Querido Diário
4 CAPÍTULO 3 – TEORIA DO MENDIGO REVOLUCIONÁRIO P. 1
Notas iniciais
Leiam as notas finais!
POV Edward
Cá estávamos nós, todos no ponto de ônibus vazio de Tilicum Park. Pegamos a garota e eu vesti minha camisa nela. Não sabemos quem ela é, ela apenas está de olhos abertos e olha pra todos os lados. Ninguém conseguiu fazer ela falar nada. E ninguém consegue falar nada.
–-- Emmett! Em-me-tt – Emmett falava na frente da garota fazendo mímica, exibindo os músculos fortes. A garota o olhava com cara de paisagem.
–-- O que o Jasper está fazendo? – perguntei quando o vi andando em volta da máquina cheia de fios.
–-- Está tentando descobrir o que é aquilo e pra que serve – Alice disse.
–-- Não! – a garota se pronunciou pela primeira vez e todos demos um salto, assustados. Ela também se assustou, já que se encolheu no banco do ponto.
–-- Você sabe ouvir? Você me entende? – Alice falou fazendo mímica e ela assentiu.
–-- Claro que sim, vocês é que não me entendem – falou como se fosse óbvio e todos ficamos confusos.
–-- Quem é você? De onde você é? O que é aquilo? Quem fez? Qual é o seu nome? – Emmett encheu a garota de perguntas e ela engoliu em seco, olhando pra Alice e pra mim.
–-- Espera um segundo, deixa ela se acalmar – falei e abri minha mochila tirando uma garrafa de água e estendendo pra ela, que me olhou confusa.
–-- Água – falei movendo a garrafa em sua frente e ela a pegou cautelosa, como se estivesse esperando que eu a atacasse. Ela a bebeu de uma forma graciosa.
–-- Espera aí, o que estou vestindo? Cadê minhas... minhas... – dito isso ela olhou assustada pra mim e pra Emmett.
–-- AAAHH!!! – gritou, empurrando Emmett e saindo correndo a caminho de Jasper. Alice foi rápida e a acompanhou, assim como eu e Emmett.
–-- NÃO TOQUE NELA! – ela falou pra Jasper que estava pálido de susto e a garota se ajoelhou, tentando recolocar os fios no lugar. Quando ela agarrou um vidro com força, gemeu de dor.
–-- Calma – falei e a peguei no colo, levando-a para o banco do ponto de ônibus.
Alice colocou água em sua mão e ela quase arrancou os próprios cabelos.
Depois de um tempo tratando do corte da garota, Emmett resolveu interroga-la.
–-- Iai, você tem namorado? – ele perguntou e ela o olhou estranho.
–-- Não pergunte essas coisas – Jasper o empurrou – não ligue pra ele – sorriu simpático pra garota.
–-- O que é namorado? – ela perguntou e todos franzimos o cenho. Tá na cara que essa garota tem algum problema.
(...)
Quando chegamos em casa, mandamos a garota pro chuveiro e eu emprestei mais roupas minhas a ela, já que as de Alice eram muito pequenas, as de Emmett muito grandes e as de Jasper... Eram as de Jasper.
–-- O que vamos fazer com ela? – Jasper disse quando todos nos juntamos no sofá.
–-- E se ela for de uma equipe rival? – Emmett perguntou e Jasper assentiu.
–-- Ela pode ser uma mendiga. Viram que tacaram fogo em um quando ele estava dormindo? – Alice falou e Emmett negou com a cabeça.
–-- Ela é bonita demais pra ser uma mendiga – falou.
–-- Concordo – falamos eu e Jasper ao mesmo tempo. Alice revirou os olhos.
–-- Que seja. Se ela for mendiga ou rival, vamos ajuda-la – falei decidido.
–-- Ela pode ser uma maluca, ela nem sabe o que é um namorado – Emmett disse como se estivesse revelando um super segredo.
–-- Nem todo mundo tem a mente poluída que nem a sua – Alice falou e Jasper riu baixo.
