P.O.V Claire Hampton

—Doutora Hampton, eu não sei mais o que fazer com ele! — Beatrice é mãe de um paciente, eu atendo Elliot desde que comecei aqui no hospital, e desde que comecei aqui no hospital a mãe me fala dos mesmos problemas.

—Veja bem Senhora Beatrice...- Arrumei a postura na cadeira, pensando nas palavras que eu poderia usar. — Acredito que Elliot deva ir a um psicólogo, os problemas que a senhora me relata estão sempre ligados ao psicológico de Elliot. — A mulher me olhava com extrema atenção. — Veja, a senhora me disse que ele teve febre recentemente, não foi?

— Sim, semana passada. — A mulher que já deve ter por volta de seus quarenta anos assentiu.

—E não foi nessa mesma semana que a avó dele se mudou para Boston? -Questionei, eu entendo que seja difícil para alguém como a Senhora Beatrice aceitar que Elliot precise de acompanhamento psicológico, mas ele precisa.

—Foi, há uma semana minha mãe se mudou para Boston.- Beatrice concordou -Mas ele não era próximo dela. — A mulher argumentou.

—Aparentemente ele não era próximo dela, mas não podemos saber o que se passava dentro dele. — Disse de modo suave, agora o que essa mãe menos precisa é que eu seja bruta. — Senhora Beatrice, pelo que posso observar, Elliot tem problemas em demonstrar sentimentos. — Relatei, já havia percebido que o garoto tem problema em demonstrar o que sente. — Talvez um acompanhamento psicológico o ajude a se envolver mais com as pessoas. -Falei para a mulher sentada a minha frente.

Beatrice assentiu, entendendo que o melhor seria levar Elliot a um psicólogo.

—Tudo bem! -A mulher concordou já se levantando dá cadeira -Obrigada Doutora, levarei Elliot para uma avaliação psicológica.- Beatrice me estendeu a mão, e eu que repeti sua ação de se levantar da cadeira retribui o aperto de mão.

—Imagine Beatrice, é sempre um prazer!- sorri simpática, procurei Elliot com os olhos, o garoto de onze anos estava sentado numa poltrona no canto da sala e vidrado no celular. -Até logo Elliot! — acenei para ele enquanto o garoto e a mãe saiam da minha sala.

Quando por fim estava sozinha, me joguei em minha cadeira de couro rosa claro. Sinceramente, eu amo meu trabalho, mas sempre que atendo crianças com problemas em se expressar e vejo que suas famílias são extremamente tradicionais ou das alta sociedade, me sinto mal, essas crianças lembram a mim mesma.

—Doutora Hampton, sua mãe está aqui.- Rose, minha secretária, avisa de modo discreto.

—Obrigada Rose!- Agradeço e recebo um pequeno sorriso em troca. -Paciência Claire, paciência.

Levantei já preparada para o que estava por fim, tirei o jaleco e o deixei pendurado na cadeira, assim que coloquei meus pés para fora dá sala eu a vi.

Ashley Allen Hampton, uma socialite, casada com Edward Hampton, um grande empresário, e minha mãe. A semelhança entre nós duas chega a assustar, os fios negros, os olhos âmbar, a pele branca, os traços do rosto, somos muito parecidas no quesito aparência, apenas na aparência. Ashley é uma mulher fútil, leva uma vida confortável e só se importa com sua própria imagem.

—Oi querida! -Ela me cumprimentar​ com dois beijos no rosto. -Como vão as pestinhas?- Ela me sorri, e eu me forço a sorrir de volta.

Ao contrário do que muitos pensam, meus pais não gostam nem um pouco do fato de eu ter escolhido uma carreira médica, na verdade, o sonho deles era que eu me tornasse uma socialite como minha mãe.

—As crianças estão bem, mamãe. -Falo dando ênfase a palavra crianças, para ela entender que não são animais, e sim seres humanos.

—Então vamos, temos uma reserva no Mercy. -Ela enganchou nossos braços e saiu me puxando.

—Rose! Eu volto logo! — gritei para minha secretária, que assentiu me lançando um olhar de pena.

—Tchauzinho Rose, querida.- Ashley gritou.

Por onde passavam os atraiamos a indesejada atenção dos médicos, principalmente dos mais velhos que queriam ver minha mãe vestida naquele micro vestido rosa e justo. Quando por fim saímos para rua eu pude relaxar, me preparei para andar até o Mercy, um dos melhores restaurantes de Londres, que era meio longe do hospital, mas minha mãe me puxou para o outro lado, ação que eu estranhei até ver o carro preto.

