal, não queria ver ela aquela noite.
Juliana, por mais que quisesse não conseguia tirar ela da cabeça e estava cada vez mais insuportável o quanto estava apaixonado, o quanto cada vez mais parecia gata e rato com brigas e implicâncias. Aquela noite faria um grafite para ela, assim como fez na academia do seu pai. Andando pela cidade encontrou um muro com o espaço perfeito, parecia até pedir para que ele usasse suas tintas nele, até tinham alguns outros grafites, até mesmo pichações.
As condições estavam perfeitas, não tinham pessoas na rua passando, sem movimentação. Começou a fazer seu trabalho, estava tão concentrado que não viu que estava sendo observado do outro lado do muro, era uma propriedade particular e com uma ligação em pouco tempo chegou a polícia e ele estava ali.
Se lembrou do seu trabalho acabando de ser finalizado e justamente quando a viatura da polícia chegou, não teve nem o pensamento de fugir, também não tinha como negar que tinha sido ele, mãos sujas de tinta, a mochila aberta com seus materiais.
O carro chegou à delegacia e estava estacionado, os dois policiais que o deterão saíram do carro, um foi andando na frente enquanto o outro foi tira-lo do carro. Seu nome era Augusto, um senhor negro que tinha um sorriso gentil e ao mesmo tempo pesaroso.
:- Tenho um filho na sua idade, ele também gosta desse tipo de coisa, só não faz porque sou seu pai. – Augusto começou falando para Lucas aleatoriamente. – Para ser sincero, meu rapaz, eu também gosto desse tipo de cultura, mas como policial tenho que cumprir o meu dever e o que você fez é crime. – Ele falou com pesar. Lucas observou que Augusto o comparava com o filho.
:- Só que eu não estava pichando e sim grafitando. – Se justificou pela primeira vez naquela noite, com a ficha caindo que ele estava encrencado.
:- Algumas pessoas não veem essa diferença. – Lucas chegou a ver o policial dar os ombros, e ele teve que concordar em silêncio porque essa era uma verdade. O preconceito com essa arte ainda era grande. – Além do mais, o que você fez foi numa propriedade privada.
E tem mais essa. Foi o pensamento de Lucas, poderia ter escolhido outro lugar, mas estava tão ansioso para grafitar que não pensou nisso realmente, cometeu um erro de principiante, típico de alguém ansioso e angustiado. Eles o levaram para uma sala, como nunca teve passagem pela polícia talvez não ficasse ali aquela noite era por isso que torcia.
:- Logo você falará com o delegado do turno, e se me permite um conselho, não negue nada além do óbvio assim você terá mais chances de sair dessa situação constrangedora o quanto antes.
E Augusto saiu da sala onde deixou Lucas, sentado agora sua cabeça trabalhava a milhão tentando pensar numa saída para esta situação complicada, não poderia deixar essa história chegar aos seus pais pelo menos não agora.
:- Rapaz? Preciso do contato de alguém para que possamos resolver sua situação. Seus pais? Responsável?
Lucas olhou para o chão pensando que tinha que ser rápido.
:- Não tenho decorado, mas no celular, tem o contato da Joana, ela é uma amiga minha e pode me ajudar nisso. – Augusto ficou o encarando, pensando no fato dele não falar nada sobre seus pais, mas logo o deixou sozinho novamente.
Demorou uma hora até que novamente Augusto entrou na sala, algo que Lucas esperou calmamente por alguma notícia, pensou em muitas possibilidades do que poderia estar acontecendo.
:- Venha agora é sua vez de ver o delegado. – Pela expressão no rosto de Augusto a situação não estava tão tensa quanto parecia. Mesmo assim o caminhar até a sala do delegado fez com que todo o nervosismo viesse à tona e se ele ficasse muito tempo ali dentro? Perdesse seu emprego? Repetisse o ano escolar?
Diversas questões como essas começaram a surgi em sua cabeça e isso o fez travar na porta de frente do delegado.
:- Vai garoto. – Precisou que o policial o puxasse para a sala para que Lucas voltasse a andar, com o olhar arregalado encarou o olhar inexpressivo do delegado. Era melhor que ele estivesse com raiva para ele saber logo de seu futuro. Não mais uma vez não ter segurança de nada naquela noite.