–-- Mas e aquela máquina? – perguntei.
–-- Eu nunca vi nada do tipo. É tecnologia avançadíssima, por isso desconfio que ela seja de um time rival.
–-- Vamos descobrir.
POV BELLA
Enquanto eu tentava a todo custo ligar meu tablet dobrável que caiu do meu bolso que, por sorte, não sumiu como minhas roupas e minha comida, tentei descobrir o que esses seres eram.
Bem parecidos comigo e com o futuro, exceto aquele cara com o topete acobreado. Em meu mundo, realmente nunca tinha visto nenhum garoto como ele, e nunca tinha me interessado tanto em descobrir algo sobre qualquer pessoa. Mas ele é um canibal, vou ter que manter certa distância para estuda-lo, assim como todos os outros.
Liguei o tablet em cima de uma espécie de lavatório não automático que jorra água e me sentei no... hm... Vaso.
Abri a câmera em alta definição e babei literalmente pela qualidade HD quase real.
–-- Eu cheguei à duas horas atrás em 2013, na cidade de Forks-Washington antiga. Fui abordada por um grupo de canibais adolescentes e, nesse momento, estou em uma espécie de apartamento que tem cores além do azul. Ainda não comecei a estuda-los, mas quando for a sala agora, irei interroga-los. Ah... Pai, dá pra me explicar por favor porque eu cheguei aqui sem roupas? – falei e desliguei a chamada de vídeo.
Depois de vestir as roupas do cara do topete, caminhei pelo apartamento até chegar à sala, onde todos estavam à minha espera. Estaquei.
–-- Precisamos fazer algumas perguntas – a baixinha de cabelos espetados disse e eu dei um passo.
–-- Eu também preciso — respondi
–-- Senta aí – falou e eu procurei um local distante deles pra sentar. Aquele grandão com covinhas me olhando daquele jeito me assusta. Posso lutar contra a baixinha, mas se for contra ele eu mesma me rendo.
–-- Quem é você? – disse o garoto magricelo com cabelos louros.
–-- Isabella Marie Swan – falei rápido.
–-- Minha vez de fazer as perguntas. Quem são vocês? – falei já criando um pouco de coragem.
–-- Eu sou Alice Brandon – a baixinha apontou pra si.
–-- A anã lunática – o grandão completou a frase e todos caíram na gargalhada, tirando um suspiro alto da tal Alice.
–-- Esse é Emmett McCarthy, o burro – disse Alice e eu uni as sobrancelhas.
–-- Eu pensei que fosse inteligente pelo tamanho – pensei alto.
–-- As aparências enganam – disse o cara do topete, sorrindo divertido – e eu sou Edward Cullen.
–-- O responsável – disse Alice. Sorri de leve.
–-- Eu sou Jasper Hale, o inteligente – falou o loirinho dando dois toques com o dedo indicador na própria cabeça.
–-- Concluindo: Alice é a anã lunática, eu sou o gostoso, Edward é o cabeçudo e Jasper é o nerd – disse o tal Emmett cruzando os braços e todos o olharam com fogo nos olhos. Involuntariamente caí na gargalhada, assim como ele.
–-- Faz sentido – falei atribuindo todas as características que ele deu para cada um dos três.
–-- É uma das minhas – ele veio ao meu lado e quando ia abrir os braços, meu instinto de sobrevivência apitou e eu dei um chute nas suas partes baixas.
Quando ele se contorceu e caiu no chão, todos na sala caíram na gargalhada, como se fossem monstros querendo devolver a vida ao grandão para ele voltar a tentar me matar. Aproveitei o momento e corri até a janela cinza, que parecia uma espécie de teletransporte. É, esse é o teletransporte deles!
–-- NÃO! – ouvi a voz do topetudo, mas quando fui entender o que ele dissera dei de cara com o vidro da janela, fazendo-a quebrar em quase mil pedaços em meu rosto. Caí pra trás, inconsciente.
