Notas iniciais
:3

Helena sentiu raiva, inexplicavelmente, raiva.

Raiva essa que a fez andar, quase que desfilando.

Quase riu, dos rostos incrédulos de Christopher e Santiago. E da surpresa de Marie.

Esticou-se um pouco e apoiou-se no ombro de Christopher, sorriu lhe dando um beijo no rosto.

—Desculpem o atraso. Bem, eu sou Helena, a Alguém, que está com Christopher a uns três meses

Helena

O Rosto de Marie se contorceu em um sorriso, e se iluminou como uma estrela.

—Não creio!

A mulher levantou-se em passos rápidos, lhe dando um abraço apertado.

—Uma Nora!

Santiago parecia ter levado meia dúzia de tapas na cara. Não só pela raiva, mas pela cor avermelhada também.

—Cunhada? Você?

A risada irônica do loiro fez Christopher acordar da espécie de “Transe” que havia entrado. Ele sorriu, ainda surpreso.

—Desculpe não ter mandado fazerem o jantar. —Ela ignorou os irmãos, focando na senhora maravilhada— Queria eu mesma fazer, ganhar uns pontos com a sogrinha, sabe?

Ela riu, balançando os cabelos castanhos. Marie não deixou de rir também.

—Espera, você sabia que eu chegava hoje?

—Claro. —Helena sorriu. — Me arrumei quase a tarde inteira para isso.

—Então vocês estão juntos a mais de três meses!

Christopher tossiu, pedindo a um dos garçons que trouxesse champanhe.

Para ele, já que Helena comandava a cena com facilidade.

—Sim, mas ele só me pediu em namoro mesmo a três meses e dezessete dias. Falando nisso, não tem nenhuma foto de Chris bebê?

Marie parecia que iria chorar. A Senhora da sociedade tinha os olhos brilhantes.

—Mas é Claro!

E puxou sua nova nora para o sofá, enquanto pegava o celular e abria o álbum. Christopher sentiu o alarme de alerta, correndo atrás da suposta namorada e a puxando contra si.

—Nananinanão. Minha mãe, a senhora não sabe como essa coisa é maquiavélica. É bem capaz de tirar milhões de fotos e espalhar pela casa...

Helena, que estava de costas para Christopher, virou-se de frente para ele. Colocando o dedo indicador em seus lábios.

—Calado. —Ela riu, acompanhando a risada de Marie.

Santiago, que parecia ter se escondido, voltou. Com a taça transbordando de Martini, sentou-se ao lado da Mãe.

Helena entrelaçou os dedos com Christopher, e o puxou para o sofá. Sentado-se ao lado, com as pernas cruzadas.

A menina pegou uma taça, de alguma bebida que não soube identificar. Foi atraída pelo abacaxi em fatias, que a decorava. Santiago chacoalhava a perna em pleno estado de nervosismo, mas quem se pronunciou foi Christopher.

—O que mandou fazer para o jantar, minha mãe?

—Ah, sim. Macarrão à Bolognesi. Óbvio, estamos na Itália!

—Me diga que a senhora sabe fazer pizza! —Os olhos de Helena brilharam.

—É claro que sabe. —Santiago comentou, mal humorado— Ela é pura italiana.

Marie deu um tapa no filho.

—Uma de minhas especialidades.

Helena virou para Christopher.

—Como você consegue manter a dieta?

—Porque ela vive viajando. —Ele riu, pela primeira vez com sinceridade.

Quando a coreana iria responder, avisaram que o jantar já estava à mesa. Christopher a rodopiou e seguiram para a sala de jantar.

Sentou-se ele a ponta. Com a menina à direita e a mãe à esquerda. Santiago sentou-se a contragosto ao lado de Marie.

—Que bebida é essa? —Sussurrou a menina, confusa, para Christopher.

—Saquê de Abacaxi. É Japonês. —Ele sussurrou em resposta.

Nem perceberam, que o mais novo estava atento.

—Pergunte como eles se conheceram, mamãe. —Tomou mais uma dose, agora de whisky. Aceitando a oportunidade de jogar a farsa à mesa.

—Isso! —Ela virou-se para os dois— Como se conheceram?

Christopher ficou branco.

—No Aeroporto! —Disseram juntos. Pela graça de Deus.

—Como assim? —A senhora ignorou a etiqueta, apoiando-se na mesa.

Helena piscou três vezes,terminando em um sorriso.

—Tudo começou em um aeroporto.

Nesse instante, Santiago começou a sorrir, preparando-se para sacar a arma e acabar com a menina ali mesmo.

Enquanto Christopher se alternava entre brincar com a faca em seu prato, e olhar de Helena para ele.

A Ameaça constante entre os irmãos não foi notada, até a menina continuar a fala.

