Questão de vida ou morte
4 Capítulo 4: Wtf?
Notas iniciais
P.O.V. Alice
–O que você está fazendo?
–Alice, eu... Sinto muito. Eu não deveria ter feito isso, a gente nem se conhece e... Sinto muito.
–Não estava pronta pra isso, aliás, eu acho que nunca vou estar. -Pude ver a expressão sem graça dele e uma pontada de tristeza, mas não me importei. -Você não faz ideia, do que é ter 17 anos e... -Ele arregalou os olhos e me interrompeu.
–17 anos?
–Sim, 17 anos, você não me conhece, Jonathan.
–Gostaria -Ele disse com um sorriso sem graça.
Me sentei na cama e suspirei. O que eu estava fazendo? Estava na casa de um completo desconhecido que acabara de me beijar sem nem mesmo saber meu nome completo, fugi de casa, fui agredida por homens que estavam atrás do meu pai, que diabos eu estava fazendo?
Ele se sentou na cama e começou:
–Meu nome é Jonathan Ritson, tenho 22 anos. Você vai me achar um tanto gay mas -ele deu uma pausa rindo- meu livro favorito é A Culpa é das Estrelas. Perdi minha mãe pro câncer quando tinha 12 anos, desde então fui criado pelo meu pai, sou filho único, moro aqui sozinho, estou no último ano da faculdade, estou cursando biologia marinha porque amo animais e quero sair por aí viajando e conhecendo novas coisas. Estou de férias, volto em três semanas pra faculdade, estava em Wilmington com a minha vó por parte de mãe pois ela estava um tanto doente, voltei, te conheci, e...
–E...?
–Esquece, é só isso. Sua vez, mas agora, eu quero tudo.
–Tudo bem, meu nome é Alice Parker, tenho 17 anos, morei em Wilmington desde sempre, meu pai nos abandonou quando eu tinha seis anos pelas drogas, minha mãe virou alcóolatra, meu irmão foi preso por atropelar e consequentemente matar três pessoas. Minha vida era uma droga, até que um dia eu conheci um cara. Seu nome era Jason. -As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto e eu dei uma pausa, Jonathan estava se aproximando mas eu fiz um sinal para que ele parasse. -A gente se conheceu e foi praticamente amor a primeira vista. Até que um dia, ele iria me levar pra jantar para comemorar nosso aniversário de um ano.
Flashback on
–Como eu estou Anne? -disse balançando o vestido florido para minha melhor amiga.
–Alice, sossega, você já me perguntou mil vezes e eu já respondi mil vezes que você está linda. -Ela disse e eu sorri, olhando pro espelho e mexendo mais uma vez no cabelo.
Olhei pela janela e vi a chuva forte, Jason já devia estar chegando.
De repente escutamos um barulho horrendo, até mamãe que estava na cozinha, e por um milagre não embriagada, correu para janela. Vi um carro preto, capotado do lado de fora. Era Jonathan.
Corri para fora sem me preocupar com a chuva, joguei o sapato para não cair e corri em direção ao carro ainda chorando. Fui para o lado do motorista, ele ainda estava acordado, porém muito ferido, e o que não ajudava nada, era que o carro estava capotado.
–Alice, eu te amo -Ele disse quase sem voz.
–Você vai ficar bem, a Anne já chamou a ambulância amor.
–Eu te amo -Ele repetiu.
–Eu te amo muito, sempre vou te amar. -Minhas lágrimas se misturaram com a água forte da chuva que escorria pelo meu rosto e ele fechou os olhos.
Flashback off.
–Ele teve morte cerebral, e morreu naquele instante, na minha frente. -Só então percebi o quanto estava chorando. Mas não me importei. -Eu tinha Anne na minha vida, e ele... Ele era minha vida, e quando ele se foi, ela foi junto com ele. Desde então eu trabalho em um lanchonete, não sou rica, mas não sou miserável, não moro em uma mansão, mas não moro em um cubículo, apenas... Minha vida é uma droga, na noite em que peguei o ônibus eu tinha acabado de discutir com a minha mãe e vim pra ca, daí eu te conheci.
–Nossa Alice... Eu... -Ele disse mas eu o interrompi.
–Você sente muito, já sei.
–É. Me desculpe por mais cedo, eu me precipitei muito. -Dei uma risada como forma de mostrar que estava tudo bem.
–Jonathan, não quero ir pra casa. Eu estou com medo, e assustada. -Eu disse abaixando a cabeça.
–Ei, tudo bem. Pode ficar aqui quanto tempo quiser. -Ele disse levantando meu rosto delicadamente e, visivelmente, fitando minha boca.
–Não pode me beijar de novo. -Disse rindo e ele riu também. Me deu um beijo estralado na bochecha e se levantou.
–Boa noite -E saiu.
–Boa noite -Disse mesmo sabendo que ele não escutaria.
–Bom dia! -Disse descendo e indo pra cozinha onde o mesmo se encontrava.
–Bom dia! Tenho um pedido pra te fazer.
–Hmm, diga.
–Meu pai disse que queria que fôssemos até a casa dele hoje, topa?
–Hãn -dei uma pausa -Claro, porque não? -Sorri
Chegando na casa do pai dele
–Sou Alice Parker, muito prazer Sr. Ritson -Disse sorrindo.
–Pode me chamar de Joe, muito prazer. -Ele disse e nos sentamos. -Então, vocês estão morando juntos? -Fiquei completamente sem graça e gaguejei.
–Sim, é temporário. -Jonathan explicou.
–Ótimo, então não tem porque ser escondido. -Ele disse e Jonathan me olhou com cara de interrogação, ele não fez uma cara muito boa, coçou a cabeça e por um momento até achei que ele iria chorar. -Filho, eu estou com câncer, sinto muito.
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