Notas iniciais
Que título do capítulo emo! Enfim, vão entender o porquê. u.u Boa leitura! :3

Sábado, 8 de fevereiro

02:01

Querido Vinicius,

Meus ouvidos estão a zumbir, ouvir os sermões do meu irmão é muito pior do que cagar na sanita sem papel higiênico.

Gritou-me por mais de duas horas maravilhosas, como ele consegue manter aquela voz alta por muito tempo? Deve estar bem ferrada na garganta dele agora, bem feito (espero que ele fique sem fala por uma semana inteira, assim posso sossegar sem ouvir sua voz implicante nem minhas aulas, meu querido irmão).

Vês como é o amor entre eu e o meu irmão? Muito encantador este amor.

Desculpe te enrolar, agora estou estranhamente misericordioso contigo. Se prepare pois você nunca está acostumado com minha gentileza.

Então, cá vai…

Ontem, como sempre, fui ao “inferno” e sentei-me a habitual cadeira que fica ao lado do Gustavo, aquele estúpido sem escrúpulos. Fiquei a olhar para janela que fica no outro lado, observando as pessoas que jogavam ali no fundo e alguns vagabundeavam.

Não prestei muita atenção do que Gustavo tagarelava, portanto pensei no ruivo misterioso que apareceu de repente para impedir o meu homicídio que estava a prestes a acontecer com o rei e, depois, roubou a minha barra de ferro mas ganhei numa corrida que ele propôs. Infelizmente, ele tinha mais uma manga guardada e mostrou o meu diário na minha frente!

Que pessoa terrível, Vini. E você adorou ser domado.

Calado!

Bom, tocou a campainha e não demorou muito para aparecer meu professor (meu irmão chato) e, com rosto muito sério, colocou os livros em cima da sua mesa enquanto esperava o resto dos alunos cessarem e sentarem.

― Bom dia – cumprimentou ele, num sorriso forçado. – Temos uma novidade… Como vocês sabem que um aluno transferido vem para aqui então se preparem pois não quero piadinhas na minha frente.

Foi até a porta e abriu para deixar um espaço para que o aluno transferido entrasse.

Sabes o que aconteceu?

Entrei em erupção quando o vi, era ele!

O garoto alto e, com sorriso debochado, estava agora na minha frente. Ele tinha uma mão do professor no seu ombro enquanto falava num tom duro:

― Chama-se Pedro G. Pereira, o vosso mais novo colega. Para a vossa informação, ele pode ser jovem e alto mais é um repetente, isto é, ele é mais velho que todos vocês – avisou no meio do sorriso, dando umas leves palmadas nas costas do Pedro que revirou os olhos, com sorriso sarcástico.

Senti as minhas faces queimarem de fúria, tentei alterar o meu rosto mas nada adiantou. Pedro percebeu, deu uma rápida olhada em mim e sorriu com deboche junto com o brilho nos olhos azulados, fingindo que não me conhecida.

Estás vendo, Vini? Ele adora me provocar só que não mostra. Esse maldito…

― Ei, Rodri – Gustavo me chamou num sussurro. Desviei e fiquei olhando para ele, com olhar interrogativo. – Como eu te conheço faz alguns anos, tenho uma leve impressão que você conhece este ruivo – apressou, sorrindo amarelo.

Mas é claro, quem não iria notar a minha expressão retorcida perante o ruivo? Vinicius, ainda bem que tem paciência dos santos com ele. Não suportaria se Pedro aliasse com Gustavo, era como uma mina debaixo da terra e, se eles falassem alguma merda, simplesmente explodirá em um segundo.

Ignorei o Gustavo que bufou baixinho, observei que Pedro estava sussurrando algo no ouvido dele e depois foi para a mesa do qual estava vazia. Essa mesa… fica mesmo atrás de mim!

Tentei ignorar o Pedro o máximo possível mas senti algo cutucando nas minhas costas e virei-me, irritado.

Num súbito momento, algo estava bloqueando nos meus olhos e afastei com a minha mão, irritado. Mas, ao contemplar melhor, arregalei os olhos e o sorriso botou nos meus lábios.

Pedro ficou perplexo com a minha mudança rápida da expressão, abanou a cabeça e sussurrou num riso:

― Você é estranho, é apenas um diário.

Estufei o peito, ofendido. Ele falou de mal de você! E agora, Vinicius?

― Cala a boca – rosnei, apanhando o meu diário com certa ansia e abracei com muito amor.

Sim, eu te abracei. Eu te amo, Vinicius.

Não me amas? Tudo bem, fica mais fácil até chegar um dia que eu quiser te jogar no fogo, hunf.

Gustavo me olhou curioso, parecia querer saber de que relação tenho com ele.

Mas, como sempre, ignorei-o.

Admito que fiquei com medo da ideia de que o Pedro leu algo em você…

Ele leu em você? Vamos ver.

Tive de escrever num papel pois o professor mandou todos calarem-se e para prestarem a atenção na sua aula.

“Você leu algo no meu diário?” Escrevi, dobrei o papel e, depois, quando o professor ficou de costas para a gente, coloquei em cima da mesa do Pedro rapidamente. Fingindo que estava a prestar atenção do que o professor dizia.

Alguns minutos depois, vi o papel dobrado caindo em cima de mim como se fosse a neve. Não me importei, peguei e li:

“Não leria o diário de um ‘emo’ como você.”

Virei o pescoço em cima do meu ombro, fitando o Pedro perigosamente. Ele soltou o sorriso de escárnio e troquei as mensagens telepáticas com ele. Parecíamos que entendíamos mesmo sem falarmos. Isso foi bizarro, Vinicius.

Depois de aula terminar, o meu maior medo surgiu finalmente.

Queres saber, Vinicius? É uma notícia ruim, muito ruim e até já esperava disso.

Gustavo e Pedro tornaram-se íntimos.

Meu mundo desmoronou-se junto com a notícia.

Adeus, Vinicius, não aguento mais viver nesse mundo cruel.

Não me impeça, me deixa partir de uma vez.

O quê? Queres que vá logo? Quanto amor!

Muito bem, vou mesmo. Eu vou mesmo, eu vou me embora!

Adeus, mundo cruel!

Notas finais
É mesmo, tbm n aguento mais viver nesse mundo cruel! Dizem que vão arranjar o pc mas nunca chegam a fazer! Mas é melhor assim, poderei escrever assim do que ficar sem pc e-e Enfim, espero que tenham gostado. Beijos.