Quimera Efêmera

1 Do virtual para a Realidade


Nada mudou desde a última vez que o vi e meu mundo continua a girar na orbita onde sempre esteve. Mas vou confessar que algo dentro de mim transformou-se, de modo a deixar mais colorido aqueles longos dias ensolarados e quentes de verão. Só não compreendo por que não provei desse gostinho antes. Talvez por receio de passar a imagem de moça vulgar ou então pelo medo de expor meu eu adormecido, escondido que habita o fundo da alma e que o deixava trancado lá, a sete chaves.

Tudo começou quando notei que a maioria das minhas amigas já estava com seus casos amorosos, provando experiências novas e se intitulando felizes por terem despertado da infância e enfim provarem as delícias nas quais a mocidade pode proporcionar ao ser humano. Em meio a isso, me sentia imensamente frustrada por conquistar a maioridade sem sequer selar um beijo. Era como se sentir um peixe nadando no ar ou uma ave voando no mar, meio que não se encaixa aos paradigmas.

Diante disso, tomei a sagaz decisão de virar o jogo e correr atrás do tempo perdido e não vivido na adolescência. Porém, observei o ciclo de amigos do sexo oposto que fiz e vi que nenhum deles eram companheiros o suficiente para ter uma relação amorosa. Sem escolhas, acabei recorrendo ao um óbvio e clichê site de relacionamentos, pois naquele momento estava desesperada demais e tal situação clamava por medida igual ou superior, sendo assim de caráter urgente.

Assim que me inscrevi tive a sensação de estar fazendo algo minimante "tosco", pois todos das salas de bate papo pareciam loucos para "trepar” no primeiro que visem, apelando pela ativação da webcam ou troca ab-rupta de informações pessoais um tanto "pessoais demais" para serem compartilhadas em algo que todos podiam ver. Crente que ali não fora meu lugar decidi sair aquele site e nunca mais voltar a digitar aquele endereço novamente na barra do meu navegador, só que (aos 45 do segundo tempo) percebi o avermelhado do balãozinho do chat e sem ter como evitar a ânsia de conversar com alguém, me rendi e respondi ao "Olá" anônimo.

E não é que o desconhecido flertava bem? Tinha umas "cantadas" bobas, mas que todos sabem que mexem com uma mulher até então carente e solitária. Trocamos telefonemas e daquele dia em diante me vi grudada ao celular como nunca antes na vida (nem mesmo quando descobri as funcionabilidades de joguinhos “anti-tédio” cujo sou viciada), a espera de mensagens de "bom dia" e desenrolar de conversas dinâmicas, diversas e aspirantes de um glorioso relacionamento.

Com o decorrer do tempo, decidimos nos encontrarmos, pois não podíamos continuar a ficarmos sem nos ver sabendo que já sentíamos algo um pelo outro. Ele (muito cortês) optou em vir até mim, não exatamente em minha casa, contudo próximo a ela (mais precisamente em uma praça mal cuidada pelo governo, que tinha belas árvores mas perdia nos requesitos limpeza, decoração e urbanismo). Confesso que temi pelo fato dele ser visualmente feio (mesmo com a foto de perfil, não podia confiar cem por cento no via na tela do aparelho. Digamos que queria evitar ilusões... ), mentiroso ou descontente com minha aparência simples de ser, afinal de contas, eu me auto declaro pensativa e filosófica ao extremo... O que resulta em paranoias deliberadas mesmo perdendo tanto tempo "papiando" com meus botões.

Quando chegou ao dia datado para o tão esperado encontro entrei em estado de choque. Não sabia o que vestir, agir, falar. E se fizesse alguma besteira? Nunca fui boa de conversa fiada e paquerar era algo que nunca havia feito antes. O universo também estava contra mim, pois decidiu que minha vagina haveria de sangrar dois dias antes, resultando na então menstruação na qual insistia em desabar entre "chico" e restos de útero, me deixando ainda mais tensa e preocupada. Para completar, não avisara a meus pais que iria sair com uma pessoa incógnita da internet, no entanto tinha meus motivos (eles me proibiram de ir com certeza: a) porque viram em algum lugar que esse tipo de gente que conhecemos nesse meio digital são pedófilas, ladras, tendo como principal motivação a total necessidade de "ferrar" com meia dúzia de indivíduos burros, mal amados e ignorantes por acreditarem que falar com alguém na internet seja a luz no fim do túnel; E b) porque não concordam com o fato de eu estar a procura de "um ser amor", arriscando a minha integridade por conta disso). Então mantive tudo em sigilo absoluto.

