Notas iniciais
Er... não sei o que dizer mas... Voltei, é isso, hehehe... espera um pouco *se esconde atrás das crianças* agora sim, já podem jogar pedradas hehehehe Pronto, é sério. Uma dica: quando está em itálico, quer dizer que é presente. É isso, boa leitura!

Sexta feira, 4 de abril

19:04

Querido Vinicius,

Opa! Tem calma, não era preciso retrucar logo com “Querido Vinicius uma ova!”. Deixa-me continuar assim você vai perceber tudinho, prometo.

Bem, porquê eu sumi? Simples, porque quis.

“Então vai pro….” Ei, ei, eu estava zoando. Por que tens de ficar sempre nervoso? Assim você vai acabar se engravidando pelo homem chamado Nervoso. Haha, entendeu a piada? Não?

Ok, vamos direto ao ponto:

Sumi porque quis que você sentisse minha falta mas foda-se se não sentiu, vim aqui para te incomodar mesmo.

Sim, eu te amo muito que nem imaginas então calado.

Então, sumi porque fiquei muito amigo do Pedro, acredite. Não estou a mentir, fiquei mesmo muito amigo dele como se a gente conhecia há anos mas não lembramos onde e como. Aposto que era do outro mundo, sabes? As vidas passadas? É provavelmente que seja, tem lógica não acha?

Como fiquei muito amigo do Pedro? Bem, não esperava nada disso que eu e ele tivéssemos tanta coisa em comum. Ele é amante da fotografia e eu também, por isso eu e ele somos muito observadores à nossa volta. Ele tem um irmãozinho pequeno que frequenta a mesma escolinha da minha priminha. Então a gente sempre combina para irmos buscar os nossos pequeninhos, por isso ficamos mais amigos do que já estávamos.

Sim, eu tenho uma priminha fofinha e um primo chato que vivem aqui na casa, afinal são filhos da minha tia que nos deu abrigo gentilmente à mim e ao meu irmão.

Minha mãe já tinha falecido há seis anos e já isso não me dói mais. Passei por muitas dificuldades sem minha mãe porque eu era menino da mamãe. Engraçado, estou a recordar uns momentos maravilhosos mas realmente era uma pena que nunca vão voltar assim como antes. É a vida, não é?

E o meu pai? Ah, sim. Ele é do exército. Um Tenente de uma tropa, não sei se era para ficar orgulhoso ou desiludido. Tenho um orgulho de ter um pai poderoso mas ele mata as pessoas, eu não gosto disso. Eu sei que eles estão a fazer isso para proteger do país mas devia ter outra coisa além de matar, isso não resolveria nada senão a guerra nunca acaba… né?

Mas enfim… continuando:

Quando a minha mãe morreu pelo câncer na barriga, meu pai não tinha escolha a não ser que nos deixar na casa da sua irmã. A partir daí, a tia Marta ficou nos cuidando com muito carinho e amor. Eu gosto mesmo dele porém às vezes ela me assusta porque nos trata como se fossemos seus filhos biológicos (eu e meu irmão).

Antes de eu viver na casa da tia, lembro que a minha priminha tinha uma mania de ter medo de mim toda a hora e corria para a tia, gritando que eu era assustador. Ué, eu? Assustador? Onde? Mas, agora, a Maria já não tem mais medo de mim depois de começar a viver com eles, vivia sorrindo na minha frente. Às vezes, chorava quando tinha pesadelos à noite e me chamava para eu ir dormir com ela. Odeia o meu irmão, não sei por quê. Fiz tantas perguntas à ela e nada era resposta adequada: “Homi ruim!” e o meu irmão vivia gargalhando como se isso nada o afetasse. Sinceramente, é como se fosse minha irmã, é muito estranho esse sentimento fraternal…

Enfim…

Sabias que o Pedro vivia me ligando pelo celular?

De repente, seu celular começou a tocar ao seu lado.

Olha só… Adivinha quem está me ligando agora, Vini? O toque do meu celular é do LMFAO – I’m sexy and i know it. Isso mesmo, essa música fica tão bem com Pedro, né?

Finalmente, atendi o celular e…

― Maldito! Demoraste tanto para atender, estavas a bater punheta, é isso? – gritou a voz outro lado da linha e deu uma gargalhada seca. Ouviu o meu “humpf” como uma resposta e continuou, desta vez, em voz séria. – Posso pedir-te um favor?

Oh, não. O que seria?

― Diz lá.

― Podes cuidar o meu irmãozinho por umas horas?

― Hã? Porquê?

― Tenho um compromisso, os meus pais estão a trabalhar e só chegam às onze da noite e não tenho ninguém para cuidá-lo a não ser você – explicou com toda a clareza e, senti a impressão que ele deixou escapar um sorriso amarelo, implorou. – Aceita, eu não tenho muito tempo!

― Está bem, a que horas vens? – realmente não pensei duas vezes depois de ouvir a voz desesperada dele.

― Olha para a janela, tens de ver algo engraçado.

Ergui a sobrancelha e obedeci, olhei para a janela e petrifiquei logo.

― E aí! – gritou ele ao me ver através da janela, abrindo um sorriso rasgado.

Alguns minutos depois…

― Eu estarei de volta às oito e meia para aí mas eu ligo-te, sabes.

― Sim, vai te embora.

Ele sorriu de canto e saiu disparado, desaparecendo da vista.

Fechei a porta e virei-me, suspirando, deparando à frente da criatura pequena. Possuí cabelos ruivos como o seu irmão mais velho e desgrenhados, seus olhos grandes e azuis me fitavam com pura inocência e sua pele pálida apresenta algumas sardas. O pequeno colocou seu indicador na sua boca e perguntou-me com voz doce:

― Tem comida?

