RECONSTRUÇÃO
2 Quem procura informações, acha...
Notas iniciais

“Quem procura informações, acha em inúmeras fontes, mas nem todas são confiáveis.”
– Reverendo Kent! – o homem entra na pequena sala e encontra o religioso absorto em suas reflexões. – Trago notícias!
– Boas ou ruins?
– Boas e ruins. – o homem coloca algumas folhas com anotações, sobre a mesa. – Depois de muitos anos, conseguimos descobrir a localização do Grande Grimório!
– Como é? – religioso alarga um sorriso em sua bocarra de lábios grossos. – Onde ele está?
– Está num reino distante do nosso e já foi solicitado várias vezes. Mas algo o estava blindando e isso impedia que conseguíssemos sua localização. Agora, conseguimos encontrá-lo, senhor!
O reverendo mantém o sorriso vitorioso.
– E onde exatamente está?
– Num reino chamado Storybrooke...e a notícia ruim é que ele está sob domínio de alguém do clã Mills. Provavelmente, Cora Mills o levou para lá, quando a maldição caiu sobre a Floresta Encantada.
O reverendo sorri ainda mais, mas controla seu entusiasmo.
– Descubra o máximo que conseguir sobre esse reino. Precisamos estudar os costumes e seguir para resgatar o que deveria ter sido mantido conosco.
O outro religioso se retira da sala e Kent caminha para um canto daquele cômodo. Afasta uma cortina e observa uma pequena redoma de vidro, de onde o precioso livro fora tirado. Algo valioso que viera de outras gerações e que num piscar de olhos, Cora o havia surrupiado. E depois de tanto tempo, o livro voltaria para as mãos de quem deveria zelar por ele.
Enquanto isso, a vida continuava seu ritmo na cidade de Storybrooke. Cada qual com seus afazeres para o desenvolvimento daquele lugar. A paz estava reinando e todos queriam aproveitá-la enquanto durasse.
Killian entra no escritório e encontra Vasco massageando a testa, como se estivesse sentindo dores. Deixa alguns papéis sobre a mesa e recebe a atenção do sócio.
– Você está bem?
– Sim. Estava apenas pensativo.
– Problemas, companheiro? Algo relacionado à sua visita ao cafofo da Zelena?
Vasco sorri de forma serena.
– Aos poucos a minha vida tem retornado ao seu estado normal. Yasemine está menos agressiva com Regina, não tenho de ver a Srta. Smila na escola, meus pesadelos foram embora, meus medos desapareceram...minha vida sexual está muito saudável...porém...
Killian levanta as sobrancelhas e interessa-se pelo assunto. Caminha até a cafeteira e apanha uma caneca com café. Bebe um gole e volta sua atenção para o sócio.
– Regina quer que eu vá para cama com outro homem, para realizar uma fantasia.
Soltando uma violenta golfada de café contra a parede, Killian quase se engasga. Arregala os olhos e encara o amigo.
– C-como é?
– Ela quer que eu realize uma fantasia íntima.
– Espero que ela não queira isso com nenhum homem daqui! Certo?
Mais uma vez, Vasco mostra tranquilidade para rir da fala do amigo.
– Não há riscos, companheiro. – ele imita o pirata. – Ninguém aqui aceitaria uma loucura como esta. Tampouco eu iria querer alguém daqui.
– E de onde Regina tirou essa ideia? É assim que ela quer provar que não ama Robin?
Uma gargalhada é a primeira reação de Vasco.
– Robin agora é mero peso de papel em nossas vidas! A minha esposa enfrentou perigos e criaturas fantásticas para conseguir salvar a minha vida! Ela não precisa mais provar absolutamente nada! Regina me ama!
– E por isso está à vontade para fazer um pedido como este? Você sabia que é uma marca que jamais sairá de sua pele?
Vasco estreita os olhos e encara Killian. Fica pensativo e silencioso.
– Acredite em mim, Vasco. Você tem poucos anos de vida, mas eu sou um fóssil vivo! Sei o que estou falando e afirmando!
– Você tem essa marca?
Um sobressalto surge na alma de Killian. Ele já esperava pela pergunta, mas não sabia que surtiria aquele efeito.
– Não tenho a marca em minha pele, mas já vi muitas peles com esta marca. E junto delas, surge uma infinidade de questionamentos. Uma coisa é você realizar e ter total noção do que está fazendo...outra coisa é você fazer apenas para agradar outra pessoa, sem nunca ter lido ou presenciado essa experiência.
– Não tenho conhecimento mesmo. Porém, confio minha vida às mãos de Regina. Ela jamais me feriria.
– Tudo bem, companheiro. Apenas pense num detalhe: não descarte a possibilidade de Regina querer usar essa aventura, como maneira de desacreditar você dentro do casamento e ter um motivo para ficar com um homem que não atenderia tal pedido.
Vasco não responde.
