Notas iniciais
Meu sonho e talvez de muitos Faberry shippers. Aproveitem.

Saí do trem, meu coração pulava de ansiedade, minhas mãos suavam e eu torcia para conseguir achar ela. Me aproximei do monte de gente que juntava na saída da estação, muitos chamavam táxis, por isso achei que iria demorar para conseguir, mas um logo foi oferecido por um homem bem educado, que por um momento, achei que estava flertando comigo.

Cheguei rapidamente no grande campus, me fazendo gemer de admiração. Entrei com cautela, vi alguns alunos passarem por mim, todos me encaravam com desejo, e aquilo me assustava. Me aproximei da pequena bancada de dúvidas, achei que poderia me ajudar, uma mulher que parecia ser apenas dez anos mais velha que eu me olhou com curiosidade.

- Posso lhe ajudar com algo? – a ouvi perguntar.

- Sim. Poderia me informar qual é o número do quarto da senhorita Fabray?

- Quinnie? – ela parecia um pouco espantada, eu também fiquei com o carinho de sua voz, ao mencionar o apelido. – E você seria?

- Uma amiga.

- Amiga? – ela arqueou as sobrancelhas. – Pode provar isso?

- Posso sim. A chame aqui, assim ela confirmará. Quer que eu ligue para ela? – perguntei pegando meu celular da bolsa.

Normalmente não sou de responder as pessoas, mas ela estava praticamente implorando por isso.

- Não precisa. Apenas me dê seu nome, para eu colocar no nosso registro.

- Isso é realmente necessário?

- Me desculpe, mas são as regras, por você não ser daqui.

- Bem, meu nome é Rachel Berry.

- Berry? – ela perguntou, um pouco incrédula.

- Exatamente.

- Ok...

Ela anotou meu nome em um grande caderno, voltou a olhar para mim e suspirou.

- Quarto 317, ala D.

- 317, ala D. – repeti. – Obrigada.

Não a deixei responder, ajeitei minha bolsa em meu ombro e entrei em um elevador no lado direito. Ele não era numerado por números, mas sim por letras, provavelmente as alas. Apertei ala D, o elevador se fechou e parou na ala A, uma garota entrou e me olhou confusa. Ela apertou a ala E, encostou-se no espelho do elevador e olhou para mim.

- Aluna nova? – a ouvi perguntar.

- Não, apenas vim visitar.

- Gumper?

- Como?

- Veio visitar o Gumper?Ele recebe muitas visitas nos finais de semana, então logo deduzi que...

- Oh, não! Vim ver a Fabray.

- Quinnie? – ela parecia assustada.

- Sim...

- Me desculpe. É que Quinnie nunca recebeu visitas, apenas saiu uma vez dizendo ir para NY por um problema com urgência.

Soltei uma pequena risada, deixando-a confusa.

- Culpada. – respondi me rendendo com as mãos para cima.

- Então você é Berry?

- Acho que sou conhecida por aqui.

- Quinnie disse que vocês eram inimigas, mas depois se tornaram amigas e que, um tal amigo seu, Hummel, ligou para uma tal Lopez, que a chamou para o tal problema. Ah, sim! Também teve a vez que ela disse algo sobre um casamento.

Finalmente o elevador parou, parecendo ter demorado anos. Me virei para ela e sorri.

- Foi bom ter conhecido a famosa Berry.

- Obrigada. – respondi um pouco confusa. – Foi bom ter conhecido você também.

Saí do elevador antes que esse se fechasse, caminhei lentamente pelo corredor procurando pelo quarto. Me aproximei de uma porta que tinha a placa com o número, estendi minha mão e a fechei, pronta para bater, mas ouvi gargalhadas vindo de dentro, uma delas eu sabia que era da Quinn. A porta se abriu rapidamente, me fazendo pular para trás, uma garota da minha altura e um pouco gordinha com um olhar divertido fechou a porta atrás de si mesma e arqueou uma sobrancelha.

- Pois não?

- Hum... e-eu vim falar com a Fabray.

