RE - FUNDAÇÃO
2 01 - 105 Dias
5 MESES ANTES...
Dizem que os seres humanos é a espécie mais evoluída, racional. Dizem que são o futuro, os progressistas... Apenas dizem.
Há décadas o projeto humano vem caminhando a sua autodestruição, já não sentem o amor em estado puro, não sentem amor para com nada.
ELLE
O projeto humano falhou desde sua origem; nós falhamos, a criação falhou – Virou-se para Ella, esperando argumentos que pudessem desfazer sua conclusão.
A humanidade ainda tem esperança – Ella forçou um riso, achando que iria convencê-lo.
Ela e Ele observavam um grupo heterogêneo de adolescentes com idades entre 13 ~17 anos; mas não eram um por vez, e sim todos de uma só vez, a onipotência era somente uma das diversas habilidades que possuíam.
Compreendo sua mútua compaixão, mas lembre-se que você já encaminhou 7 seres para outros humanos – Ele olhava com certa repugna um dos adolescentes usando drogas.
Logo após concluiu:
E já sabe o que penso.
Ella abraçou o jovem dependente químico, este apenas sentira um súbito calafrio.
Eu sei, mas... – Distanciou-se do dependente – Por favor, lhe peço esses 10 também precisam – Ela assumiu uma expressão de ‘mãe protetora’. Expressão que Ele não suportaria por muito tempo.
Ele deu as costas, estava retirando-se. Ela rapidamente o seguiu e o segurou pelos ombros.
Elle então cabisbaixo parou e com relutância disse:
Não podemos expor mais seres inocentes a esse... – Olhara todos os cantos possíveis – a esse planeta asqueroso.
Ella estava cabisbaixa, e por esse estado ficou até ter tido uma ideia, talvez a mais ousada que já tivera. E então havia erguido a cabeça:
Não precisamos convocar mais seres de luz – Afirmava esperançosa – Eles mesmos podem se ajudar, mutuamente – Aproximara-se uma vez mais a Elle.
Elle de pouco a pouco ganhava interesse. Sabia que sua aliada era portadora de uma enorme compaixão para com a raça humana. E isso não só partia dela; Ele também amava os humanos, mas á cada vez que descia do Céu a Terra, seu amor e sua compaixão pelos humanos decrescia.
Para Elle, o Criador jamais deveria ser desrespeitado, e o que os humanos faziam com o mundo e uns com os outros, era uma grande questão de desonra.
Após sair de um curto raciocínio, Ele finalmente havia chegado a uma resposta.
E então... – Ela olhava-o fixamente, suas mãos suavam, e seu inocente coração palpitava com o silêncio de seu aliado.
Ele analisava mais uma vez aquelas 10 vidas que estavam simultaneamente em sua frente. Uma mescla de raiva e amor passara á atingi-lo.
Bem... – Expirou vagarosamente – Como no caso anterior, esses humanos também terão 105 dias. Se não ocorrer nenhuma mudança... – Olhara para Ella, esperando a conclusão da frase.
Cancela-se a missão – Ella completara a frase, com um pequeno riso.
Não só a missão, mas como todo o projeto – Franzira sua testa.
Havia feito silêncio. Ele e Ela assistiram o ‘filme’ de 10 vidas distintas. Não só viram o presente dos adolescentes, também haviam visto o passado e o futuro dos escolhidos.
Analisavam cautelosamente cada ríspido detalhe. Haviam feito uma séria escolha, e não poderiam voltar atrás.
Ao término dos vídeos, Elle e Ella transladaram-se para o topo de uma construção abandonada, e com cautela sentaram-se em uma das pontas do edifício. Vislumbravam aquela visão do mundo, sabiam que se o contador 105 chegasse ao fim sem nenhum êxito aquele pôr do sol que estavam assistindo já não existiria.
Ele levantou-se e estendeu sua mão para a companheira:
Está na hora – Disse enquanto a levantava – Já escolheu quais seres irão participar? — A olhava firmemente, ao mesmo tempo em que manipulava algumas nuvens no céu. Elle tinha o estranho costume de brincar com as massas de ar, em realidade gostava de criar chuvas e tempestades prolongadas.
Sim, já os escolhi – Ria observando as nuvens que se deslocavam e formavam diversos desenhos – Eles já estão chegando.
Que comece então... – Elle cessara seus desenhos feitos de nuvens com um só gesto.
Os dois encontravam-se um de frente ao outro com as mãos dadas, já era a hora de pôr em marcha o plano ‘Donnie’. Fechando ambos os olhos, os seres começaram a criar diferentes situações de morte para 5 dos humanos.
