Querido Sequestrador
8 Aprendendo a Voar
Notas iniciais
Quando ele acomodou-se, sentiu a pele macia dela, leve e rapidamente. Foram pequenos choques de eletricidade correndo Christopher respirou fundo. Viagens assim e até mesmo mais longas, eram comuns para ele. E ela estava ali, quase tendo um infarto.
Levou sua mão até a dela, entrelaçando seus dedos.
Entre pequenas correntes elétricas, Helena virou-se para ele, confusa, ele sorriu.
—Só agüenta mais um pouco. Daqui a pouco chegamos.
Christopher
O jatinho já estava ultrapassando as nuvens, a cada “pés” anunciados pelo Piloto, a menina apertava ainda mais a mão de seu seqüestrador.
Quando chegaram ao ápice, ela inclinou-se para a janela, sem desvencilhar suas mãos, puxando Christopher para trás de si.
—É...é...lindo!
Ela virou-se para ele com o sorriso mais sincero que ele já recebera. Não de algum empresário querendo contrato, não de algum famoso querendo patrocínio, mas de alguém..feliz. Simplesmente feliz por estar ali.
Voltando-se para as nuvens, e o sol ao longe que dava uma coloração alaranjada para o céu, um pássaro, um pato, ou seja lá o que for, passou próximo ao vidro.
Ela pulou para trás...ou para o lado.
Sobre Christopher, pode-se assim dizer.
Sobre ele, sobre seu peitoral, pouco abaixo de seu rosto. A menina olhou-o nos olhos, constrangida pelo susto que levara. Ele devolveu o olhar...com admiração pela alegria serena. Ela sorriu de canto, mordendo o lábio inferior. Enquanto ele se aproximava aos poucos, perdendo a razão que tanto o embalava.
Parte de Christopher gritava que isso era errado, que ele não poderia, que ela era sua refém e que beijar-la....
Beijar-la. Em contra-partida era exatamente isso que ele queria. Era sua razão contra o quê, exatamente?
Ela não parecia querer se afastar, não parecia “não querer”, e ele praticamente jurava escutar seus batimentos em sincronia.
Mas não foi ele quem decidiu, por fim.
Uma das aeromoças surgiu, fazendo Helena balançar sua cabeça e afastar-se, voltando para seu canto encantado da janela.
Christopher sentia um misto de alívio e frustração.
A aeromoça, percebendo o clima que havia quebrado, tornou-se tão vermelha quanto uma pimenta.
—Senhor, Senhorita, gostariam de algo?
—Um Whisky, por favor. Duplo sem gelo. —Ele nem olhou para a moça.
Helena começou a rir.
—Awn, que bonitinho meu namoradinho. —Começou a brincar com os dedos dele, ainda entrelaçados com os seus— o mesmo para mim, por favor.
Quando ela saiu, Christopher a olhou como se estivesse doida.
—Você enlouqueceu? Que ideia é essa?
Ela riu.
—Só você pode, amore?
Quando a aeromoça trouxe as doses, Helena ergueu a sua e arqueou a sobrancelha num sorriso.
Os dois tomaram de uma só vez.
—Ah que esse é dos bons! —Ela riu, o fazendo rir— Mais uma, por favor!
—Helena...você tem certeza? —Ele parecia sério. Nunca antes saiu com alguma mulher que bebesse whisky, e não champanhe vinho ou Martini.
Com a nova rodada, ela bateu seus copos em um “brinde” desajeitado.
—Se você pode, por que não eu?
~*~
—ME AFOGANDO NO ÁLCOOOOOL O SOM DO CARRO NO TALOOOOO, MANDA A MULTA QUE O CHRISTOPHER VAI PAGAR, MAS ENQUANTO ELA NÃO VOLTAAAAAAR!!!
—Que diabos é isso Helena?! —Christopher não sabia se ria, ou a colocava sentada no banco (ela estava em pé).
~*~
—BONITO
—O que? —Chris
—QUE BONITO HEM.QUE CENA MAIS LINDA SERÁ QUE EU ESTOU ATRAPALHANDO O CASALZINHO AÍ?
—Que casal menina, tá louca?
—QUE LIXO. CÊ TÁ DE BRINCADEIRA. ENTÃO É AQUI O SEU FUTEBOL TODA QUARTA FEIRAAA.
—Que futebol? Eu tenho academia na quarta...
—E NÃO PRECISA SE VESTIR. EU JÁ VI TUDO QUE EU TINHA QUE VER AQUI...
—Viu? —Arqueou a sobracelha.
—QUE DECEPÇÃO, UM À ZERO PARA MINHA INTUIÇÃO!
—Decepção? Então você realmente não viu. —Ele riu.
—NÃO SEI SE DOU NA CARA DELA OU BATO EM VOCÊ!!
—EPA EPA EPA. Sem violência Helena..
~*~
—DEPOIS DE TOMAR UMA A CORAGEM VEM, E AQUELE CHICLETINHO QUE É ‘PRA’ FICAR BEEM.
—Ai meu Cristo, o que é agora?
—AGORA É COM VOCÊ, É SÓ ME RESPONDER
—O que? —Ele virou, rindo
—E ESSA BOCA AÍ, ELA SÓ FALA OU TAMBÉM BEIJAAAA? BEIJA, BEIJA, EU SEI QUE BEIJAAA...
