Quimera - COBRINA

3 Capítulo 2, parte II - Karina


Notas iniciais
Vamos que vamos...rsrs Como dividi o capítulo em duas partes vou postar logo...evitemos sofrência desnecessária. ^~

Tem dias que falar com o Cobra, quando não estamos lutando ou zuando um da cara do outro, era como ter lições de vida. Ele me fazia repensar muitas coisas, ser menos egoísta e infantil, em troca eu o ensinava a ser menos chato e turrão. Estava dando certo, até consegui fazer ele participar da guerra de tinta com o pessoal da Ribalta, de fato não éramos mais os mesmos de quando nos conhecemos.

Nossa última conversa me fez ficar pensativa sobre minha vida e o que eu sentia pelo Pê. Sei que o amo, mas tem horas que me enjoa as brincadeiras dele, nossas conversas que giram em torno dele com a banda e principalmente a mania dele de ficar grudado em mim. Desde que reatamos, parece que ele quer provar o quanto me ama o tempo todo, como se continuasse pedindo desculpas por ter aceitado a proposta da Bianca.

Depois de um dia longo, fui pra casa e sentei no sofá então me perguntei o que eu tava evitando o dia todo, desde aquela conversa: Se o Pê precisasse se mudar por causa de um contrato, será que eu iria com ele? A resposta foi...não deu tempo o Pê já entrou na sala me agarrando e contando como foi o dia, fiquei em silêncio .

P – Esquentadinha você tá aí? – perguntou passando a mão na frente dos meus olhos.

K – Claro que estou. Não tá me vendo? – perguntei irritada, apesar da culpa não ser dele.

P – Ka hoje você tá estranha, mas já sei como melhorar seu dia – me olhou com uma cara de criança quando faz arte — MickJagger vai dar um show especial para você hoje. O que acha?

K – Acho que hoje não é o melhor dia Pê, vou dormir, amanhã a gente se vê.

Pê – Tá me expulsando? – fez cara de choro – Deixa disso e vamos aproveitar enquanto o mestre cruel não chega.

K – Hoje não Pê. Tchau! – falei enquanto abria a porta da sala.

Por algum motivo aquele dia tava me fazendo pensar demais, eu precisava dormir. Conforme os dias foram passando percebi que comecei a agir diferente, principalmente com o Pê. Eu o amava, mas não tinha vontade de ficar com ele o tempo todo como antes, minha cabeça estava a mil pensando no Warriors, em fazer faculdade, ter independência, meus sentimentos e minhas novas descobertas sobre mim.

Para variar estava passando mais tempo na academia, batendo muito no saco de areia para ver se os pensamentos paravam. O Cobra chegou e me fez lutar com ele ao invés de continuar destruindo o saco.

K – É isso!!– deu aquele estalo enquanto eu tava lutando com o Cobra.

C – Isso o que maluquinha? – ele falou com cara de confuso.

K–Nada não, só pensei alto. Bora lutar que você tá que nem mulherzinha hoje. – sorri tentando disfarçar.

À noite estava no quarto conversando com a Bi e perguntei:

K – Bi como a gente sabe que mudou? Que amadureceu?

B – Uai Ka, como assim mudou, amadureceu?

Fiquei vermelha e abaixei a cabeça, sem jeito tentei olhar para ela.

K – É que esses dias tenho pensado muito em tudo que aconteceu, em como cada um mudou, você por exemplo ficou menos egoísta, o Cobra resolveu mostrar o lado bom dele, apesar de continuar marrento, o papai tá até tentando ser mais flexível deixando o Pê dormir as vezes aqui em casa e eu....– dei uma pausa – Sei lá Bi, esses dias tem coisas que eu não gosto mais como antes....- ela me interrompeu

B – Você não gosta mais de lutar? – ela fez aquela cara de susto, foi tão teatral que acho que a Globo tá perdendo tempo em não contratar ela.

K – Tá maluca? Amo lutar, é minha vida, meu sonho. Não tô falando disso. É que... que...vou falar logo, não ando gostando mais das palhaçadas do Pê, sem paciência para nossas conversas ou das loucuras da banda. Me sinto muito melhor quando estou com a Nat, o Duca, o Cobra, você e até o maluquinho do João. Tô me sentindo diferente, querendo fazer outras coisas. Será que estou louca? Você me entende?

A Bi ficou pensativa, andava de um lado para o outro no quarto. De repente ela parou, olhou nos meus olhos e disse.

B – Acho que agora eu entendi Ka, você está mudando, mas além disso tá descobrindo novos sentimentos. Como eu tive que descobrir que não vale fazer tudo para me dar bem, que meu amor pelo Duca viraria amizade e que o João pode me fazer feliz. O Cobra que podia se desarmar, confiar mais nas pessoas e aprendeu a amar – ela franziu a testa e falou baixinho “com a Jade” – Você tá descobrindo uma nova Karina, assim como descobriu algumas coisas quando começou a namorar o Pê, agora está descobrindo outras.

K – Acho que sim, mas não sei o que fazer Bi, não sei o que falar pro Pê, não sei se quero terminar ou sei lá... tô ferrada. –sentei no chão encostando na cama e colocando as mão no rosto.

B –Calma Ka, você só precisa ser franca com você mesma, nem sempre é fácil descobrir que nossos sentimentos podem mudar, que nossas opiniões também mudam, mas seja sincera com você e também com ele. Afinal você lembra o quanto sofreu por uma mentira e a relação de vocês não merece ser mantida com base em outra, não é?

K – Verdade! Vou falar com ele, mas não agora. Preciso pensar mais um pouco. Obrigada pela ajuda.

B – Você sabe que pode contar comigo!

K – Eu sei. –sorri– Vou ali e já volto me dá cobertura?

B – Vai no QG, né?

K ­– Como você sabe?

B – Porque sempre que precisou pôde contar com o Cobra, natural você querer falar com ele. Vai lá que te dou cobertura, mas não demora.