POV Edward
–-- Cara, que burrice! Esse vidro está sujo, como uma pessoa pode não enxergar um vidro que está cinza de tanta poeira? – Emmett reclamava enquanto íamos até o quarto de Jasper, que removia com uma pinça todos os caquinhos de vidro que se espalhavam pelo rosto de Isabella.
–-- Eu concordo com você, cara – falei – menos a parte de ela ser burra.
–-- Como assim? – Alice se surpreendeu e Emmett também.
–-- Se eu fosse mulher eu mesmo fugiria se um homem gigante que eu não conheço se aproximasse de mim – falei dando de ombros – pelo menos a garota tem boa coordenação motora.
–-- Ainda assim acho que deveríamos levar ela pra um hospital – Alice falou preocupada.
–-- A culpa é sua – Emmett enfiou o dedo na cara dela – você deveria limpar a porcaria do vidro!
–-- Eu? Não fui eu que tentei atacar a garota no meio da sala! – Alice disse.
–-- Eu não estava atacando ninguém! – Emmett defendeu-se.
–-- Parem com isso – falei estressado quase arrancando os cabelos de nervosismo. Pra minha sorte, o celular de Emmett tocou e ele correu pro quarto pra atender. Alice e eu nos juntamos a Jasper, que tirava os cacos de vidro de seu rosto com uma pinça.
Cá estava ela: cheia de cacos de vidro na testa, bochecha, um corte fino no lábio inferior e nariz. Sua expressão continuava angelical, como a de um gatinho adormecido. Aproximei-me da cama e sentei ao seu lado.
–-- Melhor deixarmos a garota dormir – Jasper falou – depois de uma pancada dessas, se a enchermos de perguntas ela pode ter um AVC.
–-- Mas quando uma pessoa bate a cabeça e dorme ela não corre risco de sofrer alguma doença tipo perda de memória? – Alice coçou a cabeça.
–-- Festa! Festa! Festaa! – Emmett apareceu na sala de repente pulando que nem um louco – arrumem-se, vamos a uma festa!
–-- Do que está falando? – perguntei e Alice nem se importou, já foi logo toda sorridente pro lado dele.
–-- Riley Biers acabou de dizer que as modelos que representam nossa faculdade estão em um bar reservado e cheias de bebida no cérebro. É nossa chance de ficar com uma garota de verdade! – ele disse animado.
Ele estava errado, pelo menos quanto a mim. Eu não era tão “anti-mulheres” como ele, só fingia que não pegava nenhuma em sua frente para que ele não se sentisse tão... Ele. E, como ultimamente eu estou sempre saindo com a turma toda, ficou praticamente impossível pegar uma mulher. Mas agora não é o momento mais apropriado pra pensar com a cabeça de baixo.
–-- Eu acho melhor ficarmos e cuidarmos da Isabella – falei convicto e toquei o braço da garota.
–-- Eu to dentro – Jasper levantou-se abruptamente ajeitando a gola da camisa e Emmett sorriu. Estranhei.
–-- Você vai?
–-- Edward, meu caro, caso você não saiba, um dia eu irei ganhar o prêmio Nobel e caso você não saiba também eu não tenho namorada pra levar no tapete vermelho – falou já indo pro lado de Emmett, que passou o braço por seus ombros.
–-- Caso você não saiba você ainda está na faculdade! – falei ficando um pouco irritado. Essa súbita carência de Jasper não me cheirava nada bem.
–-- Qual é Edward, vai ficar pra sempre dependendo da Victória? Ela só te usa pra transar! Vai ficar com quem? Com a Isabella? Nem pense em responder, porque eu vi primeiro! – Emmett falou e eu engoli em seco. Pensei alguns segundos e levantei abruptamente, andando até o meu quarto.
–-- To dentro – falei enquanto andava e eles riram, indo cada um pra um lado pra se arrumar.
–-- Bota pra F, QuaTR0 em ação! – Alice gritou indo pro banheiro de toalha, animada. Logo os meninos também gritaram, com a mesma animação.
