Queridos Amigos

30 Capitulo 30: Conclusão


Notas iniciais
Olá! Pelo menos consegui postar o último capítulo no momento que desejava fazê-lo, que era sábado á tarde. Do fundo do meu coração, agradeço à todos que me acompanharam através desta longa jornada! Espero que se deleitem com este último capítulo!

Jack, Soluço, Merida e Rapunzel estavam sentados em cadeiras de madeira ao lado uns dos outros, usando agora roupas secas, mas com os cabelos ainda molhados. Cobriam-se com grossos edredons. Os pés mergulhados em baldes com água quente no chão, defronte à eles, e com bolsas calorosas com a mesma água que haviam nos baldes. Já não tremiam tanto assim de frio.

Ainda estavam na casa dos alemães. Cercados pela bela decoração de madeira, quadros, vidros e flores, de costas para as grandes janelas, de onde entrava uma bela luz branca.

As novas vestes que vestiam foram providenciadas pelos pais que ainda estavam na rua quando os quatro chegaram. Norte houvera trazido as duas netas para a casa de Frederick e Arianna. Esmeralda estava com a maquiagem borrada devido às lágrimas, contudo, já havia se acalmado ao ver que o irmão estava vivo, e prometendo que jamais tentaria fazer aquilo de novo. Emma não entendia tão bem o que acontecia, mas também chorou ao ver a irmã chorar.

— O que é que vocês têm na cabeça?! O amigo de vocês pula de uma ponte e vocês pulam também?! Normalmente isso é só uma forma de expressão! – falava Stoico com as mãos fortes na cintura, os demais adultos estavam ou os olhando de frente, ou sentados em algum lugar, descansando de toda aquela situação.

Rubi, já aliviada, estava disposta a fazer careta diante da postura do escandinavo, e com uma leve batida de braço, avisar Valka para intervir.

— Pai, não foi bem assim! O Jack não pulou, houve um terremoto breve e ele se desequilibrou e caiu...

— É! Temos certeza que ele não ia pular! – falou a loira.

— E mesmo que ele tivesse pulado faríamos a mesma coisa para salvar o nosso amigo! – disse a ruiva.

— Mas vocês tem ideia do risco que correram?!

— Com todo respeito, senhor Stoico, a gente estava lá! Nós temos noção do risco, sim! – disse a cacheada.

O mais velho franziu o cenho diante daquela resposta, achava ela inadequada, mas via nela as virtudes de sua futura nora.

— Mesmo assim, como é que vamos saber que vocês estão falando a verdade e que não estão dizendo isso só para ser conivente com o amigo de vocês?!

O platinado seguia de cabeça baixa, a coluna curvada e em silêncio.

— A câmera – falou baixo.

— O quê?! – questionou Stoico.

— Há uma loja perto da ponte, com uma câmera que pega tudo o que passa por lá, se não me engano dá até para ouvir o áudio. Lá tem a prova de que não estamos mentindo.

Todos o olharam em silêncio. Ninguém conseguia dirigir a palavra à ele.

— Eu vou até lá! – disse a irmã mais velha.

Todos as olharam, mudos.

— Eu vou pegar a câmera e trazer a gravação.

A jovem russa caminhou até o avô, pedindo as chaves. Antes de sair pela porta, esbarrou com a mãe.

— Toma cuidado, leva sua irmã com você, ela não tem nada para fazer aqui – falou com tom fraternal.

Esmeralda obedeceu e se dirigiu até a porta. Encontrou Elsa e Anna ali, prestes a bater na madeira, preocupadas e hesitantes.

— E outra, nós não pulamos da ponte, demos a volta e fomos até a borda do rio – falou a escocesa.

— Vocês têm provas disso agora? Como é que vamos saber que vocês não tentaram fazer o mesmo que o Jack e pela graça de Deus não foram impedidos?!

— Chega! – disse a norueguesa, indo até o marido e gesticulando para que parasse com as alegações, voltou-se para as crianças e disse – Descansem agora, ligamos para o médico e ele disse que já vem.

— Jack! – disse uma voz aflita vinda da porta, olhando para todos os lados dentro da casa, ao encontra-lo, as primas de Rapunzel correram até ele.

— Elsa?! – questionou o russo de olhos arregalados.

— Meu Deus! Jack! – falou a norueguesa platinada, abraçando o amado, em lágrimas.

— Como sabia que eu estava aqui?