Christopher suspirou.
—Ela faz muitas coisas, inclusive te mandar ficar quieta. —Ele riu— Helena?
Ela virou-se para ele, rindo, bagunçou seus cabelos.
—Você é bonito.
—Eu não acredito que tô com uma refém bêbada.
Ela se aproximou de seu ouvido, falando bem baixo, mas que o arrepiou por completo.
—Sua fortaleza esconde um homem incrível.
—O que? —Mas quando virou-se para ela, a menina já dormia em seu ombro. Ele riu, afastando seu cabelo de seu rosto, delicadamente. O rosto sereno e calmo, não davam o mínimo indício que ela cantava coisas sem nexo a pouco tempo atrás.
Olhou para suas mãos, entrelaçadas.
Sorriu.
~*~
Quando a Aeromoça me acordou, avisando que iríamos pousar, olhei para Helena, que ainda dormia profundamente. Mas seu braço livre, contornando meu peitoral em um protótipo de abraço. Levei um susto ao me deparar com meu braço ao redor de sua cintura. Tirei rapidamente, e a balancei.
—Helena? Helenaaa!
Os olhos verdes se abriram sonolentos.
—O que foi? —Bocejou. — Que dor de cabeça.
—Sério? —Riu Christopher— Nem imagino porquê.
Ela o olhou desconfiado, mas não disse nada. Ele prosseguiu:
—Vamos pousar.
Ela sorriu, o puxando pela mão para perto da janela.
~*~
Quando foram para o carro, Christopher optou por um que ele mesmo dirigisse. Helena entrou doutro lado,e já ligou o rádio.
—Pouco abusada você, né? —Ele riu, e ela mandou um beijo no ar. Cantando baixinho com a música.
Um silêncio ficou. Não constrangedor..mas agradável. Confortável. Favorável.
O imóvel ficava atrás de uma montanha, a estrada foi longa, mas, quando passaram pela portaria e pela segurança, e seguiram pelo caminho de pedras até a casa, Helena quase teve um infarto.
—Que. Casa. Linda.
Era de pedra cinzenta, com dezessete vidraças. De fora era possível ver tudo: Sala, sala de jantar, escadaria, quartos. Praticamente não haviam paredes. Apenas grandes e lindas janelas.
A vista dessas vidraças todas, era um lago maravilhoso. De um Azul cristalino.
—Cresci por aqui. —Christopher sorriu— O cheiro doce do campo.
—Se eu fosse você, morava aqui. —Ela riu, rodopiando. — É muito lindo. Os quartos são no segundo andar, certo?
Ele assentiu, tirando as malas e entregando as chaves para ela.
—É a de bronze.
—Quer ajuda?
—Não precisa.
—Para de ser orgulhoso, me dê alguma, vai.
—Não, deixa Helena..
—Você é muito teimoso. —Ela roubou duas malas dele— Vem, vamos.
Abrindo a porta, se depararam com uma sala mais estilo “casa”, e menos estilo “apartamento de Christopher”. Com um sofá grande e duas poltronas, uma mesa de centro, uma televisão e algumas plantas. Passaram reto por outros cômodos e corredores, e pela escadaria. Foi uma tortura para Helena não zoar Christopher pelas fotos da escadaria,e, por fim, chegaram ao último quarto a direita.
A cama era grande, de marfim escuro e arrumada com cobertas vermelhas. Entre dois criados-mudos com dois abajures. De lado para a sacada, com a imensa vidraça que quase ocupava a parede inteira. Ao lado da porta já havia um criado-mudo maior, com quatro gavetas, um vaso de rosas vermelhas e algumas fotos de Christopher enquanto mais novo. Doutro lado uma lareira, duas poltronas separadas por uma mesa pequena, de bebidas. Mais adiante um pequeno corredor que, virando a direita havia um closet vazio. E seguindo reto um banheiro. Com hidro de frente para o lago, chuveiro espelhado, e pia em marfim branco. O sanitário era a única coisa sem vista externa.
—Por que você precisa de um chuveiro espelhado? —Helena voltou, rindo.
Christopher corou um pouco.
—Digamos que eu seja vaidoso. Mas e aí, gostou daqui?
Ela sorriu.
—É melhor que a decoração da sua casa. Posso tomar um banho?
—Vai lá, você está exalando cheiro de álcool. Enquanto isso eu guardo nossas roupas.
Ela voltou.
—Nossas?
—É, minha mãe vai chegar daqui a pouco. A senhorita vai dormir é comigo.
Ela sorriu, bocejando.
—O lado da vista é meu.
Ele ia revidar quando ela entrou novamente no banheiro.
Enquanto a menina não vinha, Christopher resolveu ler seus arquivos sobre ela. Havia baixado em celular, e não custava nada tentar conhecer um pouco mais dessa louca.
Quando estava prestes a abrir o documento,um grito desesperador tirou Christopher de seus devaneios e correr para o banheiro.
—HELENA?
Mas não foi capaz de ouvir mais nem um som sequer.
Ele irradiou-se de preocupação, praticamente arrombando a porta.
Helena estava apoiada a pia. Uma mão se segurando no móvel e outra na cabeça. Estava com um roupão de Christopher, que era no mínimo três números maior que ela.
Ele a segurou no exato momento...
Em que ela caiu.
Fale com o autor