:- Então senhor Lucas, onde surgiu essa... Como posso chamar? “Cultura” do grafite? – Ele perguntou surpreendendo Lucas que chegou até a ir para trás com o corpo, olhou para Augusto indeciso sobre responder que apenas fez o gesto de cabeça.
:- Depende do ponto de vista, Senhor delegado. – Ele engoliu saliva vendo que os olhos verdes do delegado estavam atentos a ele, a cada gesto e especialmente as suas palavras.
:- Então me diga qual é o seu? – O delegado apoiou o cotovelo na sua mesa e colocou o indicador sobre sua boca enquanto o polegar parecia segurar seu queixo. Agora dava para ver que dependendo de como respondesse essas perguntas, resultaria na sua liberdade.
:- O meu estilo de grafite é próprio, cores quentes predominantes, traço cômico como de um desenho animado. A origem desse movimento nasceu em Nova York, nos anos 80. Como uma assinatura do que o artista é, com o seu estilo.
:- Interessante seu ponto de vista. Você se considera artista? – Ele mudou a pose da mão, entretanto, havia certo desafio no olhar do delegado. Lucas respirou fundo.
:- Sim, eu sou grafiteiro. Porém, não sou pichador, não estou em nenhuma gangue ou algo do tipo, nem fiz grapixo. Não faço pichação, faço arte de rua.
:- Muitos apareceram aqui pelo mesmo motivo que o seu e disseram esse mesmo argumento, só que não tão bem articulado como você, tem alguma prova do que esta me dizendo?
:- Não tenho nada aqui comigo. No meu celular tem fotos de alguns trabalhos meus.
Delegado fez um momento de pausa em silêncio antes de voltar a falar.
:- Eu tomei a liberdade de vasculhar sua mochila e lá tem seus cadernos, eu vi muito dos seus desenhos. – Delegado foi colocando seus cadernos abertos na mesa, de alguma forma ele se sentiu exposto naquela mesa, como se seu íntimo fosse revelado, não mostrava aqueles cadernos para ninguém. – Você não pensa que se deve ter consciência do que está se fazendo? Por que você está denegrindo um patrimônio privado, mas poderia ser algum patrimônio público ou denegrir o meio ambiente. Essa é a sua arte? Se for caracterizado como crime, lei federal 9.605/98, você pode pegar uma pena de três meses até um ano de prisão.
:- Senhor delegado eu não sou vândalo, sou artista, a minha arte é nada mais, nada menos que me expressar, o que eu sinto aqui dentro – ele apontou para o coração – não tenho intenção de fazer mal a ninguém. Isso nunca me aconteceu antes, eu trabalho, estudo, não sou nenhum vagabundo. Se os homens das cavernas há milhares de anos também desenhavam e pintavam animais ou homens, enfim o seu estilo de vida nas paredes, isso bem antes de Cristo daí surgiu essa arte, a importância desse movimento artístico. E como isso é cultura! – Apesar do nervosismo Lucas conseguiu ser coerente para se defender, não poderia ser preso.
O delegado ficou em silêncio mais uma vez o encarando como se esperasse qualquer deslize.
:- Eu vou ser bem claro, meu rapaz, você é talentoso, me parece inteligente e que tem um futuro brilhante pela frente, claro que tudo depende de como conduzirá sua vida. E basicamente não tomar decisões erradas, grafitar um muro particular não é o caminho para ser um melhor artista. Vá estudar e busque pessoas que queiram ter sua arte em suas paredes, senão eu vou ter que te rever aqui novamente e não terá essa mesma sorte. Sua amiga lhe ajudou pagando a sua multa, agora a sua sentença será limpar a sua “arte”, da próxima vez não será assim portanto pense bem onde irá usar seus sprays. Está liberado. – Fez o sinal com a mão para que fosse logo.
Lucas não pode evitar o alívio e deu um sorriso aberto antes de se levantar da cadeia e pegar seus cadernos. Augusto o ajudou para buscar todos seus pertences e para ser liberado ainda que ele tivesse a ficha suja, ele estava fora daquele lugar que jurou a si mesmo que não voltaria.
Tinha ansiedade em encontrar Joana e lhe agradecer. E assim que saiu foi ela quem ele buscou, mas não foi ela quem ele encontrou.
Juliana, assim o que viu livre correu até ele e o abraçou fortemente, Lucas estava confuso e bastante surpreso tanto que nem correspondeu o abraço.
