As batidas do meu coração aceleraram. Por que ele estaria aqui? Olhei para Tori que estava com cara de dúvida.

- Hm, ok Trina. Fala para ele que ela já vai descer. ~ela disse, olhando para mim, Trina concordou então fechou a porta, descendo as escadas~

- Por que ele está aqui? Ele não te expulsou de casa? ~ela perguntou, logo após Trina sair~

- Sim, ele me expulsou. ~eu disse, ela olhou ainda mais confusa, então se sentou ao meu lado~

- Quer que eu desça com você? ~ela perguntou, estendendo a mão para mim, sem pensar peguei a mão dela e fiz que sim com a cabeça, ela sorriu e ficou em pé, me puxando~

- Tenho certeza que tudo vai acabar bem. ~ela disse, apertando minha mão~

Tori olhou para mim e começou a andar, eu a segui devagar, meus pensamentos correndo dentro de minha cabeça. Quando começamos a descer as escadas, tudo que eu queria fazer era voltar e me esconder no quarto dela até ele ir embora. Quando estávamos no final do primeiro lance de escadas eu conseguia ver ele no meio da sala de estar, olhando para as escadas, olhando para mim. Eu apenas olhei para o chão, chegamos ao fim das escadas, ela apertou minha mão.

- Jade. ~meu pai começou, levantei minha cabeça para olhar para ele, ele olhando para mim, com raiva no olhar, minhas mãos tremendo e lágrimas quase rolando pelo meu rosto~

- Por que está aqui? ~ela perguntou, repentinamente e eu levei um pequeno susto porque quase esqueci que ela estava lá, olhei para ela, depois para ele que agora estava mais nervoso, se isso era possível~

- Por que está segurando a mão de minha filha? ~ele disse, em um tom acusador~

- Ah, desculpa se eu me importo com-

- Tori, não faça isso. ~eu disse, ela abriu a boca para falar mas dessa vez meu pai interrompeu~

- Então essa é a famosa Tori, não é? ~ele falou, olhando para mim, eu já até sabia onde isso chegaria~

- Não se atrev-

- Eu achei que ela não se importasse com suas fansasias lésbicas. ~ele disse, com uma voz fria~

- Pare. ~eu queria dizer com uma voz firme, mas saiu muito fraca~

- Ou então você só queria brincar com ela. ~ele disse, senti lágrimas caindo dos meus olhos, eu conseguia ver ele sorrindo, rindo do fato que eu estava chorando. Eu não tive coragem de olhar para ela, tinha certeza que ela não iria querer nem mesmo falar comigo após hoje~

- Não importa de qualquer forma, você vai voltar para casa comigo, já encontrei uma nova escola para você.

- Então você realmente quer me tirar de perto de tudo que me faz feliz? ~eu gritei, ignorando o fato que ela estava ao meu lado~

- Você não merece felicidade.

Senti ela soltar minha mão, por um momento pensei que ela ia empurrar eu e meu pai pra fora da casa dela, ao invés disso, senti ela me empurrar para atrás dela~

- Não se atreva a falar assim com ela. ~ela falou, com uma voz firme~

- Eu posso falar com ela do jeito que eu quiser. ~ele deu um passo a frente, empurrando ela e ficando cara a cara comigo, ela caiu no sofá emitindo um pequeno gemido de dor~

Um olhar de horror apareceu no rosto dela quando ele segurou meu rosto, me forçando a olhar para ele.

- Você é uma vadia. ~ele gritou e eu virei minha cabeça para outra direção, não querendo olhar para ele~

Ele me deu um soco antes mesmo de eu perceber o que estava acontecendo. Medo e dor correndo por dentro de mim.

- Deveria me agradecer por não te abandonar na rua. ~ele falou, olhei para ela que estava nos encarando com os olhos arregalados, no segundo que olhei para ela, ele virou minha cabeça para olhar para ele~

- Não se atreva a olhar para ela. Entendeu? ~ele falou, sua voz ainda mais ameaçadora, fechei meus olhos por um momento e vagarosamente fiz que sim com minha cabeça, ele me deu outro soco, desta vez mais forte~

- Quero uma resposta.

Abri meus olhos, lágrimas enchendo meus olhos e caindo.

