Clemente, com seu longo vestido preto, uma máscara de gala e um pequeno par de asas pretas, entra no salão do centro da cidade, que tem um alto teto de vidro, onde é possível ver as constelações. Clemente se perde em pensamentos por alguns momentos enquanto contempla as estrelas, mas logo volta a si, e anda em direção ao mural, onde há informações do baile de máscaras promovido pela recém mudada família Luz. Há uma grande faixa vermelha ao topo do mural, com a frase "A mudança está perto", também com uma foto sombria, que tinha a Sra. Luz e o Sr. Luz mais ao fundo e um menino nos meados da mesma idade de Clemente mais a frente. Clemente ficou hipnotizada com a imagem desse garoto, e ficou o encarando por alguns segundos, até que a amiga mais gótica de Clemente, Emília, chegou e cutucou-a enquanto resmungava:
— Esse lugar está morto. Como estou? Tentei pegar um visual mais Annabelle.
Clemente, depois de um pequeno atraso até conseguir parar de olhar para a foto do menino misterioso e assimilar que era sua amiga, respondeu:
— Você está fabulosa.
Emília puxou Clemente até a mesa das bebidas e pegou um drink rosa para cada. A cada gole, Emília fazia uma cara engraçada e reclamava de como era forte essa bebida.
As luzes então ficaram fracas, e um holofote foi direcionado para o palco ao fundo do salão. Um baixo violino começou a tocar, e as três pessoas da foto apareceram. O homem mais velho, chegou mais perto do microfone e começou a discursar.
— É meu prazer estar aqui essa noite. Eu me chamo Antônio Luz, esta é minha mulher Manuela Luz, e este é meu filho Alberto Luz, e nós somos donos de uma grande empresa farmacêutica, e estamos felizes de mudar nossa sede para Serenidade.
Antônio falou mais sobre a empresa e sua família, mas tudo que Clemente conseguia focar era em Alberto. No final da apresentação, Antônio se despediu e a música alta voltou. Antônio e Manuela entraram em uma sala, e Alberto foi em direção a uma saída dos fundos. Clemente sem pensar muito, seguiu-o, deixando Emília para trás, que já estava meio bêbada por conta da bebida. Clemente passou pela porta e então todo o barulho foi silenciado e não havia mais ninguém no escuro beco do lado do salão. Alberto virou e olhou para essa estranha que o tinha seguido, e falou:
— Você quer alguma coisa?
Clemente ficou sem reação, e respondeu que não com a cabeça. Alberto então pegou um cigarro e começou a fumar. Ofereceu um a Clemente enquanto perguntava quem era ela. Clemente ainda estática, sem saber onde tinha se metido, disse:
— Eu não fumo, mas... obrigada. E meu nome é Clemente, estou no último ano do colegial. E... você?
Alberto com um sorriso maroto, respondeu:
— Você sabe quem sou eu. Vi você encarando minha foto mais cedo.
Antônio passa pela porta e chama Alberto. Alberto anda em direção a porta enquanto olha fixamente para os olhos de Clemente e faz um pequeno gesto com a mão. Clemente fica por sozinha naquele beco escuro, até que decide voltar à festa e encontra Emília dando em cima de qualquer coisa viva. Clemente pega Emília pelo braço e a leva para casa.
**
Mais tarde, quando já pronta para se deitar, Clemente dá uma última olhada pela janela em direção a rua da frente e encontra Alberto parado em frente sua casa. Clemente coloca um roupão preto de veludo e vai até a rua, saber o porquê dele estar lá. Ela chega e antes de conseguir falar algo, Alberto começa a falar:
— Achei onde você mora. Espero que não tenha se importado. Mais cedo eu saí sem me despedir, e vim ver se você aceita minhas desculpas.
Clemente fica sem palavras, até que faz um gesto concordando. Alberto dá um sorriso e continua:
— Ótimo! Vamos dar uma volta em meu carro então? Prometo que é coisa de dar a volta no quarteirão.
Clemente fica receosa, olha para a porta aberta de sua casa, porém acaba aceitando o convite. Alberto e Clemente entram no carro luxuoso estacionado do lado. Alberto dá partida e o carro começa a andar, enquanto uma música eletrônica toca e o único contato entre eles são os olhares. Alberto pega na mão de Clemente e acelera o carro cada vez mais, em direção a uma estrada vazia e escura coberta por árvores. Alberto dá a volta na estrada e vai em direção a casa de Clemente. Chegando lá, ele para o carro na frente, e fala:
— Talvez na próxima podemos conversar mais. Ou quem sabe, usar nossas bocas para outra coisa.
Clemente fica sem jeito e agradece pela volta de carro. Então desce e fica olhando Alberto dirigir embora. Ela vai para o quarto e deita, onde fala consigo mesma.
— Sua burra. Você deveria ter dito algo! Ficou que nem uma boboca sem conseguir falar as palavras para ele. Aaahh. — e então cai no sono.
**
Alberto chega em casa, olha para sua mãe e fala:
— Está tudo certo...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor