Querido Sequestrador
1 Erros.
Notas iniciais
Helena descia a escada. Seu vôo havia sido cansativo.
Doutro lado do aeroporto,Isabel permitia que os saltos ecoassem enquanto caminhava despreocupadamente.
Helena virou a esquerda em um vaso de planta,a sapatilha silenciosa.
Isabel falava ao celular,ao virar a direita em uma loja de lembranças.
As duas passaram lado a lado.
Isabel possuía um cabelo loiro,até os ombros. Levemente ondulado,balançava a cada passo.
Helena,longas madeixas castanho escuro. Com alguns cachos moldados.
Passaram próximas. Tão próximas,e tão distantes. Aquela tarde,naquele aeroporto,tudo mudaria.
Talvez o erro de Isabel tenha sido usar óculos escuros.
Talvez o erro de Helena tenha sido voar aquele dia.
Após passarem uma pela outra,Isabel chamou o elevador.
Helena,pegou rumo pela escada.
Porém,a loira entrou no cubículo,e desceu para o estacionamento.
Já a morena,abriu a porta,e já não viu mais nada.
Helena
Quando a jovem finalmente abriu os olhos,notou três terríveis coisas:
Primeiramente,estava sentada em uma cadeira,amarrada e amordaçada.
Segundamente,o local onde estava era escuro. A única luz que vinha era das frestas da persiana fechada.
E,por fim,haviam dois homens fortes que a observavam cuidadosamente.
Um estava apoiado a parede. Musculoso,de cabelo desgrenhado e olhos castanhos,brincava com um canivete.
O outro,digitava no Celular. A luz do aparelho revelava o rosto pálido,o cabelo louro e olhos azuis. Também malhado,nem percebeu que a menina acordara.
Helena suspirou. Olhando para o teto,passou a cantar mentalmente.
“Eu nunca fiz questão de estar aqui,
Muito menos participar,
E ainda acho que o meu cotidiano,
Vai me largar.”
Interrompeu-se quando a porta abriu-se num estrondo. Assustando até mesmo os homens que sequer a olhavam.
O olhar de Helena nunca ficou tão fixo ao olhar de alguém.
Ele...era alto,e estranhamente,algo nele lhe chamava a atenção.
Os cabelos negros,tão bem arrumados. Como se os fios temessem sair do lugar. O porte elegante. Viril. Os olhos eram tão azuis quanto os do loiro,mas havia algo mais,por trás de tudo aquilo.
Ele a olhou de cima em baixo. Depois voltou a seus olhos. Por um breve instante,parecia que o mundo havia desaparecido.
Até o que até então mexia no celular,se pronunciar.
—Haha. Chris. Consegui. Eu e Bulldog a capturamos hoje.
“Chris” pôs as mãos na cabeça. Suas seguintes palavras foram um misto de raiva e decepção — Quase como alguém que iria atirar em um sorveteiro por não ter seu sabor favorito.
—Aonde?
—No Aeroporto. Exatamente como você mandou. Chefia. —Bulldog tinha a voz engraçadamente fina para alguém de seu tamanho. O que fez Helena começar a rir,descontroladamente.
O riso fez “Chris” caminhar até ela,e,sem a mínima delicadeza arrancar a mordaça.
Agora,Sem o pano sobre sua boca,a menina riu mais a vontade ainda — Mesmo com os três lhe observando.
Quando enfim terminou, suspirou, Inspirou. Respirou,e,enfim falou.
—Oi!
Chris arqueou a sobrancelha.
—Oi?
Ela sorriu.
—Oi!
—Essa menina é doida? —Bulldog. Ela voltou a rir. Parando mais rapidamente dessa vez.
—Não sabia que o Boa Noite cinderela tinha efeito mental. —Loiro.
—Por que não tem Idiota. —Chris respondeu. Bufando. — Ta rindo de quê garota?
—Nada não.
Ele revirou os olhos. Por dois minutos ficou tudo em silêncio. Até ele se pronunciar novamente.
—Não vai chorar? Gritar? Perguntar?
Ela lhe fitou.
—É o que você quer?
—Sim.
Helena sorriu.
—Então não.
Ele a olhou como se aquilo fosse inacreditável.
—Eu posso fazer essazinha chorar. —Bulldog— E nem vai ser difícil.
—Chorar só se for de rir né? —Ela retrucou. — Essa voz de Pato Donald rouco?
Chris interrompeu o assunto. Virando-se para ela.
—Quando pintou os cabelos?
—Quando eu o quê? Meu filho,não faria isso nem morta.
—Posso adiantar a parte do morta, se quiser. —O loiro sorriu diabólico.
—Cala a boca Santiago. —O moreno abaixou-se,até ficar na mesma altura que ela.
