A íris de meus olhos já não fora á mesma desde o dia em que fui habitado em corpo e alma por ele. Sentia que meu corpo, minha casa, já não era só minha. Compartilhava do meu meio material com outro ser.

Lith, esse era o nome dele. Não me pergunte como cheguei á essa conclusão.

O que realmente importa aqui é a forma e o porquê desse misterioso ser ter escolhido a mim para ser seu humilde hóspede.

“Não seja tão egocêntrico, isso não se resume a você”.

Juro que não aguento mais essa voz latente que insiste em se comunicar comigo sempre nos momentos mais inoportunos.

Se tenho de conviver com isso, que seja ao menos de minha maneira. Há súbitos momentos em que apenas tenho pequenos fragmentos de memória, como se no fim de um turno outro operário viesse á substituir o anterior.

Por isso, decidir dar fim a essa sombra do sol. Não é só Lith, sou eu, ele atua conforme minhas vontades, e eu o deixo prosseguir.

“Não pode suicidar-se assim. Há muito que fazer. Acha que deixarei você fazer o que bem quiser? Antes disso assumo o controle”.

Não Lith, chega isso já não tem sentido. Já ferimos muitas pessoas, feri meus amigos, minha família. E você deve voltar para seu planeta, e quem sabe, morrer.

Sem mais hesitar, o jovem apertou o gatilho contra seu próprio peito, e antes mesmo de dar seu último suspiro em vida, observou uma pequena esfera negra flutuando em sua volta, que vibrava cada vez mais á cada tropeço que o jovem dava ao cair vagarosamente.

“Nascemos, morremos, e voltamos a nascer.”