— Eu liguei para vocês quatro, mas ninguém atendia! Então liguei para a tia Arianna e ela me disse que vocês estavam aqui e também falou o que tinha acontecido!

O eslavo olhou para a mãe da amiga com ar de humilhação. Ela apenas olhou para baixo e para o lado com um tom sério.

— Você está bem? – perguntou a escandinava ruiva.

— Eu estou bem! Sério. Eu estou bem – falou sorrindo, mas ao ver o rosto aflito da amada, se desfez em lágrimas – Me desculpa, Elsa! Me desculpa! Me perdoa!

Os dois encostaram as testas alvas enquanto lacrimejavam. Elsa o beijou nos lábios singela e amorosamente para conforta-lo, o fez repetidas vezes.

A mãe de Jack sentiu ciúmes, mas parte de si estava feliz pela conduta da norueguesa platinada.

Passaram-se alguns instantes. Esmeralda chegou com a irmã, trazendo a gravação. Todos, exceto os quatro que apareciam, assistiram, ouviram um áudio deformado devido ao vento, mas sentiram a essência das palavras deles. Também acreditaram que o platinado não queria mais pular, e viram os demais correndo, sumindo da câmera, comprovando a história dos quatro.

Rubi caminhou até o filho e falou: “Eu acredito em você quando diz que não vai mais fazer isso, mas mesmo assim, você precisa de ajuda, e vai receber o devido tratamento, entendeu?!”.

— Sim, senhora! – respondeu ele, pacificamente e com o rosto frio.

— Na hora que eu caí, e que percebi que não tinha mais como voltar para cima da ponte, eu me arrependi, de uma maneira que nunca havia feito antes.

O russo estava novamente no escritório do doutor Benjamin. Era manhã, estava pálido dentro da sala fria, mas uma bela luz branca entrava pela janela alta, os iluminando parcialmente enquanto conversavam.

— Eu acredito em você. Já atendi outros pacientes que tiveram coragem de pular e sobreviveram, me diziam a mesma coisa. Alguns deles viraram palestrantes, contando sua história, tentando impedir outras pessoas de fazerem o mesmo – falou com tranquilidade enquanto pegava um chiclete em uma cartela.

— Sabe, eu percebi naquele milésimo de segundo, que aquela não era a solução.

— Você disse isso à todos eles?

— Sim. Eu acho que eles acreditam em mim. Eles não têm falado a respeito disso, pelo menos.

— E você? Como se sente?

— Eu não queria ser a causa desta situação – falou de cabeça baixa – Não queria ter deixado todo mundo preocupado naquela noite. Eu mal consigo olhar na cara deles. Não queria que soubessem o quanto eu sou fraco.

— Você suportou muita coisa por muito tempo, Jack, e sozinho. Essas pessoas tendem a ser as mais fortes.

— Mas o que eu fiz prejudicou todo mundo.

— Ninguém é obrigado a estar bem o tempo todo. Como eu disse, tudo bem se não estiver bem. Não precisa sentir vergonha, mas não deve deixar isso consumir você. Que bom que seus amigos te salvaram e que agora está aos cuidados de uma ajuda especializada.

— É, eles são incríveis. Nem todo mundo têm gente assim. Eu até que tive sorte.

— Sim. E como eles têm agido com você?

— Eles têm agido normalmente. Eles têm certeza de que eu não vou ter coragem de fazer aquilo de novo. Ligam para mim todos os dias, e eu atendo às ligações. Sabe, eu penso no que a Merida me disse naquela ponte. Que ninguém deve ser a razão de viver de outra pessoa...

— Mas...

— Nós nos apegamos uns aos outros. E isso acaba sendo algo muito difícil. Contudo, eu já sabia disso, nada dura para sempre.

— Nem aquilo que nos faz sofrer. Eu sei disso, meu pai era um alcoólatra, me batia todo dia. Eu cresci, mudei de casa, me tornei independente, e ele se foi. Mas eu consegui ficar em paz com meu passado, cheguei até a perdoa-lo em seus momentos finais, eu consegui seguir em frente.

— Exato. E eu acredito que... Ainda que no futuro, a gente se separe, mais do que isso, ainda que eles um dia morram antes de mim, por mais que doa, eu vou ficar bem. Eu ainda sentiria a falta deles, assim como sinto falta do meu pai, mas ficaria bem. Ainda que eu ficasse de luto pelo resto da vida, eu ficaria bem. Eu conseguiria seguir em frente.

— “O que é o luto, se não o amor que permanece?”.