- Quinnie, eu não sabia que você tinha uma namorada gostosa! – ela gritou.

- Oh, não! Eu sou apenas amiga dela e...

A porta rapidamente foi aberta, revelando uma Quinn com os cabelos um tanto compridos, um short verde piscina e uma camiseta branca. Ela olhou para mim surpresa, a outra garota já não estava mais ali.

- R-rachel? O que está fazendo aqui? Quero dizer... estou feliz que esteja aqui, mas... O que está fazendo aqui?

Soltei uma pequena risada com sua confusão estampada no rosto.

- Eu vim te visitar, já que foi para isso que você me deu aquele passe.

- Sim, sim, claro.

- Posso...

- Ah! Sim, entre.

Ela se afastou dando passagem para que eu entrasse, assim eu fiz.

- Me desculpe pelo que Molly disse. Ela é uma idiota e...

- Está tudo bem, Quinn.

- Hum... Sente-se em uma cadeira, ou em minha cama, você que sabe.

- Estou bem assim por enquanto.

Quinn afirmou com a cabeça, em seguida sentando em uma cama, que eu presumiria ser sua.

- Bem... Como você está? – ela perguntou, ainda se acostumando comigo ali.

- Estou bem, embora pelo que tenha acontecido.

- Sim... bem... O que aconteceu?

- O que? Como assim? Não ficou sabendo que Finn...

- O que aconteceu com Finn? – ela perguntou, levemente curiosa.

- Quinn... o Finn morreu. – respondi, não querendo dizer aquelas palavras que ainda me atordoavam.

- Oh... Finn... Espere... Como assim, Rachel? – ela pareceu não acreditar.

Me aproximei lentamente, Quinn se levantou e agarrou os cabelos com suas mãos.

- Mas... isso não pode ter acontecido... Tem certeza disso, Rachel?

- Tenho sim, Quinn.

Vi seus olhos se encherem de lágrimas, eu a abracei lentamente e ela se aconchegou nele, nos sentamos em sua cama e afaguei suas costas, enquanto ela chorava, ao ponto de soluçar.

***

- Me desculpe, Rachel. – ela sussurrou, ainda em meu abraço. – Eu que devia estar lhe confortando e...

- Não se preocupe, Quinn. Eu já recebi muitos abraços.

Ela suspirou, encostou sua cabeça em meu ombro e suspirou novamente.

- Finn era um cara legal.

- Sim, eu sei.

- M-me desculpe novamente. – ela disse se afastando. – Bem... quer sair para almoçar?

- Não quero incomodar, e...

- Você não incomoda, Rachel. Afinal, você veio me visitar, certo? – afirmei com a cabeça. – E tem um restaurante vegetariano aqui perto.

Sorri com seu esforço, ela secou seu rosto com as mãos e se levantou.

- Espere apenas alguns minutinhos, enquanto me arrumo.

- Está bem.

Quinn entrou no banheiro, ouvi o barulho de água, provavelmente da pia. Me levantei, caminhei pelo quarto e vi alguns pôsteres pendurados nas paredes. Um deles era dos Fall Out Boy, outro era das Spice Girls, o que me deixou surpresa, já que era um grupo BEM antigo, outro do The Simpsons e finalmente, e mais importante, um pôster da Barbra Streisand. O acariciei lentamente, um sorriso apareceu em meu rosto.

- Oh! Isso... isso... – ouvi Quinn atrás de mim.

Olhei para ela, a vi sem camiseta, apenas de short e sutiã. Ela se aproximou, tirou o pôster rapidamente da parede e o imprensou na pequena lata de lixo.

- Hum... Molly comprou isso do primo dela e... hum... eu achei que lembrava você, então...

- Está tudo bem, Quinn. – respondi, tocando suas costas, percebi que ela havia se arrepiado.

- Hum... Eu só vou... – ela tentou, correndo até seu armário. – Eu só preciso colocar uma calça e...

- Quer que eu te espere lá fora?

- N-não precisa. Eu... eu...