:- Ainda bem! Ainda bem que você está aqui e não preso! — A ruiva aliviada e contente disse assim que soltou dele.
:- O que você faz aqui? – Lucas quase se censurou na frente dela por usar de um tom duro, só que foi o primeiro ato de defesa por vê-la ali. Pelo o que ela o fazia sentir desde a última vez em que o rejeitou. Juliana que estava contente desfez o sorriso no rosto ao escutar sua pergunta, ela se afastou devagar dele.
:- Eu estava com a Joana quando ligaram daqui da delegacia, insisti muito para vir com ela, eu queria ajudar. – Ela esqueceu a alegria de te ajudado ao ver que ele não estava contente com a presença dela ali.
: — Ajudar? Então foi você que pagou minha multa? – Ele ficou mais surpreso. – Não deveria ter feito isso! – Negou com a cabeça tentando ainda absorver essa informação.
: — Não? Você queria ter passado a noite aqui é isso? Talvez ter pegado uma sentença mais dura? – Quando percebeu Juliana já estava respondendo a altura dele, grosseira. Não conseguia se conter, ele a provocava de tanto irritante que ele poderia ser às vezes.
Antes que pudessem aprofundar o começo de mais uma discussão, foram interrompidos.
:- Danou-se! – Joana exclamou da porta da delegacia onde olhava para os dois, com o sotaque cearense forte, ainda mais quando ela estava nervosa como agora. – Eu saio por alguns minutos para falar com Tânia no celular e quando volto os dois estão aqui, arengando é isso? – Olhava séria tanto para ele quanto para a irmã. – Vocês não têm jeito não. – Negou com a cabeça falando mais para si do que para eles. – Lucas, menino porque tú me apronta uma dessas hein?
Lucas desmanchou um tanto da sua pose para se voltar a Joana, ressentido ele mexeu na alça de sua mochila o barulho das latas se batendo lá dentro foi alto e bem nítido e ele engoliu saliva antes de falar com ela.
:- Me desculpe te fazer passar por isso. Eu precisava de uma amiga que não me julgasse, que fosse responsável. – Ele deu os ombros. – Lamento! Eu só estou contente de você estar aqui.
:- Pois é, poderia ter sido pior. – Ela deu um sorriso de lado e lhe tocou o ombro num gesto solidário. Então olhou de lado Juliana que estava de braços cruzados com expressão fechada e retraída. – Ainda bem que Juliana veio para lhe ajudar, não foi. – Lucas só olhou Juliana de lado e voltou a olhar Joana. Que devolveu um olhar questionador a ele que suspirou antes de voltar a falar.
:- Obrigado por ter me ajudado. – Ele disse a Juliana como se tivesse sido apenas por educação por dentro aquilo o incomodava e muito. A garota apenas deu os ombros sem saber o que falar.
Joana percebeu que teria que tomar a frente da situação senão ficaria com o clima ruim pelo resto da noite.
:- Assim que terminei de falar com Tânia, pedi um táxi para irmos embora daqui. – ela informou para os dois, olhando no celular e vendo que o táxi chegaria logo, e começou a caminhar para a saída da delegacia, não gostava desse tipo de lugar e tentava disfarçar esse incomodo por ter más lembranças do seu passado injusto. – Juliana eu posso passar antes na tua casa para te deixar por lá, tu quer? – ela sugeriu.
:- Não, você sabe que eu briguei com senhor Ricardo. Prefiro ficar com você! – Juliana disse para a irmã num tom levemente triste.
:- Então pronto, vai todo mundo para casa do Lucas. – Joana informou.
:- Como assim? – ele perguntou assustado.
:- Você me disse essa semana que seus pais estão viajando não foi? Então depois de hoje, não quero te deixar sozinho, não. O melhor é irmos para sua casa. – Joana não deixou espaço para discussões de nenhuma das partes.
O caminho feito pelo táxi foi com um clima ameno pela parte da frente do carro, já que Joana conversava animadamente com o motorista que para sua surpresa também era de Morro Branco, já no banco detrás o clima era de silêncio total, cada um olhando para a janela e com a cabeça explodindo de diversos pensamentos. Não se atreviam a falar um com a outra.