Jack riu, e depois respondeu: “É, o Soluço me mostrou essa série.”.

— Eu fico muito feliz em ouvir isto, Jack, mas ainda temos trabalho a fazer. Sua mãe disse que você vai ficar fazendo terapia até que ela tenha certeza que você vai estar bem.

— Por mim tudo bem, eu não me incomodo. Se ela e os outros se sentem melhor assim, eu não ligo.

— Vamos começar.

O platinado voltara a morar com a mãe e as irmãs. O ambiente tornara-se menos denso e mais pacífico.

Rubi e seu filho estavam na cozinha. Ambos fazendo o almoço.

A mais velha seguia com a face fria enquanto trabalhava com o rosto e o avental sujo. Levou a mão até o lugar onde habitualmente ficava um tempero, mas se surpreendeu ao notar que não estava lá. Olhou para os lados, procurou pelos demais cantos da cozinha, mas não encontrava.

Aproximou-se do mais novo enquanto procurava e perguntou: “Jack, você viu o...”.

Interrompeu-se ao notar que o mesmo mostrara o pote de tempero que procurava, tirando-o de trás de suas costas, sorrindo.

Ela tentou pegar silenciosamente, mas o russo recuou a mão. A platinada o olhou sem compreender, mas sorriu ao notar que se tratava de outra brincadeira. Aproximou-se, tentando agarrar o que precisava, mas o eslavo seguia a recuar a mão, de modo a curvar-se sobre o balcão, forçando a mãe a jogar o peso sobre ele.

A russa alcançou o que precisava, batendo a mão, mas se surpreendeu ao sentir um beijo em sua face.

Arregalou os olhos e viu Jack sorrindo para a mesma. Ela respondeu com outro sorriso.

Voltou-se para as panelas e temperou a comida. Jack colocou-se ao lado dela, olhando-a.

— A senhora lembra daquela vez que eu quebrei a perna?

— Ah, como poderia esquecer?! – respondeu ainda concentrada no fogão.

— Pois é. Eu tinha quantos anos na época? Cinco? Seis?

— Sete.

— Isso foi quando meu pai ainda era vivo. Eu tinha caído de bicicleta, e minha perna havia travado nela.

— É, imagina meu desespero quando sua irmã chegou gritando dizendo que você tinha se machucado. Eu pensei que você tinha sido atropelado.

— É, eu lembro que eu preferia que tivesse acontecido isso. Aquela foi a pior dor que eu já senti na vida. Se eu tivesse sido atropelado quem sabe eu não tivesse ficado inconsciente?! Assim já acordaria no hospital.

— Mas talvez você tivesse morrido.

O platinado a olhou em silêncio por um instante. Aquilo o teria incomodado, mas foi capaz de relevar.

— É verdade. Mas mesmo assim, minha tíbia tinha se partido, por pouco não tinham se soltado dentro do meu corpo. Eu ainda me lembro da dor quando o médico teve empurrar as duas partes de volta para o lugar.

— Eu também me lembro dessa parte.

— Eu sei disso. A senhora ficou segurando minha mão o tempo todo. E lembro que a senhora também ficou chorando quando eu gritei e chorei de dor.

A eslava sorriu, em tom de auto deboche.

— É, se parar para pensar, é até engraçado de lembrar.

O russo a olhou com seriedade.

— A senhora não estava lá sempre, mas sempre que eu precisei, a senhora esteve ao meu lado e cuidou de mim. E continua fazendo isso.

Ela parou, desfez o sorriso e voltou-se para o filho. Notou que ele a olhava com serenidade e gratidão em seus olhos.

— Obrigado. Eu amo a senhora – falou, depois se afastou e voltou a cuidar de seus afazeres na cozinha.

Rubi o pegou de surpresa enquanto trabalhava de costas para si, e o beijou no rosto.

O eslavo assustou-se, olhando para trás, mas apenas a viu focada em seu trabalho, de forma recatada.

— Eu também te amo, filho.

Era tarde. Jack havia tomado banho, seus cabelos brancos estavam molhados, usava uma camiseta azul escura com mangas curtas e uma calça moletom cinza claro.

Estava sentado no tapete do quarto da irmãzinha, brincando de boneca, com mais afinco do que de costume, seus lábios vermelhos sempre sorridentes, a olhando de cima.

Emma se divertia, mas de repente, sua mente jovem a recordou de algo, e perguntou: “Jack, você está bem?”.

