Notas iniciais
É uma linda história! É muito emocionante!Leiam, que vocês não vão se arrepender!BOA LEITURA!!

Ela se foi. As lembranças ficaram, mas, boa parte permaneceu com ele, enquanto a outra foi com ela. Conrado estava acomodado na poltrona do seu quarto. Depois que recebeu a noticia da morte de Lana, sua namorada, sua vida se devastou instantaneamente. Lana sofria de Leucemia há sete anos. Na verdade, ela foi diagnosticada em 2006, quando tinha 15 anos. Ele nem a conhecia, o que viria acontecer quatro anos depois, quando ela estava sem evidência de câncer. Eles se conheceram em uma livraria do shopping, quando ela lia A Fúria dos Reis. Lana cobria a cabeça já raspada com um lenço amarelo com estampas de açucenas. Conrado divagou, esqueceu da realidade ao ver aquela figura que já fizera quimioterapia. Ela é tão linda!. A moça tinha uma voz angelical enquanto falava com ele. Os dois propunham comer juntos na praça de alimentação, ir assistir a uma sessão de cinema, enfim, viver uma aventura juntos. No momento em que ela retirou o lenço da cabeça, o cabelo havia crescido, mas curtinho. Corte Joãozinho. Mas mesmo assim, ela continuava bonita...

2014. Lana estava debilitada, incapaz de andar. Estava entubada, respirando com ajuda de aparelhos, um cateter no nariz. Conrado quase não saía da enfermaria, onde ela estava internada até os últimos dias. Ela estava feliz, embora tivesse muito pouco tempo de vida. Conrado lhe acariciava a mão, macia e fraca. Pálida. Os dois tinham hábito de tirar fotos, mesmo nos últimos momentos dela.

Porém, o triste dia chegou ao amanhecer. Ao abrir os olhos, Conrado apalpou-lhe a mão pálida, mas ainda macia. Nenhum sinal de respiração, tampouco o calor da vida. Ela morreu. Pensou. A equipe médica e os enfermeiros tratavam de determinar o óbito e de retirar o corpo. Nem mesmo consolo do médico, que era responsável pela sua namorada, conseguiu consolá-lo, que se devastava ainda mais com a perda.

Logo que retornou do enterro, após sair de sua poltrona, Conrado foi até a cozinha para beber uma garrafa de cerveja. Retorna à sala, onde avista um papel dobrado em quatro partes, na mesa central da sala de estar. Pousa a garrafa sobre a mesa, pega o papel e começa a desdobrá-lo. É uma carta escrita por Lana, na véspera da morte. Como ela haveria de ter deixado a carta aqui? Pode ter sido o seu pai, sendo que era órfão de mãe. O pai era muito simpático com Lana, sempre esteve ao seu lado até morrer. Ela tinha uma bela caligrafia! Como se fosse de um escritor do século XIX, época do Romantismo e do Realismo/Naturalismo. Lana era uma leitora assídua de Machado de Assis, Aluisio Azevedo, Álvares de Azevedo, desses escritores clássicos. Conrado começou a ler a carta.

São Paulo, 12 de setembro de 2014,

Conrado, meu amor, se você estiver lendo essa carta, é porque eu estou sendo breve, pois estarei indo embora da vida para o outro lado dela. Eu entendo que você esteja muito abatido com a minha morte, eu também passei por isso quando perdi a minha mãe. Sei que a morte é inevitável e que devemos superá-la, mas é muito difícil. Você sabe que eu lhe contei que eu fui diagnosticada aos 15 anos com um tipo raro de Leucemia. Eu vinha lutando contra essa doença por meio de radioterapia, quimioterapia, perda do cabelo... Mas, enfim, consegui ganhar a batalha em 2009. Mas foi uma batalha aparente, temporária, pois a doença poderia vir a qualquer momento. Mas, dois meses antes de morrer, eu sentia uma tontura, dor de cabeça, corpo todo dormente e dolorido, que fui capaz de te chamar para me levar às pressas para o hospital. Embora com a visão turva naquele momento, pude ouvir a sua respiração ofegante, me carregando para dentro do hospital, me colocando direto na maca... Eu senti. Senti que naquele momento, eu não teria muito tempo para viver, estar ao seu lado. Mas, por outro lado, consegui aproveitar todo o tempo disponível que eu tinha com você e com os nossos amigos. Por isso, vendo que eu irei morrer amanhã ou outro dia, se eu estiver em estado vegetativo, tratei de escrever uma carta, a última da minha vida, por que eu queria ter a mesma chance que você, Conrado, a mesma chance de viver, de ter filhos, concluir a faculdade de Letras, ser avó. Mas estou contente de ter ver seguindo a sua vida, o seu trabalho e, acima de tudo, valorize a sua vida, siga em frente, porque continuando desse jeito, tipo, não superando a minha perda, vai ficar difícil para você, assim como para mim. A última coisa que eu quero, é que você saiba que estarei sempre ao seu lado, meu amor, sempre morando no seu coração, pro que der e vier.

Eu te amo, Conrado.

Do seu amor, Lana.

Terminado de ler a carta, Conrado olhou para a janela, daí para o céu nublado. Se aproximado, ele sussurrou, em um tom inaudível:

– Eu te amo, Lana, meu amor!

Notas finais
Comentem gente. Quem estiver chorando aí, chorem, porque é muito emocionante! Ah, quem não sabe o que é açucena, açucena é uma flor.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!