Lucas pensava no nervosismo de ter Juliana tão perto de si, e o fato de ter saído de casa por causa dela e agora estava voltando de madrugada para casa justamente com ela. Que nunca conheceu sua casa, que era modesta, simples, mas bem arrumada. Apesar de não dever pensar nisso, pensou na possibilidade dela não gostar da onde ele morava. Afinal ela era uma patricinha onde sempre teve tudo do bom e do melhor. Independente de tudo a opinião dela contava muito mais do que ele poderia admitir.
Rapidamente chegaram a sua rua, por mais distante em que Juliana tivesse, percebeu o seu olhar de curiosidade quanto a conhecer essa parte da vida dele que não conhecia. Lucas abriu a porta da sua casa e deixou que elas entrassem primeiro. Pediu que elas esperassem alguns instantes.
Foi para o seu quarto e jogou sua mochila em qualquer lugar, tirou muitos papéis da sua mesa, guardou alguns de seus desenhos espalhados e trocou de roupa para voltar a sala.
:- Desculpa a demora, vocês devem estar cansadas, vão dormir no meu quarto é lugar mais fresco da casa. Eu vou dormir ou no quarto dos meus país ou aqui pelo sofá mesmo. – Ele apontou para o sofá onde estavam sentadas. – Estão com fome? Ou querem água ou algo assim? – ele tentava segurar seu lado inquieto, mas estava difícil, além de agradecer ele queria agradar.
:- Eu só preciso de um banho e dormir Lucas. Amanhã conversaremos sobre toda essa história viu bichinho. – Joana já estava sonolenta, ela tinha uma rotina de acordar bem cedo e já tinha passado do seu horário de dormir havia algum tempo. Ela lutava contra o sono.
:- Eu vou mostrar onde vão dormir. – ele falou para Joana, mas o seu olhar estava em Juliana.
Ele apresentou o quarto dele para as duas, arrumou onde elas dormiriam, lhes deu roupa para dormir e disse onde ficava o banheiro, desejou boa noite e foi para a sala. Depois de tomar seu banho e escovar os dentes assim que as duas terminaram de usar o banheiro, sabia que não conseguiria dormir tão cedo então foi para sala para pensar. A casa estava em silêncio, ele foi até a janela da sala, a casa que ficava no alto, então tinha uma bonita vista. Gostava de ir ali para olhar o céu e pensar, ficou ali encostado tão concentrado nos seus pensamentos que não escutou ela chegando.
I'm not asking for a lot, just that you're honest with me my pride is all i got, i'm saying baby
:- Lucas? – O chamou vendo que ele não notaria sua presença a não ser que o chamasse.
Ele teve um sobressalto de leve por não esperar então, olhou para ela admirado. Usava uma camisa dele velha que ficava grande inclusive, porém não deixava de estar linda aos seus olhos.
:- Oi? Você quer algo? Uma água talvez? – Ele perguntou vendo que ela o encarava de forma profunda. Começou a ficar ansioso por algo que nem sabia o que seria.
Ela negou com a cabeça e mordeu o lábio inferior, Lucas deduziu que ela queria conversar só não sabia por onde começar. Só então percebeu que ela tinha as mãos atrás do corpo.
:- Não quero brigar com você! – Ela disse olhando para baixo pensando na conversa incentivadora que teve com Joana antes dela dormir. – Eu realmente quis te ajudar e não fica bravo comigo por isso. – Juliana tocou justamente um ponto crucial na relação deles, a diferença social era um fator que sempre resultava em desavenças entre eles. Ele ficou quieto por alguns instantes até responder.
:- Obrigado por ter me ajudado, foi um alívio não ter que ficar preso naquele lugar. Não sei o que seria quando meus pais descobrissem, não sei nem como vai ser. – Ele deu os ombros encarando ela, dessa vez sendo sincero e não obrigado a agradecer. Ela ficou tão aliviada por ele também não querer brigar mais.
:- Eu vi o que você fez. – Ela disse depois de mais uma pausa de silêncio entre eles.
:- O quê? – Ele perguntou dando um passo para ficar mais próximo dela.
:- O desenho e a poesia que grafitou no muro há algumas horas atrás antes de ser levado. Eu vi. – Lucas ficou surpreso novamente. Como isso era possível? – Primeiro nos mandaram para o endereço em que você grafitou, e quando chegamos lá disseram o endereço da delegacia que já o tinham levado. Foi tarde demais eu já tinha visto.