— Estou. Por quê?

— Eu não entendi muito bem o que aconteceu naquela noite, mas sei que todo mundo estava preocupado com você.

— É verdade.

— Você não parecia bem.

— Eu agradeço a preocupação, Emma, mas agora, vamos voltar a brincar, se não o chá com biscoitos vai acabar esfriando.

— Jack, se não estiver bem, pode falar comigo, eu vou cuidar de você que nem eu cuido mais minha bonecas.

O platinado riu, a inocência da caçula lhe aqueceu o coração.

— Obrigado, Emma.

Seguiram brincando. Então, Esmeralda adentrou o quarto da caçula, usando uma calça moletom, junto de um belo suéter branco, os cabelos presos em um rabo de cavalo.

— Emma, a mamãe está chamando você.

— Tá bom – a pequena respondeu, levantou-se e saiu andando.

O russo a olhou enquanto a caçula saía dali. A mais velha carregava um semblante preocupado em seu belo rosto.

— A mamãe está chamando ela mesmo?

— Ela me disse que chamava a atenção dela enquanto eu conversava com você.

O eslavo colocou-se de pé, a olhando de baixo com a face serena, mas séria.

Os dois se olharam em silêncio. Estavam nervosos, mas sentiam o ambiente calmo.

— Eu queria me desculpar – falou a platinada – Eu sinto que devo isso à você. E que tenho parte da responsabilidade pelo que houve.

— Não. Esmeralda, para. Isso não é verdade.

— Jack, me escuta... A tendência é que os irmãos mais velhos tenham uma vida mais árdua do que os irmãos caçulas, e os protejam, que nem você faz com a Emma. Mas isso não se aplica à mim com você. Sua vida foi mais complicada do que a minha, e eu sempre tive o papai e a mamãe para cuidarem de mim e da Emma. E mesmo depois que papai morreu, nós tínhamos você. Nós tínhamos você e a mamãe para cuidar da gente, mas quem cuidava de você?

— Eu só cumpri com o meu papel de homem. Que nem o papai me ensinou.

— Mesmo assim. Sou eu quem devo cuidar de você, e até agora, você tem cuidado muito mais de mim.

— Se refere ao Hans?

— Também – respondeu com o rosto triste, aproximando-se e acariciando o rosto e os cabelos do irmão – Me desculpa.

— Tá tudo bem – respondeu enquanto apreciava o carinho de olhos fechados.

— Aí, sabia que postaram o vídeo das câmeras de segurança da praça na internet? – perguntou sorrindo.

— Sério?! – respondeu Jack abrindo os olhos, sorrindo e franzindo o cenho.

— É. Eu até saí com um cara, aí eu mostrei o vídeo pra ele, mostrando que você era meu irmão, e no final do vídeo mostrou a foto do Hans todo machucado. Ele nunca mais me ligou – disse reprimindo um riso.

O platinado não segurou o riso, então disse: “Bom saber! Faça isso mais vezes!”.

Os dois gargalharam.

— Isso é crueldade – disse a platinada em meio àquela alegria.

Após os risos, pararam se olhando e sorrindo.

— Sabe do que eu lembrei? – perguntou o russo.

— Não.

— Eu lembrei daquela fita que nossos pais gravaram de quando você era pequena e eu tinha acabado de nascer. Você ficava o tempo todo chorando, me abraçando e me beijando.

A russa riu e acariciou o caçula.

— Você é meu irmãozinho. Eu te amo. E desculpe por não cuidar de você. Eu prometo que vou fazer melhor de agora em diante.

O russo a abraçou.

— A maioria das pessoas não gostam de fazer uma autocrítica, às vezes elas preferem dizer que não tem nada a ver com os problemas de ninguém, e que as outras pessoas são as únicas culpadas pelos problemas delas. Eu não acho você culpada de nada, mas fico muito feliz que você não faça o mesmo que a maioria das pessoas. Obrigado. Eu também te amo.

Os dias se passavam. Jack se sentia bem, e as pessoas à volta já não temiam o pior. O Natal chegou, e ficou sabendo que Norte ainda procurava um lugar para fazer a festa, mas não sabia onde, então o neto sugeriu ao avô que a fizessem na grande casa onde se hospedavam. Com tantos andares poderiam fazer ali mesmo. Todos gostaram muito da ideia.