– Jamais tire de sua cabecinha que você surgiu a partir de um desejo da Rainha Má. Ela tirou o coração do próprio pai, para criar a maldição que transportou todo o reino para cá. – Killian coloca a caneca sobre a mesa, junto à cafeteira. – Não sou um exemplo de bondade em minha trajetória, também no que concerne ao parricídio, mas meus crimes não eram tão meticulosos e inteligentes. Eu era puro instinto.
O som do celular de Vasco coloca um ponto final naquela conversa. Os dois homens olham ao mesmo tempo na direção do aparelho. Era o sinal que aquele assunto deveria acabar.
Quando se encontra sozinho na sala, Vasco direciona seus pensamentos às palavras de Killian. De fato, não havia a mínima necessidade de invencionices dentro de um casamento tão tumultuado como era o seu. Era marido da mais poderosa aluna de Dark One; tinham duas filhas habilidosas; havia morrido e retornado amnésico; sofrera um rapto e fora prisioneiro de Zelena e seu filho, além de ser drogado e reivindicado por uma guerreira desconhecida. O que precisava mais dentro de sua vida? Aliás, que experiência de vida ele possuía?
Estaria mesmo disposto a assumir as consequências daquela aventura? Como iriam reagir no momento em que o sol retornasse? Seria mesmo necessário enveredar por aquele caminho, apenas para viver novas emoções? Aquilo seria um mero sonho ou uma jogada de mestra, naquele tabuleiro de xadrez?
No final daquele dia, Regina retorna de seu serviço e encontra sua família reunida no quarto do casal. Vasco estava sentado no chão, enquanto suas meninas incumbiam-se de usar maquiagem em seu rosto e de penteá-lo como se ele fosse uma de suas bonecas.
– Festa do pijama? – Regina pergunta e vai sentar-se na cama.
– Estamos usando a sua maquiagem. Espero que não se importe, querida. Quer pintar as unhas? Ainda tem um pouco de esmalte.
A prefeita sorri e encanta-se com a imagem daquele momento de descontração.
– Vamos jantar fora? – ela pergunta.
Alda começa a retirar os bobes dos cabelos do pai, enquanto Yasemine trata de limpar a maquiagem do rosto dele. Sorria ao fazer a tarefa e exibia as covinhas que Regina tanto amava.
– Aonde você vai tão bonito assim?
Vasco exibe uma risada estranha e debochada, colocando a ponta da língua entre os dentes. A mesma risada que o belo Capitão Hook exibia quando queria ironizar algo e mostrar que estava com a razão durante um debate. Por segundos, Regina se incomoda com aquela expressão, mas seu coração responde ao seu incômodo, ao lembrá-la de que Vasco nascera a partir de uma mistura de outros tantos homens.
– Minhas filhas estão deixando-me mais adorável para minha esposa Regina, amor!
Yasemine se levanta e olha para o pai, achando-o ainda mais bonito do que o cotidiano.
– Galeano iria pirar se o visse assim.
Os sorrisos são imediatamente desfeitos e o casal entreolha-se, apenas para ver a menina tirar os cabelos do rosto e agachar-se para guardar os produtos de maquiagem da mãe. Regina se sente incomodada e aflita, mas não encontra apoio na expressão do marido. Para ele parecia ter sido algo normal e as dúvidas pairam sobre a cabeça de Regina.
Depois do jantar, Regina decide auxiliar as filhas nos preparativos para irem para a cama. Geralmente, era Vasco quem tinha essa incumbência, mas naquela noite queria ter alguns momentos mais íntimos com Yasemine.
– Você não tem falado comigo sobre sua nova professora.
A menina termina de abotoar seu pijama e esboça um sorriso. Tinha jurado a si mesma e para seu pai que não seria agressiva com sua mãe. Iria ser urbana e guardaria seu segredo até perceber que a mãe estava pronta para saber a verdade.
– Eu não gosto da escola. Já sei ler e escrever e não preciso ficar com aquelas crianças com narizes sujos. Elas comem com a boca aberta.
– Mas todos precisam de convivência, Yasemine. E sua professora?
– Ela é igual às outras mães. Todas ficam olhando meu pai e querer conversar com ele, apenas para conseguir tocá-lo. Eu poderia fazer um imenso rebanho caprino, somente com elas.
Regina sorri e espera a garota subir no colchão, para ajeitar o edredom sobre ela. Observa que Alda já estava dormindo.
– Você falou de Galeano...lembra-se dele?
Uma expressão de desentendimento surge no rostinho redondo da menina. Ela amua e faz beicinho, negando com um movimento de cabeça.
– Não sei quem é, mamãe. Quem ele é?
– Ninguém. Você sabe quem é Zelena?
– Papai me disse que é sua irmã mais velha. Onde ela está? Por que não vem passar os fins de semana com nossa família?
Regina beija os cabelos da filha e coloca o ursinho panda ao lado da menina.
– Tia Zelena mora num lugar muito longe. E ela não gosta de mim.
Yasemine ri e decide não fazer uma piada com aquela resposta. Ainda não era momento de exibir-se como realmente era.
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