Quinn colocou uma regata verde rapidamente, pegou uma calça preta e entrou no banheiro. Voltei a caminhar pelo quarto, vi um porta retrato da Quinn com Santana, outro da Molly com um homem e mais um do Glee Club cantando We Are The Champions, eu sorri e o peguei.

- Vamos? – ouvi Quinn.

Me virei para ela, seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo perfeito, como os que ela fazia quando era uma Cheerio, coloquei o porta retrato no lugar, peguei minha bolsa e Quinn pegou uma em cima da mesa perto da porta.

- Se importa se eu passar no quarto de uma amiga? – ela perguntou, enquanto abria a porta.

- Não, fique à vontade.

Passamos pelo corredor, entramos no elevador e ela apertou ala B, me encostei no espelho do elevador e Quinn se apoiou ao meu lado.

- Estou realmente feliz que você esteja aqui. – ela disse, cortando o silêncio.

- Também estou.

O elevador parou na ala C e um garoto entrou, apertando o botão do lobby.

- Oi, Quinnie. – ele disse, se encostando ao lado dela.

- Oi, Oliver. Essa é minha amiga, Rachel Berry.

- Oi. – cumprimentei.

- Oh... prazer em conhecer a famosa Berry.

Eu sorri, Quinn corou e abaixou a cabeça. O elevador parou, Quinn se afastou de Oliver e caminhou para fora, olhei para ele e sorri novamente.

- Até mais. – eu disse.

Ele afirmou com a cabeça, eu saí do elevador e Quinn olhou para mim.

- Acho que ele gosta de você. – eu disse, lhe dando uma pequena ombrada.

- Isso não é verdade. – ela respondeu, começando a andar pelo corredor.

- É sim. – respondi a seguindo.

- Ele tem namorada, Rachel.

- O que? Tem certeza?

- Lembra da minha colega de quarto, Molly?

- Mentira!

- Verdade. E apesar de Molly parecer bem legal, ela é ciumenta e mata qualquer uma que roubar Oliver.

Quinn parou em uma porta, parei ao seu lado e ela bateu. Ninguém abria, ela bufou de raiva, bateu novamente, uma, duas, três vezes.

- Acho que está vazio, Quinn.

- Acho que a vadia está dormindo. – ela murmurou.

Ela abriu a porta, entrou rapidamente e ouvi gritos vindo de dentro, a maioria era de Quinn. Segundos depois ela saiu e andou rapidamente até o elevador, eu a segui, entramos no elevador e ela sorriu.

- O que foi? – perguntei.

- A idiota estava... esquece.

- Me responde.

- Ela estava... sabe?

- Não.

- Transando, Rachel.

- Oh! E você...

- Eu entrei no quarto, fechei meus olhos quando vi e comecei a gritar.

- Sim, eu ouvi. Mas você invadiu o quarto dela.

- Ela estava me devendo, eu apenas fui cobrar.

- Invadindo o quarto dela?

O elevador parou, saímos dele e caminhamos até a saída.

- Oi, Quinnie. – a mulher, que antes havia me atendido, disse.

- Oi. – Quinn respondeu friamente.

Assim que saímos, olhei para ela, parecia um pouco irritada.

- Você está bem?

- Sim, eu só... não é nada de mais.

Afirmei com a cabeça, caminhamos para fora do campus e eu olhei em volta.

- Você não tem carro?

- Tenho, mas como eu disse antes, o restaurante é perto.

- Ah...

***

Comíamos tranquilamente, eu comia salada e bebia um suco natural, Quinn comia algo que eu não havia entendido direito o que era, tinha peixe, ou algo do tipo.

- Então... – comecei. – Como está em Yale?

- Bem, eu acho. Me lido bem com as aulas, tenho amigos, talvez alguns inimigos.

Eu dei uma pequena risada, pesquei uma cenoura com o garfo e a coloquei na boca.

- E você? Como está em NYADA?

- Estou bem. Cansativo, mas bem.

Ela sorriu, bebeu um pouco do seu refrigerante e olhou para mim.

