RECONSTRUÇÃO
24 Onde existe o amor, lutar não fica tão árduo...
Os corredores estavam vazios e escuros, além de frios e ainda mais assustadores. Emma, Robin e Nicolas seguem camuflados pelas capas, mas tinham ciência de que poderiam ser descobertos a qualquer instante, pela esperteza da bela rainha e do reverendo.
— A sala fica próxima às masmorras. – diz Nicolas. Eles podiam ver-se entre si.
— Já estive nelas.
— Como saiu?
Emma sorri e acentua suas bochechas de menina.
— Abri a porta da cela. Eu já fui presa inúmeras vezes e fui até condenada a quase dois anos de cadeia.
Robin e Nicolas riem e continuam sua caminhada. Mais alguns minutos, o arqueiro aponta a porta de madeira rústica.
— Sem guardas? – Emma cochicha.
— Lá dentro tem proteção suficiente para quem conseguir entrar. – responde Robin mostrando que a porta não estava trancada.
Tomando a dianteira, a loira retira o capuz e é imitada pelo arqueiro que a segue. Ela ordena que Nicolas fique com vigilante.
— Segure em mim, Robin. – ela pede e sente o homem segurar sua cintura com força. – Mas não precisa apertar.
— Desculpe-me...
Lá dentro da sala iluminada por poucas tochas, sobre uma mesa circular no centro do cômodo, oito frascos de madeira estavam descansando. Os dois ladrões olham para cima e ficam petrificados diante da imensa quantidade de lâminas apontadas para baixo, como se centena de lanças estivessem prontas para serem disparadas.
Emma sente a mão de Robin comprimir ainda mais sua cintura. Ele estava com medo.
Suavemente, a salvadora abre um pequeno alforje e começa a recolher todos os frascos. Somente depois que fecha a bolsa, ouve o primeiro zumbido metálico: duas lâminas tinham caído e fincado-se ao lado da mesa. Ao ouvir novos zumbidos, a mulher gesticula e rapidamente agacha-se abraçada ao arqueiro. Sobre eles, uma chuva de lâminas despenca, bate sobre a proteção criada e caem inertes do chão.
Antes de saber se lâminas voltariam a atacar novamente, o casal corre para fora da sala e fecha a porta, mas ouve o som das pontas serem fincadas contra a madeira. As batidas ficam constantes, como se as lâminas entrassem e saíssem da superfície da porta.
— Rápido! Ouço passos! – Nicolas avisa e coloca o capuz, mas Emma não tem tempo de proteger-se e é atingida por uma onda forte contra seu corpo. Robin também é atingido.
— Sabiam que invadir a casa de uma pessoa, é um crime? – a voz de Regina é ouvida potente no corredor. Atrás dela, cinco soldados humanos vinham armados. – Em minha terra, as leis costumam punir invasores com a morte!
Emma tenta levantar-se, mas sente algo apertar seu pescoço. Robin sente a mesma coisa.
— Por que tenho a impressão de que você é uma das habilidosas do tal exército das esmeraldas? – Regina sente que aquilo era afrodisíaco para seus sentidos. – Por que seus líderes covardes não me enfrentam de peito aberto...
Ela ia falar algo mais, porém uma dor dilacerante toma conta de seu quadril. Várias pontas pequenas e afiadas são cravadas em sua carne. Ela grita e vê o sangue espirrar daquela parte de seu corpo. Leva as mãos ao quadril e tenta segurar o sangue que escorre. Não consegue.
Antes que os soldados pudessem entender o que estava acontecendo, recebem fortes golpes vindos do nada e desferidos por pessoa alguma. Nicolas estava camuflado pela capa e consegue atingir os homens sem ser atingido.
Emma sai correndo na direção das celas, enquanto Robin se protege e vai ajudar o cigano, naquele embate. No corredor das celas, a loira retira o capuz e toma os prisioneiros de assalto.
— Sou da paz! Venho para ajudar! – ela exibe um dos frascos. – Como faço para abrir a porta?
— Somente nós conseguiremos, menina. Mas sem poderes, estamos condenados à morte. – diz uma mulher velha.