—Como vão as coisas na Inglaterra?
A menina espremeu os olhos.
—Sei lá?
Chris levantou-se. Como se finalmente entendesse a charada.
Virou-se para os comparsas.
—Santiago. Bulldog. Acho que precisamos ter uma conversinha.
Christopher
Quando a porta bateu,ele andou de um lado para o outro.
Por um lado,lembrava dos olhos tão penetrantes daquela menina. Que com toda e absoluta certeza,não era Isabel.
—Vocês dois são duas mulas! Duas bestas! Dois otários!
—Calma irmãozinho. —Santiago riu. — O que é que aconteceu?
Christopher o empurrou com força contra a parede. O prendendo pelo Pescoço.
—Vocês. Pegaram. A. Garota. Errada.
Santiago perdeu a cor. Ele o soltou.
—Isso é impossível Chefia. —Bulldog— Seguimos todas as descrições.
—Ah,é mesmo? —Christopher gritou— Os olhos de Isabel não eram Castanhos? Ela não é o estilo Perua da realeza? Ela não é loura?!
Os dois engoliram em seco. Ele massageou as têmporas.
—Eu não sei quem é essa garota que vocês pegaram. Mas não tem como simplesmente devolver-la.
—Tem sim. —Santiago riu. Safado. — Eu me divirto com ela um pouquinho. Depois eu me livro dela em algum matagal por ai.
—Você é um doente mental,vamos deixar isso claro. —Christopher parecia preparado para explodir a qualquer momento. —Não quero que você se aproxime dela. E espero que não precise repetir isso.
—Somos irmãos. —Ele retrucou— Também tenho autoridade por aqui.
O outro virou-se.
—Quer mesmo me desafiar Santiago? Não sabe o significado de “Não”?
—Se eu quiser,eu faço o que bem entender da garota.
—Se você quiser morrer antes da hora. E você sabe que eu tenho capacidade para isso.
—Por que proteger uma estranha que acabou de raptar? —Santiago arqueou a sobrancelha.
—Por que ela não era o alvo. É o mesmo que matar por engano. É injustiça.
—E desde quando você é justo?
Christopher virou-se para Bulldog.
—Faça algo de útil,chame Ezequiel.
O mesmo assentiu,saindo em seguida. Deixando os irmãos a sós.
—Quando você vai entender que eu também comando aqui?! —Santiago abriu os braços.
—Quando você finalmente compreender que eu sou mais velho. Você pode dar opinião. Mas a última palavra é sempre minha.
Nesse instante,A porta se abriu.
Dela entrou Ezequiel. Um homem baixo,de cabelos claros e ondulados. Olhos escuros.
Olhou Santiago,cumprimentou Christopher.
O mesmo ignorou a presença do irmão.
—Os dois incompetentes seqüestraram a garota errada.
—Não era de se estranhar. —Ezequiel balançou a Cabeça— Por que não confiou o trabalho a mim?
—Por que eu achei que poderia confiar no idiota. Faça o seguinte,a menina está na sala ao lado. Leve-a para a confidencial. Dê comida e água. Depois que resolver alguns problemas na empresa,vou querer falar com ela. Não esqueça de trancar,tanto com o cadeado, quando com o sete códigos.
—Acha que ela pode fugir?
Christopher fitou o irmão.
—Não,Estou mais receoso que alguém possa entrar.
~*~
Ao sair do edifício,ele adentrou no carro escuro.
Ezequiel já lhe aguardava.
—Ela pestanejou? —Perguntou,enquanto o motorista arrancava.
—Nem um pio.
—Ficou quieta?
—Na verdade,falou demais.
—Como isso é possível?! —Ele urrou— Essa menina foi seqüestrada. E não reclama?
—Ela gostou da decoração da cela.
—Mas a condicional não tem absolutamente nada.
—Por isso mesmo.
Christopher suspirou.
—Aonde aqueles inúteis foram me meter. Falando nisso,e Santiago?
—Tentou me subornar para ter acesso aos códigos. Mas como não conseguiu,Saiu com Bulldog.
Ele bufou.
—Não sei onde meu pai estava com a cabeça quando me pediu para colocar ele nos esquemas.
—Ele estava no leito de morte Chris. Não deveria ter atendido.
—É exatamente por estar no leito de morte,que eu atendi.
—Chegamos.
Os sapatos de couro escuro caminharam sem pressa para dentro do local quase abandonado.
Depois de tantas curvas e portas,Ezequiel abriu a porta reforçada em concreto.
Lá dentro,a jovem estava sentada,olhando o teto.
Quando ela abaixou o olhar,o suficiente para fixar-se nos olhos dele,Christopher sentiu novamente a leve falta de ar.
Porém sua voz foi igualmente fria e autoritária:
—Precisamos conversar.
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