Lucas ficou em silêncio por que não tinha o que negar, ele tinha grafitado mais uma vez o rosto dela por que ainda era completamente apaixonado, doía pensar que ela não o via com olhos diferentes. Assim como ele que a via com olhos diferentes e não conseguia deixar de fazer isso, foi o pensamento que estava na sua cabeça antes dela voltar a falar.
:- É lindo! – Juliana lhe chamou a atenção, e agora ela que estava mais perto dele. Agora com as mãos ao lado do corpo fechadas. – A sua arte é linda, é uma pena que terá que apagar depois.
:- Você sabe o que tudo isso significa? – Ele entendeu, mas ignorou o que ela disse. – Você quer ter essa conversa de novo? Por que não dá para você se aproximar e eu criar ilusões na minha cabeça...
Lucas parou de falar por que foi calado com um beijo. Juliana avançou a distância que estavam e lhe beijou calmamente, mas com a segurança de quem sabia e queria o que estava fazendo. O beijo que começou calmo foi ficando intenso e entregado com direito a perder o ar que tinham.
:- O que foi isso? – Ele perguntou com o beijo já terminado, ofegante. Mas, estranhamente contente por não esperar essa atitude vindo dela. Ainda mais sabendo que não era um jogo para ninguém, ela não estava usando ele para nada, estavam sozinhos.
:- Eu precisava saber que não era tarde demais e que eu não tinha te perdido. – Ela sorriu com a boca vermelha, pulsando porque foi mordida por ele em meio ao beijo que ficou intenso. – Eu tentei a semana inteira me reaproximar de você e só recebia rejeição vinda da sua parte.
:- Não dá para acreditar! – Ele soltou um riso, olhando pra ela que tinha os braços cruzados atrás de sua nuca. – Você só me queria como um amigo, eu queria muito mais que isso e você nunca me deu uma chance.
:- Eu achava que estava apaixonada pelo Giovane, não poderia brincar com você sempre tentei ser o mais realista possível quanto a isso porque não queria perder sua amizade também. E foi o que aconteceu não é?
:- Eu precisava me afastar de você! Sou apaixonado por você e por tanto tempo carrego isso aqui dentro, não conseguia ver você com mais ninguém.
:- Esquece isso, eu estou aqui agora. – Ela deu um sorriso de lado ao sentir ele a abraçando pela cintura mais apertado, ficando de corpos colados.
:- Então a patricinha esta correndo atrás de mim? – Ele brincou e depois fez uma careta porque ela colocou as mãos no seu cabelo apertou e puxou o repreendendo.
:- É grafiteiro, deixa de ser bobo! – ela fez um careta porque agora estava com vergonha dele, que sorriu a ver ela assim por isso deu um beijo rápido na sua boca. – Eu preciso te entregar isso, mas é só um rabisco. – ela tentou fazer uma expressão de mistério enquanto mostrava a mão direita fechada para ele, que percebeu que ela estava o tempo todo com essa mão fechada. Ela abriu e ali tinha um papel dobrado, já amassado por ela apertar.
Juliana se afastou um pouco para incentivar com o olhar para que ele pegasse e abrisse o papel. Lucas tirou suas mãos do corpo dela para matar a curiosidade, quando abriu soltou um sorriso aberto e então olhou para ela que esperava para ver a reação dele que acabou também sorrindo com ele.
Lucas voltou a olhar o papel e lá tinha desenhado ele, de um jeito torto, mais que dava para identificar, ela fez até o boné virado para trás. Mais em baixo tinha um casal de bonecos de palitos dando um beijo em meio a muitos corações e no final estava escrito algo que fez ele ficar sério e então reler, para depois olhar para ela novamente.
Ele colocou a mão no pescoço dela e o polegar em sua bochecha gentilmente fazendo ela o encarar. – Por favor, eu já sofri muito com o que eu sinto por você, preciso que seja honesta comigo agora. O que você escreveu é de verdade?
:- “Estou apaixonada por você!” – Juliana repetiu a declaração que tinha escrito no papel em voz alta e sorriu pela expressão de menino bobo apaixonado e correspondido que ele fez. É, estava perdida, pensou, estava apaixonada pelo grafiteiro!
Fim
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