- Sim, eu entendi. ~minha voz e meu corpo tremendo. Ele afirmou com a cabeça, em sinal de satisfeito e virou, olhando para onde eu sabia que era onde Tori estava.

- Nem mesmo pense em contar isso para ninguém. ~ele falou em um tom ameaçador, nem mesmo esperou a resposta dela, então pegou meu braço, apertando muito forte antes de me arrastar para a porta, abrindo e me jogando para fora, batendo-a por trás dele, ele abriu o carro e me empurrou para o banco de trás, e ficou me olhando por um segundo~

- Diga uma palavra e eu vou fazer questão de te bater com mais força. ~ele disse, antes de fechar a porta~

Então coloquei meus pés no banco, de forma que meus joelhos ficassem encostados na minha barriga. Coloquei minha cabeça encostada no banco, rapidamente limpando as lágrimas, pensando em formas de escapar dele. Alguns segundos depois ouvi ele abrir a porta e eu senti ele me puxando com força para fora do carro. Eu saí do carro e caí no chão, antes mesmo de ficar em pé direito ele começou a me empurrar a direção da casa. Olhei para trás e andei mais rápido, fazendo com que uma distância se abrisse entre eu e ele, cheguei em frenta a casa, coloquei a mão na maçaneta, mas hesitei em abrir, isso não era minha casa, para mim, apesar de que passei a maior parte da minha vida lá. Nestes últimos dias, me senti mais a vontade na casa dela. Nesse ponto eu estaria feliz se tivesse opção de morar com Beck. Qualquer lugar menos essa casa que tinha se tornado uma prisão para mim. Hesitei por mais alguns segundos até que meu pai chegar e me empurrar da frente da porta, abrindo ele mesmo e então esperando eu entrar. Soltei um suspiro antes de entrar, tentada a subir as escadas, entrar no meu quarto e trancar a porta para ele não me machucar mais ainda. Claro que não tive essa chance, por que no momento que eu pisei dentro da casa meu pai me empurrou com força no sofá, ficando em cima de mim com o olhar frio.

- Que porra estava fazendo achando que ia viver com aquela vagabunda? ~ele falou isso e logo senti a raiva subir a cabeça~

- Não chame ela de vagabunda. ~eu falei, surpresa pelo tom e firmeza que minha voz saiu~

Ele riu, uma risada fria que acabou logo depois de começar.

- Desculpa, esqueci que a única vagabunda aqui é você. ~ele disse, colocando sua mão no meu pescoço, começando a apertar, eu tentei lutar, queria chutar ele, fugir e nunca mais voltar, mas ele soltou meu pescoço e socou minhas costelas. Dessa vez, foi de um certo modo, mais fraco, mas ainda doía pra caralho~

Eu gemi de dor e coloquei a mão em cima de onde ele tinha socado, sabia que não tinha nada que pudesse fazer para parar com a dor.

- Eu posso sair daqui, tenho 18, não pode me parar. ~eu sussurrei, em um tom que ele pudesse ouvir, estava encarando ele~

- Eu te desafio a tentar sair dessa casa.

Eu sabia que não importava o quanto eu queria sair dessa casa, eu não saíria tão cedo. Ele ficou me olhando por alguns segundo, então saiu de cima de mim. Eu rapidamente me coloquei na mesma posição que estava no carro, cobrindo meu rosto com meus braços, a maior parte do meu corpo estava protegida, esperando pela dor. Nada aconteceu. Então retirei um dos meus braços cautelosamente do meu rosto para que eu pudesse ver ele.

- Patética. Vá para seu quarto. Agora.

Em qualquer outro momento eu teria respondido com um "não me diga o que fazer", mas nesse momento eu estava desesperada para sair de perto dele. Eu levantei e praticamente corri para as escadas, olhando para trás para ter certeza que ele não estava me seguindo. Eu corri sobre os degraus, correndo para meu quarto fechando a porta e pensando em todas as consequências como ele arrombar, então tranquei a porta com as duas trancas que tinha, eu sabia que uma delas que era barata não ia ser útil se ele tentasse derrubar. Meu corpo começou a doer em todos os lugares que ele tinha me batido. Eu me virei para o espelho e levantei a minha blusa, um roxo já estava visível, no lado direito do meu corpo, logo acima do meu quadril. Eu passei meus dedos gentilmente em cima e apertei um pouco, sentindo a dor correr pelo meu corpo novamente. Não dava para ver nenhuma outra marca, mas tinha certeza que veria alguma em breve. Eu tinha na verdade alguns pequenos cortes no meu rosto, mas não estavam aparecendo tanto, mas doíam. Eu estava apertando esses pequenos cortes quando ouvi uma batida na porta. Eu pulei, meu coração acelerou.

