Querida Emely

4 O olhar escondido


Depois de descobrir o porque de Emely ser tão solitária resolvi conversar com ela, era tarde mais ou menos 17:45 encontrei ela na margem de um lago perto da entrada do cemitério, ela estava desenhando, estava me aproximando dela até que falou:

– Precisa de alguma coisa?

É, ela notou minha presença, continuei e me sentei ao lado dela e falei:

– Nada não, só quero conversar com você, alias, o que você está desenhando?

– Desenho...

É, bem parecida com German na ironia, tive que olhar o desenho dela e me surpreendi, ela estava desenhando o cemitério, o desenho era realista, era perfeito. Depois de ficar admirando o desenho, comecei a falar:

– Sabe, eu nunca tive uma mãe de verdade, a minha morreu ao me dar a luz e então fui criada só pelo meu pai...

– Pelo menos você sabe o que é ter um pai de verdade e eu que nem tive a chance de conhecer meu pai verdadeiro.

Ela falou e me confundi, então German não era o pai biológico de Emely?

– German não é seu pai verdadeiro? e Eva?

Falei como se não ouve-se entendido e ela falou:

– Na verdade eu sou adotada e fui criada num orfanato pela diretora.

Ela falou naturalmente, então não me controlei e perguntei, para alguns podia ser a pergunta mais besta do mundo e para outros uma curiosidade:

– Por que você não sorri ?

Ela me olhou e falou:

– Eu sou assim mesmo.

Ela falou naturalmente mas senti algumas palavras escondidas nas voz:

– Sabe, eu tenho muitos sonhos e um deles é se tornar uma grande escritora, eu gosto de viver num mundo paralelo e ....

– E ser feliz para sempre.

Ela completou e pela primeira vez vi ela sorrir, um sorriso perfeito como se algum anjo vivesse nela, e ela continuou a falar e sorrindo cada vez mais:

– Eu também, eu queria ser uma grande pintora e ser reconhecida, estou morrendo, mas tudo bem.

Ela falou tão naturalmente e percebi que muito que estão morrendo são mais felizes do que aqueles que tem vida longa mesmo não demonstrando sentimentos, naquele dia percebi que mesmo não demonstrando sentimento algum você mais feliz do mundo, naquela hora eu sorri como nunca tinha feito e percebi que os anjos tinha razão de levar ela. Depois ela fechou os olhos e começou a cantar:

Time it does not matter
But time is all we have to think about
To think about
The road it has no end
Crossroads every turn and so it got goes
So it goes

(O tempo não importa
Mas o tempo é tudo o que temos para pensar
Para pensar
A estrada não tem fim
Cruzamentos em cada esquina e assim vai
Assim vai)

Once you sang a simple song
It got confused, went too long

(Uma vez você cantou uma canção simples
Ela ficou confusa, faz muito tempo)

Why does the promise fade?
You lie on the bed you made
Stranger than fiction, further from the truth
Beyond imagination those seeds have taken root
Wild as a dream could be
From black and white to blue and red
Golden circles float above tour head

(Por que a promessa de desaparecer?
Você se deita na cama que fez
Mais estranho do que ficção, mas longe da verdade
Além da imaginação essas sementes têm raízes
Selvagem como um sonho pode ser
Ir de uma situação boa a uma pior
Círculos dourados flutuam ao redor de uma cabeça)

Once you sang a simple song
It got confused and now it's gone
Once you sang a simple song
It all went wrong
Time it does not matter
Time is all we have

(Uma vez você cantou uma canção simples
Ela ficou confuso e agora se foi
Uma vez você cantou uma canção simples
Tudo deu errado
O tempo não importa
O tempo é tudo que temos)

Deep Purple– A Simple Song

Quando ela terminou ela riu e me abraçou e disse:

– Você é muito parecida comigo e é por isso que quando você chegou eu vi eu mesma outra vez sorrindo.

É como a musica diz : "O tempo não importa, mas o tempo é tudo o que temos para pensar"... E a partir daquele dia um olhar dela foi descoberto.