12h10min Lyver e Thalia
Os dois sairão da escola e seguirão juntos em uma mesma bicicleta para suas respectivas casas.
Enquanto Ella imaginava, a situação ocorria simultaneamente há exatos 2 km dali.
Ao atravessar uma BR, um caminhão desgovernado irá frear bruscamente, mas não será o suficiente.
Tudo já estava acontecendo, Lyver e Thalia encontravam-se estirados no chão.
Thalia não sofrerá ferimentos graves, em contra partida Lyver entrará em estado vegetativo, há um passo da morte.
12h25min Gabriel e Bruna
Gabriel e Bruna estavam esperando o ônibus, sentados em um dos bancos do terminal.
Uma parte da estrutura do terminal cairá sobre os dois.
Quando ouviram o barulho de algo se desprendendo, Bruna e Gabriel só tiveram tempo pra olharem o pedaço de ferro que estava á cair sobre suas cabeças.
Bruna terá um auto reflexo, escapará, enquanto Gabriel se encontrará em estado inerte, o que o fará de ‘alvo’ para o objeto.
12h42min Caio e Wandra
Serão vítimas de um assalto. Um homem armada os abordará e os dois entregarão seus pertences.
Mas então não haverá mortes – Ele a interferiu.
Ella o ignorou e procedeu com a situação com os olhos ainda fechados:
Neste exato momento uma viatura policial parará e dois policiais iam de encontro ao caso. O bandido reacionará puxando Caio e apontando uma arma para sua cabeça. Wandra aproveitará da situação para escapar, e obterá êxito.
E ali estava a exata situação. Um grupo de pessoas circundavam os policiais e o refém com grande tensão.
Solta ele! – Gritou um dos policiais já quase apertando o gatilho – Você já tem 3 mandatos de prisão cara, não piore sua situação – Tentava convencê-lo.
O bandido já estava quase soltando o refém. Mas ele e nem os outros participantes sabiam que toda aquela situação não era controlada pelo livre arbítrio. Havia ali uma intervenção divina, um acaso que não poderiam controlar.
Sem mais hesitar ele apertará o gatilho, mas não contra Caio, e sim em sua própria cabeça.
Todos estavam perplexos com o sacrifício daquele homem. Caio antes de ouvir o sufocante barulho já estava de olhos fechados, ali sua vida começava a passar rapidamente diante de seus olhos. Caio já não era o mesmo, o menino que antes tinha medo de viver viu que aquela situação tinha lhe proporcionado uma nova chance, uma nova chance de mudar com a vida.
Ella então antecipou uma das perguntas de seu parceiro:
Existe uma só forma de morrer? — Via como Caio corria de encontro a Wandra.
Elle então passara a entender que a morte não se baseava somente no corpo físico, existe também a morte de espírito, do Eu.
13h00min Jennifer e Daniel
Estarão subindo as escadas da casa da Jennifer, quando esta escorregará e cairá. Daniel correrá para ajudá-la, mas será tarde demais.
13h10min Ana
Ana por um insistente pedido do seu pai irá á praia com toda sua família. Ela por pedido de seus primos entrará no mar, tudo ocorreria bem se ela soubesse nadar, seus primos que já estarão saindo da água só terão tempo para observar sua prima afogando-se enquanto estendia as mãos com súplica.
13h35min Arthur
Esse adolescente sente um imenso abandono, não sabe e nem reconhece que existem pessoas que estão o amando, e então se isola em seu quarto. Arthur como último ato tomará vários medicamentos, e se dopará até a morte.
Os dois abriram os olhos. Tudo em sua volta estava em perfeito estado inerte, aquelas situações que criaram estavam a ponto de se completarem. O caminhão estava a 2 metros de se chocar com a bicicleta. A estrutura do terminal ainda não estava solta. O bandido e o refém ainda estavam de pé. Jennifer não estava estirada ao chão. Ana apenas ria enquanto brincava com seus primos, E Arthur não tinha ingerido os medicamentos.
Ella então disse:
Está na hora de convocar os aliados!
E para esse adolescente egocêntrico em que aliado você pensou? – Ele a perguntou.
Pensei em Marcy – Ela o respondeu – Marcy habita o lado gelo do planeta Y Andrômeda B. Marcy é um espírito puro, que sempre encontra o equilíbrio certo em seus hospedeiros.
No mesmo instante surgira no topo do edifício uma intensa luz azul masculina em forma humana.
E para esse ser covarde, que apenas sabe reclamar da vida. Quem você convocou para ele?
Quem outro melhor que Ann?! – Ella sorriu – Ann é um ser índigo, uma ex-criança que já habitou o planeta Terra, mas que teve seu espírito elevado.