POV Bella
Abri um dos olhos e parei de me fingir de morta. Certo que eu sentira dor do vidro em minha pele, mas graças a Jasper, me sinto nova em folha.
Agora que todos eles já saíram e deixaram a passagem — que eu descobri da pior maneira que não é uma máquina do tempo – aberta, é a minha chance de sair desse lugar repleto de loucos.
Quando estava prestes a levantar, o tablet vibrou em minha coxa e eu o peguei, assustada.
“Informações só lhe serão enviadas como escambo” dizia o satélite. Bufei.
Eu teria mesmo que ir atrás deles? Só pra conseguir falar com meus pais? Era só o que me faltava mesmo!
Como eu já estava ficando com fome e farta de me sentir inútil nessa geração, decidi pular pela “janela” e me pendurei numa escadaria que levava até o chão. Vi uma pessoinha com um vestido tão rosa e tão brilhante que meus olhos até doeram.
Quando reconheci a baixinha de cabelos espetados, a Alice, entrando em um taxi ao lado de seus companheiros, arregalei os olhos e subi em cima de uma tira preta, que julgo ser corrimão, e fui dando pulinhos ali em cima até chegar ao chão. Dei um pulo pra isso e algumas pessoas me olharam de olhos arregalados enquanto outras ligavam pra alguém.
O carro amarelo do taxi se acelerava e eu pisei na estrada, aturdida. Lá se foi minha chance de falar com meus pais.
Legal Isabella, se saindo mal no seu primeiro dia de emprego!
–-- SAI DA RUA MULHER! – um gordinho mal encarado produziu um som brando de dentro de seu automóvel. Sobressaltei, assustada e dei um passo pra direita, mas logo outras buzinas vieram e só pararam quando eu subi no asfalto.
Tinha um homem deitado em um pedaço de papelão com cabelos, cavanhaque, costeletas e sobrancelhas grisalhas usando um casaco azul super chamativo, uma blusa azul escura por dentro do casaco, uma calça social com um tom verde meleca toda rasgada e suja, um chinelo de dedo com uma das tiras soltas segurando uma caneca apontando-a pras pessoas. Sorri. Seria esse Andrew Carlssin?
–-- Andrew! Hey! Oi! – falei amistosa caminhando em sua direção e ele me olhou estranho. Voei em cima dele e o abracei, e ele, confuso, retribuiu. Algumas pessoas me olharam com a mesma expressão que ele.
–-- Olá? – ouvi ele pronunciar, agarrado a mim.
–-- Eu sei que não me conhece, mas eu vim do mesmo lugar que você veio, e estou muito feliz em finalmente encontrar alguém que me entenda! – falei me levantando novamente e abrindo os braços, girando, pulando e gritando de felicidade. O cara coçou a cabeça e algumas pessoas riram, enchendo sua caneca de pequenos círculos acinzentados e acobreados, que julgo serem moedas.
(...)
Depois de explicar pro homem toda a minha história, conheci seu gato preto chamado Seazless, comi uns biscoitos que ele me oferecera e me acomodei ao seu lado no papelão, enquanto ele me explicava a sua história desde que viera parar aqui. O pobrezinho perdeu a memória e eu tive que relembrá-lo sobre o acidente no Quasar, assim, ele pode me contar sua história.
–-- Sério? Você virou professor e veio parar na rua? – perguntei sentada ao seu lado depois de enchê-lo de perguntas do tipo: como sobreviveu aqui? O que aconteceu com você? O que você descobriu?
Enquanto tirava minhas dúvidas, ele olhava para o tênis que Edward me emprestara, para o meu cabelo e para o anel que eu usava.
–-- Eu era um grande cientista – falou lentamente e eu assenti, curiosa, absorvendo cada palavra – e... Eu criei as canecas – falou balançando a caneca em sua mão – e também todas essas casas. Tudo isso aqui é meu – falou e eu bati palmas, orgulhosa.