Contrataram alguns cozinheiros e empregados para preparar totalmente o lugar. O russo ajudou na cozinha, junto de Soluço, Merida e Rapunzel. Não perdeu a oportunidade de brincar com eles, soprando farinha de trigo na face dos mesmos, estes se vingando, provocando uma grande bagunça, se sujando por inteiros.

Os pais e amigos olharam aquilo, e sorriram ao vê-los brincando e se divertindo.

Terminaram tudo bastante cedo, informando os convidados a respeito do endereço. Mas antes da festa, precisavam ir à Missa.

As quatro famílias foram juntas à grande e bela Catedral Gótica de Filótes.

Assistiram à uma Missa tradicional, em rito latino.

Era noite, e as luzes eletrônicas estavam apagadas, mas os belos vitrais coloridos no alto das paredes cinzentas de pedra brilhavam, junto das várias velas brancas de luzes douradas espalhadas, iluminando o lugar.

Os homens usavam ternos e gravatas pretos, com cabelos e barbas muito bem penteados.

As belas mulheres usavam coloridos e recatados vestidos, auxiliados de brancos véus enfeitados, cobrindo-lhes as cabeças.

Soluço contemplou Merida, sentiu-se apaixonar-se novamente após ver seu rosto alvo enfeitado, a cabeça coberta pelo véu, e as luzes douradas das velas refletidas em seus violentos olhos azuis.

Jack sentiu o mesmo olhando para Elsa em seu recato, seriedade e feminina serenidade.

Antes da Comunhão, os quatro decidiram ir até o Confessionário para absolver-se de seus pecados.

O russo foi o último. Ajoelhou-se no devido lugar, onde estava majoritariamente coberto pela escuridão, com apenas alguns traços de luz atingindo o mesmo, baixou a cabeça, escondeu o rosto atrás dos dedos entrelaçados e fez a oração inicial.

O padre sentado era coberto pela sombra.

— Quais pecados você cometeu, meu filho? – perguntou com paciência.

— Olha, seu padre, é mais fácil listar o pecados que eu não cometi – disse em tom de deboche.

O sacerdote não respondeu nada, mas ficou evidente que não gostou da piada.

— Desculpe. A ordem de Deus é amá-Lo sobre todas as coisas e amar ao meu próximo como a mim mesmo, certo?

— Sim.

— Então na prática, eu devo amar à Deus, amar o próximo e amar a mim mesmo, certo?

— Adiante.

— E se amor é a força que nos impele a fazer o bem, então amar é basicamente fazer e querer o bem. Então devo querer e fazer o bem à Deus, devo querer o bem ao próximo e devo querer o bem a mim mesmo. Mas como posso fazer o bem à Deus, se Deus não precisa de mim?

O confessor suspirou.

— Respondendo à sua pergunta, não O ofenda, é o que eu sei, o seu pecado machuca Deus. Mas vamos ao que interessa, rapaz, isso não é catequese, é um confessionário.

— Desculpa. Sobre a falta de amor à Deus. Eu faltei várias Missas, não tenho rezado e... Que eu me lembre é isso.

— Muito bem, adiante.

— Há alguns dias, meus amigos, nossas família e eu nos metemos em uma batalha de vida ou morte, e nós matamos.

— Só os seus pecados, não o dos outros.

— Certo, eu matei, eu feri outras pessoas, física e emocionalmente.

— Por que você matou?

— Se não tivéssemos feito isso, estaríamos mortos agora. Eram criminosos que queriam nos matar por vingança. Meu avô era militar na Rússia, e um velho inimigo dele veio atrás de nós.

— Ninguém tem o direito de fazer mal à você se você é inocente. Se o que você fez foi em legítima defesa, então não houve pecado.

— Eu queria me matar à alguns dias.

O padre ficou em silêncio por um instante, como se refletisse sobre aquilo.

— Mais alguma coisa?

— Acho que é só isso.

— Deus o ama e deu a Vida por você, e quer que você viva, na Terra ou no Céu. Não se esqueça disso. Como penitência, reze o Salmo 51. Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém – foi possível ver seus dedos fazendo um sinal da Cruz.

Após o fim da Missa, foram para a velha casa, onde começaram a festejar e se divertir.

Rapunzel dava atenção às crianças e aos idosos. Soluço apresentava Merida aos funcionários de seus pais, assumindo-a como sua namorada, surpreendendo a todos. A ruiva chegou a socar Nolan ao desacreditar que aquela se tratava da amada de seu irmão, chegando até mesmo a tomar a iniciativa para tentar seduzi-la.

