Querida Lola...

3 Capítulo 3 - L&A ♥


Lola estava namorando Brady, o ex-namorado de Erin. Ou o que eu achava que era o ex-namorado dela. De repente, estávamos nós quatro — eu, Lola, Brady e Erin — estávamos sentados no sofá da mansão de Lola depois que eu havia feito um escândalo, ligando pra a minha falsa namorada que veio depressa apenas para explicar o plano maligno dos três.

— Antes de tudo, você precisa se acalmar, Adam. — Lola começou.

— Me acalm... Me acalmar?! — berrei — Vocês me fizeram namorar Erin porque ela me disse que queria fazer ciúme no Sr. Perfeito aí! E aí você, a garota que eu sou apaixonado desde que eu a vi — e que sabe disso! —, me diz que não é para me apaixonar pela sua melhor amiga porque aparente ela é apaixonada por mim. Aí eu venho aqui, tentar expressar todo o meu amor incondicional por todos os seus detalhes e então eu descubro que... Que você namora o Brady.

— ...Em segredo. — Brady ressaltou, com medo de que eu falasse alguma coisa.

— É, tanto faz. — bufei.

Erin segurou a minha mão e eu a olhei enfurecido.

— Não nos leve à mal, Adam. Lola e Brady não podem oficializar o namoro por conta de um problema que eles tiveram com a direção e o time da escola. Eles só poderiam continuar em suas atividades extra-curriculares caso não estivessem juntos. O diretor já estava começando a desconfiar, então a gente armou essa pra você... Perdão.

Me levantei e parei na frente da porta da frente.

— Pelo menos agora eu tenho razões o suficiente pra nunca mais me esforçar por você, Lola. — então voltei pra casa.

Mike ainda estava lá, deitado no meu sofá com um pacote de salgadinhos e assistindo à TV. Contei o que aconteceu pra ele e ele ficou boquiaberto. Dizia umas coisas meio femininas, tipo: "Nossa, que vaca!" ou "Eu não acredito que ela fez isso". Então ele terminou de ouvir tudo dizendo:

— Eu acho que você devia tomar ela do Brady.

— Ah, claro. Como eu não pensei nisso antes, não é mesmo? — ele sorriu satisfeito — Eu não sei como conquistar Lola Brown! Além do mais, eu prometi que não ia mais me esforçar por ela...

— Exato! Pra conquistar uma garota como Lola que é obcecada por atenção, tudo o que você tem que fazer é justamente o contrário: não dar-lhe atenção. — ele deu um sorriso cheio de expectativas, como se ele fosse o maior galã que esse mundo já viu.

Fiquei parado por um tempo olhando pra ele.

— Essa é a coisa mais ridícula que eu já ouvi.

— Ah, qual é! Faz isso só por uma semana vai, cara.

— Tudo bem. — cedi — Agora some pra sua casa, xô. Tem aula amanhã e já são 20h.

— Você que manda, Adam! Boa sorte! — então ele saiu saltitando e rindo.

Tomei um banho, voltei pra cozinha, preparei uma comida rápida e fiquei pensando em mil maneiras de conquistar uma garota tão incrível como Lola. Certamente eu não devia agir como Brady, um cara popular, sempre rodeado de garotas e raramente de bom humor. Talvez o que atraia as mulheres pro lado dele sejam os olhos verdes e a pele morena. Que mulher resiste à um tipo desse? Não Lola.

Me olhei pelo reflexo da cristaleira e avaliei minha aparência: cabelos castanhos, lisos que estão sempre bagunçados (já perdi a conta de quantas vezes eu tive que cortar os nós que se formam, deixando um corte horrível), olhos castanhos, nariz pontudo e reto, lábios grossos e eu ainda usava aparelho. O que Lola Brown iria querer com alguém como eu?

Mas eu disse para Mike que iria tentar. Lavei a louça e fui dormir. Na manhã seguinte, eu coloquei qualquer roupa do meu guarda-roupa e fui pro colégio. Já que eu estava bancando o cara que não liga pra nada, vamos pelo menos fazer direito.

A parte mais esquisita é que estava dando certo. De repente, Lola sentia uma necessidade estranha de chamar a minha atenção, mas eu não queria dar a minha atenção à ela. Era como se ela não valesse a pena, porque sinceramente, não valia mesmo. Teve um momento em que Lola jogou os materiais na minha frente e então se abaixou, desculpando-se. Eu a olhei e disse:

— Tudo bem, mas olha por onde anda. — e saí andando. Nunca me senti tão bem na vida inteira.