–-- Nossa, então porque você está aqui? – perguntei me corroendo de dúvidas.
–-- Bom, eu estava apenas querendo ajudar os mais necessitados. Aquelas outras pessoas que usavam ternos pretos e saltos altos – falou com um sorriso arteiro nos lábios. Arregalei os olhos, impressionada, como uma criança quando sua mãe lê uma história emocionante de ninar.
–-- Nossa, o senhor é tão generoso sr. Carlssin... Eu... Eu quero muito a sua ajuda pra poder me comunicar com o nosso presente, mas pra isso preciso fazer o escambo – fiz uma careta e ele uniu as sobrancelhas, acariciando o gato.
–-- O que é isso? – perguntou e eu o olhei com dó. O coitadinho nem se recorda mais das palavras que usamos em nosso dia dia no futuro.
–-- Uma troca de bens ou conhecimentos, sem intermediação de dinheiro – falei e ele franziu o cenho, assentindo. Sorri pra ele pidona e ele pensou por alguns segundos.
–-- Sabe, nesse presente de agora, nós usamos sim os bens materiais e a intermediação do dinheiro – assentiu-me e eu retribui o gesto, entendendo o que ele queria dizer.
–-- Oh sim, e o que eu posso oferecer ao senhor que revolucionou toda a nação com as invenções mais brilhantes da face da Terra? – baijulei-o e ele riu, envergonhado e divertido ao mesmo tempo. Ele piscou pro gato, como se estivesse planejando algo.
–-- Este anel e estes sapatos são tão novos pra mim... Ainda desconheço essa marca. Ficaria grato em ter alguma antiguidade em minha coleção.
–-- Você tem uma coleção? Que extraordinário! Vocês ouviram isso pessoal? – falei gritando pra todos ouvirem e, de fato, eles viraram pra nós. Andrew apenas sorriu simpático pra todos e fez um sinal com as mãos, assim, logo todos voltaram a fazer o que faziam.
–-- Sim, mas somente quem faz o escambo pode vê-la. É uma tecnologia avançadíssima que nem no seu presente existe ainda. Eu a desenvolvi a alguns meses atrás – falou com suspense na voz, como se imitasse a voz de um fantasma.
Impressionada e hipnotizada pelas histórias do revolucionário, tirei os sapatos de Edward. Ele não precisaria deles novamente, claro que Andrew doaria um dos seus pra ele também, como diz ele: esse é o escambo dessa época. Quando tirei meu anel de ouro maciço, os olhos do homem brilharam enquanto ele tateava o tênis e o meu anel, seus mais novos pertences.
–-- Você não teria mais? Você sabe, pra informação ser completa – piscou pra mim e eu entendi.
–-- Ah! – falei e pisquei de volta, mas logo depois a decepção me atingiu como um raio – eu deixei o dono do tênis sair junto com os amigos.
–-- Porque deixou? – ele indagou.
–-- Eu tentei ir atrás deles, mas o brilho do vestido de Alice me deixou cega. Acho que eram muitas joias juntas em um local só – dei de ombros e o homem quase babou em minha frente. Ele se levantou abruptamente e ajustou a bermuda em seu corpo, colocando o meu anel no dedo mindinho já que não coube no seu anelar e segurou o par de tênis com o gato em baixo do braço. Sua fiel caneca já estava guardada em seu bolso.
–-- A palavra ‘tentei’ não existe no dicionário dos fortes! Vamos em busca dos otári... dos jovens! – corrigiu-se orgulhoso e eu me levantei ao seu lado, com uma determinação repentina. Agora o raio da decepção se dissipara e sentia apenas o choque de adrenalina.
–-- Em que direção eles foram? – me perguntou enquanto andávamos fora do asfalto, atraindo buzinas e algumas vaias.
–-- Para a esquerda! – falei sorrindo com convicção na voz.
–-- E onde fica a esquerda?
–-- Ali! – apontei enquanto respondia no mesmo tom da minha outra resposta.