Levei horas para me decidir e no fim coloquei um jeans preto novinho no estilo formal (sem conter manchas, rasgos, e enfeites de fábrica), uma regata branca por baixo de uma camiseta de renda muito transparente de tom nevado (para dar um ar sexy), sapatinhas pretas com um laço negro na parte superior deste, bem a mostra e minha bolsa me mão de cada dia (mediana, branca, com detalhes florais dourados e sem bolsos por fora). Eu até tinha ponderado em usar um vestido "tubinho" vermelho com um salto 15, contudo sou alta e magra demais para utilizar tais vestimentas (vai por mim, iria parecer uma "Vera Verão" estilo "Rua Augusta" nas madrugadas... e bem, não queria assustar o rapaz logo de cara). Assim que terminei minha maquiagem simples e escovei os cabelos de modo a ficarem no estado castanho "chapado" sobre os ombros recebi uma mensagem dele falando que acabara de sair de sua casa e que logo mais estaria na praça na qual havíamos combinado. Respondi o torpedo avisando que já iria à frente e o esperaria em um banco de frente a farmácia azulada da esquina, pois nos meus cálculos ele chegaria a no máximo 15 minutos por conta da proximidade de nossos bairros (vivíamos na mesma cidade). Eu só não cogitei a possibilidade de que haveria trânsito em pelo horário do "Rush" (seis da noite) e então me vi ali, a espera dele por mais de duas horas que pareciam não ter fim!

Ás oito e pouquinho sinto meu celular vibrar e tocar a voz estridente de Hayley Williams em seu single "Ain't It Fun" (ótima musica por sinal) e vi que era ele. Esperei chegar ao refrão (pobrezinho) e sem mais delongas, atendi:

– Alô?

– Oi, tudo bem? — falou nervoso.

– Sim, e você? — disse automaticamente quase parecendo uma call center.

– Bem... Olha já cheguei, mas meu GPS não está colaborando. Me perdi e não sei ao certo onde é essa praça.

– Marcos, você já está próximo ao supermercado? — perguntei aflita.

– Sim, já passei dele...

– Então basta seguir reto sentido centro. Quando avistar a primeira praça vire a direta e estacione o carro. Estarei sentada no banco que ti falei, de frente da tal farmácia. — soltei calmamente, tentando conter o nervoso.

– Ah sim, acho que estou perto... Olha vi a farmácia! Vou desligar para manobrar melhor. -falou.

– Ok. Até mais! — disse animada.

– Até! — respondeu em tom alegre.

E foi dito e feito! Vi logo após um carro verde escuro a cruzar a esquina e estacionar numa vaga perto do ponto de táxi, a uma distância mínima de meu desleixado e feioso banco de praça (precisava de uma reforma). Sem perceber já estava com a garganta seca, trêmula, como se um mal súbito fosse me acontecer em alguns instantes. Tentando me conter, desviei o olhar do carro e olhei para a farmácia lotada de idosos, provavelmente sofrendo com doenças que poderiam ser evitadas se não tivessem exagerado na bebida, cigarro, gorduras e frituras no decorrer de suas vidinhas casuais. De repente sinto a presença de alguém por perto. Viro meu rosto e ele exclama avidamente:

– Oi Sophia!

Notas finais
Quimera Efêmera é minha primeira fanfic, então espero que perdoem o fato de ainda não estar com a "pegada" na qual almejo.Obrigada por ter lido esse pequeno "tira-gosto" e continue acompanhando esse romance.Não se esqueça de comentar e dizer o que pensa a respeito (sua opinião é deveras importante para a continuidade da história!).Bessos e Até a Próxima (:
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.