- Você está diferente. Da última vez que nos vimos, mesmo você tendo a aparência adulta, ainda tinha um ar infantil.

- Como assim?

- Ah, você ainda tinha aquele mesmo rosto de Rachel Berry adolescente apaixonada pelo Finn.

- Eu ainda sou adolescente, Quinn.

- Sim, eu sei. Mas você não parece no momento, parece ser uma adulta.

- E isso é bom?

- É sim.

Eu sorri, bebi um pouco do meu suco e soltei uma pequena risada.

- Quando nos vimos na última vez, você estava com Santana. Me lembro que vocês estavam bêbadas.

- Sim.

Duas garotas passaram por nós sorrindo, Quinn olhou para elas e abaixou a cabeça.

- Oi, Quinnie. – uma delas disse.

- Oi, Candie.

Elas se afastaram, olhei para Quinn e ela começou a beber seu refrigerante.

- Você é bem conhecida.

- Sim. Tento ser amigável.

Mexi em minha salada, não estava mais com fome, bebi um pouco do meu suco e pensei no assunto que eu tentava sempre evitar.

- Me admiro você não ter informações da morte do Finn.

- Bem... Santana era a única que me ligava todo final de semana para dizer as novidades, mas nos afastamos um pouco com o tempo.

- Sim, eu me lembro. Pelo menos antes do quase casamento do Sr. Shuester, Santana ligava para você, eu mandava beijos, mas ela os ignorava, às vezes me deixava nervosa, mas depois ela começou a ignorar isso, não ligava mais, achei que vocês tinha brigado.

- Não exatamente.

- Quer falar sobre?

- Não no momento.

- Está bem.

Quinn chamou o garçom, ele lhe entregou a conta e peguei minha carteira dentro da bolsa.

- O que está fazendo? – ela perguntou.

- Ajudando a pagar?

- Não, Rachel. Eu a convidei, eu pago.

- Não faça isso, Quinn. Eu não quero lhe dar prejuízo.

- Novamente, eu convidei. Seria falta de educação da minha parte não pagar.

Ela não me deixou responder, pagou a conta, pegou sua bolsa e se levantou.

- Vamos?

Afirmei com a cabeça, peguei minha bolsa e me levantei. Caminhamos um pouco em silêncio, olhei para ela, parecia feliz, ela olhou para mim e sorriu.

- O que?

- Nada. Só estava lhe observando.

- Tipo?

- Você parece feliz.

- Não moro mais em Ohio, como acha que eu estaria?

Soltei uma pequena risada, olhei em volta e voltei a olhar para ela.

- Como estão Santana e Kurt? – ela perguntou.

- Kurt está em um caso estranho com Blaine à distância, não sei como conseguem fazer isso. – eu sorri e ela riu. – Santana tem uma nova namorada, Dani.

- Ela é bonita?

- Sim. Trabalha conosco na lanchonete. Ela canta bem.

- Mas nada se compara à Rachel Berry. – ela zombou.

- Com certeza.

Senti um pingo de água em minha testa, olhei para cima e rapidamente começou a chover, olhei para Quinn, ela sorriu e segurou minha mão, começando a me puxar. Corremos de volta para o campus de Yale, entramos rapidamente e muitos olharam para nós duas, estávamos encharcadas.

- Venha, vamos subir para o meu quarto.

Ela me puxou pelo braço, entramos no elevador e olhei para Quinn. Sua regata estava bastante colada em seu corpo, revelando a silhueta de sua barriga e seus seios, seus cabelos encharcados pingavam águas para todo o lado. Quinn olhou para mim e sorriu, o sorriso mais divertido que eu nunca havia visto na vida, sorri de volta e o elevador parou. Saímos, fomos até seu quarto e Quinn logo jogou sua bolsa no chão.

- Tire sua roupa. – ela disse, indo até seu armário.

Fiz o que ela pediu, ficando apenas de roupa intima, o quarto estava um pouco escuro, pelo tempo ter mudado rapidamente, mas as luzes dos trovões entravam momentaneamente. Quinn entrou no banheiro, em seguida saindo com duas toalhas nas mãos, ela jogou uma para mim, sequei meus braços e minhas pernas, em seguida comecei a secar meus cabelos.