— Eu estou com os frascos! Como saber qual deles pertence a quem?
— Coloque-os no chão e nós os chamaremos. – a mesma mulher fala.
Rapidamente, Emma coloca os oito frascos no chão e afasta-se deles. Diante dos olhos da loira, os pequenos frascos escorregam pelo chão frio e seguem em direção aos seus respectivos donos. Mas quatro deles permanecem parados e são recolhidos.
De dentro das celas, os prisioneiros conseguem abrir suas portas e alcançam a liberdade. O grupo segue correndo atrás de Emma e depois de uma hora, todos estão correndo por uma longa caverna em direção à floresta.
Sentados num trecho junto a algumas árvores, o grupo comemora a libertação. Todos os habilidosos resgatados mostravam exaustão e desidratação.
— Mas eram cinco pessoas aprisionadas. – Nicolas olha para os resgatados. – Onde está a mulher sem a mão?
— A Rainha Má está com ela para conseguir controlar a pata de macaco. Não estava mais surtindo efeito sob as mãos de Regina. Então, o reverendo veio buscar a Senhora de Ferro.
— A pata de macaco não produz mais soldados de areia? – Robin interessa-se pela informação.
— Pelo visto, não. – responde um homem velho. – Estamos realmente livres? Poderemos retornar para nossas aldeias?
— Poder, vocês podem, mas seria interessante que mostrassem um pouco de agradecimento ao Rei Vasco e usassem seus poderes para protegerem suas aldeias. A rainha está ordenando ataque aos aldeões e neste momento a sua ajuda seria uma forma de agradecimento.
— Rei Vasco? – outra habilidosa quase se engasga com água.
Nicolas e seus companheiros entreolham-se.
— Explique isso, camarada. – Robin sorri irônico.
— Ele é o líder dos rebeldes e está aqui para lutar contra os desmandos do casal real. Veio de outro reino e tem uma filha linda, com olhos de onça e...comportamento de onça. A garota é uma habilidosa, também. Há tempos, a menina esteve aqui e viveu sob a proteção de um macaco falante.
Os habilidosos entreolham-se. A história era conhecida pelas florestas e a presença da garota havia alegrado os seres das matas.
— Faremos o que nos orientou, cigano.
— Que a força esteja com vocês! – Emma fala e vira-se, indo embora. É seguida pelos companheiros. Diante dos olhos dos resgatados, colocam seus capuzes e somem como se nunca tivessem existido.
— Temos muito a fazer em memórias dos outros habilidosos que foram mortos pelo Reverendo.
Momentos depois, os três companheiros chegam ao seu destino. Emma toca a parede da redoma verde e encosta a testa em sua superfície.
— Flor de Lótus! – ela murmura e a passagem é liberada.
Tendo se acomodado numa das cadeiras da sala principal, Emma sorri ao ser abraçada por Vasco. Entrega o alforje com o restante dos frascos roubados.
— Dos cinco prisioneiros, restaram apenas quatro. – diz Robin recebendo um copo com água, das mãos de Zelena. – A Senhora de Ferro foi levada para manipular a pata do macaco, porque não estava mais obedecendo aos comandos de Regina.
Um sorriso triunfante surge na boca bonita de Vasco. Os comandantes se saúdam pela notícia.
— Killian falou conosco e afirmou que as areias tornaram-se proibidas para a criação de soldados. – Vasco sorri e olha a filha de soslaio. – O sogro de Yasemine não irá permitir o uso das areias para crueldades como estas.
Todos aplaudem as novas vitórias.
— Por isso Regina não consegue criar novos soldados. Mas ela ainda tem o exército dos cavaleiros negros. – Robin fala sem entusiasmo. – Fiquei triste porque três outros habilidosos foram mortos e porque Nicolas teve de ferir Regina.
— Mas não foi ferida mortal! – Nicolas trata de defender-se ao receber os olhares de Vasco e Yasemine sobre ele. – Bati no quadril dela, porque estava enforcando Robin e Emma! Ela sentiu dores, mas vai sobreviver!
— O que irá fazer com as habilidades que não têm mais dono? – a voz de Zelena retira a todos de sua concentração. Torna-se o centro das atenções.
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