Notas iniciais
Então, pessoal, o negócio é o seguinte. Eu imagino que vocês esperem que esse seja o Cam de sempre e ele, sei lá, jogar ela na parede e tal, mas todo mundo tem um passado, e alguns sofrem por ele. Nesse capitulo eu quis mostrar que até os mais durões tem um ponto fraco, decepções e acima de tudo, eles também se apaixonam e às vezes acabam se machucando por causa disso. Esse é um outro lado dele, e espero de coração que vocês gostem.
Deixem reviews, por favor.
Beijinhos.

Gabbe passava pelo corredor que dava ao seu quarto naquele hotel distraída, quando um som a tirou de seus pensamentos. Um som muito suave e melodioso que ela reconheceu ser de um violão. Já passava das três da manhã, quem poderia estar acordado à uma hora dessas?

Ela seguiu o som e deu de cara com uma porta ligeiramente aberta. Com um susto, percebeu que estava em frente ao quarto de Cam. Silenciosamente, abriu mais a porta e se pôs a escutar.

Cam tocava com os olhos fechados, imerso em lembranças que aquela música lhe trazia. Gabbe ficou um bom tempo olhando-o tocar e não pôde deixar de reparar o quanto ele era bonito. Alto, cabelos escuros caindo nos olhos, que mesmo sem ver, lembrou de serem de um verde intenso. Ela não gostava muito de Cam. Talvez por ele ter escolhido o lado da Estrela da Manhã, ou pelo fato de ele ter justamente escolhido-o por um impulso, um impulso que ela tinha certa que ele se arrependia.

Antes de caírem, ela e Cam eram muito amigos. E, mesmo naquela época, sabia que em algum momento sentiu algo por ele. É claro que isso já havia passado a muito tempo, mas ela às vezes recordava daqueles tempos.

Como se sentisse que ágüem o observava, Cam abriu os olhos e encarou-a levemente surpreso. Toda a calma que ela viu em seu rosto sumiu.

-Desculpe, Cam. Não queria te interromper. – disse — Onde arrumou esse violão?

-Peguei de um homem na rua. Relaxa, eu vou devolver – acrescentou ao ver a expressão de reprovação no rosto dela.

-Tudo bem. Posso entrar?

Somente naquele momento Cam percebeu que ela ainda estava parada em pé na porta do seu quarto. Ele foi mais para o lado na cama e acenou para ela entrar e se sentar ao seu lado.

O quarto era muito pequeno. Uma cama, um criado mudo, e um pequeno baú para por as roupas, eram tudo o que havia naquele espaço. Gabbe se sentou ao seu lado, não muito próximo, mas também não muito distante.

-Não sabia que você tocava.

Ele soltou uma risada cansada. – Fazia muito tempo que eu não tocava.

-Sério? Não parecia.

Ele olhou mais detalhadamente para ela. Os cabelos loiros que ele conhecia tão bem estavam um pouco bagunçados, os olhos azuis aparentavam cansaço. Ele se perguntava se ela se lembrava de quando eram inseparáveis no Céu.

Ele sorriu ao ver que ela o encarava de volta e voltou a olhar para frente.

-Sabe, Lilith me lembrava muito de você. – ela olhou espantada para ele ao ouvir a confissão- Quer dizer, antes de acontecer o que aconteceu.

Ele riu.

-O mesmo sorriso simpático, o mesmo olhar. Não sei, ela me lembrava de você e de quando estávamos no Céu. Mas acho que você não se lembra.

-É claro que eu lembro. –disse em um sussurro – Eu sinto muito pelo que aconteceu.

-Às vezes eu fico pensando que eu devia ter contado a verdade para ela. Acho que tudo teria sido diferente. Mas não adianta pesar no passado. Ele não vai mudar quem sou. Apesar de eu de vez em quando eu querer.

Gabbe olhou com novos olhos para ele. Agora, mais de perto, parecia que ele envelhecera anos. Tinha olheiras, o cabelo estava mais comprido e as feições do rosto mais duras, mas apesar disso, ele mantinha uma expressão suave, como se gostasse de dividir com alguém o que estava sentindo.

Ela pegou as mãos dele com as suas em um gesto de carinho.

-Cam, apesar de tudo, você não pode mudar quem é. Você é desse jeito porque fez escolhas erradas na hora errada. Você foi precipitado, agiu sem pensar, mas agora já é tarde. – disse- Infelizmente, pois eu sinto falta daquele Cam que nunca se separava de mim.

Eles estavam muito perto um do outro. Em um gesto quase automático, Cam foi para mais perto dela e tocou seu rosto com as duas mãos e colou seus lábios nos dela.

Gabbe não se espantou com o beijo. Na verdade, ela esperava e queria que ele o fizesse. O beijo não passou de um suave toque de lábios. Mesmo assim, ela sentiu como se fosse explodir algo dentro dela.

Como se percebesse o que tinha feito, Cam se afastou dela, como se tivesse levado um choque. Sabia que aquilo era errado, que ela iria odiá-lo, mas simplesmente não conseguiu se controlar.

-Desculpe –murmurou, tirando as mãos do rosto dela e olhando para o outro lado.

Ela virou delicadamente o rosto dele para que pudesse olhá-lo nos olhos.

-Não precisa se desculpar -sussurrou- Não tem pelo que se desculpar, Cam.

Olhando-o nos olhos, se aproximou para beijá-lo novamente. Com as mãos apoiadas no peito dele, ela o beijou como se o mundo pudesse acabar somente por causa daquele ato.

Cam a pegou e deitou-se na cama com ela por cima, retribuindo o beijo com todo fervor. Esquecendo-se de quem era, do que era, não podia ficar somente nisso.

Separaram-se em busca de ar, e sua boca foi para o pescoço dela, deixando uma trilha de beijos que ia até o ombro.

Sentindo-se arrepiar, ela tirou a própria camiseta, chocada e ao mesmo tempo feliz pela iniciativa, ela abaixou-se para beijá-lo novamente, sentindo as mãos dele passeando pelas suas costas.

Não demorou muito para que o próprio Cam tirasse a camisa. Gabbe mais uma vez ficou maravilhada ao ver aquele físico estonteante dele. Arranhou toda a extensão do seu abdômen, chegando ao cós da calça e desabotoando-a e jogando- em um canto do pequeno quarto.

Cam também não perdeu tempo. Convenientemente, o fecho do sutiã que ela usava era na parte da frente, permitindo que ele não se demorasse ao tirá-lo.

Tirando também a calça dela, Cam parou para apreciar o belo corpo de Gabbe. As bochechas estavam coradas e ela estava ofegante. Acho que nunca vi coisa mais bela.

Colocando-se por cima, Cam tirou o que restava das roupas dos dois.

Olhando-a nos olhos, viu que ela assentia, dando permissão para ele penetrá-la.

Gabbe nunca sentiu nada parecido com isso. Um pouco de dor no início, mas nada em comparação ao prazer que ela sentia. Cam começou os movimentos, saindo devagar para entrar forte depois.

Quando o orgasmo veio, Gabbe sentiu que flutuava e seu corpo tremia descontroladamente.

Não demorou muito para que Cam atingisse o mesmo estado. Saindo de dentro dela, Cam caiu ao seu lado, puxando-a para junto dele para que coubessem juntos na cama de solteiro.

-Eu tenho muitos arrependimentos, Gabbe — disse depois de um tempo, acariciando o cabelo dela- Esse com certeza não foi um deles.

Notas finais
Próximo: Ivy e Tristan (Beijada por um anjo)