- Se importa em usar um short curto? – ela perguntou, olhando para seu armário.

- Não.

Ela se virou para mim e começou a me encarar, dei um pequeno sorriso e abaixei minha cabeça, eu sabia que meu rosto corava.

- Hum... Você pode escolher qualquer coisa no armário. – ela disse.

- Está bem.

Quinn se virou novamente, pegou uma roupa qualquer no armário e foi rapidamente para o banheiro. Eu me aproximei do armário, olhei para algumas roupas, peguei um short rosa, porque eu ainda achava que rosa combinava comigo, olhei mais um pouco e vi a camiseta que Quinn usou quando eu quase fiz plástica em meu nariz, para que ficasse igual ao dela. A peguei, sorri e olhei para ela. Lucy Caboosey, eu nunca descobri do porque aquilo, mas também nunca perguntei. Eu a coloquei, coube perfeitamente, peguei a toalha e voltei a secar meus cabelos. Segundos depois Quinn saiu do banheiro com a toalha nas mãos, acendeu a luz e olhou para mim. Ela usava um short azul, igual ao azul dos olhos da Brittany, e uma camiseta amarela.

- Hum... Isso coube em você?

- Sim. – respondi, olhando para a camiseta que eu usava. – Acho que eu cresci um pouco.

Ela riu, sentou em sua cama e voltou a secar seus cabelos.

- Não precisa ter medo de sentar, está bem?

- Oh! Sim.

Me sentei na cama da Molly, que era um pouco bagunçada, terminei de secar meus cabelos e olhei para Quinn, ela sorriu, pegou a toalha de minha mão, pegou minhas roupas que estavam no chão e foi até o banheiro.

- Você pode escovar os cabelos, se quiser. – ela gritou do banheiro.

Olhei em volta, à procura de uma penteadeira, Quinn saiu do banheiro com uma escova de cabelos na mão, sorriu e me entregou. Enquanto escovava meus cabelos, Quinn foi até sua bolsa e a pegou, colocou em cima da mesa ao lado da porta e a luz se apagou.

- Droga! – ela murmurou. – Deve ser algum interruptor. Logo a luz voltará.

Afirmei com a cabeça, lhe entreguei a escova e olhei em volta. Eu não sabia realmente o que fazer, ainda eram três horas da tarde, estava chovendo e sem luz no quarto, Quinn abriu a porta e deu de cara com Molly.

- Quinnie! – Molly gritou de susto. – Mandaram avisar que a luz só voltará amanhã.

- O que? Devem estar brincando comigo! – ela rosnou.

Eu sorri, Molly entrou e olhou para mim.

- Vejo que ainda está com visita. – Molly sentou ao meu lado e olhou para Quinn. – Oliver disse que viu você no elevador.

- Sim, fomos almoçar. – eu respondi.

- É, fomos almoçar. – Quinn repetiu, sentando em sua cama.

- É verdade que você tem um namorado?

- Molly! – Quinn a repreendeu.

- Na verdade eu tinha, mas Santana descobriu que ele era... prostituto.

- Como? – Quinn perguntou.

- Brody vendia o corpo para se sustentar, e escondia isso de mim.

- Eu também esconderia. – Molly disse.

- Enfim. Eu terminei com ele, e isso já faz um tempo.

Quinn deitou em sua cama, Molly se levantou e entrou no banheiro.

- Vai ir para casa quando? – ouvi Quinn perguntar.

- Hoje.

Ela se sentou rapidamente, me encarando.

- Mas está chovendo, e sua roupa está molhada.

- Eu sei, mas não tenho lugar para passar a noite.

- Fique aqui.

- Mas não tem mais uma cama aqui, Quinn.

- Qual é o problema? Dorme na minha cama.

- Mas e você?

- Eu durmo no chão.

- Quinn...

- Se eu fosse você, ficava. – ouvi Molly dizer da porta do banheiro. – Quinnie é um pouco chata em insistir.

