Querida Jadelyn
9 Série de Boas Escolhas
Notas iniciais
RESUMO DOS CAPÍTULOS ANTERIORES...
Beck e Jade terminaram fazia meses e Jade simplesmente não aguentaria deixar isto passar em branco. Enquanto criava sua própria peça para estrelar na escola e não conseguia obter pessoas interessadas nos seus papéis (isto porque Hollywood Arts ainda morria de medo dela), Jade decidiu usar a mente e se vestir e agir de maneira diferente para atrair as pessoas pra ajudá-la nesta realização. Só que aproveitou o plano para fazer uma 'vingancinha leve' contra o cara que quebrou seu coração — o Beck. Será que ele se importaria? Teria ciúmes? Isto ela estava descobrindo com sucesso... Mas será que tudo iria por água abaixo? Ou a Jade se apaixonaria de novo pelo seu ex-namorado? E ele... Também duvidava do que sentia por ela? Se sim, agora não mais.
FIM DO RESUMO DOS CAPÍTULOS ANTERIORES...
Capítulo 09 — SÉRIE DE BOAS ESCOLHAS
POV Beck
Banco traseiro do meu carro, minha Jade, portas trancadas e janelas escuras. Não poderia ter nada melhor no mundo... E enquanto isto o restante de Hollywood Arts estava tendo aula bem longe da gente. E eu tinha mesmo era que agradecer ao Lane por nos ter dado o dia de folga. O único apesar era ter de voltar a tempo para o teste de Backfire, pois se chegasse atrasada, Jade me matava.
Estranho para mim é que isto não importa... Porque vestida, ou não vestida, daquele jeito ela já estava me matando. E enquanto se desfazia da sua blusa lentamente e revelava um pequeno pedaço de pele a cada minuto, ela estava me matando e me levando para o inferno.
Eu não sabia o que ela queria. Não sabia se ela iria voltar a namorar comigo depois daquilo tudo, era o que eu desejava... Mas ela estava com o Daniel. Não estava? Eu não me importei muito para este fato quando a vi nua na minha frente. Não mesmo. Quem era Daniel, afinal?
Mesmo se não fossemos namorar eu a tinha. Eu queria ficar perto dela. Eu tinha que ficar perto dela... Nosso namoro não dava certo, mas ela e eu dávamos. Se estivéssemos mais velhos e talvez casados com outras pessoas, eu tinha toda a certeza do mundo que seríamos amantes. Era algo que já vinha predefinido no universo e não tinha como mudar, e não, eu não me queixava disto.
– Esta sua saia é muito curta, você não acha? – Ela se sentou em cima de mim, ainda usando aquela peça vermelha. – E nem tem comentários para a sua blusa.
– É um corset. Mas não vem ao caso agora, eu estou sem ele e é nisto que você deve se focar. – Ela riu e se inclinou para me beijar, deliciosamente.
Eu não acho que poderia ama-la mais do que já amava. Ou sentir mais saudades do que já sentia, e até ansiar por ela cada vez mais...
Mas depois daquela diversão úmida e secreta dentro do meu carro, eu sabia que isto era possível sim.
POV Jade
Eu fiz o meu melhor para deixar o meu cabelo apresentável e um pouco menos bagunçado, ou fingir que esta era a minha intenção. Beck poderia ter uma tara menor pelo meu cabelo, ou qualquer outra coisa minha, ou tentar não deixar tudo tão quente e abafado (e bom) para fazer minha maquiagem borrar daquela maneira. Eu estava no colo dele, no banco de passageiro tentando me arrumar no espelho. E ele só me observava com o um sorriso nos lábios.
– Você sabe que você está muito sexy, não sabe? – Ele murmurou para mim. Nós dois estávamos já vestidos e quase prontos para sair, eu não poderia dar ouvidos para ele se não nos atrasaríamos para o teste.
– Defina sexy. – Eu pedi, tentando apagar com maquiagem alguns chupões na minha pele onde a roupa não cobria.