Charles estava parado ao lado da BMW X1 de Ashley, o homem já deve ter por volta de seus cinquenta anos, os cabelos ante pretas agora são brancos e os olhos castanhos são os mesmos dá minha infância.

—Boa tarde senhorita Claire. -Ele me cumprimenta, abrindo a porta para que eu e Ashley possamos entrar.

—Boa tarde Charles! — Sorri para o homem que praticamente me criou.

—Charles, pode nos deixar no Mercy. -Mamãe avisa, se encostando no banco, enquanto Charlie assentiu com a cabeça e correu para entrar no carro.

Minha família é reconhecida mundialmente, meu pai, Edward Hampton é um homem frio, dono de um império chamado "Diamon", onde ele vende joias das mais caras e preciosas, minha mãe, Ashley, é uma mulher fútil, como dito anteriormente, ela vive se metendo em causas sociais, não porquê se importa, e sim por quê melhora a imagem social. Eu nasci e cresci nessa família, foi quando fiz quinze anos que meu melhor amigo, Mason, morreu e eu decidi que já estava na hora de abrir os olhos, meus pais queriam a filha perfeita, mas ao invés disso tiveram uma filha médica, eu lutei muito pra fazer a faculdade de medicina já que meus pais não me apoiavam nessa decisão.

Meus pais só voltam ao "normal" comigo depois da minha formatura, quando eu já era uma médica formada.

—Querida, por quê não vamos ao shopping depois do almoço?- Ashley propôs.

—Não vai dar, tenho pós operatórios infantis para liberar, desculpe.- Disse tudo muito rápido, antes que ela tivesse a chance de me interromper.

—Tudo bem. -Ela deu de ombros, bem na hora que o carro parou na frente do grande restaurante.

Saímos do carro já em direção ao restaurante, a entrada tem uma iluminação maravilhosa, as paredes da entrada são feitas de vidro e as mesas rodas de mármore com toalhas de mesa vermelhas, contrastando com as cadeiras negras.

—Senhora Hampton? -O homem engravatado nos perguntou.

—Sou eu!- Ashley sorriu sedutora para o homem que deveria ser mais novo que eu, e eu tenho vinte e seis anos.

—Sua mesa já está pronta, me acompanhe, por favor.- O homem pediu de modo cortes.

Sorrio em agradecimento para o homem que nos leva em direção a mesa, assim que nós acomodamos ele se retira pedindo licença.

Essa é umas das coisas que eu mais odeio, o fato de que em todo lugar que eu vou com Ashley acaba sendo uma chuva de fotos, penso enquanto sorrio para uma foto do jornalista que estava na mesa ao lado. Sempre que saio com ela acabamos discutindo, e sei que desse vez não será diferente.

—Odeio isso! -Resmungo assim que o jornalista se afasta, e o olhar de Ashley retorna a mim, mesmo que ela esteja reprovando minha fala.

—Não fale assim, eu e seu pai demos duro para sermos reconhecidos pela sociedade. -Ela conta, mesmo que isso seja uma vitória na cabeça dela, para mim é só mais uma amara social. -Agradeça por ter nascido nessa família. -Ela diz séria para mim, e eu não posso evitar o revirar de olhos.

Decido que agora não é hora para entrar numa discussão sobre seus pensamentos egocêntricos, foco minha atenção no cardápio que está inteiramente escrito em francês, me decido através do uni-duni-te já que não reconheço nenhum desses nomes.

Depois de um bom tempo e de um silêncio desconfortável a comida chega, e junto com ela o assunto tão odiado por mim.

—Como vai o Ian? -ela sorriu maliciosa e eu tive que me segurar para não falar coisa que não devia.

—Terminamos a dois meses.- dei de ombros, vendo se assim ela se tocava que eu não queria falar nesse assunto.

—Mas e os outros pretendentes? — É ela não vai desistir.

—Mãe, eu agradeço mesmo pelo almoço, mas eu tenho que voltar para o hospital, desculpe!- falei para a mulher sentada na minha frente, e ela não pareceu nada feliz com isso.

—Você não pode ficar fugindo disso para sempre, você precisa se casar antes que fique velha, pense sobre isso Claire.-Ela insistiu, e eu não pude acreditar no que ela disse.