Sorri, ajoelhei-me perante a criatura fofa e afaguei os cabelos dele.

― Mas é claro que sim, Miguel.

Desculpa, Vini. Fui atender aquele demônio chamado Pedro e ele me pediu para cuidar o seu irmãozinho, o Miguel. Sabias que ele é uma fofura? Depois coloco a foto

O quê? O Pedro? Ah… mas…

Ok, mas já reparaste que a relação entre mim e dele ficou mais calmo? Foi a magia dos nossos pequeninhos que nos equilibraram a relação com sua inocência. Por isso, já não tenho tanta raiva por ele como antes e ele já não me debocha como antes… Na verdade, ele continua a debochar comigo quando quer. (SEMPRE!)

Vini, vamos parar de falar sobre o Pedro. Só de falar sobre ele já me dá náuseas.

― Rodi! Rodi! – gritou a voz, era o Miguel me chamando.

O Miguel está a me chamar, é provável que volto mais tarde então… até mais!

Corri para onde vinha a voz e cheguei a cozinha, deparando a cena cómica:

Miguel e Maria, sujos com poeira da farinha, me olhavam como se estivessem cometendo um crime. Miguel tentava sacudir a roupa mas isso provocou os espirros da Maria.

Abri um sorriso entre lábios, sai da cozinha e apareci de novo com celular na mão.

― Vou tirar uma foto – falei com sorrisinho e o Miguel abriu muito os olhos. – Não, não vou mostrar para o seu irmão.

Apressei a abrir o celular antes que mudassem a ideia. A Maria exibiu o seu sorriso tímido e o Miguel franziu os olhos, inexpressivo (ele não gosta de fotografias mas sempre cede quando eu quero).

Click.

― Pronto, está uma graça – falei todo orgulhoso e mostrei para os pequenos.

― Estou feia! – exclamou a Maria, olhei para ela, indignado, e abanei a cabeça.

Miguel não disse nada apenas olhou e deu de ombros.

Fechei o meu celular e ouvi alguém se aproximando, aparecendo na porta da cozinha.

― Que porra?

― Olá, Mário – cumprimentei num olhar fuzilante. – Quem te permitiu para falares palavrões?

Mário ergueu a sobrancelha, seus olhos castanhos imediatamente se fixaram na Maria e começou a gargalhar de leve.

― Odeio-te! – gritou Maria toda ruborizada. Mário nada disse apenas continuou a gargalhar.

Suspirei, terei um trabalhão para dar banho à eles.

22:11

Ah, Vini… Estou tão cansado, dei um banho ao Miguel e Maria, eles se sujaram com a farinha. Eu tirei a foto e está uma gracinha! Prometi ao Miguel que não iria mostrar ao Pedro.

Sim, Vini. Ele veio buscar o Miguel, sabias que ele estava todo feliz?

Aposto que se arranjou uma namorada finalmente. Ele vivia na cola no meu sapato e espero que fique mais longe de mim desta vez.

Quando ele chegou, eu apareci junto com Miguel que ficava toda a vez triste quando iria embora. Não sei porquê.

Pedro não parava de sorrir na minha frente, sinceramente fiquei irritado e cuspi. Não cuspi com minha saliva, vomitei com palavras, Vini.

― Pedro, é primeira vez que te vejo tão feliz.

― É tão óbvio?

― Sim, arranjaste uma namorada?

Pedro sorriu de canto, me olhando fixamente.

― Não sei, mas não estamos com pressa.

― Ah, sim – desviei o olhar, incomodado. – Aqui tem o Miguel.

Miguel me olhou confuso e foi até ao Pedro, agarrou a mão do irmão e voltou a me olhar, curioso.

― Bem, vou indo. Obrigado por tudo, Rodrigo – Pedro sorriu, aproximou-se de mim nos ouvidos e sussurrou em tom de deboche. – Seu ciúme é lindo.

Admito que fiquei quente do nada quando ele me disse. Tive de esforçar para guardar os palavrões para o Miguel não se assustar. Não sabes o quanto foi difícil.

― Pira-te daqui – rosnei enquanto Pedro sorria com escárnio e depois olhei para o Miguel que ruborizava de leve. – Tenha juízo, sim? Se queres visitar-me e com Maria, pede ao Pedro quando quiseres. Minha casa é sua casa – e sorri abertamente, esfregando de leve na cabeça do pequeno.

Miguel abanou a cabeça, abrindo um sorriso dócil e fiquei encantando. Ouvi um “humpf” vindo do Pedro, apenas ignorei e lancei o olhar que só o Pedro entenderia.

Sim, Vini, mandei ele ir embora logo. Era aquele olhar “vai-te embora, tu me incomodas” e ele se foi. Acenei para o Miguel que acenava também.

Maria estava na borda da porta, olhava para eles com olhos lacrimejados e olhei para ela, eu tinha entendido tudo.

Então, era isso. Vini! Ela está apaixonada por um deles mas aposto que é o Miguel. Ele ficava triste toda a hora quando iria embora.

Os dois estão apaixonados! Isso é muito bom, não achas?

“Foda-se”, opa, mas que merda, Vinicius. Não és nada delicado.

Bem, vou ter que ir dormir. Tenho um encontro com uma menina que recentemente a conheci. Eu vou contar tudo amanhã, Vini.

Ok, podes continuar a chingar, vou te ignorar e ir dormir.

Até mais!

Notas finais
Espero que tenham gostado, se tiver os erros, apontem pra eu atualizar. Não vou demorar a postar o próximo... Também tou a escrever os meus outros fanfics "Fora da lei" e "O Pequeno Paciente". Ambos estão em hiatus mas continuo a escrever e pensar como deve ser o final e essas coisas, sabem? É complicado então peço-vos que me compreendam e ser pacientes. Obrigada e feliz ano novo! :3