Quero Você mais Um Dia
1 Parte I
Notas iniciais
Silêncio.
Pela primeira vez, estava silêncio no meu quarto. Não estava ouvindo música, nem minha mãe estava enchendo meu saco. Estava somente pensando nele, e em como não temos quase tempo nenhum para estarmos juntos. Apenas estivemos juntos aquela tarde, na casa dele, mas ele me mandou embora, antes que eu fizesse \"qualquer coisa\". Parecia que não sentia o mesmo por mim. É claro, não estava esperando um amor correspondido.
Gostaria de o ter mais uma vez, no meu quarto. Aqueles cabelos loiros e aqueles olhos verdes me matam. Tocá-lo mais uma vez, seria perfeito. Não como toco todos os dias, em que nos cumprimentamos com um aperto de mão. Não, nada disso. Eu queria tocar o rosto dele. Deve ser suave. Aliás, todo ele deve ser suave.
Será que devia telefonar para ele?
Peguei no celular. Disquei um algarismo, dois algarismos. Parei. O que ele acharia de mim; somos só amigos! Queria pedir conselhos para minha amiga, mas ela estava viajando e eu não tinha crédito para telefonar para a Europa, é mais caro.
Resolvi continuar discando o número dele.
— Alô? — Era a voz dele. — Quem é?
— Você sabe... — Falei com voz tímida. — Quer vir cá essa tarde?
Ele demorou para responder, mas, com uma voz receosa, respondeu:
— O que quer fazer? Estudar?
Lembrei da prova que teremos amanhã. Droga, é bem importante, e eu tinha esquecido.
— Sim, vamos estudar. — Sorri, já que ele não podia ver.
— Ok então, nos vemos daqui a pouco. — Desligou.
Botei meu perfume favorito, um que ele tinha me indicado. Dei um jeito no cabelo, já que não dá para arrumar direito, e vesti uma camisola que ele tinha me dado uma vez.
Continuava o mesmo silêncio de antes, até que o som da campainha o interrompeu. Desci as escadas apressadamente e abri a porta com um sorriso.
— Oi Thiago, será que eu posso...
— Pode entrar sim! — Abri totalmente a porta e apontei as escadas para ele. — Vem, vamos estudar para meu quarto.
— Você já estudou alguma coisa? — Ele me perguntava, enquanto subia as escadas, seguido de mim.
— Não, nadinha. Chamei você mesmo para me ajudar.
— Ah, mas eu também não sou muito inteligente. — Ele se jogou para cima de minha cama, enquanto eu entrava no quarto junto.
Nossa, ele estava ali, deitado na minha cama. E eu, que nem podia chegar perto.
— E aí, Douglas, como vão as coisas com a Thais? — Me sentava na cama e retirava os livros da estante.
— Ah, não vão, terminei com ela.
Parei por uns segundos.
— Porquê terminou com ela?
— Ah, é um negócio um pouco complicado de explicar para você, sabe... — Ele se sentou do meu lado e começou tirando os livros também. — Desde que eu conheci você, faz uns oito meses, meu namoro com a Thais não estava mais tendo graça alguma para mim.
Peguei no mesmo livro que ele, sem querer. Olhámos os dois para o livro, depois para nossas mãos, depois nos olhámos nos olhos. Ficámos assim, durante uns segundos. Tentei me aproximar, ele corou. Quando ia beijar, ele se jogou para trás.
— Não, Thiago. — Ele fechava os olhos. — Eu não posso fazer isso. Nós estamos errados, cara, entenda isso. Deve ser apenas uma amizade forte!
— Douglas... você está tentando fugir à realidade. — Me joguei para trás também. Ficámos os dois deitados em cima da cama. — Como você falou, não ama a Thais mais. Olhei para ele. — Você me ama?
Ele abriu os olhos e ficou me fixando.
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