– Não adianta o quanto tente esconder, mas seus seios estão quase que para fora. Seu pescoço tem marcas minhas. – Ele fez questão de enfatizar que eram dele. – Seu cabelo está bagunçado, seus lábios vermelhos tentadoramente inchados e lembre-se de que nós perdemos a sua calcinha e sua saia está exageradamente curta para ficar andando nos corredores da escola.
Eu só consegui rir dele e ficar vermelha. Enfim, era um preço que eu teria que pagar.
Minha barriga roncou e eu olhei o relógio, já eram quase uma hora da tarde e havíamos perdido todo o tempo do almoço. Mas não tínhamos aula mesmo, então só deveríamos comer algo para repor a energia que gastamos durante estes últimos minutos.
– Parece que você realmente cansou.
Eu parei e olhei para ele, confusa. – Só parece?
Ele riu e beijou o meu pescoço, enquanto fitava o nosso reflexo no espelho.
– Você quer continuar hoje de noite no RV? – Os braços dele me envolveram pela cintura enquanto eu não pude evitar um sorriso.
– Só se você for um bom garoto durante esta tarde, me acompanhando no teste.
– É claro. Depois desta eu não vou te largar. E eu tenho que ficar vigiando para nenhum cara conseguir ver por baixo da sua saia.
Eu ri enquanto me virei para beijá-lo. Nunca poderíamos nos separar de novo.
Eu nem fazia ideia de como continuaria com o meu plano.
Abri as portas grandes do Teatro BlackBox para me deparar com ele vazio e escuro. Beck estava atrás de mim, pedi para ele ligar a luz e abrir as cortinas enquanto eu joguei as nossas mochilas nas primeiras poltronas que estavam mais próximas do palco.
– Eles chegam que horas?
– Não sei. Tori vem com eles. Duas horas precisamos de todos aqui.
– Por que a Tori?
– Ela só está me ajudando porque eu a deixei participar. – Eu suspirei enquanto peguei meu celular e liguei para ela. O que diabos eu poderia fazer? Estava com receio de começar mais uma conversa nova a sós com o Beck e ele me pedir para voltar, sendo que com toda certeza eu aceitaria. Eu aceitaria tudo dele naquele momento. Eu estava tão apaixonada e perdida.
Era algo péssimo para se estar, sendo o que eu precisava para me reestabelecer no meu universo escuro era me vingar dele. Mas eu tinha acabado de fazer sexo selvagem com ele no banco do seu carro e dependendo de mim hoje à noite continuaríamos em seu RV. Como que eu poderia continuar com isto?
Eu estava louca. A essência dele predominava no meu corpo, pode ser constrangedor e muito cômico, mas sensação estranha de estar sem calcinha me lembrava de cada momento em que ele me tocou lá embaixo...
E eu só sabia que ele merecia sofrer por ter causado o nosso término.
Mas... Talvez estes primeiros dias sendo a Ann foi o suficiente para deixá-lo intrigado. Talvez ele já saiba dos meus interesses com o Daniel, talvez ele tenha sofrido alguma coisa.
Não é o suficiente para apagar ou até amenizar toda aquela dor que você sentiu. Se eu pensava que iria voltar com ele tão fácil, seria melhor eu rever os meus conceitos... Ele merecia muita dor.
Observei sua figura bonita olhando em minha direção, enquanto o meu telefone chamava por Tori sem sucesso.
– Qual é? – Resmunguei enquanto ninguém atendia. – Esta Tori é uma idiota mesmo.
– Você fica tão linda brava. – Ele sorriu... E aquele sorriso... Me matava. Eu prendi minha respiração na tentativa de não amolecer e cair no chão.
Eu já tinha visto aqueles sorrisos tantas vezes. De tantas maneiras, de longe e de perto... Por tantos motivos! Por que eu ainda tremia toda vez que ele sorria?
Antes que eu pudesse fazer algo, a porta do teatro se abriu mais uma vez com tudo. Para revelar uma Tori arfando, cansada, descabelada e toda bagunçada. Ela correu visivelmente irritada em minha direção.
Eu poderia ficar com medo de um bicho silvestre como a Tori Vega, mas eu era a Jade West – ou a Ann, tanto faz – e ela não me assustava. Eu já havia presenciado medos piores.