Mas no final daquele dia em que eu acabei me esforçando mais que o usual por Lola, a vi parada ao lado da minha bicicleta. Ela nem tinha visto que eu estava ali. E estava tão mais linda daquela maneira. A luz do fim de tarde refletia tenuemente em seu corpo, deixando tudo ali ainda mais lindo que o habitual. Seu vestido de marca, curto com estampa xadrez, o cabelo solto jogado pro lado, o jeito que ela estava segurando os materiais e como ela estava se equilibrando pra ficar tanto tempo parada naquele salto alto.

Depois de passar uns cinco minutos aproveitando essa visão, resolvi ir falar com ela, do jeito que eu estive atuando o dia inteiro:

— Oi, Lola. — ela se virou e deu um sorriso.

— Adam, oi! Eu prec... — a interrompi.

— Tem como dar licença do caminho? Preciso passar com a bicicleta. — fui mais seco do que eu quis estar. E isso foi péssimo porque ela percebeu e deixou o fichário cair no chão pra me agarrar pela gola da camisa e dizer:

— Olha, eu até entendo todo esse teatrinho que você fez o dia todo mas eu vim aqui pra me desculpar pelo meu péssimo comportamento com você! E você nem liga pra isso? — fiquei inexpressivo — Ótimo. Então espero que você passe noites em claro pensando nisso.

— Nisso o quê?

Foi aí que Lola puxou meu rosto e me beijou. E não foi só um beijo daqueles de filme que é um selinho e pronto acabou. Não. Foi um beijo de verdade. E ela fez isso só pra depois sair andando de volta pra sua BMW. Tudo o que ela queria, realmente, era fazer eu pensar sobre isso.

E conseguiu. Por semanas, eu fiquei com esse beijo martelando na minha cabeça. Mas não foi porque ela me beijou. Foi pelo jeito que ela me beijou. Só pra me deixar uma marca, uma ferida. Só porque ela sentiu a necessidade de me deixar remoendo essa cena por vários e vários dias. Por isso eu estava tão mais bravo ainda com Lola.

As provas estavam chegando e eu nunca mais havia falado com Lola, nem Lola comigo. Mas eu sabia que isso ia mudar em breve. Pra ser mais exato, no dia da prova de química. A semana de prova no meu colégio era assim: Das oito até às dez, ficávamos "livres" para estudar mais um pouco ou preparar uma cola — o que geralmente, era o que acontecia — e depois, das dez até às quatro fazíamos a prova. O que eu fiz nas minhas três horas de vantagens foi seguir Lola, enquanto ela não me via.

Isso pode parecer uma cena de estupro, mas não foi. Não exatamente. Quando eu consegui um momento sozinho com Lola — mesmo que ela não estivesse ciente disso —, já tinha se passado uma hora e meia e meu tempo estava apertado. Mas também, o que eu estava esperando da garota mais popular do colégio?

Ela estava linda ali, sentada na quadra de basquete da escola, usando aquela calça jeans e a blusa amarela. Estudando alguma coisa que ela não estava entendendo. Foi aí que eu apareci. Parei na frente dela e disse:

— Realmente, Lola, você me fez pensar bastante com aquele beijo. — ela se levantou e deu um passo para trás — Fica tranquila, eu não vou te matar.

— O que você quer? Você precisa entender que eu não consigo...

— Não consegue não ter mais um trouxa que nem eu morto de amores por você. — completei.

— Não é bem assim... — ela tentou se explicar, mas eu fui chegando mais perto e mais perto — Quer dizer, eu não sou tão egocêntrica quanto você acha que eu sou.

Quanto mais perto eu chegava, mais ela se afastava. E quando percebi, eu havia a prendido contra a parede. Meu rosto estava tão próximo ao dela que eu mal conseguia pensar, o perfume dela me deixava fora de si.

— Então é como, Lola?

— Eu não posso ficar com você, Adam. — e me afastou de um jeito que parecia que ela estava se esforçando muito pra fazer aquilo.

— Por que não? Agora que eu sei que você também gosta de mim, nem que seja só um pouquinho, eu não vou parar de tentar.

Ela sorriu.

— Por mais que eu tenha vontade de estar com você, eu também tenho sentimentos pelo namorado. Lembra? O que eu tenho? — ela tentou fazer uma piada que acabou soando um tanto infeliz.

— É, eu lembro disso. — suspirei — Mesmo assim eu espero que você saiba que eu não desisti disso ainda. — ela arregalou os olhos — Eu vou esperar por você.

A puxei pela nuca e dei um beijo em sua testa. Quando estava indo embora, me virei pra dizer:

— Eu amo essa sua blusa.

— Obrigada. — ela riu.

Notas finais
Eu demorei literalmente uma madrugada e um dia inteiro pra escrever isso. Eu espero do fundo do meu coração que vocês tenham gostado tanto quanto eu