- Abra essa merda de porta! Agora! ~não pude imaginar como ele ficou tão bravo em tão poucos segundos. Eu andei para frente, me aproximando da porta, mas parei. Eu não precisava abri-la, o que mais ele teria para utilizar para abrir a porta sem ser socos e talvez algum martelo?

Um segundo depois eu ouvi o som da porta abrindo. Como ele abriu tão rapidamente essa porta? Ele olhou para mim, percebendo que eu estava olhando as marcas em meu corpo.

- Você realmente achou que seria sortuda suficiente pra sair com apenas essas marcas? ~ele disse, apontando para mim com um sorriso cruel em seu rosto. Dei um passo para trás, tremendo~

- Você realmente precisa me machucar mais? Porque...parabéns você já me quebrou inteira. ~ele olhou para mim, dando um passo para frente~

- Você acha que você está sofrendo? Eu que tenho que lidar com o fato que minha filha é lésbica. Você me dá nojo. Uma desgraça para essa família. ~ele falou, um passo a frente a cada frase. Eu estava contra a parede, braços e pernas tremendo incontrolavelmente~

- Ah não, estou apaixonada por uma garota. Grande motivo para bater em mim. ~essa foi a única frase até agora que me fez parecer com Jade, não com a garota que está morrendo de medo de seu pai~

Me arrependi um segundo depois, ele andou até ficar cara a cara comigo. Senti sua mão em volta do meu braço novamente, ele me jogou na cama, me segurando.

- Precisa aprender a me respeitar.

Tinha quase certeza que sabia o que ele iria fazer. Me debatia embaixo dele, tentando empurrá-lo, mas ele me prendia com muita força.

- Para! Para! Para! Para! ~eu repeti várias vezes, tentando usar minhas pernas para tirá-lo de cima de mim. Quando consegui me sentar na cama ele me empurrou novamente, e começou a engatinhar na cama, me segurando para que não pudesse me mexer. Eu estava tremendo violentamente, meus olhos fecharam, não conseguia respirar. Precisava sair de lá agora. Então ele fez um movimento que fez com que suas mãos ficassem livres mas eu ainda estava presa. Eu estava lutando para não vomitar enquanto ele passava suas mãos sobre meu corpo. Me forçei a abrir os olhos, olhei para ele. Ele percebeu e sorriu para mim-

- Para com isso! ~já estava soluçando, minha voz baixa e trêmula~

Ele me ignorou, removendo as duas últimas peças de roupa que ele ainda não tinha tirado. Eu chorava mais cada vez que ele me tocava. Ele começou a tirar a roupa, Eu sabia que seria minha chance de escapar mas mesmo que ele ainda me segurava com somente um braço e uma perna, eu era mais fraca que ele. Ele estava rindo de todas as minhas tentativas de escapar, ele me batia mais. Meu corpo inteiro estava dormente, mas a dor sempre aparecia. Fechei meus olhos tentando fugir de tudo, tentando focar em outras coisas, meus gritos estavam ficando mais fracos e a risada cruel dele ficava mais alta. Eu estava presa na minha cama, muito fraca e muito amedrontada para fazer qualquer coisa a não ser tentar tirar ele de cima de mim de 5 em 5 minutos. Ele parou de me segurar, sabendo que eu estava muito fraca para me levantar e fugir. Eu disse a palavra "não" tantas vezes que já tinha perdido o significado e toda vez que eu queria falar novamente minha voz não saía. Eu não sairía de lá.

Eu merecia isso.

Notas finais
Esse eu acho que é o pior capítulo, quase chorei quando li :{/
Mas eu garanto pra vocês que as coisas melhoram. :D