Prólogo



“Querido primo,

Como prometi aqui está nossa primeira carta. Perdão por não ter escrito antes; bem minha desculpa é que a vida na América é muito diferente da Inglaterra. Isso não por que eu acho desagradável, só um pouco simples em comparação com nossa querida terra natal.

Papai está indo bem nos negócios, ao que parece tudo vai “de acordo com os planos”. Ele também parece feliz em reencontrar o tio Paul.

Ah, a casa do titio é tão bonita! Bem moderna! Quando eu conseguir tempo vou pintar um quadro para você. O que acha da ideia?

Quanto a mamãe, no início ela era um pouco chateada de passar esse ano com os “selvagens!” Eu nunca me importei, afinal eles são todos muito simpáticos. Agora, posso dizer, que os selvagens estão conseguindo entrar nas boas graças da mamãe!

Quase me esqueci, o primo Wellington está bem. Apesar de ser de ser mais velho do que eu, eu sei que sou mais madura que ele. Você estava certo, ele continua o mesmo travesso que saiu da Inglaterra a dois anos. Mas em sua defesa devo acrescentar que ele é um pouco mais responsável. É o começo não é?

Bem, aqui está um relato do meu primeiro mês nas Américas, como você pediu. Talvez não muito específico, mas eu acho que se você um bom primo, e você é, vai me perdoar.

Agora tenho que ir papai me chama. Espero notícias suas. Mando um beijo para Giorgi e saudações ao Henry, e é claro Rich! Ele vai mesmo entrar para o exército? Que Deus o guarde então! E como vai tio Willy? Sua Saúde melhorou?

E a você meu querido primo mando muito amor, de coração

Sua prima, quase irmã

Anne Stevens

Ps: Só pra lembrar: não se esqueça de enviar suas notícias! Abraços!”



“Cara Anne,

Sei que já se passaram quase três meses sem notícias minhas. Richard diz para esperar uma carta sua me cobrando. E espero sinceramente que perdoe minha negligência, pois só recentemente tenho encontrado sua carta. Não se alarde tirando conclusões precipitadas. Recentemente, tenho recebido muitas cartas e minha mesa não é um exemplo de ordem.

Meus dias, estão atarefado ultimamente, mas encontrarei tempo para responder.

Georgiana cresce cada vez mais, em tamanho, beleza e amor ao piano; ela já é capaz de tocar quase tão bem quanto você, se bem que nas ultimas semanas ela não tem animação para tocar. Richard é sério quanto ao exército, ele parte em duas semanas, eu suponho.

Meu pai, posso dizer, está muito melhor agora. Já não sofre por causa de sua saúde, uma vez que nunca mais vai tossir; ele está em um lugar melhor, e, não mais entre nós. Eu e Georgina sofremos, mas não tenho tempo para lamentar.

Agora tenho que me adaptar a gestão de Pemberly, está sendo difícil, mas sei que vou me acostumar como você se acostuma a América.

Junto com sua carta vai uma para tia Cassidy.

Termino aqui minha carta

Seu primo dedicado

Fitzwiliam Darcy”



Anne não podia acreditar, mesmo que não fosse novidade, mas Fitz estava tentando reprimir até a tristeza do luto! Porém não dessa vez, ela já o tinha visto assim quando tia Anne morreu e, não ia deixar acontecer de novo, agora sabia o que fazer.

Mesmo que a carta não tentava não indicar, ele estava usando uma máscara de indiferença, Anne tinha certeza. Podia imaginar seu primo sentado, sozinho, no escritório que era do seu pai, olhando para as paredes, melancólico.

Ainda que tentando se esconder de tudo, era seu primo. E Anne o conhecia muito bem. Sua carta era triste e em mais de um momento, ela podia sentir um leve estremecer por causa de suas palavras.

Depois de ter feito estas observações, Anne foi dar uma caminhada e, quando voltou estava pronta para dar uma resposta.



Um mês depois Fitzwilliam Darcy, agora o mestre de Pemberly em Desbyshire, estava no seu escritório olhando o vazio, sentindo a dor da perda de seu pai no seu mais puro estado. E embora a dor ainda era profunda, não era um momento em que podia se debruçar sobre isso, ele tinha uma enorme propriedade para cuidar.

Um lacaio entrou trazendo uma carta, ao identificar o remetente quebrou o selo rapidamente e leu com avidez.

“ Fitz,

Sinto muito por sua perda, tio Willy faz falta, principalmente para você e mamãe, eu imagino. Eu queria que estivéssemos todos aí, para chorarmos juntos e consolarmos uns aos outros.

Admito que esta é, de longe, a carta mais difícil que eu já escrevi. Normalmente as pessoas escrevem algo como: “ sinto muito por sua perda.” “ Envio minhas condolências” ou “ Eu sei com você se sente”. Na verdade, eu não sei como você se sente, sua dor é diferente da minha e até mesmo que a da minha mãe. Eu perdi um tio que amei muito, ela um irmão amado e você um pai. De nós três já sabemos quem mais sofre.

Embora eu não entenda, estou ciente da sua perda. E também das suas novas responsabilidades; deve ser algo difícil para você, que acabou de completar vinte e um anos. Posso, daqui te imaginar tentando fazer tudo certo, ainda que de luto.

Talvez você não tenha oficialmente pedido meu conselho, mesmo assim eu vou te dar.

Por favor não pense que eu sou intrometida.

Aqui vai: você pode entender que não é o único que está de luto, Giorgi também está, então fiquem juntos; não comece a se afogar no trabalho, ninguém espera que você faça tudo perfeito logo de imediato, deixe as coisas com seu administrador e o seu capataz, e vá fazendo o que você já sabe e acrescente mais aos poucos. Tio Willy já não fazia as muita coisas quando ficou doente, e Pemberly não afundou. Então esses homens são perfeitamente capazes.

Em ultima análise, meu conselho é o seguinte: divida suas cargas enquanto não pode carregar sozinho.

Sempre sua prima

Anne”



Uma carta simples de certa forma. Mas o bom coração de Anne e sua vontade de ajudar, permitiu que ele se sentisse um pouco melhor e pensasse em suas palavras.

Esta certamente não foi a primeira nem a única vez que ela o fez se sentir melhor.

Mal sabiam eles que no futuro ele estaria pagando por esse favor.



Notas finais
espero que gostem :D