—“Eu queria fazer uma escala. Saí da Coréia do Sul, iria fazer escala aqui para ir à Escócia, quando, por ironia do destino, tudo aconteceu. —Marie estava atenta. Christopher e Santiago, preparados para o embate— Parei em uma cafeteria. Sentei-me próxima a porta. Quando ele entrou. Na hora, o que mais me chamou a atenção foram os olhos.”

Ambos relaxaram.

Nesse momento, ela desvia a atenção de Marie, olhando fixamente para Christopher. E, com um sorriso, continuou.

—Os olhos eram tão azuis e puros. Que me prendi ali. Passavam um misto de nervosismo e responsabilidade. Um mistério que eu adoraria resolver. Soube na hora que ele era alguém perigoso, só pelo cabelo.

Ela riu, desviando o olhar para baixo. Marie sorriu.

—Pelo cabelo?

—Sim. —A menina tocou no tão arrumado penteado— Os fios pareciam temer sair do lugar. A postura tão impecável...demonstrava que ele não admitia nem os próprios erros. —Ela parou de bagunçar o cabelo de seu “namorado”. Focando em seu rosto novamente— Naquele instante, não fiquei assustada, como queriam que eu ficasse..Mas maravilhada. Já que até mesmo as piores coisas da vida, podem ser lindas.

—Meu Filho? Perigoso? —Marie riu— Ele não machuca nem uma formiga! Mas prossiga..o que aconteceu depois disso?

—Ele sentou-se na minha frente. No início, jurava que eu era uma tal de Isabel, acho que alguém bebeu muito aquele dia. —Ela riu, brincando com os dedos de seu seqüestrador. — Mas quando soube quem eu era, acho que quis se desculpar. Me pagou um café e me passou seu número. Depois...bem, a senhora deve imaginar. Conversas daqui e de lá. Estamos juntos até hoje.

Christopher Ficou paralisado com tais palavras. Jamais antes alguém o descrevera tão bem.

Mas afastou tais pensamentos, apenas sorrindo para continuar a encenação.

—Que história...linda!

—E chata. —Murmurou Santiago— Eu deveria saber disso, se é assim tão antiga.

—Saberia se estivesse acordado em algum momento do dia. —Retrucou Christopher.

—Você fala como se fosse meu pai.

—Se eu fosse teria te batido há muito tempo já.

Helena levantou-se bruscamente.

—Chega vocês dois! Meu Deus! Parecem cão e gato, não param quietos!

—Quem você acha que é para falar assim comigo garota? —Santiago

—Alguém que tem razão. —Marie levantou-se. E Helena entendeu de onde vinha o tom frio de Christopher. — Cale a Boca Santiago, deixe de ser tão mal amado.

—Eu? Mal Amado? Faça-me um favor! Essa desqualificada chega, e já rouba as atenções. Bem que essa menina aí deveria ficar em um cativeiro! Ser seqüestrada e sofrer, e não fic...

—Basta! Já Para casa Santiago! —Marie estava vermelha, com ar de raiva mais que exposta. — Eu iria para sua casa, mas pelo jeito. Você não vai dormir em casa.

A senhora cruzou os braços. Santiago ia perdendo a cor, conforme os seguranças de Christopher apareciam.

—O quê? Não..eu to bem. Eu não usei nada hoje!

Marie tinha um olhar severo quando se aproximou do filho.

—Você pode dizer o que quiser, mas eu vi. Pensei que dessa vez fosse coisa leve.

Quando ela deu às costas, Santiago se debateu sacando a arma que estava posta em sua cintura. Inconscientemente, Christopher empurrou Helena para trás dele.

—Larga isso Santiago.

—Ou o que? Você vai fazer o que? Cortar minha mesadinha irmãozinho? O que eu quero é que você passe essa Pe..

Ele não terminou a frase, a própria mãe lhe injetou alguma coisa, e em seguida fechou a bolsa.

—Desculpe, querida. Santiago começou cedo nas drogas, no início o pai dele dizia que era normal, mas a situação foi fugindo do controle. Começou a vender nossos carros, suas roupas, relógios e roubar minhas jóias. Quando passou a querer pegar fundos da empresa, meu falecido marido resolveu tomar uma providência. O internou por cerca de três anos e meio,quando ele morreu e Christopher assumiu a presidência. Depois disso,ele não quer voltar.

Christopher adotou a postura séria novamente.

—Eu já disse que poderia dar um jeito nisso. Ele não precisa querer para que eu o faça ir.

Marie balançou a cabeça, em negação.

—Já disse, não vamos simplesmente seqüestrar teu irmão.

—Não é seqüestro. —Ele deu de ombros— É estadia sem autorização.

Marie riu, nervosa.

—Você sabe o que penso sobre isso. Independente de ser uma clínica bonita, de luxo. Se seu irmão não quiser, é seqüestro. É crime. Cativeiro ou mansão é a mesma cela.

Helena e Christopher trocaram olhares.