– O QUE DIABOS ACONTECEU?
Ela gritou para mim.
Beck colocou uma mão no meu ombro e me puxou para trás, quase que automaticamente, enquanto o olhar ameaçador de Tori me fitava como se eu fosse a sua presa.
Será que ele pensava que ela poderia fazer algum mal a mim? Nossa, como ele estava enganado!
– O que? – Perguntei super calma e paciente.
Ela respirou fundo.
– Você... E o Alex Gooding... O que aconteceu? Ontem? O que aconteceu? E o Beck? O que aconteceu? – Ela respirou mais uma vez para pegar fôlego, enquanto era perceptível que ela estava muito estressada com isto. – O que aconteceu?
– Ah... – Desconversei alegremente. Eu adorava brincar com a cabeça das pessoas! – Ele só foi meio rude, e me atacou no corredor... Só isto. Mas o Beck veio e bateu nele.
– Bateu nele? – Ela perguntou. E Beck ficou na minha frente.
– Ele só foi meio rude? – Ele me perguntou confuso e irritado.
Eu sorri e assenti.
– Como que você ficou sabendo disto, Tori? – Perguntei para a menina louca.
– A Trina me contou hoje no almoço. O terceiro ano todo sabe, parece que ele espalhou isto no TheSlap ontem pela tarde. Eu só não sabia se era verdade... Muita gente dúvida de fato que é mentira... Por que você sabe, — ela parou e olhou para mim. – Você é assustadora.
– Eu sei disto. – Pisquei para ela.
– Olha Tori, a Jade está tentando esconder seus verdadeiros sentimentos porque eu tenho certeza que ela não se sente bem com isto. Mas a verdade é que ele teria feito algo muito cruel com ela, eu vi isto. E se eu não tivesse interferido ela não teria conseguido se defender, e esperaríamos só o pior, já que a nossa Jade não é mais a nossa Jade.
– O pior como?
Beck falou na minha frente, me interrompendo. Eu não me sentia ruim com isto. Estava tudo bem comigo, tudo bem, tudo absolutamente bem! Não havia razão para sentir algo ruim, já que ele não havia feito algo muito cruel, como o Beck disse. Não é? Estava tudo muito bem.
– Ele é o único suspeito por ter matado uma dançarina de boate. O único. E ele voltou para a Inglaterra ontem porque foi deposto e expulso de Hollywood Arts. – Beck continuou falando enquanto Tori ouvia atenta. – As leis de lá são diferentes, de modo que ele não vai pagar nada por ter feito aquilo aqui com Jade... Isto não é absurdo? Ele só vai pagar pela morte daquela mulher, que também é da Inglaterra porque se não o caso seria julgado aqui! E sendo assim eu poderia matá-lo na hora do julgamento. Mas apesar de que isto apenas o pouparia de dor... – Beck parou de falar enquanto pensava sozinho. Eu nunca tinha o visto assim.
– Nossa... – Ela estava surpresa. E eu mais, de fato... Ver o Oliver todo protetor sobre mim era algo bom. Talvez fosse melhor parar de ser a Jade forte e amedrontadora para sempre, assim ele gostava mais de mim.
E Tori me puxou para perto. Muito rápido, me tirando de meus pensamentos. – Qual é o seu problema?
– Hã? – Eu questionei.
– Você está usando isto aqui? Hoje? Sendo que o que aconteceu foi ontem? – Ela brigou comigo. – Por que seu top é muito curto? Jade pode acontecer aquilo de novo. E pode ser pior!
– É o que eu falei! – Beck brigou comigo também. Ah, qual é?
– Ei! Eu uso o que eu quiser e quando eu quiser! – Revidei com eles. – Se eu quiser mostrar a minha bunda ou os meus seios eu mostro e isto não vai ser convite para ninguém me estuprar! Então calem a boca.
E eu nem havia percebido que tinha agido como a Jade novamente.
Ann, foque em Ann...
Sorri para eles. – Agora se me dão licença eu tenho um teste para fazer.
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