Outro ser já estava de pé ao lado deles.
E o que você vai fazer com esse adolescente materialista, e que sente uma imensa repugna pelo pai – Ele observara Caio com desdém.
Will. Ele é a chave para o Caio, Will habita a Outra Terra, lá onde todas as coisas são vistas sobre outra perspectiva, onde a matéria é menos densa e o físico é menos importante que o espiritual.
Will então chegara.
Quem você trará para essa adolescente fria que diariamente sente mais repugna pela mãe? – Estava pairado sobre o primeiro degrau da escada.
Ella após muito pensar lhe disse:
Amber – Posicionou os olhos para algumas nuvens.
Cerca de três nuvens haviam se juntado e começavam a assumir uma intensa coloração âmbar, em realidade, todas elas estavam envolvidas por uma estranha carga estática. Juntas começaram a misturar-se até que chegaram ao ponto de colisão, onde formaram um ser de luz, ali estava ela Amber.
Ella então prosseguiu:
Amber veio do planeta Sírio, é a transformação e mudança necessária para á alma de Jennifer.
Elle e Ella já apareceriam juntos na praia onde Ana estava para afogar-se.
E ela... – Caminhou sobre a água – Que ser conseguirá despertar o melhor desta criatura... Que ser será capaz de abrir os olhos dessa menina que enxerga e ignora o mundo á sua volta?
Ella fora ao seu encontro.
Liz! – Sorriu – Liz é a essência da água, a essência que será capaz de interagir no interior da Ana, que a transformará. Liz vive no mundo Causal, onde todos são constituídos por água, como o corpo humano tem cerca de 70% água Liz não terá problemas para se ingressar no corpo dela.
E por último o temos, Arthur, o ser covarde que não enxerga dois palmos á sua frente – Elle havia sentado na cama de Arthur – Vive atrás de desculpas, não se aventura com o novo e por isso acha que a vida não tem sentido.
Arthur é ao mesmo tempo um caso complexo e simples – Ella sentou-se – Para ele pensei em Verena. Ela habita o planeta astral Hiranyaloka, onde o corpo físico não existe, onde as almas que já passaram pelo processo evolucionário vivem, onde só existe a natureza. Verena é o amor em ação, é a coragem que será capaz de refundar o Arthur.
Com um simples abrir e fechar de olhos, Elle e Ella estavam de volta em cima da construção abandonada.
Que assim seja – Os dois disseram em única voz.
Ao pronunciar tais palavras, todas aquelas situações voltavam à velocidade normal, o estado inerte que haviam produzido cessara.
O caminhão havia colapsado com a bicicleta. E Lyver que estava beirando a morte não percebeu que em frações de segundos um intenso e azul feixe de luz o penetrara em seu peito esquerdo.
A estrutura do terminal por fim caiu, Gabriel estava em baixo dos escombros, Ann o ser de luz, já estava à espreita, apenas esperando o momento exato, a última fagulha de vida. Em então quando chegou o momento Ann tinha entrado no corpo de Gabriel através de uma de suas mãos, a mão que Gabriel pedia por ajuda.
Solta ele! – Gritou um policial.
E sem mais hesitar o bandido havia atirado contra si próprio. Caio ajoelhou-se e começou a chorar, chorava cada vez mais forte. Ao abrir os olhos, ele só teve tempo de notar uma estranha luz que se transportava por suas lágrimas até por fim chegar a ele.
Um súbito movimento e Jennifer caia, foi então o momento em que a nuvem de Amber a transportou a 2 degraus abaixo, Amber não teve muito tempo, então logo entrou no corpo da jovem, o que a impulsionou involuntariamente para frente, evitando assim á sua caída.
Socorro! – Ana ingeria água – Socorro! – gritava mais forte.
Liz em uma forma de esfera cristalina havia chegado até Ana, vendo que a jovem morria introduziu-se em seu corpo utilizando os olhos como ponte.
Arthur já estava quase ingerindo os medicamentos, Verena estava de pé na rua da casa dele, vendo que não possuía outra forma de entrar, se teletransportou para a sala de estar do adolescente. E então correra até o quarto. Arthur quando a viu teve estranhas sensações cardíacas, suas mãos suavam, e os seus olhos fitavam os dela cada vez mais profundamente.
Largue isso – Disse Verena com uma dócil voz.
Ele a olhou e distraidamente deixara os medicamentos cair.
Pronto... – Ella desfrutava da brisa de verão – Já podemos ir.
Elle assentiu movimentando a cabeça.
Por fim, os dois seres desapareceram através de uma forte ventania.
LUA...
Estou chegando... – Disse uma forma escura que dirigia-se para a Terra.
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