RE - FUNDAÇÃO
7 06 - Schadenfreude
O protocolo de extração já estava por ocorrer. Lith cada vez mais próximo de seu obscuro objetivo. E os humanos sofriam só, calados na inóspita e gélida cárcere. Como companheiros só lhes restavam à desolação.
Conhecidos por estranhos hábitos, inesperados diriam, Lith mandara um de seus capangas comprarem um velho toca discos, e um vinil de uma cantora irlandesa chamada Sóley.
A bela cientista ligava todas as cápsulas a uma rede de computadores, enquanto o restante dos homens posicionavam os 6 corpos enfileirados próximos a uma máquina chamada de 'braço centopeia', a função desse dispositivo era extrair almas através dos olhos de um ser.
Tudo pronto — Falou a cientista com plena convicção.
O escuro ser de luz ligara o toco discose pusera o vinil, o mesmo começara a sonar uma triste canção.
He's alone in his house out there, far
Far away, he sleeps with his eyes open...
O que tá acontecendo lá dentro?! — Gritara Daniel ao escutar a canção.
Thalia, Bruna e Wandra abraçadas tentavam amenizar a dor causada pelo frio que rapidamente aumentava.
Arthur que ficara calado por um longo tempo chutou as grades em vão, não tinha força para quebrá-las.
Cadê o Gustavo? E Verena? Onde tá Verena? — Balançava as grades com as mãos.
Gustavo deve ter escapado — Wandra o respondeu.
Bruna aproximou-se dele e tocou uma de suas mãos.
Não adianta Arthur. Só resta orar, orar e ter fé — Trêmula conseguira dizer.
He was so sad last night, in this house
Out there, he took my hand and
Whispered...
Tragam os humanos! — Disse aos seus capangas.
Os estranhos capangas encapuzados foram até a cela.
O que vão fazer com nós?! — Thalia alarmou.
Eu não vou pra lugar nenhum com vocês! — Esquivou-se Wandra de um dos homens.
Os capangas algemaram os cinco, e os levaram até a sala de extração.
Arthur quis fazer um acordo.
Pode me matar, mas deixe o restante ir — Confiante com sua proposta.
Os homens riram. Um deles o respondeu:
Acha que vamos matar vocês? — Sinicamente perguntou.
Os meninos se entre olharam.
Ué não é pra isso que sequestraram a gente? — Daniel o confrontou.
O homem deu um chute certeiro na barriga de Daniel, ele gritou agonizando de dor.
Sim... Iremos matar vocês — Riu com o ato que fizera — Mas será no momento certo.
Agora calem a boca! — Gritou o outro com um fuzil nos braços.
I'll drown when I see you
I'll drown when I see you
I'll drown when I see you...
Lith fechara os olhos e balançava suavemente ao som da música. Gustavo preso em seu interior chorava com tudo que acontecia; ele estava preso em uma catalepsia particular... A catalepsia da alma.
Aqui está senhor — Anunciou um dos capangas.
Lith abriu os braços e os demoníacos olhos em posição de 'sejam bem — vindos'.
Se os humanos pudessem ver o que se escondia atrás daquela repleta escuridão, poderiam saber que Lith e Gustavo eram os mesmo indivíduos.
Há cerca de 3 metros de distância os corpos dos hóspedes tremiam enquanto o braço centopeia sugava as almas dos hospedeiros.
Não era mais a situação do sequestro que os assustavam, se não aquela cena de ficção científica que passara em frente aos seus olhos.
Lith percebera o que prendia a atenção dos humanos.
Ah sim! — Sua sinistra voz soara em um tom de animação — Eles não disseram a vocês o que realmente são? — Perguntou-lhes sinicamente.
E o que são? — Arthur o desafiara.
Thalia intrometeu-se:
Nossos amigos! É isso que eles são!.
Lith foi até ela, e apertou o seu rosto.
Não... — A encarou olhando-a profundamente — Eles são...
Antes de poder completar e por fim ao mistério, Lith caiu em um profundo sono, e o seu corpo tombara ao chão.
Instantaneamente todos os seus capangas caíram. Com exceção da cientista que correra de encontro a uma arma.
O braço centopeia ainda retirava os hospedeiros, que seriam sugados por um estreito tubo ligado cada qual a uma cápsula.
Quieto ai! — A cientista apontava a arma movimentando-a em zig zag.
Arthur e Daniel olharam-se, e decidiram agir.
Já! — Gritou Daniel enquanto corria em disparada com Arthur.
A mulher não soube em qual alvo atirar, e quando estavam perto de derrubá-la, ouviu-se um disparo.
A bala tinha ricocheteado a perna esquerda de Arthur.
Daniel pegara a arma da mão dela.
Vem logo! — Chamou as meninas — Peguem alguma coisa que possa desmaiar ela!
Fora Bruna que teve a ideia de usar o líquido cataléptico. Com auxílio de uma seringa injetou na cientista que lutara contra o feito.
O que é isso? — Contestou Wandra.
O que é isso Bruna? — Daniel repetiu.
Ela ao soltar a seringa os respondeu:
Não sei!- Nervosa com as consequências — Mas se eles usam nas pessoas não deve ser algo bom.
Observaram que o corpo dela ia enrijecendo-se, cada vez mais ficava duro. Até que ela paralisou-se por completo.
Daniel atirou nos computadores, torcendo que fosse o suficiente para terminar o trabalho do braço centopeia.
Não tá funcionando! — Thalia disse ao aproximar-se da cápsula onde Lyver estava.
Outro disparo... E nada. Múltiplos disparos foram dados, até que por fim pararam a máquina. Seis esferas, cada qual de sua cor, pairavam no ar, e então novamente introduziram-se no corpo de seus hóspedes humanos.
Rápido os tire dai! — Em meio a dor Arthur pediu.
As meninas e Daniel pegaram cada corpo por vez, até que já não tinha mais nenhum na incubadora metálica.
You'll never escape from this sad, sad
House, I take his hand, we sink.
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