RE - FUNDAÇÃO

12 11 - Seresteiro Do Mar


Ninguém realmente se parece por fora com o que é de fato por dentro. Nem você. Nem eu. As pessoas são muito mais complicadas que isso. É assim com todo mundo.

A situação era de extrema tensão. Ninguém descera do ônibus, assim que a cada aviso pré-vil de Bianca os passageiros hesitavam sair.

Descemos? — Intimou a todos com uma questão óbvia.

Descer? Tá louco?! — Rebateu Daniel — Não quero descer de encontro à morte!

Gustavo tirou algumas bagagens de mão de cima de sí. Não falou e nem perguntou a ninguém se o que faria a seguir seria válido e aceitável para os outros.

Aonde você vai? — Wandra o interrogou.

Você não tá pensando... — Bruna pressionava as duas mãos sobre um pequeno corte que lhe havia causado um canivete suíço — Não!

Bip bip bip... Soou o pequeno instrumento tecnológico de Amber.

Amber vira como diversas linhas transversais cresciam ao direcionar-se para Gustavo.

O encontramos — Perplexa conseguira dizer.

Calma ai, esse é aquele aparelho que você fez para detectar o ser obscuro? — Ann estendeu suas mãos aleatoriamente para ajudar os outros a ficarem de pé.

Sim — Respondeu-lhe — Gustavo parou.

De cabeça baixa permaneceu. Esperava a sentença final. A que seria capaz de por fim a tudo o que odiava.

Lilith! — Liz disse com um pouco de medo.

...

Vão! Subam! — Empurrou alguns de seus homens — Se eles escaparem a culpa será de vocês!

Um pelotão de homens vestidos de preto com a sigla 'M.O.R. K' desenhada a couro em seus jalecos corriam com passos sincronizados em direção a suas vítimas.

Virou-se. Rebuscados os meninos afastaram-se.

Lith — Honestamente a corrigiu — O único herdeiro da lua negra, Lilith.

Os humanos não entendiam nada da conversa entre os iluminados e seu reles amigo Gustavo.

Você nos sequestrou? — Ao palpitar Arthur arregalara os olhos.

Sim — Largou-se ao vão. E caiu ao piso do ônibus em lágrimas.

Os seres de luz não quiseram se manifestar.

Os humanos em sua vez o olharam com uma mistura de desprezo e compaixão.

Eu não queria! Por favor, acreditem! — Aproximou-se arrastando, enquanto os outros se afastavam — Esse demônio se alojou em mim e não sei como e nem por que!

Verena abraçou Arthur. Ele livrou-se dela.

Acredito em você — O abraçou abruptamente — To nessa com você. Sempre estarei.

Foram interrompidos pelos disparos aleatórios nas poltronas.

Pro chão! Pro chão caralho! — Violentamente anunciou o comandante da tropa m.o.r.k.

Atenderam ao pedido estirando-se ao chão.

Beijos eram dados, e mãos se entrelaçavam...

Outro grupo de homens entravam no veículo, vestidos de vermelho e seguravam uma pequena pistola carregada por dardos tranquilizantes.

São eles — Sinalizou o comandante — Coloquem eles pra dormir.

O mesmo líquido cataléptico fora usado na ocasião contra os seres iluminados.

Não! — Amber fora atingida ao tentar se teletransportar.

Os corpos duros, endurecidos num estado de catalepsia projetiva, foram arrastados a macas e cobertos por um grande tecido banco, como os de IML.

Não, Verena! – Arthur berrou enquanto era algemado – Verena!

Solta! – Wandra cotovelou – Me deixa em paz!

Mais uma vez impossibilitados. Os meninos foram algemados e transportados para fora.

Gustavo não lutara. Simplesmente deixou-se levar, aceitara o seu carma. Sabia que toda ação gerava uma reação, e aquela foi à reação dos seus atos.

Vitória! — Formou-se um grande sorriso em Bianca — Coloque-os nos caminhões.

Os aborrescentes — Anunciou o comandante — Já sabe o que fazer com eles?

Bianca caminhou dando pequenos passos até eles. Demonstrava um ar de superioridade, de competência.

Mate todos — Com rapidez ordenou.

Armaram-se e direcionaram as escopetas em cima das trêmulas cabeças.

Uma grande multidão gritava e corria descontroladamente, não tinha um número exato, mas se pudessem contar veriam que o número de pessoas ultrapassaria a faixa dos 100.

Foi nessa deixa que Arthur teve a suicida ideia de fugir. Cabeceou o comandante e enquanto corria gritou:

Corram!

Seguiram o exemplo. E em meio aos disparos chegaram até um pequeno píer que conduzia até um pequeno barco de faixas azuis, vermelhas e brancas, escrito em seu casco estava 'Seresteiro do Mar'.

Pularam cerca de um metro até o barco.

Êpa! Quem é você? — Assustado o pescador puxou sua faca peixeira.

É caso de vida ou morte! — Disse Arthur recuando-se.

Estão todos aqui? — Bruna interrompendo gritou.

Ouviram-se quatro sim.

Então vai! — Suplicou Arthur ao velho pescador, e este humildemente ligou o motor, e deu movimento ao antigo barco.

Fugiram! — Jogou a arma ao chão — Que merda!

A cientista fechou as comportas traseiras do caminhão refrigerado.

Vamos vê-los novamente. Acredite — Abrira a porta de seu carro.