Queria eu florescer em alegria, mas aprouver Deus que estivesse enraizada em terras inférteis e rodeadas por amargura, onde vida não há senão a minha.

E quem me dera ser como a rosa, soberana, majestosa, sempre a gabar-se de sua beleza e fragrância. Mas sou uma simples erva daninha que apenas serve para contaminar — contaminar-se — (com) as possíveis plantas que possam se aproximar involuntariamente.

Queria eu viajar para terras distantes e desenfadar-me desse céu monocrômico. Mas tenho medo e por isso não chego a dar o primeiro passo — apenas permaneço inerte, observando essas vagas nuances de azul que discorrem sobre minha cabeça.

Tudo segue mediocrimente cronometrado e tempo não encontro para me desfazer dessa insólita melancolia, que começa a sufocar-me a cada dia que passa.

Queria eu ser poeta, mas não passo de efêmera datilógrafa. E enquanto divago por sonhos improváveis a folha em minha frente permanece em branco; apenas à espera de que ponha-me a (tentar) escrever sobre algo que talvez nunca chegue a ter verdadeiramente — felicidade.

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