A menina sorriu.

—Mas passou. Eu sei, é uma decisão difícil, principalmente para uma mãe tão dedicada. Mas ás vezes precisa pensar no que é melhor para ele, e não o que ele quer.

A senhora sorriu, com ar pesado e melancólico.

—É, eu sei. Vou deitar-me no seu quarto de hóspede, meu filho.

—NÃO! Espera!

Christopher praticamente gritara. A mãe lhe olhou assustada.

—O que foi?

—A senhora precisa assinar os documentos de Santiago, para, sabe, a internação.

—Ah, sim. Por uma noite, ou três meses? —Ia fechando a porta enquanto descia as escadas.

Quando a porta bateu, Helena virou-se para ele desesperada.

—O quarto de hóspedes não é o meu?!

—Sim! Empregados! Tirem as coisas dela de lá. Agora!

—Tá demente, e onde eu vou dormir?

—Comigo, oras.

Quando a morena iria retrucar, voltou a mãe com o ar mais tristonho possível, mas alegrou-se ao ver o filho junto a menina.

—Você é meu orgulho. —Disse, cansada. — Mal posso esperar para ter netinhos, de vocês.

Helena sorriu.

—Se saírem com os olhos do teu filho, estão feitos na vida.

Ela riu, retomando o brilho no olhar.

—E o seu cabelo, cheio de cachinhos.

—Sim! E se for uma menina, com esse cabelo liso...

—Será que vocês duas podem parar de me assustar?

—Só planos, meu querido. —Bocejou a senhora— Vou sonhar com essas crianças pela casa. Faça o mesmo, se dormir.

Ela riu, Christopher e Helena ficaram tão vermelhos quanto morangos.

Quando a porta ecoou o trancar, a menina virou-se para o falso namorado.

—Eu fico com a parede!

—O que? —Ele virou-se surpreso— A parede minha!

—Não se eu chegar primeiro! —Deu língua

E correu a coreana. Atirando-se na cama.

O quarto era enorme. Arriscava dizer que era maior que a própria sala de jantar. A cama, em madeira marfim, com colcha em marrom escuro, e edredom claro com listras alternando-se em tons de preto e branco. Dois travesseiros grandes, pretos. E duas almofadas cor creme. Não havia lado ao lado da parede: A cama — Gigantesca, por questão — Ficava entre dois criado-mudos. Cujo um possuía um abajur metalizado, e outro um vaso negro, sem flores. Ao lado de dois livros empilhados, sobre administração.

Ao lado do abajur, tinha A Janela. Talvez com a vista quase mais bela que ela pudesse ter visto. Com toda a extensão da cidade em luzes que piscavam com a vida agitada da população.

A janela ia até o banheiro, em uma espécie de corredor formado entre a vista e outra parede, que de frente para porta, tinha uma televisão plana, alguns quadros, e criado-mudo grande.

Sobre um tapete de pluma negra e branca, duas cadeiras marrons — De rodopiar, enfatizou Helena— Estavam lado a lado. Doutro lado do quarto, Um espaço para porta — Mas estava sem a porta — levava ao que parecia o closet. Que estava ao lado de uma lareira apagada.

Próximo a porta, uma espécie de escultura sem forma.

Ela sentou-se à cama.

Christopher apoiou-se na porta.

—Mas você corre rápido, hem?

—Era o lado da parede, querido. Mas não tem lado na parede. —Ela fez biquinho.

—Pode ficar com o lado dos livros. —Ele riu— É mais escurinho.

Ela sorriu.

—Vou me trocar.

Enquanto ela foi para o banheiro, ele trocou-se no closet. Quando saiu, ela já estava deitada e coberta. Levemente vermelha.

—Ei.

—Que foi? —Ele estava de Robe azulado. E shorts e regata masculina.

—Tira a roupa.

—Quê? —Ele engasgou com o próprio ar.

Helena começou a rir.

—Calma, só estou brincando. Você sabe, pode ser interessante realizar o sonho da sua mãe.

Ele perdeu a cor.

—Estou brincando, vem deitar vem.

Quando ele acomodou-se, sentiu a pele macia dela, leve e rapidamente. Foram pequenos choques de eletricidade correndo seu corpo.

Apagou a Luz.

—Helena?

—Hã?

—Obrigado.

Ela remexeu-se um pouco.

—Por...?

—Por ter feito isso, ter me ajudado com minha mãe.

Ele não a via, mas tinha certeza que a menina sorriu.

—Considere como um dever que meu seqüestrador me deve.

Ele pensou.

Passaram-se três minutos.

—Ah...e obrigado por ter inventado toda aquela história sobre como nos conhecemos. Você é boa com isso.

A respiração descia e subia. Ele quase jurava que ela já dormira, quando escutou algo como um sussurro sonolento.

—Eu não inventei nada.

Notas finais
:)