Os pais dos amigos de Jack o agradeceram e parabenizaram por todos os bens que o platinado fizera a seus filhos.

Norte chegou para conversar com o neto.

— Olá, Jack. Você está bem?

— Estou. Muito obrigado por se preocupar.

— Fico feliz em saber que está bem.

Ficaram parados defronte um para o outro no meio da festa, iluminados pelas douradas luzes de pisca-pisca, cercados pelas várias pessoas ali.

— Sabe, quando eu estava na água, por algum motivo, eu me lembrei daquela vez quando levei a Emma para patinar no rio, estávamos sozinhos e o gelo estava fino. Por muito pouco um de nós não caiu na água. Talvez eu nem teria conseguido salvar ela se não fosse pelo que eu disse.

— O que você disse?

— Ela me disse que estava com medo, então eu falei que ela não ia cair, que invés disso a gente ia se divertir.

O mais velho não entendeu inicialmente.

— Eu sempre tive o dom para fazer as pessoas se divertirem, então eu descobri, que foi assim que eu nasci, este é o meu cerne – falou sorrindo para o mais alto.

Norte sorriu para ele, pegou do bolso o presente que lhe houvera dado e o entregou em sua mão.

— Pode abrir agora.

O mais novo obedeceu. Ficou surpreso ao notar que dentro da caixinha havia uma minúscula boneca russa, azul escura com branca, com sua face pintada, com um juvenil olhar malicioso.

Jack sorriu, olhando para ele, que retribuiu o sorriso.

— Meu garoto! – falou o erguendo e dando um beijo em cada bochecha, depois o abraçando enquanto o mais baixo ria.

Avô e neto se abraçavam quando de repente, ouviu-se o som de alguém batendo em uma taça.

Ao voltarem-se para quem o fazia viram Rapunzel de pé em uma cadeira.

— Boa noite à todos – todos responderam individualmente – Eu gostaria de pedir um minuto da atenção de todos. É que eu compus uma pequena canção no período de tempo em que estive morando aqui, eu a terminei recentemente, e acho que não há momento melhor para estreá-la, será que alguém tem alguma coisa contra? – perguntou simpaticamente, e todos negaram, alegando que queriam ouvir – Pessoal, essa é para vocês!

Jack, Soluço e Merida se olharam de longe, sorrindo, sabendo de quem se tratava.

A loira fechou os olhos, e com sua voz doce, começou a cantar.

Tantos dias olhando das janelas

Tantos anos presa sem saber

Tanto tempo nunca percebendo

Como tentei não ver?

Mas aqui, à luz das estrelas

Bem aqui, vejo o meu lugar

Sim, aqui consigo sentir

Estou onde devo estar

Vejo enfim a luz brilhar

Já passou o nevoeiro

Vejo enfim a luz brilhar

Para o alto me conduz

E ela pode transformar

De uma vez o mundo inteiro

Tudo é novo pois agora eu vejo

São vocês a luz

A alemã abriu os olhos, um tanto tímida, mas sorriu para a plateia, que após um silêncio de surpresa, aplaudiram alto, gritando e assoviando.

A germânica olhou para os amigos, que sorriam para ela enquanto aplaudiam.

No meio da festa, Jack foi pego de surpresa enquanto caminhava sozinho, um visco aparecera acima dele, observou-o e acompanhou o braço de quem o segurava até chegar ao rosto. Mal viu o rosto de Elsa, quando ela de repente o beijou.

— Elsa?!

— Por que a surpresa, Jack? – perguntou ela, enquanto se desfazia do visco, colocando-o sobre a mesa mais próxima.

— Nada, é que...

— Você esperava que eu não falasse mais com você depois do que tentou fazer?

— É... Você não vai embora?

— Não. Vou ficar. E não apenas pela minha prima, meus tios, ou até mesmo a Merida. Ou os negócios da família.

— Saiba que eu não quero obrigar você a nada. E se você quiser ir atrás de outra pessoa, eu vou entender.

— Eu falei para você que eu era uma garota problemática, e que você merecia coisa melhor, mas você ficou comigo mesmo assim. Eu acho que não seria justo da minha parte abandonar você por causa do ocorrido.

— Mas você não me causou nenhum problema.

— Hans.

Ele sorriu baixando a cabeça.

— Quem disse que aquilo foi um problema? Eu poderia tê-lo vencido com uma mão atrás das costas.

Ela retribuiu o sorriso, e lentamente começou a se aproximar.