—Claro, até porquê estamos em mil setecentos e oitenta, onde a mulher se casa pela idade e interesse dos pais e não por amor. -Rebato irritada, suspiro e me levanto da cadeira, não dando a mínima para a boa educação. -Eu realmente preciso ir! -Aviso antes de sai andado, ignorando que Ashley me chamava.

Assim que coloco os pés para fora do estabelecimento chamo um táxi na rua, entro e passo o endereço do hospital.

Pago o táxi e desço já na porta do hospital, me encaminho para dentro passando o cartão na catraca e vou para a área pediátrica, no caminho encontro alguns amigos e os cumprimento com um sorriso.

—Rose, eu vou resolver uns documentos e depois vou ver os pós operatórios, tudo bem? -Pergunto para minha secretária, que assente tudo com um sorriso complacente no rosto.

Entro na sala, coloco meu jaleco e me jogo na poltrona de couro rosa claro.

Minha sala é uma das mais fofas do prédio, já que como chefe da pediatria cuido dos pré operatórios, dos pós operatórios e das consultas semanais, divido entre todos os médicos e fico com alguns pacientes para mim. As paredes são de um amarelo bem clarinho, a minha mesa é branca e de um material que parece plástico, tem uma grande televisão passando desenho, brinquedos jogados no chão e uma grande prateleira enfeitada com Barbies e carrinhos de colecionador.

Suspiro e me arrumo na cadeira, desbloqueio meu Notebook e me preparo para começar o tabuleiro, mas antes que eu possa realmente começar ouço um tumulto do lado de fora dá sala e como a boa curiosa que sou me levanto para ir ver o que acontece.

Assim que abro a porta eu os vejo.

Um homem por volta dos vinte e sete anos, cabelos curtos e escuros, pele clara, olhos castanhos e terno de grife, em seu colo uma garotinha loira, de olhos verdes e com a pele bronzeada, lutando para respirar, a menina usa o uniforme de uma das escolas mais caras do país e eu sei disso pois já estudei lá.

O homem está tendo um surto nervoso com a secretária do andar, que cuida de toda a programação médica e Rose tenta o acalmar. Ando em sua direção sem nem pensar, assim que me aproximo ele se cala e a garotinha me olha angustiada, sorrio calma para ela e aponto para a enfermaria, para onde o homem vai sem nem discutir.

—Eu cuido disso!- Aviso as garotas e corro em direção a enfermaria.
Assim que chego vejo que Liza, uma de nossas residentes já está cuidando da garotinha.

—Esta tudo bem por aqui? — Questiono calma, em situações como essa a aflição pode piorar o estado do paciente.

—Doutora Hampton, está tudo sobre controle, foi só um ataque de asma.- Liza avisa, passa por mim e vai preencher um receituário que ela deixou na bancada.

—Então quer dizer que você tem asma? -Pergunto gentil para a menina que assentiu para mim, ainda com os olhinhos assustados. -Vai ficar tudo bem! -Falo passando a mão nos cabelos dela, e ela me abre um pequeno sorriso e se encosta no travesseiro da cama.-Você é o pai? -Mãe dirijo agora ao homem que está de pé ao lado dá cama da menina.

—Sou sim! — Ele sorri sem graça -Henry Morgan! -Ele se apresenta.
—Doutora Claire Hampton. -Digo apertando sua mão.

—Me desculpe pela cena, mas eu me assustei, as vezes eu perco a cabeça.- ela se desculpa, e eu sorrio.

—Tudo bem! — Abano a mão, dispensando suas desculpas- Ela vai ficar melhor, pelo que vi, Eliza já aplicou o remédio na veia, ela está no soro e vai melhorar. -garanto ao Senhor Morgan.

—Obrigada! -Ele sorri para mim, e céus que sorriso.

—Disponha! -Respondo, e me vou falar com Liza. -Quando o soro acabar a mande para minha sala, por favor! -Peço para a residente que assente e sorri gentil para mim.

Antes de sair da enfermaria olho para a cena, Henry Morgan é um homem lindo e tem uma filha linda, ele parece preocupado, já que enquanto ela dorme, por causa do remédio, ele a observa com um pequeno sorriso no rosto, e eu não posso evitar sorrir para a cena.

Notas finais
Capítulo ainda não revisado, então me perdoem pelos erros. Boa Noite Até Logo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.