R.3
8 Para Além do Russel
Notas iniciais
Cheguei ao laboratório na manhã do dia seguinte, encenando um verdadeiro drama.
- ONDE ESTÁ O AMÓS!?! ONDE ELE ESTÁ???!? – Os guardas me seguraram rapidamente. Cintia fora quem viera me receber. Todos os jornais e mídias só falavam da explosão do laboratório Russel.
- Deelan, por favor! – Ela pedira aos guardas que me soltassem. Eu caí ajoelhado ao chão, chorando como uma criança. – Eu sinto muito, Deelan...
- Sente muito? VOCÊS NÃO SENTEM NADA! – Fausty aparecera. – VOCÊ É O CULPADO! EU DISSE QUE NÃO DEVERIAM FAZER ISSO COM ELE! AGORA ELE ESTÁ MORTO! – Fausty nada dissera. A mídia reportara que uma pane com o robô principal dos experimentos, o fizera sair de controle, se autodestruindo e destruindo parte do laboratório.
- Seu amiguinho arruinou todo meu projeto de anos de vida! Agora ele destruiu tudo que eu tinha. A morte dele é mais do que merecida! – Fausty dissera, eu me levantei, indo à toda em sua direção, mas fui parado por um dos guardas. – Você é o culpado disso, Deelan! Deu um nome aquele infeliz, ao ponto dele se achar no direito de ter autonomia!
- Minha culpa? VOCÊS O MALTRATARAM A VIDA INTEIRA! Culpe a si mesmo! – Eu continuei a chorar. Me levantei para ir embora. – Repensem sobre suas atitudes. O Amós não merecia tal destino. – E me fui. Não havia mais nada o que fazer por ali.
Amós coloria um livro infantil de pintar. Ele jamais havia feito qualquer atividade lúdica. Eu o havia escondido na casa da minha avó, que estava fechada desde que ela falecera. Era no interior, com uma linda vista para o mar. Jonny me ajudara, cuidando dele para mim. Tinha cortado os longos cabelos de Amós, e o pintado de preto. Havia comprado roupas novas para ele também. Amós era fácil de cuidar. Não dava trabalho e colaborava com tudo que eu e Jonny lhe pedíamos. Eu sabia que estavam de olho em mim. Então minha vida continuava normalmente na metrópole em que morava, eu não podia dar a entender que possuía algum envolvimento nisso. A todo ver, o incidente havia sido planejado e executado por Amós, a sua autodestruição junto a de seus irmãos, como um ato de protesto contra o laboratório Russel. Essa “verdade” havia sido bem aceita e ninguém desconfiara de nós.
Dez Anos Depois
Folheava um jornal local, algumas coisas haviam mudado e agora de fato, robôs eram usados para teste. Mas quem encabeçava o projeto, era um outro laboratório, que competia com o Russel anos antes de toda a história da explosão acontecer, porém agora sob uma nova direção.
- A virada de chave na vida de qualquer ser que já sofreu com esses experimentos. – Jonny dissera, sentando-se ao meu lado.
- Algo deveria ser feito para parar com esses experimentos. – O laboratório em questão agora era de Cintia. Mas o projeto recebia as assinaturas de Deelan McQueen e Jordan McQueen.
- Cheguei atrasado hoje! – Um jovem homem alto, de cabelos curtos, brilhantes e vermelhos como fogo, se sentara em frente à mim, na grande mesa de jantar, ao lado de Jonny. Usava um boné, moletom e tênis, com um notebook entre seus braços.
- Como sempre, não é? – Ele me sorrira sem jeito, puxando o jornal das minhas mãos.
- Mais uma reportagem? A imprensa não se cansa não? – Eu mirei o rapaz ruivo, todo elétrico, enquanto servia um prato de comida, para almoçar com a gente.
- Eles nunca se cansam! – Jonny comentara. Amós havia crescido e havíamos o registrado como Jordan McQueen, para não levantar suspeitas, seus documentos eram falsos, mas jamais seriam descobertos. Ele havia encabeçado o projeto “Zero Crueldade” e criara robôs com materiais orgânicos, que imitavam pele e alguns órgãos humanos, com minha ajuda. Juntos transformamos o que antes era uma dor para seres sencientes, em algo seguro e livre de crueldade.
- E pra comemorar nossa vitória, vou pagar um jantar para nós três, no restaurante beira mar que abriu essa semana!
- Só se for agora! – Jonny rira e nós três brindamos com taças de vinho.
- Ao Projeto “Zero Crueldade”! – Dissemos em uníssono, ao tilintarmos as taças.
Agora colhíamos os frutos de nosso trabalho, eu e Amós vivíamos juntos em uma bela casa. Ele adorava estudar e trabalhava comigo no laboratório que havíamos criado em nossa casa. Nossa vida era tranquila agora e nada nos faltava. Talvez futuramente teríamos novos projetos para encabeçar, afinal inteligência era o que não faltava para nosso querido menino de cabelos vermelhos e força inigualável.
~• Fim •~
R.3
Escrita por Evelyze Nunez
23 de Dezembro de 2024
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