— Anna também ficou preocupada. Sabia?

— Eu não tinha pensado nisso. Eu não quero que passem a vida sentindo pena de mim.

— Que nem a Rapunzel.

— Com quem você acha que ela aprendeu isso?

Ficaram defronte um ao outro, bem próximos, se olhando no fundo dos olhos azuis. A norueguesa mais alta do que o russo.

— Mas eu não quero que nada de ruim aconteça à você. Eu te amo, Jack Frost.

— Eu também te amo, Elsa, de Arendelle.

Então se beijaram novamente, com a iniciativa de ambos, sem ser um beijo roubado.

No meio da festa, o platinado acabou sendo conduzido pela irmã caçula para baixo de uma das grandes mesas de madeira alugadas, cobertas por grossos e belos panos vermelhos, onde haviam vários doces escondidos. Um hábito que tinha desde que eram mais novos, na maioria das vezes, momentos proporcionados pelo eslavo.

O mais velho iluminava o recinto com a luz de seu novo celular. Comia escondido junto de Emma. Quando acabou, ela disse: “Eu vou buscar mais, fique aqui!”.

Para agrada-la, Jack obedeceu, esperou sorridente, sentado, apreciando a tranquilidade que sentia naquele momento.

— Oi Jack! – falou Merida, aparecendo à frente e à direita dele, segurando um prato cheio dos doces da festa, o pano repousando sobre seu dorso – O que está fazendo aqui?

— Nada. É que a minha irmã me trouxe pra cá para comer doces escondido, ela surrupiou alguns que já estão acabando.

— Aí, até que eu gostei da ideia, é um bom esconderijo, eu não teria te visto se sua irmã não tivesse levantado o pano da mesa quando saiu daqui – falou aproximando-se do mesmo e sentando-se debaixo da mesa.

Logo depois apareceu Soluço engatinhando, ficando ao lado da namorada.

— Ei, o que é que vocês estão fazendo aqui em baixo?

— Comendo doce escondido, quer? – perguntou colocando um nos dentes, convidando o namorado a tirá-lo dali com a boca.

O castanho corou, sorriu e avançou, beijando-a e compartilhando do sabor tanto dos lábios da amada, quanto do quitute.

O platinado olhou para o lado, um tanto desconfortável.

— Me lembrem de fazer isso com a Elsa ainda hoje.

— E aí, pessoal, por que estão aqui em baixo? – perguntou Rapunzel.

— Rapunzel?! Como encontrou a gente aqui? – perguntou a ruiva.

— A sua irmãzinha me pediu para te entregar isso daqui – falou apresentando um prato com alguns espaços carentes de serem preenchidos – Eu comi alguns, espero que não se incomode.

— Claro que não, desce aí, antes que eu tenha que me retirar por ficar de vela.

A loira adentrou.

— Aliás, obrigado pela música, e parabéns, você também é uma ótima compositora e cantora – falou o norueguês.

— É verdade! Aquilo foi lindo.

— Mandou bem!

— Obrigada, pessoal!

Conversaram sobre muitas coisas enquanto comiam.

— Aí, eu falei com meus pais sobre aquela viagem para a Rússia. Eles parecem que também querem ir – falou a alemã.

— O Norte parece que conversou com os meus pai sobre isso – falou o escandinavo.

— Com os meus também – falou a cacheada – Eles também parecem estar interessados.

— Meus pais também estão – falou Soluço.

Depois os três olharam o russo, sorrindo.

— E aí, Jack, o que você acha? Aquela viagem ainda está de pé? – perguntou a celta.

O eslavo sorriu alegremente para eles, os olhos azuis brilhando.

Ainda era inverno, mas o clima era agradável, o céu estava branco, e a neve ainda enfeitava a terra.

Jack estava deitado de costas sobre o gelo, usando suas roupas de viagem, ao seu lado direito, estava Soluço, à esquerda estava Rapunzel, entre aqueles com olhos verdes estava Merida. Novamente, todos se deitavam fazendo um sinal de +, formando novamente uma grande pétala no chão, as cabeças quase se encostando.

Jaziam sorridentes sob a tranquilidade, apesar do frio. Os olhos fechados como se estivessem dormindo, mas estavam acordados. Apesar de tudo, estavam definitivamente em paz.

— Será que essa paz vai durar para sempre? – perguntou a loira, suspirando, ainda de olhos fechados.

— Não – respondeu a ruiva – Não vai, mas isso não importa, porque independente do que acontecer, nós estaremos juntos.

