Querida Sarada...
1 Vinte e sete de setembro
Notas iniciais
Boa leitura *-^
02:45 a.m.
- Aonde você vai? — Minha esposa me perguntou enquanto se ajeitava para sentar-se na cama.
- Desculpa, te acordei? — Indaguei me aproximando.
- Sim, mas não tem problema. Só responde a minha pergunta.
- Vou trabalhar.
- Mas... — Ela olhou para o relógio que ficava em cima do criado-mudo. — Você chegou faz duas horas.
- Houve uma emergência. Acabaram de me ligar. — Lhe beijei a testa. — Parece que alguém tentou se matar e não deu muito certo...
Ela deu uma risadinha e depois me beijou rapidamente.
- Tenta manter esta noite livre, tá amor? — Acariciou meu rosto. — Você lembra, né? Hoje fazemos dez anos de casados.
- Eu sei. — Sorri. — Use aquele vestido que lhe dei de aniversário. — Falei enquanto me retirava.
- Sasuke. — Me virei para ela. — A Sarada sente a sua falta. Por favor, tire uns dias de folga para ficar com ela.
- Está tudo bem, Sakura. Nossa filha entende que eu sou muito ocupado com o serviço. — Sai do local. — Até mais tarde.
Peguei o meu carro e fui até o hospital, o dever me chama...
Enquanto me direcionava ao meu destino, fiquei pensando nas palavras de Sakura. " A Sarada sente a sua falta ". Desde que me formei em medicina e comecei a trabalhar, a mais ou menos quatro anos atrás, não venho tendo tempo o suficiente para minha família, nem mesmo para o meu sono. Mas o que posso fazer? É o meu trabalho.
Peguei meu jaleco e me preparei todo para a cirurgia.
Mas aquela não seria a última, mesmo tendo acabado cedo, logo em seguida surgiu outro paciente. Provavelmente não voltarei para casa antes das 15h00min.
Após o término das cirurgias que eu fiz durante a manhã, resolvi ir para a minha sala e descansar um pouco. Estava exausto...
" Tenta manter esta noite livre ". Estas palavras ecoavam em minha mente. Era como se eu não fosse capaz de cumprir a minha promessa.
Dia 27 de setembro, meu aniversário de casamento de dez anos com a Sakura. Nos últimos quatro anos não comemoramos nada, pois eu sempre estava de plantão neste dia. Mas hoje será diferente.
Estou disposto a mudar a minha vida completamente, serei um pai mais presente e um marido mais atencioso. Eu preciso ter em mente que, família é em primeiro lugar, o resto pode esperar.
- Doutor Uchiha, posso entrar? — Minha secretária bateu na porta.
- Entre, Konan.
- Licença. — Entrou sorrindo com um pacote em mãos. — Sua encomenda chegou.
- Ah, sim. Obrigado. — Coloquei sobre minha mesa e o abri. — Chegou bem na hora.
- O que é? — Indagou curiosa e eu lhe mostrei. Ela ficou encantada. — É lindo! Eu sempre quis um, onde conseguiu?
- Tenho meus contatos. — Ri. — Sakura sempre me pediu por isso, mas eu sempre neguei porque achava que ainda não estava na hora.
- É perfeito. Sua esposa é uma mulher de sorte. — Me deu um leve soco no ombro.
Sorri meio sem graça. Será que ela é mesmo?
Eu havia comprado um Rusky Siberiano branco, um cachorro realmente maravilhoso, finalmente entendo o porquê de minha esposa babar por ele. Era um filhote de mais ou menos três meses.
Fiz um leve carinho em sua cabeça para que ele não acordasse e mantive a caixa aberta.
- Ah, já ia me esquecendo, o paciente de hoje a tarde pediu para cancelar a cirurgia. Disse que sua irmã havia falecido, então precisava ir ao enterro. — Comentou Konan.
- Sem problemas. Marcou para que dia?
- Mês que vem, dia 27.
- Ok. Bom, pelo menos voltarei mais cedo para casa.
Mas é como diz o velho ditado: tudo o que é bom, dura pouco.
O doutor Shikamaru, outro cirurgião, bateu em minha porta chamando-me para uma operação de emergência. Onde uma mulher havia sofrido um acidente gravíssimo de carro e teve várias hemorragias internas.
Me desculpa, Sakura. Talvez eu chegue em casa só amanhã de madrugada.
- Gravidade? — Indaguei a ele.
- Gravíssimo. — Respondeu enquanto andávamos.
- O que aconteceu?
- O motorista do caminhão bateu no carro desta mulher, os ossos da costela dela perfuraram vários de seus órgãos internos.
- E o caminhoneiro?
- Ileso.
- Ela estava sozinha?
- Sim.
- Nome?
- Ainda não identificamos.
- Ok. — Abri a sala da cirurgia e comecei a me preparar.
Demos início ao processo, sequer tive tempo para ver o rosto da mulher.
No entanto, a operação fugiu de nosso controle, e, infelizmente, a paciente veio a óbito.
Mesmo eu já tendo lidado com diversas mortes durante uma cirurgia, como médico profissional, ainda sim é frustrante.
- Hora da morte? — Perguntou Shikamaru.
- 27 de setembro de 2015, às 19h44min. — Respondeu uma enfermeira ali presente.
- Identificaram a mulher? — Indaguei.
- Sim, inclusive, um familiar já está aqui. — Falou meu amigo enquanto escrevia em uma pauta.
- Então você avisa.
Sempre odiei esta parte. Avisar ao parente que a cirurgia fracassou... É desumano.
- Já avisei.
- Não vi ninguém sair da sala. — O olhei de esguelha.
- Bem... — Shikamaru coçou a nuca. — Você já viu o rosto da mulher?
- O que isso importa? — Revirei os olhos enquanto me dirigia ao corpo.
- Me desculpa... Por não ter contado desde o início quem era a paciente. — Murmurou ele.
Meu sangue gelou.
Foi drenado para fora do meu corpo.
Minha voz não saía e um nó se formou em minha garganta.
Um rosto fino e delicado, alva como a neve e cabelos brilhantes da cor rosa. Cílios longos e uma aliança em sua mão esquerda.
Fria como a morte.
Esta mulher era minha esposa.
Notas finais
Capítulo pequeno, mas é só o comecinho hehehe
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