Quinn revirou os olhos, eu sorri e olhei para ela.

- Está bem.

***

Eu já tinha tomado um longo banho e estava pronta para me deitar, Molly já dormia em sua cama, Quinn deitava em uma cama improvisada no chão ao lado de sua cama, enquanto eu saía do banheiro. Me deitei na cama da Quinn, a chuva ainda caía lá fora, ainda estava sem energia e eu estava sem sono. Olhei para o teto, tinha pequenas rachaduras, algumas formavam uns desenhos engraçados, o que me fez soltar uma pequena risada, olhei para o lado e vi Molly se mexendo, olhei para o outro lado e Quinn parecia estar dormindo.

- Hum... Quinn. – sussurrei.

- Hum? – ela perguntou, ainda com os olhos fechados.

- Está dormindo?

- Uhum.

- Mas...

- O que foi? – ela perguntou, agora abrindo os olhos.

- Estou sem sono.

- Tenta contar carneirinhos. – ela respondeu, voltando a fechar os olhos.

Olhei novamente para o teto, fechei meus olhos e suspirei.

- Um carneirinho... – comecei. – Dois carneirinhos... Três carneirinhos...

- Rachel.

- Quatro carneirinhos... Hum?

- Cale a boca.

- Está bem.

Escondi meu rosto com o travesseiro, rosnei com raiva de mim mesma e senti mais um peso na cama, tirei o travesseiro do meu rosto e olhei para o lado, Quinn ainda com os olhos fechados começou a acariciar meus cabelos.

- Quinn...

- Cale a boca e vá dormir.

- Está bem.

Fechei meus olhos, suspirei e o sono lentamente começou a chegar.

***

Acordei ainda sonolenta, me despreguicei, soltando um pequeno gemido, olhei em volta e vi Quinn sentada à mesa de escrivaninha escrevendo algo.

- Quinn?

- Sim? – ela perguntou, ainda olhando para o papel.

- Que horas são?

- Uma e quinze. – ela respondeu, olhando para seu relógio de pulso.

- U-uma e quinze? E você diz com essa naturalidade?

Me levantei rapidamente, corri até o banheiro e tomei um banho. Quando terminava, ouvi alguém entrar no banheiro.

- Rachel. – ouvi Quinn chamar.

- Sim?

- Sua roupa estava suja, então eu as lavei.

- Quinn... não precisava.

- Precisava sim. Então, como elas ainda estão molhadas, peguei roupas minhas para você usar.

- Suas roupas não cabem em mim, Quinn.

- Eu sei. Mas aquela camiseta coube, então lavei ela ontem.

- E vou usar apenas a camiseta? – perguntei, enquanto pegava a toalha pelo pequeno buraco aberto da porta do box.

- Não. – ela respondeu rindo. – Peguei uma saia minha.

Abri totalmente a porta do box, Quinn começava a escovar os dentes, ela olhou para mim, seus olhos verdes brilhavam, senti meu rosto corar.

- Hum... a roupa está em cima da minha cama e...

- Sim, sim.

Saí do banheiro, Quinn fechou a porta, coloquei a roupa rapidamente, escovei meus cabelos depois de secá-los e vi Quinn sair do banheiro pronta.

- Quer comer algo? – ela perguntou.

- Não, obrigada.

- Vai ficar com fome?

- Não estou com fome.

- Mesmo?

- Sim.

Peguei minha bolsa, Quinn também pegou a dela e abriu a porta. Olhei em volta, eu sabia que iria sentir saudade daquele pequeno quarto, mesmo que eu tenha passado apenas 24 horas ali.

- Vamos? – ouvi Quinn perguntar.

- Pode ir na frente, te encontro no elevador.

Ela afirmou com a cabeça e saiu, olhei novamente em volta, sorri e me aproximei na pequena lata de lixo, tirei o pôster da Barbra Streisand e a estiquei na cama da Quinn. Assim que entrei no elevador com Quinn, senti meus olhos se encherem de lágrimas, abaixei minha cabeça, enxuguei as lágrimas que caíam e suspirei.