— É verdade – continuou o castanho – Na Terra ou no Céu, neste mundo ou no outro, independente do que aconteça, nós estaremos sempre juntos.

O platinado abriu os olhos, ficou feliz por saber que não estavam dizendo aquilo por ele.

— Obrigado pessoal, eu sinto que ainda não agradeci por tudo. Eu amo vocês.

Os demais também revelaram seus olhos claros, e sorriram. A alemã sorriu, e entrelaçou seus dedos com os da cacheada e o do russo. A escocesa fez o mesmo com seu amado. O eslavo fez o mesmo com seu amigo.

E ficaram assim, encarando o céu, sorrindo, em paz, juntos.

Estavam no quintal da velha casa onde moravam, onde havia se tornado um ponto de lazer e encontro de suas famílias. Os pais terminavam de se arrumar para a viagem. Em breve os chamariam para um segundo Natal na Rússia, e para uma nova aventura.

Você tem meu coração, e nunca seremos de mundos separados

You have my heart, we'll never be worlds apart

Talvez em revistas, mas você ainda será minha estrela

Maybe in magazines, but you'll still be my star

Querido, porque na escuridão

Baby, 'cause in the dark

Você não pode ver carros brilhantes

You can't see shiny cars

E no que você precisar

And that's when you need me there

Com você eu sempre estarei

With you I'll always share

Porque

Because

Quando o sol brilhar, nós brilharemos juntos

When the sun shines, we'll shine together

Eu disse que estarei aqui para sempre

Told you I'll be here forever

Disse que seria sua amiga pra sempre

Said I'll always be your friend

E vou manter essa promessa até o fim

Took an oath, I'ma stick it out 'til the end

Agora está chovendo mais do que nunca

Now that it's raining more than ever

Saiba que ainda teremos um ao outro

Know that we'll still have each other

Você pode ficar debaixo do meu guarda chuva

You can stand under my umbrella

Você pode ficar debaixo do meu guarda-chuva

You can stand under my umbrella, ella, ella, eh, eh, eh

Debaixo do meu guarda-chuva

Under my umbrella, ella, ella, eh, eh, eh

Debaixo do meu guarda-chuva

Under my umbrella, ella, ella, eh, eh, eh

Debaixo do meu guarda-chuva

Under my umbrella, ella, ella, eh, eh, eh, eh, eh, eh

Essas coisas extravagantes nunca ficarão entre nós

These fancy things will never come in between

Você faz parte do meu todo, daqui até o infinito

You're part of my entity, here for infinity

Quando a guerra assumir seu papel

When the world has took its part

E o mundo tiver mostrado suas cartas

When the world has dealt its cards

Se houver algum problema, juntos consertaremos seu coração

If the hand is hard, together we'll mend your heart

Porque

Because

Quando o sol brilhar, nós brilharemos juntos

When the sun shines, we shine together

Te disse que estaria aqui para sempre

Told you I'll be here forever

Disse que seria sua amiga para sempre

Said I'll always be your friend

E vou manter essa promessa até o fim

Took an oath, I'ma stick it out 'til the end

Agora está chovendo mais do que nunca

Now that it's raining more than ever

Saiba que ainda teremos um ao outro

Know that we'll still have each other

Você pode ficar debaixo do meu guarda chuva

You can stand under my umbrella

Você pode ficar debaixo do meu guarda-chuva

You can stand under my umbrella, ella, ella, eh, eh, eh

Debaixo do meu guarda-chuva

Under my umbrella, ella, ella, eh, eh, eh

Debaixo do meu guarda-chuva

Under my umbrella, ella, ella, eh, eh, eh

Debaixo do meu guarda-chuva

Under my umbrella, ella, ella, eh, eh, eh, eh, eh, eh

Está chovendo

It's raining

Ooh, querido, está chovendo

Ooh, baby, it's raining

Você sempre pode vir até mim

You can Always come into me

Vir até mim

Come into me

Está chovendo

It’s raining

Oh, querido, está chovendo

Ooh, baby, it’s raining

Você sempre pode vir até mim

You can Always come into me

Vir até mim

Come into me

Notas finais
Nome da música: Umbrella - Ember Island Eis minha obra. Muito obrigado a todos os leitores. Todos que acompanharam. Espero que tenham se divertido neste meio tempo Agradeço à minha querida leitora keizu que favoritou e acompanhou minha humilde fic! Até a próxima!.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!