Quieto

1 … porque faz parte de sua essência …


Quieto

… porque faz parte de sua essência …

– Por Paola Tchébrikov

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Por que diabos eles tinham que ser tão diferentes?

Sakamaki Shuu, com belos e hipnotizantes olhos azul celeste e cabelo loiro, era o tipo de rapaz que não passa despercebido. Quieto demais, bonito demais, cruel demais.

O rapaz estava sempre com fones de ouvido, ouvindo sabe-se lá o quê. Aquele ar de indiferença em volta dele fazia-o parecer estar dentro de uma bolha, onde ninguém entrava.

Ele dissera que o sangue de Yui era quente quando o bebeu, também dissera para ela afasta-se dele ao vencer o desafio proposto por Ayato. Shuu era estranho.

Ele era tão… normal. Parecia apenas um adolescente preguiçoso e indiferente ao mundo, incapaz de fazer algo além de preocupar-se consigo mesmo.

Mas ele não era normal, claro. Era o filho mais velho dos Sakamaki’s.

Ele via os humanos como meros recipientes de sangue.

Via Yui unicamente como uma refeição ambulante.

Não que ela não fosse uma inútil, boba e fraca, mas ela era uma garota humana.

Uma garota humana mandada pela igreja para ser a noiva deles, para fazer parte do sacrifício e para acalmar aquela família de vampiros.

Mas isso não era da conta dele, afinal. Aquela garota podia ser uma virgem criada pela igreja ou uma prostituta interesseira como a mãe dos trigêmeos Kanato, Raito e Ayato. Para Shuu ela era apenas um fardo que acreditava ser passageiro na sua vida e na sua família.

Não que prezasse por sua família ou qualquer coisa do tipo, afinal, eles eram todos vampiros independentes, cruéis e indiferentes. Eram seres noturnos solitários e cientes de sua imortalidade, enfrentando dia após dia o tédio de se ver o mundo passar e você continuar o mesmo.

Yui era apenas algo passageiro em suas vidas. Um dia ela se casaria, teria filhos e envelheceria, voltando logo ao pó de onde se originara – e talvez de onde nunca devia ter saído.

Mas ele não. Shuu viveria para ver guerras, revoluções, tecnologias novas, descobertas inovadoras e, principalmente, para ver a humanidade afundar-se em seus próprios erros, procurando desesperadamente reerguer-se e vencer suas dificuldades.

Aquilo era tão ridículo quanto acreditar no amor ou na felicidade.

Só o que importava era viver e seguir em frente. Aprendera com os pais que nada mais adiantava senão deixar as coisas fluírem. Para os vampiros o passado, o presente e o futuro era a mesma coisa: tédio, sangue humano e imortalidade.

Aquilo era tão clichê.

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Masaka no famu fataru (Fatal Fame)

Madowasareta wana ni wakitateba

Kumifuseta tenohira ni

Kirameita gin no kurosu wa

Shigyaku no kiwami sa

(Mr.SADISTIC NIGHT – Hikaru Midorikawa & Kousuke Toriumi)

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