Querido amor platônico
1 Porque eu e você seríamos um campo minado.
Querido amor platônico,
Oi. Eu tinha muitas coisas pra te dizer. Muitas coisas mesmo, do tipo que caberiam em um livro. Ou numa ligação, se você tivesse atendido a minha. Ou no meu peito, se não pesassem tanto.
Mas elas pesam.
Eu gostaria de te falar tudo. De te encher de declarações, de florear esse campo minado que seríamos de vãs esperanças. Mas a verdade é que não posso. Não quando você tem um relacionamento sério de status no Facebook. Não quando parece preso a um amor infantil de anos atrás com uma garota que nem é a mesma hoje. Não quando eu nunca conseguiria catar os pedaços do meu emocional de vidro se você o cortasse com palavras afiadas.
Me resta, assim, nessa incapacidade para dizer ao pé do seu ouvido, dizer aqui, para os conjuntos de letras que nunca me julgam:
O seu sorriso é lindo. Sim, essa é uma frase clichê. Mas ele realmente é porque em boa parte das vezes significa que você está feliz de verdade. E é tão bom te ver feliz. Mesmo que me doa não ser o motivo pra isso.
Há aquelas outras vezes, entretanto, que o sorriso é meio vazio, meio sarcástico, meio dolorido e leva de companhia uma daquelas frases de auto depreciação que você adora soltar por aí. Eu também já cheguei a despeja-las e sei muito bem que isso não passa de uma única coisa: sabotagem, pura e simplesmente.
E poxa, às vezes parece que seu maior passatempo é se sabotar: falta aulas, chega atrasado quase sempre (quando não chega é porque ou eu te enchi o saco ou vai ter prova e aí outros amigos teus te encheram. Será que você ainda se lembra do que é lutar por si mesmo?), esconde os cachinhos embaixo do boné, joga truco bem mais do que pega no caderno, namora uma menina a distância (E shiu!, porque relacionamentos a distância são naturalmente complicados e ‘cê sabe disso!), reclama, reclama e reclama, diz que nunca vai alcançar nada, mas nem mesmo estende o braço pra tentar.
E você poderia.
Poderia prender nas mãos as estrelas que ficam no topo do céu, se não estivesse com tanto receio do breu ao redor.
Da sua admiradora
(Nem tão) secreta assim
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