***

- Aqui está sua passagem. – Quinn disse, me entregando.

- Obrigada Quinn.

- Comprei duas maçãs, caso você sinta fome no caminho.

Ela colocou as maçãs em minha bolsa, eu sorri e lhe abracei forte.

- Eu vou sentir saudade, Quinn.

- Eu também vou.

Nos afastamos, o bagageiro informou que o trem iria partir, Quinn olhou para mim, seus olhos se encheram de lágrimas, lhe dei um pequeno sorriso e rapidamente senti Quinn me beijar. Não era um grande beijo, era um selinho, um demorado selinho. Meus olhos ficaram arregalados, eu não conseguia acreditar que Quinn estava me beijando. Assim que ela se afastou, abri a boca para dizer algo, mas ela a tampou com o dedo indicador e deu um pequeno sorriso.

- Eu escrevi isso para você. – ela sussurrou, pegando um papel em sua bolsa. – Eu ia colocá-lo em um envelope, mas não tive tempo para comprar.

- Quinn...

- Não leia agora. Espere entrar no trem, está bem?

Afirmei com a cabeça, Quinn me deu um rápido abraço e sorriu. — Agora vá, antes que você perca o trem. Me afastei lentamente, entrei no trem e me senti no assento mais próximo, olhei pela janela e vi Quinn limpar suas lágrimas. O trem começou se mover, mordi meu lábio inferior e abaixei a cabeça, as lágrimas formavam em meus olhos. Voltei a olhar para Quinn, que já não limpava as lágrimas, pois essas não paravam mais de cair, deu um pequeno sorriso acolhedor e se aproximou um pouco, com passos rápidos.

- Eu te amo... – ela sussurrou.

Em segundos, Quinn sumiu, abaixei minha cabeça, fechei meus olhos e suspirei. Me ajeitei no assento, olhei para a camiseta de Quinn que eu usava e abri o papel que estava dobrado.

Querida Rachel... amada Rachel... doce Rachel Berry. Sei que deve estar sendo difícil para você entender o beijo, por isso vou lhe explicar. Eu tinha dúvidas sobre minha orientação sexual, principalmente depois de ter lhe conhecido, mas passei a ter certeza depois da noite que tive com Santana, no quase casamento do Sr. Shuester. Todas aquelas mulheres que falaram comigo, confesso que passei uma ou duas noites com elas, mas não era nada, pois eu sabia a quem meu coração pertencia. Eu gosto de você, eu me apaixonei por você, eu amo você. Queria esse beijo desde que te vi naquele corredor, com aquela camiseta preta e a saia rosa, olhando para Molly como se ela fosse uma louca. Me apaixonei por você desde que você me apoiou com a gravidez, dizendo que todos estariam me ajudando e tive certeza que te amava quando Finn lhe pediu em casamento e você pediu minha opinião. Senti que iria te perder para sempre, que nunca teria chance com você, que vocês se casariam e viveriam sua vida, enquanto eu, novamente, sofreria com minha vida solitária. Não quero ser egoísta. Eu realmente fiquei triste por Finn ter morrido, mas não queria lhe ver triste, por isso rapidamente tentei me recompor e lhe deixar feliz. Espero que você não fique com raiva de mim, por ter lhe beijado sem você querer, mas eu precisava, pelo menos uma vez, nem que seja a única vez de toda a minha vida. Eu te amo, Rachel. Eu a quero mais do que tudo. Por isso faço qualquer coisa para lhe ter. A camiseta que você está usando, pode ficar com ela. Fica bem em você, lhe deixa mais sexy. Espero que tenha uma ótima viajem até NY. Quinn Fabray.

Notas finais
Pergunta: Só isso? Sem continuação?
Resposta: Sim, apenas isso. Sem continuação.
Pergunta: Mas o que acontece depois?
Resposta: Fica a critério de vocês. O que acham que acontece? Usam a imaginação. rsrs
Pode não ter ficado ótimo, mas enfim...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!