POV Edward
Até agora a ideia estúpida de Emmett não adiantou de nada. Cá estávamos nós, no bar, sentados em uma mesa reservada pagando por ela com um dinheiro que não temos enquanto as modelos rebolam no meio da pista, sozinhas. Nenhum homem se arriscou a ir na direção delas. Afinal, nem eu imaginaria que três mulheres tão gostosas tivessem tanto talento pra dançar quanto um cachorro tem pra assistir televisão.
–-- Que legal, Emmett! – Alice se pronunciou – eu vim pra cá pra acompanhar vocês com esse vestido super chique achando que eu encontraria algum garoto pra mim, e só no meio do caminho você me contou que eram apenas garotas. Até aí eu te desculpei, mas agora vir pra cá, me fazer beber e sentar em um lugar que eu não posso pagar eu não te perdôo! – falou levantando da cadeira e eu a empurrei de volta, para sentar novamente. Emmett parecia hipnotizado pelas mulheres. Estava estático.
–-- Não fale isso, Alice. A culpa não é dele afinal, nós não poderíamos adivinhar que elas não sabiam dançar – falei se olhar pra ela, meu olhar fixo nas modelos.
–-- Eu não ligo pra isso gente, eu preciso de uma mulher! – Jasper falou se levantando, mas a dúvida estava estampada tanto em sua voz como em sua expressão.
Todos olhamos pras modelos quando um homem ousou se aproximar. Ele era bem parecido com Jasper, até mesmo os olhos e os cabelos dourados. Ele deu um olá e as garotas o chutaram, dizendo um “você não faz meu tipo, imbecil” e mais alguns palavrões que deixaram o homem cabisbaixo.
–-- Não acredito no que estou vendo – Emmett falou pela primeira vez – mulheres bonitas tem que ser fáceis, não é? Isso é uma das leis da natureza! – disse bravo, cruzando os braços em frente ao peito.
–-- Desisto do tapete vermelho – Jasper abaixou a cabeça e sentou novamente na cadeira, colocando as mãos nos bolsos. Bebi um gole da Heineken que estava no copo em minha frente.
–-- Já que estamos em um bar e estamos decepcionados, vamos fazer o que todo macho...
–-- E fêmea – Alice levantou o dedo, mas sem sua habitual “alegria”, me interrompendo.
–--... e fêmea fariam. Um brinde ao QuaTR0 – falei erguendo meu copo e todos repetiram meu movimento.
Depois de um tempo começamos a beber muito, e assim ficamos cada vez mais desinibidos. Ríamos do nada, falávamos besteiras e Alice até tentou assediar o barman que nos atendeu.
–-- Vou mostrar minhas habilidades no Karaokê! – Jasper disse animado batendo as mãos na mesa, levantando-se cambaleante até o palco improvisado. Alice já estava cantando o barman no balcão e Emmett passava de mesa em mesa cantando até mesmo travestis.
Eu, mais lerdo do que nunca, levantei cambaleante e fui rindo até o meio das modelos, dançando que nem um retardado.
–-- Oi meninas! Estão afim de soltar a franga? – falei fazendo uma careta e uma pose. As três gargalharam e me puxaram pro meio delas, onde fizemos um verdadeiro ‘sanduíche’.
Nesse momento acho que cheguei ao ápice da cachaça quando vi Isabella e um mendigo entrando no bar.
PS: do Mendigo e do Seazless nas notas finais.
Notas finais
Aviso:
Gente, eu to muito feliz com o rumo que eu to dando pra fic, mas poxa!
Eu escrevo os capítulos e ninguém comenta!
Eu preciso saber o que estão achando, até agora só recebi 2 reviews (Obrigada linda BellaLeving!) e algumas pessoas favoritaram.
Tenho 27 leitoras e só uma comenta!
Fantasminhas, apareçam! Eu não mordo, apesar de querer ser uma vampira, hehehe.
Nos vemos no próximo.
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